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Full text of "Viagem dos imperadores do Brasil em Portugal"

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PERADORES DO BRÁS 



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Joaé Alberto Corte Real 

BachurH furni^do cm tliretla 

Uaztael António âa Silva Rooba 

Bstharel (winad^ «tu Tfaeúlofcln 

Aofinisto Mendes Simões de Cãstro 

Baebarei romiiia em Uir«<lo 






COIMBRA 

Imprensa da Unlvarsldada 

t872 



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É editor d'esta obra no Brasil o sr. dr. José Ma- 
rianno Carneiro da Cunha. 



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o SENHOR 



mm i?s^â(D m. ^^^^í^m^^ 



SEGUNDO IMPEEADOR DO BRASIL 



"«OilO- 




ADyERTENOLA. 

1 

Nenham príncipe foi ainda recebido em Portugal com mam- 
festações tão honrosas como o Imperador do Brasil e a Impe- 
ratriz, sua esposa. Suppondo que o conhecimento de quanto se 
passou de mais notável por occasião d*este fausto acontecimento 
«eria agradável ao grande numero de compatriotas nossos, que 
residem naquelle imperío^ e que todos os dias estão dando as 
mais significativas provas não s6 de amor á sua pátria, mas 
também de gratidão e affecto aos monarchas, sob cuja protecção 
« amizade se acolhem — occorreu-nos a idéa de colligir e coor- 
denar em volume a noticia da esplendida e affectuosa recepção 
feita pelo nosso paiz áquelles príncipes. Por este modo, ao me- 
amo tempo que satisfazemos a justa curiosidade dos nossos ir- 
mãos d*além-mar, consignamos um solemne testimunho dos no- 
bres sentimentos manifestados pela nação portugueza ao re- 
•ceber no seu seio um príncipe, que lhe está intimamente ligado 
pelos laços de família e amizade. Aos filhos do Brasil não poderá 
também deixar de ser grata a noticia da maneira por que entre 
nós foram recebidos os seus egrégios monarchas. 

Como se vê é trabalho sem pretençoes litterarias, e de cara- 
cter exclusivamente descríptivo e noticioso, sujeito de mais a 
mais ás difficuldades naturalmente resultantes da rapidez reda- 
jnada pela própria natureza da obra. 

O primeiro plano delineado límitava-se á recopilação simples 
das descrípçoes feitas pelas folhas periódicas, e d*elle se resente 
41 primeira parte do livro^ porque só posteriormente resolvemos 
-enriquecer com esclarecimentos directamente obtidos a noticia 
da "subsequente visita dos monarchas brasileiros, por nos pa- 
recer mais interessante, e não desconhecermos a conveniência 
•de tornar curioso^ quanto possível, um trabalho actualmente de 
interesse momentâneo, mas que em épocas futuras poderá tor- 
jiar-se ainda objecto de mais importantes indagações. 

Pelos motivos expostos, e por outros que não vem para aqui 
referir, divergem notavelmente entre si a primeira e as restantes 
partes da obra, sendo que estas vão lançadas com mais trabalho 



YI 

e indagaçõM nossas, que ampliam consideraTélmeiíte o qne se 
publicou pela imprensa periódica, quanto nos permittín a estrei> 
teza do tempo. 

Dividimos a obra em cinco partes : Na primeira* comprehen- 
de-se a vinda dos Imperadores a Lisboa e sua partida para a 
norte de £nropa, em junho do anno passado. 

Tractamos na segunda da viagem de Buas Majestades desde^ 
a sua entrada pela fronteira portugueza até que regressaram do> 
Porto, comprehendendo a visita a esta cidade e a Braga. 

Beferimos na terceira parte a visita a Coimbra^ e trajecto de- 
Suas Majestades para a capital por Leiria, Alcobaça, Caldas- 
e Batalha. 

A quarta abrange a demorada visita a Lisboa até ao em- 
barque dos soberanos brasileiros no regresso ao seu império. 

Finalmente colligimos na quinta e ultima parte algumas cpm- 
posiçoes poéticas dedicadas por distinctos litteratos aos augustos- 
viaj antes. «. 

JuDctamos ainda um pequeno appendice com algumas notí- 
cias obtidas depois de impressas as partes em que deviam ter 
cabimento, ficando-nos outras muitas, que foi já impossível in- 
corporar no livro por chegarem muito tarde. 

Cumpre-nos declarar que o sr. João de Sousa Araújo, um dos- 
iniciadores d'este trabalho, como se noticiou nos jomaes, não- 
pôde, por falta de saúde, tomar parte na sua realisaç&o ; e que 
entre outras difficuldades, alheias á nossa vontade, que retar- 
daram a publicação do livro, tivemos de vencer a da falta de 
papel, que deixou de nos ser fornecido pela fabrica aonde o en- 
commendámos, o que talvez obstaria á publicação do livro, se ou- 
tra fabrica o não fornecesse promptamente. Isto desculpará a 
impressão da obra em papel de duas qualidades. 

Quanto á imprensa só temos muito que louvar, e agradecer a 
promptidão e zelo com qne neste trabalho fomos auxiliados pelo 
sr. adaúmatrador e mais empregados. 



Amigos e patrícios. — Mandais-me que associe meu 
nome aos vossos na empresa, a que mettestes hombros, 
de descrever minuciosamente a rápida viagem do mo- 
narcha brasileiro por terras de Portugal. Obedeço, por- 
que a obediência neste caso é uma prova da gratidão 
que vos devo pelas muitas finezas que me tendes pro- 
dígalisado, e com as quaes me captivais o animo e pren- 
deis a vontade. E esta consideração é bastante para que 
em t3o excellente companhia arrisque um nome ob- 
scuro aos vaivéns e vicissitudes incertas da publicidade. 

O intuito do vosso livro é simples e nobre, é uma 
homenagem e um comprimento; e vai errado no seu 
caminho quem o avaliar d'outro modo. É uma home- 
nagem ás virtudes civicas do primeiro cidadão d\im 
estado livre, e um comprimento ao hospede que nos 
honrou a casa com a sua presença. Na nossa terra po- 
derá a paixão politica negar a primeira, mas a prover- 
bial galhardia portugueza nunca censurará o segundo. 

É além disso um aperto de mão affectuoso ao Bra- 
sil, representado pelo seu s(d)erano ; e o Brasil é, não 



nosso irmão como geralmente se diz, mas, mais do qae 
isso, nosso âlbo predilecto, nado e creado sob o nosso 
influxo, mantido e assegurado á custa de muitos suores 
e com preço de generoso sangue. 

O filho chegou á virilidade e emancipou-se, mas es- 
treitando sempre com a casa paterna laços de vivissima 
affeiç3o e prestando-lhe constantes e relevantíssimos 
serviços. A uma nação, assim unida com a nossa pelo 
sangue, que é a origem da família, e pela lingua, que 
é a norma da sociabilidade, e por consequência pela lit- 
teratura e pelos costumes, hábitos e tradições, e que 
até conta como imperante aquelle que em circumstancias 
normaes seria hoje nosso monarcha, não podia de certo 
o velho Portugal deixar de honrar, recebendo com ale- 
gre alvoroço o seu chefe, que pisava pela primeira vez 
a terra de seus antepassados. A espontaneidade é a cor- 
tezia dos povos, e com a maior cortezia publica foi o 
sr. D. Pedro u recebido na nossa pátria, pois sinceras 
e cordialissimas foram as demonstrações de agrado que 
recebeu tanto do povo como do monarcha portuguez. 

Ora tudo isto revela e demonstra o vosso livro, e 
que não fosse senão este o seu merecimento, já elle 
valia bastante, porque dava testemunho cabal dos nossos 
honrados sentímentos. 



II 



Se olharmos para um globo, desperta-nos logo par* 



ticalar attenção o contiDente da America. Nas orlas do 
Occidente e balisas do Oceano descortinamos uma terra 
gigantesca com o vulto e proporções d'um Adamastor, 
a qual esconde a cabeça nas neves do mar glacial e as- 
senta os pés sobre a Terra de fogo. O Pacifico e o Atlân- 
tico, que s3o os primeiros mares do mundo, banham 
as suas costas e lhe aplainam as communicações, um 
com a Ásia, outro com a Europa. Este fragmento enorme 
do nosso planeta é cortado por todas as zonas. As suas 
entranhas são d'oiro, os seus Andes topetam com as 
nuvens, os seus Amazonas são os rios mais caudalosos, 
os seus lagos são mares. Pela sua posição é o centro 
do orbe, pelos abundantes recursos de território o pri- 
meiro paiz da terra. Á estatua de Nabucho faltava mais 
este império, cujas formas indístinctas a natureza em 
segredo estava ainda caldeando nas forjas dos seus vul- 
cões. Herdeiro das antigas tradições asiáticas e da ci- 
vilisação européa, e superior ao velho mundo pelas suas 
condições physicas, que futuros estupendos e porten- 
tosos se não irão entretecendo gradualmente para este 
paiz na immensa teia dos tempos venturos?!... 

Assim como a Ásia entornara sobre a Europa a tor- 
rente das suas emigrações, estabelecendo as suas co- 
lónias pelas peninsulas do Mediterrâneo, as quaes a 
pouco e pouco se foram internando, alargando e des- 
envolvendo em diversas nações, do mesmo modo a Eu- 
ropa, que já não cabia nos seus estreitos limites, de- 
vassou os mares, e foi espalhando por terras incógnitas 
fecundas sementes de novas sociedades. Esta foi a pri- 
meira pagina da historia moderna, que outraxousa não 
tem sido até hoje senão a lenta e progressiva desenvo- 
loção d'um novo génesis social. 



Ao nosso Portugal coube o primeiro passo oestes ar- 
rojados commettimentos, e a descoberta e colonísaçSo 
do Brasil são florões da coroa da sua gloria. O Brasil, 
convertido hoje em império e destinado a ser uma da& 
nações mais florescentes do mundo novo, manda-nos à 
Europa o seu monarcha, descendente dos nossos reis, 
e unido á casa real portugueza como o seu povo se acha 
enlaçado com o nosso povo. Das terras de Sancta Cruz 
o principe faz-se ao largo, mar em fora, demandando o 
berço da sua família e a antiga metrópole do seu império» 



III 



Âs relações de origem e de familia, meus amigos, 
sâo as que mais profundas se arreigam no coração da 
homem. A terra- que nos serviu de berço, tque nos es- 
cutou os infantis vagidos e bebeu as lagrimas primei'^ 
ras», jamais esquece. Em paíz extranho o tecto paternal 
é o nosso sonho, o sino da egreja matriz a nossa sau- 
dade. Por entre as sombras do passado vemos o pri- 
meiro e ouvimos o segundo com tão entranhado affe* 
cto, que desejaríamos de todo o coração, por um só in*^ 
stante que fosse, resuscítar essas tão gratas illusões pre<> 
teritas. Na opulenta Babylonia, nas viçosas margens do 
Euphrates e á sombra dos seus salgueiros, os israelitas 
choravam a pobre Jerusalém, que era a sua pátria ; e 
o desejo que nutriam era descançar o ultimo somno 
na terra natal. 

Como os homens são as sociedades, que nunca es^ 



11 

qaecem através dos séculos as fontes duende derivaram» 
As nações européas fitam sempre o Oriente como berço, 
as da America hSo de sempre tomar a Europa como mãe. 

Costumam os bons filhos opulentar a herança, apro- 
veitando a experiência e as lições dos pães, mas nos 
palácios que edificam commove-os muitas vezes a re- 
cordação da sua primeira casa. Para nós as tradições 
orientaes têm ineffaveis encantos; as scenas bíblicas, as 
tradições musulmanas, as superstições da índia desper- 
tam e excitam a phantasia do europeu no centro da sua 
famosa civilisaçao. Para o americano a Europa é o seu 
Oriente, e sel-o-ha sempre ; para aqui convergirão con- 
stantes as suas attenções, e no meio dos progressos extra- 
ordinários da sua sociedade e da varonil formosura da 
sua natureza a Europa será sempre para elle a terra dos 
prestígios e o eldorado dos seus sonhos. 

A viagem do europeu ao Oriente e do americano à 
Europa estão nas mesmas relações de identidade de ori- 
gem e de sentimentos. A ambos move e arrasta a mesma 
attracção, ingenita e indefinível, a visitar aquellas terras 
que já na infância ouviram anciosamente descrever, 
umas com os mythos dos oráculos e da tradição, ou- 
tras eom os encantos e galas da poesia. Para ellas ten- 
dem ÍDStinctivamente, á maneira d'aquelles rios de curso 
lento e socegado, que tortuosos e com largos gyros e 
circuitos como que parecem querer demandar de novo 
a fonte d'ende descenderam. 

Mas na viagem do europeu por terra e na do ame- 
ricano por marque diflerença profunda I A terra é uma 
cadeia palpitante de vida e de movimento, cujos elos 



XII 

se vão successivamente encadeando e prendendo por 
novas e variadas sensações, prolonga-nos a existência 
e attenúa-nos a saudade ; o mar, essa larga fita que se- 
para os hemispherios, è como uma pagina branca do 
livro da vida, uma espécie de iniciação e preparação 
para novo capitulo. A terra é um penhor de segurança» 
o mar, abysmo aberto debaixo d outro abysmo, exag- 
gera a distancia e difficulta o regresso. 



IV 



Veiu o sr. D. Pedro ii da America, visitou a Europa 
« o Egypto, e voltou aos seus estados. Com o poeta bra- 
sileiro podemos dizer-lhe : 



Viste Londres, Paris, a Hespanha, a Itália^ o Oriente : 
Em todo o seu caminho o povo sorridente 
Abençoou teu nome. . . i 



E podemos dizel-o, despidos de adulação e sem loas 
palacianas. N'uma epocha em que a Europa vé os seus 
reis collocarem-se á frente dos exércitos para metra- 
lharem os povos, ou os povos incendiarem os edtficios 
e fusiiarem os inermes para aquilatarem todas as con- 
dições com a rasoura do exterminio, um monarcha ame- 
ricano, viajando sem as insignias e séquito da realeza, 
tractando só de ver e aprender, evitando as cortes e 
frequentando as academias e as officina^, porque a lit- 
teratura e as bellas-artes, digamol-o assim porque é a 
verdade, são os padrões por onde se afere e aprecia o 



xm 

estado social dos povos, deve attrabir espontaneamente 
affectos e sympathías. 

A viagem do sr. D. Pedro d'Alcantara á Europa é 
um acontecimento apparentemente trivial, porque nada 
ha mais simples neste mundo do que a viagem d'um 
cavalheiro acompanhado de sua esposa, mas pode ter 
no futuro consequências utilissimas para a sua pátria. 

Bem sabemos que para alguns o brilho da coroa que 
lhe circumda a fronte é recommendação duvidosa, as- 
sim como para outros è um signal de predestinação. 
Estes s3o os extremos fataes em que tropeçam grandes 
talentos. O medius tutissimus ibis de Ovidio é nestes 
casos a regra certa. Avaliar um monarcha pelos signaes 
do seu poder, em qualquer sentido que seja, é uma fih 
tilidade. Debaixo dos arminhos pode palpitar um nobre 
coração, embora homens indignos tenham por vezes 
empunhado o sceptro. Ama-se a realeza, quando os 
reis, como Pedro v, a exercem como um sacerdócio; 
respeita-se, convertida no horto da agonia de Luiz xvi. 
A realeza equivale á magistratura, ao magistério, a 
qualquer encargo social, honrado pela inteireza do func- 
cionario que • exerce. O monarcha não è mais do que 
o supremo magistrado da nação, e é tanto mais digno 
de respeito, quanto é mais difficil e melindroso o seu 
ofiBcio. São odiosos os abusos, e por isso os déspotas; 
mas também são pueris os sustos republicanos que os 
recejam disfarçados sob um nome. 

Este ofScío de reinar hoje em dia, em que os thro- 
DOS andam abalados, subvertendo-se aqui uma dynastia 
crai o terremoto das revoluções, sustentando-se acolá 



XIV 

outra pela força das armas ou com o ouropel de algumas 
victorías^ é uma commissâo perigosa para os que não 
comprehendem como devem as obrigações do seu posto 
o as tendências do seu secuio. Os monarchas que tim- 
bram de o ser aproveitam a favor da causa publica os 
recursos do seu ingenho e os fructos da sua experiência. 
Esta é a base segura dos seus thronos, porque é tam- 
bém fundamento da felicidade de seus povos. 

Não é preciso comparar o Imperador do Brasil com 
o czar da Rússia Pedro i, nem com outros príncipes e 
homens notáveis da historia. Seria impertinência inútil. 
Mas o viajante que percorreu e estudou tantos e tão 
diversos estados, a sisuda Allemanha, que é a alma 
mater da sciencia, a formosa Itália, pátria das balias 
artes, a industriosa Inglaterra, a romanesca Hespanha, 
e a rainha do gosto, a espirituosa França, de certo que 
levou para além do Atlântico lições profícuas da arte 
de reinar. 

O Imperador aportou á Europa quando ainda re- 
tiniam os echos derradeiros da guerra allemã, quando 
ainda se não tinha apagado o ultimo clarão dos incên- 
dios de Paris. Que sensações as suas quando entrasse 
na nobre capital da França I 

De Mário nas ruinas de Carthago falam os historia- 
dores como de assuny)to próprio para considerações 
profundas. Talvez que seja. O romano audaz, que en- 
fiara na espada a coroa de Jugurtha e os louros dos 
Cimbros, resvalando do cume da grandeza nos abysmos 
da desgraça, devia despertar idéas serias. E sentado 
sobre os destroços d'uma cidade florescente, a affinidade 



XV 

dos destinas entre o homem e o povo excitava a sym- 
pathia que attrahe a homogenidade da sorte. 

Differentes idéas, mas não menos profundas conside- 
rações devera suscitar a visita do Imperador do Brasil 
ás minas da antiga Lutecia. Que grande e tremenda 
liçio para povos e para monarchasl 

Mas o que tem sido o sr. D. Pedro no throno que 
estreiou ainda menino e com o sceptro que empunhou 
ao sahir da adolescência? Pouco basta para a synthese 
da sua gerência. 

Pondo de parte as lutas, muitas vezes ingloriosas, 
dos diversos partidos, que para empolgarem o poder 
ferem accesas contendas sob o sceptro imperial brasi- 
leiro, e cujas apreciações sâo de sua natureza parciaes 
e suspeitas, a reputação d'este príncipe foi sempre boa 
e segura. 

Conservar desde longos annos a coroa na cabeça 
num continente por excellencia republicano, e conser- 
val-a por livre e espontânea vontade dos seus súb- 
ditos; manter com firmeza e resolução a paz e a ordem 
nos seus vastos estados, circumdados da hydra da anar- 
chia, que como cancro vai corroendo muitas das re- 
publicas americanas; sustentar a guerra quando indis- 
pensável, e sustental-a com porfia e denodo a despeito 
de muitas contrariedades; fundir o bronze das estatuas 
em monumentos mais valiosos de instrucção publica 
para dar aos seus concidadãos a alforria da ignorância; 
conceder aos escravos os foros da cidade para engran- 
decer o império com novos elementos de prosperidade. 



XVI 

todas estas paginas do governo do sr. D. Pedro ii s3o 
fiador bastante do seu alto merecimento. Elias falam 
de per si e dispensam commentarios. 

Com isto fecho o meu trabalho, meus amigos, e ahi 
vos deixo espaço para a vossa descripçSo, que tornará 
este livro, alem de verdadeiro nos factos, curiosissimo 
de noticias e apontamentos interessantes. 

15 de maio de 1872. 



A. A. da Fonseca Pinto. 



ESBOÇO BIOGRAPHICO 



XX 



fosse o único titulo da sua gloria, o único funda- 
mento do seu elogio, nenhum monarcha seria exal- 
tado como o sr. D. Pedro ii, nenhum como elle 
seria mais dign<>'tlí.ealçoi|íps{:; .;;:;> 

Na linha paterna encontramos os reisportuguezes 
desde o sr. D. Pedro iv, seu Augusto Pae, até D. Af- 
fonso Henriques, que etn 1139 fundou amonarchia 
portugueza : na linha materna achamos uma longa 
serie áernuperadores e reit, í<3í'|1^ iRheno, desde 
o imperador Francisco u^^tí S^^tíste^lo, ref da Hun- 
gria em 997. 

Ainda o sr. D. Pedro não havia saído da infância^ 
quando a sor^e lhe prèpafeistdols^fòlpesi' cujos re- 
sultados, em sua tenra edade, elle não podia ava* 
liar. Em li de dezembro de 1826 falleceu sua 
mãe, a sr.* D. Leopoldina; em 7 de abril de 1831 
separou-se para sempre de seu caro filho o sr. D. Pe- 
dro I. 

O primeiro imperador do Brasil, obrigado por 
imperiosas circumstancias^ abdicou em seu filho a 
coroa imperial, e deixou aé terras de Santa Cruz, 
para não mais voltar para ellas: pouco passava 
de cinca . annos o Príncipe JjoQpQridl- ^ , i • 

Largasr considerações se n^;Offerecian) agor^: 
não ã^ faremos, porqiia, oçste^ peitm^o;t;r^lhQ, 
queremos iagir^ quanto ott possa, qe queçtBes poh 

liticaS^^ .;- ■:■ ■: .-. ' . \: •: .; "i -•■ \-r. i. > 

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BdnoagSo 






A hiátoria de tòàm os tempos revela uma t^^ 
dade^qúb nhiguèd) pode tontestar^-^b diefe'd'iim 
governo fará ou não a felietdade do povo^ eu^s 
destíúos dirige, coQBOâfote aasi^u gráo de pradcUcia 
e de illDStraçSo— ^Esta verdade bão era ignorada 
pelo sn D. Pedro I, nem^ foi ignorada por aqaelles^ 
que, depois da fi(b^ca$^ de 7 de abnlj foram ta^ 
tores do^Jo¥en Priaeipe. Attenderãm á saa edacaçao 
religiosa, á educa{ã^ moral, educação pbysioa^ è 
edtieaç^ Htterdrta. ' »' i : 

Tanto b donseitieiro iosé Bonifácio d^Andrade) 
nomeado pêlo sr^ D. PedM í tutor de seu fílho^' ; no 
acto da áfbdica^^ii èomo o^tnarquez' d'Itanbaemt 
que em 18^33 "siibstituiu »a tutoria aquelle €ava-< 
ihelro; ^emppc^mm oâ maiores desveloá em esco* 
Iher pebsoa^i as mai^ babilitadas^ e as mais eom-^ 
petentes para ipstrèirem o htm^ Príncipe nos varieis 
ranios dòè eonhecitbetitos bumanos; . 

Bem ãè pode diáer por isso; que o sr; D. Pedro i; 
fie entregoâídesé» 6 WçD- 40 cultivo «da sua mà 
ordittari» iotelKgeiiciaii N30 era misíer lembrar-ihf 
o estudo, nem cbamal-o para ^estalar: estndioéo 
for Índole* tinham >iiastas» ws^es mâS' tnebtrisd ide o 
d» eua ^alulMJi ^i dhltllr^a^sap^u^ 






Dotado de memoria feliz, de talento raro, e ha- 
vendo sido dirigido por «ibios e desvelados prece- 
ptores, ainda ha pouco fcmpo nos deu provas in- 
equivocas de que lhe não é desconhecido nenhum 
ramo das sciencias hci0«inM> Ciomo explicar d'outra 
modo o desejo, que elle manifestou, de querer ouvir 
a« preleeç?M8 dos lenle$:a^stí(i^$:doãia)l^ 
nas aulaâ^a Universidade de Cpwbr» tiwÈ fiiloi ksL 
eUie,i) mesmo-cmLiBbojkT ,, ;í ^í íí. - 
:< Qdem itrâcta ^^. pevto Q^m 9 w(i\mâú»Jm^y 
rador i &»be perfeitaioefile. qm A\h km mm !pPfidÍ7 
leo{;So>especial' pelas e^ieneias physioa&, pal(t Mi^Viti^ 
natural V peba f^hme^im^^é^ ipela «gtrèt^miff> 
Forrai i ^em- bi^m nastas^ ãcwmi9& Alet^^ 
VaBdielK^fi oBbpbddCbpys^ia* ií^ r. >. .. ; 

Sabendo que a historia é o (mR^elb^iniPiviiMòrT 
rsptiitel/fds réis^ ^(^aiMBFi^a^ c»0l(t? jWiJbi»toi^í(d^ 
appjrolteitandohse «om; £ila .crítica^ âfo^jta leitwdi 
Porém, oomov^i^Uar >a ú\§fín\A^à» 49\ tiéH08{ >fa$iiw 
sem ge éabqrem os k)gaf es onde 6\\&s $mt^(mmi^ 
eosRo Qonbi^ker m mà m moi ajm^nmço^iPSklt 
sendo ]Barcaído6 lu s^k^os ImnpOs s^&â<i;a,of!t 
áetn, com qqe ivãd^si[}<^mâQ?£ispoit|ttj3>â^^^ 
Augusto da Naçâo^ bm^m mità^m td ^vMy^mor 

gre o €;ét«do ^ goograpbb e^da chrcM^cfJogieu: Foi 
^x E^iBoTaíQMy queoiilibe^cosimiiD 
pdT esMft «listiKiosi: ííâ mrm&^^.úm:^9^^ 
chrónfáogia\e:lustoría<'i "m r..'*-^ < • .íí .<.'[«ím-<> 

Aj«dMÍOf:pela pi^áigiosa^memoria^ odolnqu^i^ 
dotou)ti^(imUfQ^ IkdiMiii v«(saib)^»t9 



«a) M 0. resdltadiivi qiic| iO i 'fta^N^dM 

v iMna íbngd^ ieiwi! 'Saii»' 6rilldo«^>^ 
ttip de pÉoeèptorcís^lí^ârw IXiPeck-c^s^ 
qae o mâctúnismo d'um bom §arpm»\áepmá» do 
accordo e harmonia das differentes molas que o for- 
mam, compulsou assidua ros tratados sobre direito 
publico, sobre direito intlB^ hacional, sobre economia 
politica, sobre os diversos ramos de administração, 
ouma palavra sobre ^^«rfB^^ di» governar. 

Não foi só ao cultivo do espirito e do coração 
qMtattwdenÉRi'i>s( tata*e$r:doiBr><]>4'Fiejlr»iiiC):jiil- 
ganani^ è! b«BH «qne faltai m HdMr^o cheitiid^ionm 

e aos exercicmfjriem^ikKVSjiiRt^ 
qne^v âè&dei inoka ^siiif04 -ae^ dÉu ns^^ 

> £ aâfl|Í08J8d^t aiod» ; J»^ 
«Mn iqtt8/4e ftpMBaDtá»] i o^iiesNltAd» iMqiikifA^ 

Bt^ compro^ldi.^âFdai^ tfdftlsfifáto 

sua vida habitual, que em parte se pode comparar 
á do homem de letras, podia tornar. jMi¥K>riK^^ o 



xxnr 

trabalho naterial; mas ainda sob este aspecto é 
privilegiada a sua natoreza. Se é preciso, madrngáv 
viaja ácavallo léguas e l^as, sopporta ehuvx e 
sol, como o soldado affeito ás mclemeneías da vida 
do exercito ; ê raros companheiros de viagem, por 
mais- robostos, podem, sem ceder á fadiga^^aconH 
panbar o Imperador. *» 

Pouco tempo se demoroa entre nós: fòi mtém 
o bastante para reconhecermos a verdade dò (pie 

diz d seu biographo. 

'•.■■•■•..■ * ■ ' 



I ■ I 



Begrenoia 



■ JBUOÍSnmUt» • •' , •;■'•: - •:i!. 



• ' I 



' €omo dissiemos, tinha o sr. D. Pedro seís! anãos 
incoinplètcMs, quando seu Augusto Paeiabdkoa o 
império. Ainda inenor, foi durante sua ínenorMade 
administrado o JSraèil por tnna fegencia; ; 

Os srs« marquez dé Garaveltas, Lima e Silvay e 
Vergueiro constituimm a primeira regência em^acto 
snocessiivo áàfbdicação. Dorante w quatro pnmeiros 
mezes da^regentía foi a tutoria do sr. D. Pedro n 
confiada;ao iparqutô d^Itanhaem, apezar da eij^essa 
de()ermma(ãO'de seu Augusto Pae, que nomóara o 
conaelheird José Bonifácio d' Andracfe tutor do jò^ 
ven Imperhdpr. No fim d'aquel|e tempO' foiratifi'- 






' ^ PiídoãéíJíinpoé! * ■•''''] -'■i-i-'''^ ■» -i ::!• 



eada^ ^ iK»ièa^Q db si^. I). Pedrd i; â &Mt orai a 
tiiték^^ su pf ftidk^ ^ li >. 

(S& á6'B0tiffaei»#»drâ^; e «apó» isso -foi liom^ 
tteDf^notneâídotatdrfíCflà- regência o marqoesíklltâ^ 
iika^id iedi!l83^; fMcfotí^m&da estai tK^tuéáçiò 
pel» ^aiSseraibiéA^^gdral. < O; «lãrqu^ d^ltaiíhaebi èoá^ 
fiiérf[mi>aitcitopisí'ftté| á nMaipridadé ^o im^eratlor; > ^ 
>' • A^ fmqiQ6£aí idb gotér&o- àis ^^dgêtt^s * produiitt 
8éria$^ ípertdri^ç&^k ;< - 6 |>€ilas providcla^^ da Bahíàí^ 
MaiiàdhSb,' Piará, ^Perasímbucb^^ Rio^ iSi^ande w 1^ 
vatítoa; o^ petídSn» ! da rentii^ setíi ^uin* pensatucMp 
èi^i sèin uiiiàrbátí)d6ira iietèkmítiHdãi; ;'Pai^ 
estó» feetosj^^qtte iíRiiM^emi geral inidicamo^' àpranté 
MDòtie) amifos^^a iiej^ciíst ^^ e àeii^ uma «Mdiída 

teltt)- ^nodatnbyriá;^ < vietíraa* >d0»>diff«répleà ^paHido^} 
kftúpúátcrd^eiádí» òscitIaçõ(^^pdlití(!SgK$'ieD)^c0!^ 
eipriffltf '^^t^i' PiíitD ' de» GÍ&ffi^oi^ ^ . dai ' mà^tieií^â^ «^ 
gaidte i "^lifetida ^' impai^ciatidade te0(^tkeí6et^^ 




eedea outra « de putrQs tantos mmbro9, nomeada pçlo.çprpo le; 

.: E^Uijfkeemi hn víiibiid& dur }e\ dê ^ -de Mg99U> d0 (l8Si^ içias 
refòrinaQtCoiistitucionaes. foi aubstituida por um. só te£rente. o 







XIXI 



m:;. 



aggravando, e qoQ'» «]|U«mO)QUfiWÍí»>CQQSfiiMido« 

jáÁsuaai»Q90jíé4to<>n>d«6v»W9dj^ ás 

arolpÃf Qe«, < ««tnpi)^ ;b»be»$, ,«ai pêtfitk i «flpi . «gUM» twv . 

B{jiBi)iiiwg««i8 e. bondeowKl^S! ouj^en^: prenhe» iil» 

imp«pQ,n(k 1«)\;<!j)' wais ainoai<i}QS|i .i»in<áa. n»&!Ídél6 
qn» Afi»iw^ogi</n«e)9., púrq»« «$> pcfiFiiiiOJaã pAdÍMu 
a;^lliA«eâ0ÍQrÍgrlp|m^(|»»>lh«si'rep@tisMt;0 m»'. 9fwit 

di^potilMw» dú (pr«aiigÍQ' ve < 46: i^ns] idosi^ficunsiM 
aapprivi^. qu««)-def^ia(M8r! »> itodosotOs (ftoii^ 

wai^A^:fí(ím «aint^õmí di<»Daci«iMHt^ lodâ&i» 
No meio d'estas agitaçõeis politicas inteoderam 

rçinedk)^<narft «stamoieslia -politica «« jproielanap 
a maíòrito; èflaUtiot^ 'feaipóríi, íÍq jflil^a>Jter^V 
dor.<^a!naiiios«tt)«:|«BpoFãi >ii«»c»Di>faia^ áos 
meréòiJDaenlóà do moharcha, toas còni tÚ^lj^'^ 
eáadè ãae ttnba «atão, taiibs «mm rdaçã» «G><;^ê 

<Jjeaér<iíÍP#4^ a JeSiftwçl^ipeD^ ó ^/13^MrÔ;,éitó-; 

t»va apébM«^fa«)e»«moo»^MÉMinpkte6!)> ea «OMlM 
.tuição brasileira no 9xí^XM*4wi>^t^AJ)>>3^ 



dl» feifoDdaiQeiito) foi aobrfKptMftda ^s.div«fi9o$ 
partidos, p«ifétil>iOâqn;£D8ídiii;ei>8w; e: iquie 4)ftd<l m» 
fintrevi» B tse)i^A4(V> li# i<(f4fti9gi»»»lq»0ipqdíip» 

snltor da ^ej«Qidt)ai!ii^ .0(l4ft:i«Qiq 4 fpeDforidide 
legal dó Imperador. Sobre siinilhaj»tet oltjieçt»: {>0dA 
maki iàci)ei3oeiiltaK^Qs< sdbraidotaosr.i» . tOiH»^ de 

Pr0cl»aasMÍa({9 »miofi4ad« df) «-. DvPi^^oji^efli 
julho id^iiSlkOi s^p^s^ailocjttm^noQ ;fi(HiSbgr44a • 
coroa4»4 «QQ 4i8,d«;j«l)b0!4&<iS4'/l>, .qmmiQ aiawiio 

• Kit '. 

Pior áètcfa (kirnia r(^ein«aeikf :^i b0ná(}so:(eoi!afiSio. Uh 
ram perdoados os chefes revolucjortbrioti» qy^ pr<^ 

liáM^ .a á&idíi»;!prkMÍnQij AhJEM6»^ai!maMridad^( 
kipim ^ Bl4gmnifb0)^fei tdO' ioi^el^tè bfmileiyo 



- 'Apósr^ste\áctd "de moderação e â» ol6ineIleb^6e* 
guiu-se em 1845 a páetfíèâçãb dá prd^»^a de 
S. P^ro do Rio Grráde do S&lj assoladâf «oraiJdez 
atmos^ de^gbíTra #in1: Já aates { 1 84^) hámbi iido 
^blafeldas ^01 cfifficiildalde^ «s rovoluçQe^ dat MiiMSt 
e de^^Si' Pautou Pé^teriotisieute (1)8(8) tambemiiM 
sbflbi[!^&;a dfe PerAaNQoèacOf^^tie befte tempo cha^ 
tóarámípiíaícírte.'''i^ ;»»•-'- -it^í-ii^H'--^ ''^' '''-'-^^ 

f erttiinada^'éàta' VévdlaçãOj^^qtiPB^fiiam duta^ 
pouco mais d'um anno, consolidou-se a pMkm 
tódd^o ítâperfó, « qua^i 4tf« di^ppak^Q d^ái^^ 
os brâfi;}lei^ò6 o d^irito • de facção^ Góáí éffeito^ i ha 
muifóB ttpuo^, gáe os bna^kiros, \ioi|i6maiMío>^^ 
pasí^> |6tii^e^igeaoràdo eA^arideèer x)^i6eu pqiz, ifiiob 
o governo betieficiE) e páliA^tial do moiiai^a\iiiàaís 
liberal do mundo. 

Aos dezoito annos (em 1843) tinha recebido por 
esposa a virtuosa filha de Francisco n, ex-rei de 
Nápoles, nascida a 18 dè/onarço de 18S2. Um anno 
depois morreu o principe imperial D. Affonso, pri- 
meiro fructo d'esle feliz consorcio. 

Mal havia serenado '6r espirito do magnânimo 
Imperador, terminadas as convulsões politicas de 
Peniaaíiibdéo,! qáando^ novo - igolpe traspassou -sen 
edraçSi^^^' efm> 1 853 folleoeu * ti» príncipe • D. ' Pedrò^ 
seiiisegpndo<filhoi- ''i<'' 'i ■• ••)!!•• "'> -.'••i;.»;.i.'^| „!.•.•: 
< iáj^s^k wM» dos dois piináplés^fiooci^dynastia 
bt^UeiraiTi9presefilaula popisfuus du^' fichas, d^^áf 
mà iisfieml #. i Isabel/^ * fiáscidai iNii^á6r4éj <en qoè 
na actualidade goveitia^«MMk> regept^^^oáláiMaeif 



«91 

de S«p)AllgR^ I^^l$ ,|l(^}QC|Bf^r)0.rMQ|)oldÍOt 

1870, longe dos seus.e.dftp^ir4?fc„fi§jí^dft.p^».f)* 
rofla(({op»i«»^.mw<k.!Q dÀ(|u« !4e;Pftxet-(iiii^:'.>^ 

dtí 8i).fXiP«ãr^«i gf(»«^ba,ina4Sí4$| viqteieiâ<n$i^n.9o^ 

se 0:«oinbra.d'e9t« p«9^ ^iteè diQs^yi^yHlpQmi^iicM 
osTaiBCJS adnaiaÍ9tra4T0$»:t4iiDdi»ie^^iisãoí:á[&:9U9^ 
riquezas A eOg^^^jd^ciqientQfbo seu aeèáii» âpai^ie^o; 

se teIn■adfípjaciQ^oflil)aelilKa|lne0tQ^.(PaliQri^9-^ Q>a- 
teriacs, <aredfião»i£K9gfi|Aild€i:$içpul9 }i:iXi.eiQ!lrx)|ea<Q 
Brasil hm sido; iaQui(éiídp;,Mfq;.giíefrAR estei^Wj^j 
filbas .dp*e8p^j)to;í«rbqleotei «apil^cissíqia 4<P$íf^Bu$ 
TÍ$ÍDkiP&;'iia(«ri^^iwské?. .QHeremoi9ifal|i)i:.>d^;]P|4 João 
Manuel ;B!0)ws,*!ílft D»„Rííanftfll,í)ríH> lo pfiffleinft 
di«tadiE»n 8»J}gt)^9f;içi, dft )CQafeder£M]ãsai Ar^ptJD^ «e 
o segundo seil).log^r-tepea^ 4)o:yr,Qg!qfa,fr Aigjaç^ra^ 
coDtra estes dQisiiQiqugQ^ id^ij^idois 40 ]Bra§iÍ.foi 
nmapagiua glorip^p^rai ç^Jl^istorifi dp.sf t Í)(-iPeçlr9 "• 
Açoites de seus compatrj(H|i$^0$oai)d^lQ£i da piorai 
e:da rieligi&Q,iflíg?IÍP8;das,poyoaçí}^ Tijinhas q de 
todo8-í)6,oí|rajç\geÍf<Wf ; réfiideotes. ií»qwellfi« dois «s- 
tadoQj iBoí;a8,fl 'Pr-rt?. fwai» decrptajáp^,! e coro a so», 
àm^i aão ^9|aBSiT^Wi '9& Qs ;ticasileir:Ois, , a li^viçiani'-. 

Passados ;aií#Q8,.p(>T»s, )qcta/$ .^;tr^varaBV K(0 
18jS4iifoiontra,ty(Çíi,d<clarada. guerr^âjO tírugu^y, 
CQJpijdioMkdwiiilWQdava ,faKer conti^pas, inva^.^ 
pelo território brasilqiito. Estaigm^l^terroú^omini 



fitt 

<lé^Jbáifríí(«tí'«Í|ÍBtieWilftW«l. ^ '••'••-''- ■-."■••i.O .... 

^, âidtííádp d^siqtyeBft Mpolilka;;; Depois flé paNias 
rileát^à/váá^ (kfjájrty » Uárte >r«itf á aoaiiu^ âiguerra^ 

d«f870pe){(:<<llíriidttt'touidá8fot^8tto4kftid ^ 
«f ^ soatnidrfè hd átnuid ^ Ai(|iiSMidati.' ^ ' : 
O patrkMMtndi idhy ^. D>.< P(6di^ tf eét!ao«-s« tio^ 
tavet duvsQtéÇ é ^)iMú 'it^êj^t^XíHÁé '&ml^ 'dm»* 
ti^idlâgá«rrà, «pidâequittbliit^iéê-glM^a Itic mim 
ãtílâél^bd<ti|«é èlla'tôvei^>0'laÍ^ádW!t«agiti «im^ 

déòlaraadd fêrttáiktMiáiiMnl^ ât^se^s «iímíUos que 
préfiáría âtíieâ ^j8k«Wddrdií ifíf^Hell^]tt« tRibâigib 
€dM i^lé; g$«b VdktaâefitWè «rMiergk» súiiiiov^^o^ 
brtiíilteiMSi'^ dl \/Jimm M tdiilrtd*/ ' ' ' > 
€ènk(cfáréto)o^ i^b^dâtt-tíi^^fd â raiâa<)» do 

B fki! {mMeírã>ífittíH£ioF (|aè' atai- hém syfiiiMiiafde 

«ètltros 'dé pròd|id^ò< 4m! 'Oft ^lÉét-bádo^' do • littòt^alj 

é^A^tíikik^KMmêmtà taÀttigMii patá'a'^rdè{p«)ii' 

dade de uma nação. O sr. D. ?W6^^ éOtldéiO d^éOÚi 
Véitlaiô, tieittiidiispeÁsiidb co{í$tântefi¥<(teef^â8'ém- 
pi-esaí9>dè t^ç&6'ái(i«ielet^&V'f^dMtttd-d<éieul^teklá6 j 

tólbfltMftíOáde^íâttlíâhés^de^fel^»»'"^ 'i''l«n)! .;•,<( J 



Tem dado egaal impt^so á viação ordinária, á 
fluvial, e á marítima por intermédio do vapor como 
principio moton-r , ; ;: < :: / 

Além doestes ainda temos a mencionar outros 
wd&oranmiltoa. mát^ailEls. O telegrâpfao eléctrico 
fafiçciàcia 'CHb difSorentesâinecífQesa^ a capital/ eton^ 
teas^dade&f tki hnpmo já^ esAio elegluatídiBenta : íi^ 
himíiiiidflSiflu.gâsi'"--'! '-m< • r-. -■■■):,■''.' ■ ■'. -^r/'^'' V'- 

Nem só melhoramentos materiaes. Lojige iría:^ 
BMÉ^, efe bmli^sstfinTsdeifbzm^iiiiençaèí de)1oáQá os 
mdbbranlien tos^ moraés eSrcttiadosí éivaiile O' g^ 
vwBO éò saim Jinpciíadc^^ arlfs^ ;ã& isoíeàciáis, 
átkg^slacãovà milfwía^tâo eomraepeio, ^ a ia^risto 
Jttttfitdeii «i;sp.:fi| S\sdro^j«^ grafas álBintrintoiaU^^ 
6idradida>ipfè'teecãQ$.ludo*istO! tem jlniigredidoioQA^ 

A crescente prosperidade do Brasil s6faii)^^Mnade 
dà sndDuPèdro/tibdá 68 ^ods dédoeíit id^tiros! fa- 
ctos^ «aihiaiiéntè^espeesaYOai r 1 j^ a ^NdpdáQãol item 
du^iliçafAD ')%^ B) «jnportaç&oi id expoirtdçiò tém aog- 
mentado prodigiosamente^ 3.^' al)agÃciilluca' teol ' 
melhoradot ia:: dlíios > niites;^ 4/ ; os ; (mèlh(A*aradiitos 
dè [tântalo espeoies nãotéêmággitauvaâd emipFdpoF^D 

BieetaHiosí éideiv pai^ài eompletsd*) o:elagio} <dò \ij^ 
hstiado ; i » 'magnanif|iQ : Mperiídoí!, > <p^ 
memorável e humanitário reinado decretada a!abo4 
bfãoHda esbravAtui^a^e cpae a ínkiateva â'este decreto 
psaFti Q pftniiti vãmente * )d'eUa O : «enarcha i liberal^ 
chefe d'um povo livre, não quiz sob o seuDggverae 
genão.iddadàos livres, ur^i '^h ííi.í , > . m(ífnio i 



' n I • y ' • ■ ■ ' ' ' '■ ; ».,:.!■ . = - ■ ■ I I ■ } ; • . 1 l i '. . 

Viagem á Europa* '' 'i' ' 



• IH ■ i '• "■";■;■.'' i'.":i f 



• Desde móito, qiié o sr. D. Pedro ii des^av» Iteer 

umavmitQ* ao-mtm(io oe/Ao^; iporém afi 'OSciUaQOeè 

polilioas dbDtrp do impeiio,.e c| guerra^oòld as wk^ 

publicas meridionaes, não lhe permittiain i^aèísar d 
sea desejo/ • • '"^i--- <..•.•.=.'••> ^ :••(? ,... •.;../ 

Era Gompksio' o fim doesta TÍsita: aléoaí des.fins 
geraes ' de qiiem ( pretende TÍajar, ' um outro ^ fiib :o 
attrafaiaá Europa: eaiafoaokpoilmfiiSFaéór w^* 
rava qoe os novos ares e os noiròs cliqiiás daá tèr-^ 
T3LS.xis^ atlânticas ton|ribuiríamL para melhorav-a 
arroináda saúde dejBua eana Espôsa;JTeBdo>G888ádo 
os motivos que retardavam a viagem^ ítniiprh]}: os 
seus desejos, 'ir-ir' ••*» ^»o.;:.;í :^|-.■ . • >? ■■- ■»- .A 

\Em â5. de znai6 «b^iH?!? d^oii<1^pioraria»4 
mente o&asít, confiando á regência dO) kMpecio d 
sua presadájfilba^ a Princezabaperial, e diegiMr^è 
Eoropaêhíi 12vde junho.'!. ; : s^»» ! mi íí 

O sr; D;: Pedro II na sua longa Tiagem inão desH 
disse do que* foi antes de reinar e do i^e tetn sido 
na gerência do seu vasto império: Úbek^ xomo 
nenhum, mònarcba do mundoy^illustráda iOoniiO]^bu- 
cos, ahi fica indelével oaESuropa a memoria dai 6uá 
rápida visita. « si 

 obra, de que este esboço biograpbico.é mil 
preliminar, dispensa-nos de dizer mais sobre ^estq 
assumpto. .-- •■:':. ■.••■ ;i') 

Coimbra, 26 de abril de 1872. í-' » < ^'B:''3.wi.:A 



mGfiH DOS IMPERADORES DO BRASIL 



HSS IPíDIE"!?©©^!!» 



-«0(K>- 



PRINEIBA PARTE 



Preparativos de recepção 



Logo que em Portugal foi sabida a agradável noticia 
à visita de Suas Majestades, os Imperadores do Brasil, 
a este reíDO, tractaram seus augustos parentes, os mo- 
narchas portuguezes, e o governo de providenciarem 
convenientemente para que lhes fosse preparada rece- 
pção condigna. Para este fim foi luxuosamente mobilada 
a corveta Estephania^ um dos principaes vasos da ma- 
rJDha de guerra portugueza, destinada para os imperíaes 
viajantes passarem o tempo de quarentena, a que, pelas 
leis do paiz, eram obrigados os passageiros, procedentes 
do porto do Rio de Janeiro, então inficionado de febre 
amarella. Ordenara também el-rei, o sr. D. Luiz, que 
se aprestasse o sumptuoso palácio de Belém, do qual 
passamos a dar a descripção, para que se veja quanto 
€ra próprio e digno de receber tão elevados hospedes. 



Palácio de Belém 

A sala de entrada, chamada das bicas, tem o tecto 
pintado a óleo, representando as quatro estações do 
anno, e diilerentes fructas; um majestoso lustre, illa- 
minado a gaz ; reposteiros verdes e encarnados'; e vasos 
com flores. 

A primeira sala, denominada encarnada, tem um rico 
tecto de obra de talha e relevo dourado ; um lindo lustre 
de metal dourado e crystaes; competentes serpentinas 
em diversos legares: forrada de papel encarnado e ouro ; 
alcatifa encarnada, imitando moirée. A mobília era de 
mogno, forrada de seda encarnada; cortinados das janellas 
da mesma côr; galerias douradas com obra de talha; 
consolas e espelhos dourados. 

A segunda sala, denominada de D. João vi, tem o tecto 
de estuque com pinturas, representando a viagem de 
D. João VI ao Brasil ; as paredes forradas de papel azul 
e ouro; lustre, placas; um grande retrato em mármore 
d'el-rei D. José ; alcatifa azul ; reposteiros e armaçoes^ 
das janellas da mesma côr, mas de seda ; galerias dou- 
radas com obra de talha. Adornam-na além disso con- 
solas, espelhos dourados, e jarras pretas do Japão; 
mobilia, aparador, mesa elástica e cadeiras, tudo de 
mogno ; um rico biombo de charão com pinturas chi- 
nezas. Esta sala é a da refeição. 

A terceira sala era destinada a servir para a recepção 
das visitas particulares do Imperador. Tem o tecto de 
estuque branco com obra de relevo; lustres e placas; 
as paredes forradas de papel encarnado e ouro ; espe- 
lho e consola dourados, uma grande peixeira de louça 
da índia ; mobilia de páu santo, forrada de seda encar- 



Dada e ouro ; alcatifa e armações das janellas da mesma 
côr ; galerias douradas com obra de talha ; e um bonito 
fogão ao centro. 

A quarta sala devia ser a camará do Imperador; for- 
rada de papel cinzento e ouro, com lindas cercaduras; 
tecto de estuque branco com baixo relevo, no gosto mo- 
derno; mobilia forrada de seda azul, assim como arma- . 
{ões de janellas e reposteiros; galerias de páu santo; 
nma grande cúpula do mesmo páu, com obra de talha, 
donde pendia armação de seda azul, cortinas bordadas, 
e mosqueteiro branco ; uma rica cama de mogno com 
obra de talha; um fogão pequeno; espelho e consolas 
dourados pom obra de talha; competentes placas de metal 
dourado com crystaes ; e alcatifa com as mesmas cores 
da mobilia. 

A quinta sala era o quarto de vestir para o Imperador, 
a qual tem o tecto estucado de branco em baixo relevo; 
espelho de vestir; paredes forradas de papel verde e 
ouro. A mobilia era forrada de seda verde ; reposteiros 
6 armações das janellas de seda da mesma côr; galerias 
douradas lizas; um bonito lavatório; alcatifa da côr do 
papel. 

A sexta sala é a chamada do baile. Tem o tecto dou- 
rado com obra de talha, representando instrumentos, 
papel de musica, etc, as paredes forradas com painéis 
de papel branco e ouro; armações das janellas de seda 
da mesma côr; galerias de metal amarello; mobilia de 
mogno forrada de seda encarnada ; competentes placas 
de metal com crystaes; alcatifa da côr do papel; duas 
consolas grandes com pedra de Itália. Esta sala era desti- 
nada para a Imperatriz receber as suas visitas. 

A sétima sala era a camará para a Imperatriz. Tem o 
tecto estucado de branco com relevos ; paredes forradas 



6 



€te papel verde e ouro ; a mobília doarada e forrada de 
amarello ; uma rica cúpula dourada com obra de taUia ; 
ricos cortinados bordados ; mosqueteiro. A cama era de 
trabalho primoroso com obra de metal dourado e obra de 
talha em mogno. Dois candelabros; um relógio de metak 
amarello ; alcatifa da Rússia ; um bonito fogão ; aroia- 
ções de janellas da mesma seda; galerias douradas, e 
dois ricos reposteiros de damasco bordado completavam 
a sua mobilia. 

A oitava sala era o quarto de toilette para a Impera- 
triz. Tem o tecto de estuque branco ; paredes forradas 
de setim verde e branco; armações das janellas e repos- 
teiros da mesma côr com galerias douradas. A mobília 
era forrada de setim da mesma côr; um lindo espelho 
de vestir ; competentes candelabros de crystai ; duas 
grandes jarras de Sévres e alcatifa verde. 

A nona sala era a ante-camara da Imperatriz. Tem o 
tecto de estuque branco ; um pequeno lustre de metal 
e crystaes; paredes forradas de papel branco e ouro. 
A mobilia era de páu santo com obra de talha, forrada 
de seda amarella ; cortinados e reposteiros da mesma 
côr ; alcatifa no mesmo gosto. 

A decima sala era o guarda-roupa. Tem três guarda- 
vestidos. 

Os quartos que ficam ao poente, chamados da Ar- 
rábida, eram para as pessoas de primeira ordem que 
acompanhavam os Imperadores. Os quartos por cima 
do picadeiro eram destinados para as pessoas que el-reí 
D. Luiz nomeou para o serviço dos Imperadores, a 
saber: marquez de Ficalho, general Caula, general 
Gromicho Couceiro, e condes de Penamacor. 



7 

ConstíUiiram-se muita» eommissões em Lisboa» Por** 
V^ Coimbra» Braga e outras terras com o fim de pre<^ 
prarem festejos para solemiiisar a vidita de Soas Ma«- 
íestades; mas ioga adiaram os preparativosi, for se 
Mber que a soa visita ao nosso paiz sómeata se rea- 
lisaria quando regressassem da viagem peta Europa. 



Haiifestafao parlameiUr 

Na sessão da cam2»*a dos srs, deputados» de 2 de 
janho» foi apresentada pek) deputado por Santo TbyrsOj» 
osr. José Joaquim Figueiredo de Faria^ a proposta so- 
gointe : 

c Proponho que seja consignado na acta que é sum- 
mamente agradável a esta camará a noticia da próxima 
Tisita do Imperador do Brasil e sua augusta esposa a 
este paiz; e que, na impossibilidade de os eleitos 
do povo portuguez comprimentarem por meio d'uma 
deputação Suas Majestades Imperiaes na sua chegada, 
por nSo estarem já reunidos quando se realisar tão 
faosto acontecimento, desde já se antecipam a dar-lbes 
IS boas vindas, e um testemunho sincero de respeito 
e consideração pelas suas altas virtudes» e ao mesmo 
tempo de reconhecida gratidão pela sympatbia e estre- 
ttada benevolência com que sempre se tém dignado 
tractar os nossos compatrícios residentes nos seus e»- 
tadoaf^lhBaperam que o governo» tendo em consideração 
08 laços de sangue que unem as famílias reinantes 
d'astes dois paízes amigos e irmãos» que faliam a mesma 
lÍDgua» e as boas relações politicas e commerciaes, que 
entre elles tém constantemente existido, dará as pre- 
cisas providencias para que os augustos hospedes sejam 



8 

recebidos com todas as demonstrações de r^osijo na- 
cional e honras devidas á sua alta hierarcbia. Sala das 
sessões, â de janho de 1871.» 

Esta proposta foi unanimemente votada pela camará, 
associando-se a ella também as manifestações e votos 
dos membros do governo. 



Partida de Soas Majestades do Rio de Janeiro 

No dia 25 de maio de 1871 sahiu do porto do Rio 
de Janeiro, com destino á Europa, o magnifico pa- 
quete Douro, a bordo do qual vinham Suas Majesta- 
des, os Imperadores do Brasil, acompanhados dos srs. 
conselheiro Nicolau António Nogueira da Camará, con- 
selheiro d'estado Bar5o do Bom Retiro, conselheiro 
doestado Barão de Itaúna e sua formosa filha, D. Jose- 
phina Fonseca Costa, D. Leonilda dos Anjos Esporai, 
D. Joanna Maria, Pedro de Paiva, e mais onze creados, 
dois dos quaes pertenciam ao conselheiro Nogueira da 
Camará. Cerca de trezentos passageiros, com destino 
a Portugal, tinham também embarcado neste mesmo 
vapor, que vagarosamente deslisava pela bahia, para 
poder ser acompanhado de grande numero de embar- 
cações, cheias de povo, que enthusiastícamente victo- 
riava e se despedia dos imperiaes viajantes. O Impera- 
dor, singelamente vestido de preto, conservou-se por 
bastante tempo na tolda, correspondendo com a mais 
profunda commoção ás immensas saudações, que se 
multiplicavam de todos os lados, e eram seguro teste- 
munho de quanto o nobre povo brasileiro venera a il- 
lustraçSo e elevadas qualidades dos seus monarchas. 

No dia â8 o vapor Douro chegou ao porto da for- 



fflosa Bahia, oDde se preparava uma esplendida rece- 
pção aos Imperadores, a qual porém não pôde realisar-se 
em razão da copiosa chuva que sobreveio nessa occa- 
sião. 

No dia 30 chegou a Pernambuco, e ahi desembar- 
caram Suas Majestades para assistirem á inauguração 
dos trabalhos de {abertura d'um canal. D'aqui prose- 
guiu o vapor a sua viagem, tocando em S. Vicente a 5 
de junho. 

A viagem fez-se sem incidente notável, e apenas a 
morte d'um passageiro perturbou momentaneamente a 
alegria de todos os viajantes. 

Suas Majestades mantiveram sempre a mais cordial 
camaradagem com os demais passageiros, tractando-os 
affavelmente e mostrando-se gratos a todas as provas 
de respeitosa sympathia que lhes dispensavam. Os seus 
legares a bordo tinham sido tomados sob a simples de- 
signação de D. Pedro d' Alcântara e sua mulher. 



Chepda ao porto de Lisboa e desembarque 

no Lazareto 

Ás cinco horas e meia da madrugada do dia 12 de 
janho salvava a torre de S. Julião da Barra com vinte 
e um tiros, e içava a bandeira brasileira, annunciando 
d'este modo que estava á vista o vapor Douro. Um 
quarto de hora depois a torre de Belém prestava egual 
homenagem, quando o vapor, passando serenamente em 
frente de suas muralhas, se aproximava do ancora- 
douro, sendo logo correspondido pelas salvas de bordo 
da corveta Estephania, a qual embandeirou em arco, 
içou num dos topes a bandeira brasileira, e tomou nas 



vergas a marinhagem, qne d'ellas saudava eom clamo- 
rosos vivas os Imperadores. 

Pelas seis horas fundeava o vapor em frente do La- 
zareto, recebendo em seguida a visita das auctoridaties 
do porto e da saúde; e, como as disposições sanitárias 
determinavam uma quarentena de oito dias» foi com- 
municada aos passageiros a noticia de que tinham de 
permanecer no Lazareto durante aquelle praso. O Im- 
perador então escreveu a el-rei, pedindo-lhe que em 
nada se alterassem as determinações legaes. 

Immediatamente partiu para bordo um escaler com 
os srs. ministro do Brasil nesta corte, conselheiro Lis- 
boa, cônsul Porto Alegre e diversos empregados da le- 
gação e consulado, que iam receber as ordens de Soas 
Majestades. Partiram também alguns botes com varias 
pessoas, portuguezes e brasileiros, desejosas de verem 
e saudarem os imperiaes viajantes. 

Ás sete horas e um quarto sahiram do paço das Ne- 
cessidades el-rei D. Fernando e o sr. infante D. Augusto, 
e embarcaram ás sete horas e meia num escaler verde, 
equipados por trinta remadores, dirigindo-se a compri- 
mentar os Imperadores, que do alto da escada conver- 
saram alegre e affectuosamente com seus augustos cu- 
nhado e sobrinho. 

El-rei D. Fernando insistiu com empenho para que 
Sua Majestade o Imperador acceitasse a corveta Este- 
phania; a sua resposta porém foi sempre negativa, 
dizendo qne, apenas tinha chegado, escrevera a el-rei 
D. Luiz nesse sentido, declarando que a sua resolução 
era irrevogável. 

Fallavam com familiaridade própria de velhos amigos 
de tu, e d'uma vez que el-rei D. Fernando o tractou por 
imperador, Sua Majestade observou-lhe : «Aqui não ttai 



ti 



imperador nem imperatriz. Chamo-me D. Pedro de AW 
eantara, e minha mulher D. Tbereza Cbristina.* 

N3o escapou ao illustre viajante o magnifico palácio 
de Cintra, que só de longe podia enxergar, coroando os 
penhascos agudos da Pena ; e subindo o Tejo observara 
as obras do convento dos Jeronymos em Balem ^. De 
ambas as maravilhas fallou pois o Imperador com elogio 
ao monarcba portuguez. 

N3o lhe foi indííferente também o maravilhoso espe^ 
etaculo da entrada de Lisboa pelo Tejo, e confessou que, 
apezar de familiarisado com os grandes espectáculos da 
natureza, havia admirado o quadro surprehendente da 
entrada da barra e subida do Tejo. 

Entre outras observações e perguntas manifestou de- 
aqo de conhecer os srs. duque de Loulé, marquez de 
Sá da Bandeira e marquez de Ficalho, três amigos e 
companheiros de seu pai. 

Attentando no sr. conde de Campanhã, que fazia 
parte da comitiva d'el-rei D. Fernando, felicitou-o peb 
'Vigorosa disposição physica em que o encontrava. 

Também perguntou se em Lisboa havia muitos bra- 
ateiros. El-rei D. Fernando respondeu affirmativamente. 
mas o Imperador replicou: «Sim, mas são portuguezes 
que residiram no Brasil, e voltam chamando-se brasi* 
leiros. Conheço muitos, alguns estimáveis, e deseja 
vel-os.» 

El-rei D. Fernando despediu-se, e de novo insistiu 
tom o Imperador para acceitar a corveta Estephania. 

— «Deixe-me gozar esta Hberdade de simples ci- 
dadão; eston farto de ceremonias e etiquetas» foi a 

1 A» obras da restauração do edifício dos Jeronymos eâo de- 
Tidas á iniciativa do sr. José Maria Eugénio d' Almeida, pro- 
Tedor dft Casft Pia, estabelecida no mesmo ediiicio. 



resposta do monarcha. E terminou por pedir ao sr» 
D. Fernando que o procurasse no Lazareto, onde po- 
deriam conversar mais de espaço. 

Ás sete horas e meia vinham do arsenal num escaler 
de serviço esperar el-rei no cães de Belém, para o acom- 
panharem a bordo, os srs. presidente do conselho de 
ministros marquez de Ávila e Bolama, ministro da fa- 
zenda Carlos Bento da Silva, ministro da marinha José 
de Mello Gouvea, ministro da guerra José Maria de Mo- 
raes Rego, e ministro da justiça José Marcellino de Sá 
Vargas. 

Também chegavam alli com o mesmo fím os srs. 
viscondes de Soares Franco e da Praia Grande, coim|| 
das Alcáçovas, marquez de Ficalho e outros cavalheiflHft 

O sr. D. Fernando voltou para terra ás oito hQi|i 
e dez minutos. feS 

No cães de Belém estava atracado um formoso iMft 
gantim real, tripulado por 80 remadores, sob o cdíi» 
mando do sr. capitão de fragata Sousa. -t^ 

A formosa embarcação recebeu a seu bordo, palpl 
oito horas e um quarto Suas Majestades el-rei e a fií* 
nha, acompanhados pelos srs. marquez de Ficalho, co 
de Valle de Reis, Pedro de Noronha e Victor Morei 
e a dama de serviço da rainha, a sr.' D. Gabriella, bàl 
como os srs. ministros. ;«,» 

A rainha trajava um elegante vestido côr de raH^ 
chaile de touquim branco e chapéu da mesma côr cMI 
laços correspondentes ao vestido. ii.vj 

O bergantim içou o pavilhão real, fez-se ao larp^ 
e aproou ao Douro, indo-lhe na esteira uma galeoUb 
que largara do cães após ella, tripulada por trinta reiM^ 
dores, e levando a bordo os srs. viscondes de Soate 
Franco e da Praia Grande, Andrade, Cardoso e Ro^ 



43 



valho. O bergantim d'6l-rei remara para estibordo do 
paquete, e aproximou-se quanto possivel, mas sem to- 
car por d3o ser permittido pelos regimentos sanitários. 
O Imperador, acompanhado do seu camarista, o sr. barão 
de Bom Retiro, desceu a escada do portaló até ao der- 
radeiro degrau. A Imperatriz ficou um pouco mais 
acima. 

O Imperador vestia o trajo modesto, em que já o 
vimos sahir do porto do Rio de Janeiro : bonnet, sobre- 
casaca e calça preta. 

A sua augusta esposa trajava de rigoroso luto, e de- 
notava o abatimento resultante de padecimentos phy- 
sicos. 

El-rei, o sr. D. Luiz, e a rainha sua augusta esposa, 
a sr.* D. Maria Pia, estavam de pè no bergantim. Sau- 
daram com alegria os Imperadores, e estes correspon- 
deram-lhes com extrema simplicidade no mesmo tom 
de aflectuoso contentamento. Seguiram-se apresentações 
mutuas de alguns oíSciaes de ambas as suas casas. 

El-rei D. Luiz offereceu-lhes a corveta Estephama, 
mandada apparelhar pelo governo para a quarentena dos 
monarchas brasileiros; mas o Imperador respondeu como 
já havia feito a el-rei D. Fernando. 

— «Agradeço muito tamanho obsequio, mas não 
posso acceitar. Hei de sujeitar-me á lei commum, cum- 
prindo a quarentena com os meus companheiros de 
^agem. Aqui nSo sou mais que Pedro de Bragança.» 
Depois accrescentou : — «Finda a quarentena só me de- 
moro um dia em Lisboa para os visitar, e a Sua Ma- 
jestade a Imperatriz viuva, e vou aproveitar a estação 
na visita ao norte da Europa e suas principaes cidades. 
A volta hei de então demorar-me mais aqui em sua 



i4 



companhia, e Tisitar Lisboa, Coimbra* ODde quero ver 
a Universidade, o Porto, aquelia nobre terra de tantas 
recordações, e outras.» 

Nesta occasião viu o sr. marquez de Ficalbo, e dí* 
rigindo-se a elle mandou-o cobrir. O mesmo fez com 
o sr. visconde de Soares Franco, ao qual disse que bmií 
bem se recordava d'e]le, e com saudade, de quando es- 
tivera no Rio de Janeiro. 

Terminaram os comprimentos e os monarchas por- 
tuguezes despediram-se e voltaram a desembarcar em 
fielem. 

Centenares de embarcações agglomeravam-se em re- 
dor do paquete, a maior parte com curiosos, outras coD- 
duzindo pessoas que iam comprimentar os persraagens 
recemchegados. O sr. marquez de Pombal, conduzido 
por um escaler, aproximou-se do portaló, e compri- 
mentou o Imperador. Este dirigiu-lhe a grata fineza de 
lhe dizer: «que se lembrava muito de seu pae, e que, 
quando passou em frente da formosa quinta de Oeiras, 
lá tinha visto a histórica residência do grande ministro 
do sr. D. José i, e seu memorável ascendente. 

Ás 9 horas da manhã largava do cães de Veropezo, 
que fica próximo do edificio que hoje occupa a ca- 
mará municipal, o escaler da alfandega, n.** 1, condu- 
zindo os vereadores, conde de Rio Maior, António, pre- 
sidente, José Carlos Nunes, Zepherino Pedrozo, Guerra 
Sanctos. Em outros dois escaleres iam o escrivão, guar- 
da-mór e vários empregados superiores da camará. 

O sr. vereador José Carlos Nunes levava o estan- 
darte da camará. Quando os escaleres chegaram juncto 
do vapor, iam os augustos viajantes descendo as escadas 
do portaló para embarcarem no escaler da corveta Es- 
tephania, onde os esperavam o sr. capitão de mar e 



i5 

guerra, José Baptista de Andrade, commandante da cor- 
veta, e o seu immedUto* 

A camará levantou um viva aos Imperadores do Bra- 
sil, que foi correspondido por todos os passageiros do 
paquete Douro. 

Sua Majestade agradeceu do escaler á camará mu- 
nicipal as demonstrações de cordialidade e sympathia 
eom que era recebido. 

Os escaleres em que ia a camará municipal, acooH 
panharam a alguma distancia aquelles em que iam Suas 
Majestades Imperiaes, dirigindo-se para o Lazareto. 

A camará desembarcou também na praia do Laza- 
reto, sendo desfraldada a bandeira do municipio, e fe- 
licitou Suas Majestades pela sua feliz viagem e chegada 
ao porto de Lisboa. Sua Majestade o Imperador respon- 
deu: -**-c Agradeço á camará municipal de Lisboa os seus 
comprimentosD. 

O sr. presidente da municipalidade novamente levan- 
tou vivas, a que corresponderam as pessoas presentes. 
O Imperador agradeceu sempre os vivas, agitando o 
braço, em cuja mão sustinha o bonnet. 

O vapor Lusitano do sr. Boumay, que levava a bordo 
a philarmonica Alumnos de Euterpe, e fazia subir ao ar 
immensos foguetes, também acompanhou o desembar- 
que. A philarmonica tocava o hymno brasileiro. 

O sr. Baptista de Andrade, commandante da corveta 
Estephania, cuidando ter por hospede o Imperador, sal- 
tou á escada do Douro communicando com Sua Majes- 
tade, e ficando também por esse facto de quarentena. 

Sua Majestade Imperial, a senhora duqueza de Bra- 
gança, mandou o sr. marquez de Rezende comprimentar 
o Imperador, seu enteado. 



16 



No Lazareto 

Dia 12 

Seguiodo o sen invariável systema de se considerar 
como simples particular, assim se hospedou o imperial 
viajante entre os demais quarentenários. Suas Majestades 
recusaram toda a distincçSo, nSo querendo acceitar os 
gabinetes particulares que lhes haviam sido preparados» 
allegando que desejavam muito continuar a estar com os 
seus companheiros de viagem, dispensando portanto os 
empregados, que da casa real para alli tinham sido man- 
dados para seu serviço. 

Ás três e meia horas da tarde foi ao Lazareto visitar 
os imperiaes viajantes Sua Majestade, el-rei D. Luiz, em 
companhia dos seus ajudantes de ordens. Demorou-se 
lá uma hora. Pelas cinco horas da tarde fazia egual visita 
el-rei D. Fernando. Á passagem das pessoas reaes houve 
na torre de Belém e a bordo da corveta Estephania as 
salvas do estylo. 

Também alli foram os srs. ministro do Brasil, vis- 
condes de Asseca, de Campos, de Soares Franco, An- 
drade Pinto, e em cinco dos melhores escaleres da al- 
fandega os srs. conde de Penamacor e cônsul do Brasil 
em Lisboa com sua família. 

O sr. conselheiro António José Duarte Nazareth, di- 
rector da alfandega, foi muito bem recebido pelos Im- 
peradores, que amigavelmente se recordavam d'elle, e 
lhe gabaram o estabelecimento e a linda vista que d'aUi 
se desfructa. 

Por ordem do sr. ministro do reino foi pôr-se ao ser- 
viço de Suas Majestades o padre capellão do Lazareto. 



47 

Ás sete horas da tarde desembarcou a charanga da cor- 
veta Esíephatda e dois officiaes de marinha portugueza. 

Á Bolte em Lisboa illuminaram-se muitas casas por- 
iQguezas e brasileiras, assim como as de algumas redac- 
ções dos jornaes, sobresahindo a da Correspondência de 
Portugal no cães do Sodré. Era também brilhante a 
illmninação do edifício da companhia do gaz. 



Serenata no Tejo 

Ás oito horas da noite abordava a ponte dos vapores 
o Lusitano, graciosamente embandeirado e illuminado 
com grande numero de lanternas com vidros de varias 
c&'es e muitos balões venezianos. Pouco depois esta- 
lavam no ar milhares de foguetes, e a bordo bombas de 
grande força. 

Ás oito horas e meia desamarrou o vapor, e lenta- 
mente se ia desenvolvendo o magnifico panorama que 
apresentava a cidade illuminada, até que chegou a Be- 
lém, onde a quantidade de luzes não era menos sur- 
prehendente. 

A corveta Estephania, ancorada em frente de Belém, 
estava egualmente illuminada, e á passagem do vapor 
lançou ao ar innumeros foguetes. 

A bordo do Lusitano tocava a banda de musica Alu- 
mnos de Euterpe, que, tanto durante a viagem, como 
em todo o tempo que esteve em frente do vapor, exe- 
cutou muitas peças de musica, e entre ellas alguns hy- 
mnos portuguezes e brasileiros. 

Em frente do Lazareto se demorou o Lusitano mais 
d'iima hora, lançando-se sempre de bordo foguetes e 
bombas em grande quantidade. 

2 



18 



Qaando o vapor virou, pôde aproxímar-se mais da 
terra, e então de bordo se levantaram vivas ao Impe- 
rador e Imperatriz, e tão perto estava, que se ouviam 
distinctamente os sons da musica do 5 de caçadores, 
que tocava no Lazareto, onde nas salas bem illuminadas 
se distinguiam perfeitamente as pessoas que assomavam 
ás janellas. 

Ás dez horas voltou a Lisboa, onde chegou ás onze, 
continuando ainda a admirar-se o esplendente eífeito 
da illumínação, uma das mais brilhantes que Lisboa tem 
presenceado. 

Dias 15 e 14 

Muitas pessoas notáveis procuraram os imperiaes qua- 
rentenários durante estes dois dias. Havia o Imperador 
perguntado por algumas, especialmente por aquellas 
que lhe eram já familiares pela leitura das suas obras; 
a outras enviava o seu camarista os mais amáveis con- 
vites para o procurarem. 

Suas Majestades recebiam as visitas no parlatorío, 
sendo escusado accrescentar que a todos captivavam com 
a lhaneza e affabilidade do seu tracto. 

Attribue-se ao illustrado monarcha um dito muito 
espirituoso, relativo á sua posição de prisioneiro no La- 
zareto. A alguém com quem conversava, disse Sua Ma- 
jestade: «Ha um certo prazer em estar aqui encarce- 
rado em nome da saúde d'uma população de 300:000 
pessoas, que eu estimo.» 

Uma das pessoas mais procuradas e bem acolhidaf 
pelo illustrado monarcha foi o sr. conselheiro José Dias 
Ferreira, lente de direito na universidade de Coimbra^ 
ministro de estado honorário, e deputado da nação. Pai 



19 



algamas pessoas, com quem estivera, havia feito con- 
star ao tão novo como sábio estadista os desejos que 
tinha de conhecel-o e fallar-lhe. 

O sr. conselheiro Dias Ferreira estava ainda em tra- 
ctamento d'uma operação melindrosa nos olhos, mo- 
tivo por que não pôde corresponder desde logo á hon- 
rosa e grata lembrança do monarcha brasileiro, que se 
comprazia de tractar com os homens mais distinctos 
da capital. Porém dias depois foi ao Lazareto, onde 
teve um acolhimento amável, tão natural ao caracter do 
senhor D. Pedro H, especialmente para com os homens 
cultos e superiores. Fallou largamente no commentario 
ao Código Civil Portuguez, do qual o esclarecido juris- 
consulto tinha então dado á estampa o primeiro volu- 
me, que o imperador já havia Hdo. 

Depois occuparam-se da Universidade, sobre a qual 
tinham sustentado larga conversação, quando a visita 
d'el-rei, o senhor D. Luiz, os foi interromper. 

O sr. conselheiro Dias Ferreira relirou-se então, e 
o senhor D. Pedro accrescentou ao lisongeiro acolhi- 
mento, que lhe havia prodigalísado, a manifestação do 
desejo de tornar a vêl-o no seu regresso e mais demo- 
rada visita a este reino. 

Nesta justa homenagem ao sr. conselheiro Dias Fer- 
reira, egual á que usara para com outras illustrações 
do paiz, sobresáe tanto o espirito observador e culto 
do imperador como o fino trato com que procura dis- 
tinguir o verdadeiro merecimento e cultivar relações 
com lodos que, como o auctor do commentario ao Có- 
digo Civil Portuguez, o têm de sobejo provado pela me- 
recida reputação das suas luzes e trabalho. 

Também os srs. António Maria de Fontes Pereira de 
Mello, hoje presidente do conselho de ministros, e o mi- 



• • 



86 



Bistro de estado honorário, conde do Gasal Ribeiro, vi^ 
sítaram o linperador. 

Parece que, tendo o sr. Gasal Ribeiro dito qde teivid 
trocado a politica pela lavoura, o Imperador o repre- 
bendera amavelmente, dizendo que nSo era licito a ho- 
mens do seu talento abandonar inteiramente oB negó- 
cios públicos. Por essa occasião Sua Majestade all.aditi 
com muito affecto e enthusiasmo ao sr. Alexandre Her- 
culano, que também deixou não só a vida politica, m(ss 
a litteraria, e pediu lhe dissessem que desejava vél-o, 
mas que, n3o tendo agora tempo para ir a Valle de 
Lobos, esperava merecer-lhe o favor da sua visita. 

Outro personagem litterario foi sobremodo honrado 
por Sua Majestade. No dia 14 o sr. Porto Alegre, cônsul 
do Brasil em Lisboa, procurou da parte do Imperador 
o sr. visconde de Castilho, a fim de lhe transmittir o 
desejo que Sua Majestade nutria de o ver antes de partir 
para o extrangeiro. O sr. visconde accedeu com satis- 
fação, e foi ao Lazareto no dia immediato. 

Ás cinco horas da tarde do dia 13 el-rei, o senhor 
D. Luiz, e seu irmão, o senhor infante D. Augusto, es- 
tiveram no Lazareto, e no dia immediato voltou el-rei 
a visitar seus augustos tios, indo d'esta vez acompa- 
nhado da rainha, sua esposa, a senhora D. Maria Pia, de 
seus filhos, o príncipe real D. Carlos e infante D. Affonso, 
além da dama ao serviço da rainha, D. Gabriella de Sousa 
Coutinho, da dama dos infantes, D. Maria Thereza de 
Mascarenhas, do camarista D. Pedro José de Noronha, 
veador conde de Valle de Reis, ajudante de campo 
D. Manuel de Sousa Coutinho, official ás ordens Brito 
Moreira, e do medico de serviço, o sr. Garfos May Fi- 
gueira, os quaes todos foram conduzidos a bordo do 
escaler a vapor da casa real, tendo embarcado em Be- 



M 



iMa Estai visita duroií três horas, desde as 5 da tarde 
até ás 8, em que Suas Majestades regressaram, ao palácio 
<}a Ajuda, 

Antes tinha já estado com o Imperador o seu amigo 
de tu, Sua Majestade el-rei o senhor D. Fernando, que 
fôra para o Lazareto pouco depois das duas horas, che- 
gando depois de Sua Majestade os srs. marquez d' Ávila, 
viscondes da Praia Grande, de Soares Franco e o minis- 
tro da marinha. 

Ás três horas d'esta mesma tarde foram os srs. du- 
que e duqueza de Palmella compriraentar Suas Majes- 
tades, Para este fim haviam fretado o vapor Joaquim 
Lopes, que os conduziu. Successivamente cumpriram o 
mesmo dever os srs. marquez de Niza e Fontes Pereira 
de Mello antes da chegada d'el-rei, o senhor D. Luiz, e 
.sua família. 

Também no dia 13 foi prestar egual homenagem aos 
hospedes imperiaes uma commissâo composta do pa- 
rocho, outros ecclesiasticos, e differentes pessoas mais 
da freguezia de Caparica, sendo portadores d'uma fe- 
licitação que lhes dirigiam os habitantes da mesma fre- 
guezia, á qual o Lazareto pertence. 

Neste mesmo dia o general Commandante da divisão, 
o sr. conde de Castello Branco e seu estado maior, o sr. 
marquez de Sá da Bandeira, e muitas outras pessoas 
procuraram, e foram recebidas por Suas Majestades. 

Entre estas se contava o laborioso proprietário da Cor- 
respondência de Portugal, acompanhado de seus filhos. 

Não occuUava o Imperador a satisfação que estas de- 
monstrações produziam no seu animo, pelas ter por 
sinceras e espontâneas, expressando-se do mesmo modo 
^m termos honrosos e gratos a respeito da imprensa. 

A associação commercial nomeou uma commissâo» 



22 



para felicitar o Imperador, mas somente no sea regressa 
da viagem a Lisboa. 

Á noite a delegação da alfandega no Lazareto esteve 
sempre illuminada; durante a hora da ceia foi, na noite 
de 13, tocar ao parlatorio a philarmonica dos bombei- 
ros, e na immediata coube a vez á musica dos ex- 
alumnos cegos da Casa Pia. 

Durante o jantar tocou todas as tardes no Lazareto 
a banda do batalhSo de caçadores. Como se sabe^ 
Suas Majestades jantavam sempre á mesa commum com 
os seus companheiros de viagem e quarentena. 



Dia 16 

Ás H horas já eram recebidos os srs. cônsul do 
Brasil, almirante Graça, e deputação enviada pela ca- 
mará municipal da cidade do Porto. 

O sr. Francisco Pinto Bessa, deputado, presidente da 
commissão e da camará municipal do Porto, apresentou 
a Sua Majestade uma allocução, a qual transcrevemos: 



Allocução da Camará Municipal do Porto 

Senhor. — A noticia da visita, que aprouve a Vossa 
Majestade Imperial fazer á Europa, encheu de jubilo a 
Nação Portugueza, que vô na Augusta Pessoa de Vossa 
Majestade Imperial o mais Nobre Representante d'uma 
Nação amiga e co-irmã da Nação Portugueza, que, li- 
gada ao Brasil por estreitíssimos laços, lhe consagra a 
mais acrisolada aflfeição, e folga por isso de ter occa- 
sião de saudar com enthusíasmo a Vossa Majestade Im- 



23 



perial, que pela sabedoria e illustraçao de seu governo 
tem sabido grangear a estima universal. 

A Cidade do Porto, como segunda capital do reino, 
não podia ficar indiíTerente no meio da alegria, que 
todos os portuguezes sentem pela visita, com que Vossa 
Majestade Imperial, acompanhado de Sua Majestade a 
Imperatriz, virtuosa Esposa de Vossa Majestade Impe- 
rial, se digna honrar esta briosa nação; e, não cedendo 
a nenhuma cidade do reino em dedicação e affecto á 
Nação Brazileira, onde muitos filhos do Porto recebem 
o mais benévolo acolhimento, antecipa-se na subida 
honra de saudar por tão fausto motivo a Vossa Majes- 
tade Imperial, digno filho do Senhor Dom Pedro iv de 
Portugal, o primeiro Imperador do Brazil. 

A Camará Municipal da invicta cidade do Porto, fiel 
interprete dos sentimentos que animam os povos seus 
administrados, roga pois a Vossa Majestade Imperial se 
digne acceitar com benevolência, para Vossa Majestade 
e para Sua Majestade a Imperatriz, as nossas felicitações 
como testemunho do mais profundo respeito. 

Deus guarde as preciosas vidas de Vossa Majestade 
Imperial e de Sua Majestade a Imperatriz por dilatados 
annos. Porto e Paços do Concelho, 12 de junho de mH 
oitocentos setenta e um. — Francisco Pinto Bessa, 
presidente — José Luiz Gomes de Sá — António Cae- 
tano Rodrigues — António José do Nascimento Leão — 
Manuel Justino de Azevedo — António Domingos de 
Oliveira Gama — António Ferreira dos Santos — Au- 
gusto Pinto Moreira da Costa — Pedro Maria da Fon- 
^a — José Duarte de Oliveira. 

O Imperador oppoz-se á leitura d'esta allocução, por 
n3o acceitar acto algum que parecesse official, e por 
^foi depositada nas mãos do sr. barão do Bom Retiro. 



o presidente da comiDis69o tere poisf de expor Ter- 
balmeote o que constituia o fim principal da allocu^) 
e traduziu por tanto os sentin^entos que nella expres- 
sava a camará acerca da tenção, que o Imperador for- 
mava, de visitar a invicta cidade, eoncloindo por ma- 
nifestar o desejo de saber qual a época em que a pro- 
mettida visita se verificaria. 

Sua Majestade respondeu que tinha dois planos de 
viagem, segundo os quaes podia ir ao Porto em no- 
vembro, ou março, mas que tíSto se havia ainda de- 
cidido por nenhum ; assegurou de modo inequivoco 
que não acceitava nenhumas manifestações de caracter 
oiiicial, que o obrigassem a deixar o rigoroso incógnito 
em que tencionava, viajar. Que não era indiflEérente ás 
provas de estima e consideração que já tinha recebido, 
mas pedia que não fizessem despesas inúteis, nem in- 
sistissem em demonstrações que só podia acceitar como 
Imperador do Brasil, o que não queria. 

Mostrou-se ainda Sua Majestade resolvido a seguir 
nos outros paizes este mesmo procedimento, motivo 
por que de modo nenhum podia alleral-o. Accrescen- 
tou que já tinha pedido aos srs. marquez de Sá da Bate- 
deira e marquez de Ficalho para o acompanharem quando 
elle visitasse o Porto, pois que desejava levar a seu lado, 
quando visitasse os legares para elle de tão saudosa re- 
cordação pelas lembranças que lhe haviam de despertai 
de seu pae, os homens que o tinham ajudado no em- 
penho de dar a liberdade ao povo portoguez. 

Durante bastante tempo conversou o Imperador cocb 
o digno presidente, dirigindo-se também aos outros mem^ 
bros da commissão, e tratando a todos com a maior af- 
íabilidade. 

Depois d'esta deputação foram recebidos pelo Impe- 
rador os srs* duque de Loulé e visG(xide de Soares Franco. 



95 



BjifiiahneDie foi recebido o sr. visconde àe Menezes 
<oiH o* qual Sua Majestade entreteve larga eonversação 
litteraria^ ião só sobre as suas obras, que conhecia, mas 
acerca de outros assumptos, sol^re os quaes pediu in- 
formações minuciosas, taes como o estado das bellas 
artes entre nós, collecções poHticas e particulares co- 
nhecidas no paiz, sobre a organisação dos estudos e 
systemas adoptados. Foi muito extensa a conferencia 
com este cavalheiro. 

Pelo próprio monarcha portuguez foi apresentado a 
seu tio o respeitável professor António José Viale, pro- 
fessor do curso superior de letras, justamente conside- 
rado como consummado hellenista. 

D'um modo na verdade benemérito procurou a di- 
recção do albergue dos inválidos do trabalho comme- 
morar a chegada dos monarchas brasileiros a Portugal, 
resolvendo admiltir no albergue a Francisco Penha, de 
72 annos de edade, e portanto impossibilitado de ex- 
ercer o officio de carpinteiro. Os seus comprimentos 
ao Imperador reservou-os a direcção para o seu regresso. 

Foi emfim neste mesmo dia que o sr. visconde de 
Castilho realisou a promeltida visita ao Imperador, 
para corresponder ao honroso convite que para isso re- 
cebera. Sua Majestade Imperial, que é, como todos sa- 
bem, um distincto cultor das boas letras, alegrou-se 
muito de ver o seu antigo confrade nos saraus littera- 
rios do paço de S. Christovão no Rio de Janeiro, e dis- 
cursou largamente sobre o estado da nossa litteratura, 
mostrando conhecer e apreciar os mais notáveis talentos 
da geração nova em Portugal. Informou-se do sr. vis- 
conde acerca dos seus últimos trabalhos, e fallou-lhe 
com enthusiasmo do AvarentOs que havia lido em manu- 
scripto, e do Fausto, que tinha sido recitado pelo sr. 



26 

José de Castilho» no Collegio de Pedro II, do Rio de 
Janeiro. Durou três horas a entrevista, da qual o sr. 
visconde se retirou muito agradado pela amigável affa- 
bilidade com que fora tractado. 

Á noite, por se haver transtornado o tempo, não se 
realisou a serenata que se premeditava fazer no Tejo. 



Dia 16 

Entre outras anecdotas attribuidas ao Monarcha do 
Brasil conta-se que, pretendendo alguém beijar-lhe a 
mão, se recusara conceder-lh'a, exprimindo-se nestes 
termos: — É impossível, por dois motivos: prohibem 
os regulamentos sanitários que nos aproximemos, e 
entre pessoas de egual categoria não se pode dar tal 
mostra de acatamento, visto ser eu em Portugal D. Pedro 
de Alcântara somente. 

Mandou a Academia real das sciencias comprimentar 
o esclarecido hospede, e d'essa honrosa missão foram 
encarregados os srs. marquez d'Avila e de Bolama, 
actualmente vice-presidente da mesma Academia, e o 
sr. Augusto Soromenho, os quaes cumpriram o seu 
mandato, proporcionando ao Imperador occasião de con- 
versar por bastante tempo com o sr. Soromenho, o qual 
é professor do curso superior de letras, e muito versado 
na litteratura árabe. 

Também o sr. conde Armand, ministro de França 
na corte de Lisboa, foi ao Lazareto comprimentar Sua 
Majestade, do mesmo modo que o sr. conselheiro José 
da Silva Mendes Leal, actual ministro de Portugal na 
corte de Madrid, com o qual a entrevista naturalmente 
tomou o caminho de palestra litteraria. Sua Majestade 









27 

pedíu-]be informações acerca de alguns dos nossos bo* 
mens de leiras mais nomeados, lendo-lhe depois, do 
mesmo modo que havia já feito ao sr. visconde de Casti- 
lho, a traducção d'umá poesia de Mazoni, escrípta na 
língua italiana. 

Os dois illustres poetas asseguram que o trabalho 
do augusto monarcha contém bellezas, e attesta pro- 
fundo conhecimento da língua do Dante. 

O sr. D. Pedro é cultor predilecto da poesia. 

Visitaram também Suas Majestades a viuva do fallô- 
cido ministro do Brasil, juiz e delegado e camará de Al- 
mada, os quaes foram ao Lazareto num vapor, visconde 
de Valmor, marqueza de Cantagallo, e emfim a direcção 
da associação commercial de Lisboa. 

O excellente rebocador Touro recebeu a direcção a 
bordo, no cães do Sodré, e em pouco tempo a conduziu 
ao Lazareto. Desembarcando^ foi recebida pelo Impe- 
rador á uma hora da tarde. Sua Majestade não deixava 
ler felicitações, e portanto a que lhe era apresentada em 
nome da respeitável classe commercial de Lisboa teve 
de ser depositada nas mãos do camarista do Imperador. 

Sua Majestade perguntou se a associação commer- 
cial de Lisboa comprehendia portuguezes e extrangeiros; 
e se algum dos senhores presentes havia estado no Bra- 
sil : foi-lhe respondido que somente o sr. Mello e Faro. 
Então o Imperador recordou-se de que este cavalheiro 
era auctor d'um livro, em que tracta dos meios de defesa 
que possue Portugal, e felicitou-o por aquella sua pro- 
ducção, que só poderia escrever quem possuísse conhe- 
cimentos variados. 

Sua Majestade disse também que tencionava, no seu 
regresso a Lisboa da viagem que vai emprehender na 
Europa, retribuir os obséquios que recebia da associação 



28 



eMnmercial, pagando a visita na casa da Pra(^ cb Com* 
mercio. 
Copiamos a allocuç3o» que é a s^inte : 



Allocaçâo da Associação Commercial 

«Senhor. — Á presença de Vossa Majestade e de soa 
Augusta Esposa em Portugal é um acontecimento de 
tal modo importante e grato para todos os portuguezes, 
que plenamente justifica os júbilos e enthusiiasmos que 
em todos os pontos d'este paiz causou t3o honrosa vi- 
sita. 

Nem podia deixar de assim succeder. 

É Vossa Majestade o primeiro cidadão d'aquelle 
grande império brasileiro, que honra a civilisação e o 
progresso do século, e que mostra ao mundo o que 
pode uma nação, que, se é grande pela vastidão de seu 
território, é maior ainda pelos exemplos de sabedoria 
e bom governo que tanto exaltam as nações. 

E a direcção da associação commercial de Lisboa, 
representando o corpo de commercio d'esta cidade, e 
interpretando fielmente os seus sentimentos, não podia 
deixar de nesta solemne occasião vir apresentar as suas 
sinceras felicitações, e a homenagem do seu profundo 
acatamento ao monarcha esclarecido e liberal, que com 
tanta sabedoria rege os destinos d'uma nação amiga 
e irmã, e á excelsa princeza que é modelo de todas as 
virtudes. 

O commercio, a cuja classe nos honramos de per- 
tencer, tem sido em todas as épocas um poderoso ele- 
mento de união e boa harmonia entre as nações que 
mais se distanciavam pela diversidade de origem, pela 



2» 

differença de religião, pela variedade de costumes. Eu* 
tre nações anrigas e irmãs, taès como Portugal e t> 
Brasil, onde a crença, a Hngua, os usos e as tradições 
são communs, o commercio tem ainda a desempenhar 
ama elevada missão. Dilatando-se todos os dias as re- 
lações commerciaes pelos progressos da industria ô 
pelo desenvolvimento das riquezas, o commercio prende 
cada vez mais, se isso ainda é possível, dois povos que 
o Oceano separa, n>as que os mais santos e puros afife** 
ctos estreitamente unem. 

O filho de Portugal, ao deixar a terra da pátria, e 
os logares saudosos que recordam a sua infância, e os 
entes mais caros, e depois de atravessar as immensi- 
dades do Oceano, , aportando ás terras de Santa Cruz, 
encontra mais que um paiz amigo, mais que um povo 
hospitaleiro, encontra uma nova pátria, ou, antes, a con- 
tinuação da sua pátria. 

E Vossa Majestade, modelo dos soberanos constitu- 
cionaes, sempre prompto a alliviar todos os infortúnios, 
e a auxiliar todos os nobres commettimentos, é o digno 
chefe d'um povo juvenil e destinado a occupar ura 
dos primeiros logares no congresso das nações. 

Digne-se, pois. Vossa Majestade acolher com a bene- 
volência, que lhe é proverbial, os votos que a direcção 
da associação commercial de Lisboa, em nome do corpo 
de commercio d'esta cidade, faz pela prosperidade do 
seu reinado, a que se acha intimamente ligada a felici- 
dade e o engrandecimento do império brasileiro. 

Lisboa, 16 de junho de 1871. — Joaquim Filippe 
de Miranda, presidente — António José Rodrigues Lei- 
tão, vice-presidente — António Augusto Pereira de Mi- 
randa e José Dionysio de Mello e Faro, secretários — 
Visconde da Abrigada, thesoureiro — António da Costa 



30 



Carvalho — António José Gomes Netto — António José 
Pereira Serzedello Júnior — António Pereira de Car- 
valho — Henrique Bernardo Pires — Henrique Eugénio 
Macieira — João Alfredo Dias — Joaquim Moreira Mar- 
quês — José Luiz Pereira Crespo e Luiz Manuel da 
Costa, directores.» 

Juntamente com a direcção foram os srs. Sebastião 
José de Abreu e José Joaquim das Neves. 

O presidente apresentou ao Imperador todos os mem- 
bros da direcção. 

Terminamos a noticia d'este dia com a fineza feita ao 
Imperador pelo sr. Raphael José Croner, mestre da 
banda de musica de caçadores 5, offertando-lhe uma 
phantasia para saxophone. 

O sr. Raphael José Croner, que é um distincto com- 
positor, sollicitou licença para na presença imperial exe- 
cutar a sua phantasia, e sendo-lhe concedida, mereceu 
com o seu desempenho os applausos de Sua Majestade 
e de sua comitiva. 

Depois o Imperador entregou ao sr. Croner a parti- 
tura da opera composta pelo maestro brasileiro Carlos 
Gomes, e manifestou o desejo de ouvir tocar alguns tre- 
chos da mesma opera, executados pela banda de caça- 
dores 5. O sr. Croner declarou a Sua Majestade que 
em breve cumpriria a sua vontade. 

O sr. Croner não era um artista desconhecido para 
o Imperador, que muitas vezes teve occasião de ouvil-o 
nos concertos que o hábil maestro deu no Rio de Ja- 
neiro. Sua Majestade reconheceu-o apenas o viu no 
Lazareto, e logo lhe fallou. 



31 



Dia 17 

Neste dia foi o sr. Alexandre Herculano comprimen- 
tar o Imperador. Sua Majestade Imperial, conhecedor 
do notável merecimento do primeiro historiador d'este 
paiz, professa por este distinctissimo escriptor a mais 
dedicada sympathia, e pôde a final significar-lh'a nos 
teraios mais expressivos e lisongeiros. 

Foi demorada a entrevista, na qual o Imperador com- 
bateu forte e energicamente o desalento em que se acha 
o nosso primeiro escriptor, fazendo-lhe ver quanto lhe 
cumpre, para honra sua e da pátria, voltar aos seus 
trabalhos litterarios e não se entregar todo e exclusi- 
vamente á lavoura. 

Desculpava-se o ermitão de Valle de Lobos com a 
sua edade avançada, com os seus achaques e ainda mais 
com as suas descrenças e desí Ilusões, considerando inútil 
deixar o arado pela penna e entregar-se novamente aos 
livros e ao estudo. 

O sr. D. Pedro na sua longa conversação com o illu- 
stre historiador não esqueceu que elle era também um 
perfeito cultivador de azeite, e por isso lhe pediu uma 
amostra do producto mais aperfeiçoado da sua colheita. 
O sr. A. Herculano accedeu gostosamente, e logo enviou 
um homem a Yalle de Lobos para d'alli trazer a amos- 
tra pedida. 

Sua Majestade, o senhor D. Luiz, offereceu ao Impe- 
rador a banda da illustre ordem de S. Thiago do mé- 
rito litterario, scientifico e artístico, e a sua esposa, a 
Imperatriz, a grã-cruz da ordem de Santa Isabel. 

Uma festa esplendida e cheia de novidade estava pre- 



S2 



parada para obsequiar os imperiaes viajantes na noite 
de 15; mas, como então o máo tempo a não tivesse 
permittido, realisou-se na noite de hoje. Era ama sere- 
nata no Tejo» pela primeira vez executada e presen- 
ciada em Lisboa. 



Serenata da sociedade Tagi Fhiminie 

 noite estava escura. Bruxuleavam apenas no seu 
vago docel algumas estrellas. Corria brando vento nor- 
deste. 

Ás oito horas já brilhava ao largo, em frente do cães 
da praça do Commercio, a vistosa iiluminaçao do rebo- 
cador do arsenal da marinha, que era o destinado á 
desejada excursão. A maré começava a encher. O vapor 
pôde atracar á ponte do Terreiro do Paço ás 9 e V« 
horas para receber os excursionarios. Entrados todos a 
bordo do vapor, e illuminado um transparente da caixa 
das rodas representando as armas do Brasil, largou o 
navio entre os adeuses e os vivas de centenas de pes- 
soas que de terra contemplavam o espectáculo. E era 
elle realmente brilhante e cheio de novidade. O vapor 
tinha em volta de toda a borda uma cinta de luminárias. 
Superior a esta ficava uma vasta grinalda de balões ve- 
nezianos ; e por cima uma outra cinta de lanternas. No 
centro, á popa, estava o coreto da musica, lindamente 
illuminado; e á proa viam-se também bastantes luzes. 
Ás bancadas lateraes iam cheias de senhoras de diver- 
sas classes da sociedade, entre as quaes algumas titu- 
lares, e bastantes de arrebatadora belleza. De permeio 
com ellas se viam mais de cento e cincoenta cavalhei- 
ros, negociantes, fidalgos, professores, empregados do 



33 



estado» jornalistas, e outros. Reinava a mais franca cor- 
dialidade e despretençio. 

Âlgans fogos de cores» queimados sobre a caixa das 
rodas a bombordo e estibordo, illominavam e davam 
phantaslica apparencia a este quadro fluctuaote, já de 
si surprehendonte. Subiam aos ares numerosos fogue- 
tes, e a banda de amadores e professores executava apro- 
priadas musicas. 

O Tejo estava sereno. O vapor singrava na direcção 
de sueste, procurando defrontar com o Lazareto. Para 
dar á serenata um . signal de dedicação, começaram 
por executar o hymno brazíleiro. A banda tocou-o 
com bravura, e as damas e os cavalheiros, que consti- 
tniam os coros, cantaram em majestoso conjuncto uma 
letra especial, adaptada pelo sr. dr. Macedo á musica 
do hymno, e aliusíva ao Imperador e á fraternidade 
luso-brasileira. O vento que soprava da terra, ia levar 
esta^ massa de vozes á outra margem, onde se erguiam 
6 desenhavam por entre as sombras os contornos do 
vasto edifício do Lazareto, em que se viam algumas pal- 
lidas luzes, e cuja posição era mais dístinctamente de- 
terminada pela vistosa illuminação da delegação da al- 
fandega. 

Alguns botes e escaleres com espectadores acompa- 
nhavam de perlo a viagem do vapor. Acabado o hymno, 
o sr. commendador Francisco Lourenço da Fonseca, ca- 
valheiro muito intelligente e illustrado, que esteve muito 
tempo no Brasil, e o ama tanto como a Portugal, e que 
era o iniciador d'esta diversão, e um dos seus princi- 
paes directores, tendo subido á ponte, ergueu vivas : a 
Sua Majestade o Imperador do Brasil, a Stm Majestade 
a Imperatriz s á família imperial, á inclyta nação brch 

9 



34 



sãmrih á fraternidade de Parhifal e Breuil, a el-ni 
de Portugal, d rainha e família real, e á independên- 
cia portuguem, os qoaes foram correspondidos com 
phrenesí pelas duzentas e tantas pessoas que o vapor 
conduzia, e acompanhados peias pessoas que iam nos 
botes e escaleres, e pelas guarnições de alguns navios 
que estavam ancorados mais perto. Este hymno e estes 
vivas repetiram-se mais tarde quando o vapor pairava 
em frente do Lazareto, onde nSo pôde a|^roximar-se 
tanto quanto todos desejariam. 

Em seguida tocaram e cantaram o formosisnmo cAro 
da barca, ou a barcaroUa das Vésperas SidUanas. A 
musica executou logo um bello tango, depois um pe§* 
pourri da Flor de chá, um das Vésperas, cantando-se de 
novo o coro da barca, o hymno brazileiro, o hymno real 
portuguez e o hymno da carta, á qual também se deram 
vivas. Â banda e coros eram regidos pelo sr. Carvalho 
e Mello. Faziam parte da banda os srs. Domingos Gaia, 
Oliveira, Mancilha, Mendonça, Matbeus Ferreira, Vizr 
mos, Borges, Monteiro, Del Negro, José Gama, JoSo da 
Cruz, Fernandes, e Patacho Júnior. Das senhoras que 
cantaram nos coros, lembram-nos as sr.^ D. Maria e 
D. Julieta Fonseca, D. Eugenia Sines, D. Adelina Hedm, 
D. Angélica Macedo, D. Amélia, D. Argentina e D. Emí- 
lia Li^a, D. Gertrudes Falhares, D. Ernestina Barros, 
D. Amélia e D. Maria Bracklami, D. Maria Luiza Gaia, 
D. Eugenia Benevides, mademoiselle Arnaud, D. Eliza 
Avellar, D. Germana Pinto, D. Maria Joanna Bastos, 
D. Sophia, D. Maria e D. Marianna Oliveira, creaturas 
graciosíssimas. Entre as demais senhoras vinK)s as sr.** 
D. Paulina Stegner, baroncza de S. Jorge, D. Rosina 
Perestrello, etc. Sentimos não poder dar a relaçio de 



S6 



todos 08 eavalheiras qãe canUnm. No meio á'eÊtã ín^ 
meosa alegria «eraa-ie uma abaDctaotíasiaia eeia ? o« 
lante. 

Quando o vapor se approximava do Lazareto/ otnia^ 
ae locar allip tomo que correspondeedo ao oomprimeDto 
da serenata^ o hymno brasileiro. 

A sympathíca e obaeqaiadora família do ar. Fonaeca. 
eate cavalheiro, o ar. Domíngoa Gaia, mancebo dotado 
dft maior deUcadesa» oa ara. Rebelio, Mendonça, Cmz, 
Castre, e oa danais directores e membros da Tagi Fiu* 
tmtn$ atam incanaawa em tornar a todos agradável e 
alegre a aibgalar diversSo, penhorando com mil attan* 
{Qes os seus convidados. 

As mnsícas, os cantos» os vifm, os fogos de bengala 
e do ar mim incessantes. 

Á 4 hora da noite aproava o vapor á ponte do Ter* 
reiro do Paço, onde os excnrsiooistas desembarcaram 
sem novidade, n3o se havendo dado. a bordo o nkenor 
incidente que perturbasse a franca sociabilidade e ale- 
gria sincera que a todos animava, e saudosos de tio 
amena e formosa excorsSo ^ 



Dia 18 

Suas Majestades ouviram missa ás nove horas, da tri- 
buna do ceptro da capella, ficando á frente. Atraz fi- 
cavam algumas das pessoas da sua comitiva. Nas tri- 
bunas lateraes estavam os demais passageiros. A mu- 
sica de caçadores 5 tocou durante este acto. No fim 

1 Estadescrlpc^ é copiada textualmente do Jornal do Com* 
fiercitf. 



36 



as pettoas que estavam na capella, voltaram-se para os 
Imperadores e comprimentaram^M». Suas Majestades 
corresponderam com a urbanídade e lhaneza qae lhes 
é própria. 

Os alomnos brasileiros da escola académica» apre- 
sentados pelo sr. ministro do Brasil, felicitaram o Im- 
perador pela sna chegada a Lisboa. Os estudantes eram 
acompanhados pelo seu digno e zeloso director, o sr, 
commendador António Florêncio dos Santos, viee-di* 
rector e alguns professores, que tinham embarcado n'nm 
escaler no cães das columnas. Sua Majestade. Impmal 
recebeu esta deputação com a maior affabilídade, e pn>- 
metteu ao sr. Sanctos visitar o seu collegio, cujos ser- 
viços á causa da instrucçSo s3o dignos do maior apreço. 

-Também foi recebida pelo Imperador parte da coló- 
nia brasileira, residente em Lisboa, que fretou um va- 
por para a levar ao Lazareto, e a commissSo dos vete- 
ranos da liberdade, composta dos srs. marqnez de Fi- 
calho, conselheiro Rezende, vice-almirante G. de Frei- 
tas, L. Pires, J. J. Maria Jordão, B. Rodrigues Cha- 
ves, J. Balthazar, Â. da Silva, Â. J. Martins, T. Lo- 
pes, J. G. M. Monteiro, J. G. do Nascimento, e Â. S. 
X. Freire. 

Sua Majestade fez diversas perguntas a alguns dos 
membros da commissSo, e concluiu por dizer-lhe que 
alli n3o os podia abraçar, mas, logo que lhe fosse pos- 
sível, daria a cada um dos membros d'aqnella, para elle 
tão significativa commissSo, um abraço de amizade e 
reconhecimento para transmíttirem aos seus camaradas. 
. Entre outras pessoas distinctas, que neste dia foram 
ao Lazareto, contam-se os srs. conde Armand, viscon- 
des de Algés, da Borralha e de Aljesur, commendador 
Fonseca, conselheiros Mendes I^al e Braamcamp, con- 






* >l 



Xí 



37 



des de Paratj e Penamacor» onncío do papa, ministros 
de Inglaterra, Itália e Estados Unidos, António Maria 
Barbf^, notável facultativo, Bocage, lente da escola 
polytechnica» Fernandes de los Bios e sna esposa, vis- 
conde de Menezes, João Baptista da Silva Ferrão de 
Carvalho Mártens, Alberto António de Moraes Carvalho, 
Jo9o Rebello da Costa Cabral, Carlos Bento da Silva. 

Larga conversaç3o teve também Sua Majestade com 
o illttstrado auctor do Diecionano bibUographicò, o 
ar.IoDOcencio Francisco da Silva. Soa Majestade, logo 
que ch^ra, havia manifestado o desejo de conhecçl-o, 
oiovido pelo apreço em que tem os seus importantes 
trabalhos litterarios, entre os qoaes o Diccwnario bi- 
hliognxphico lhe merece particular estima, pelo serviço 
que nelle presta á litteratura brasileira. 

Por este motivo encarregara o sr. Porto Alegre, côn- 
sul geral do Brazil em Portugal, de communicar-lhe 
que não dispensava a sua visita. O sr. Innocencío foi 
por isso corresponder ao honroso convite do illustrado 
monarcha, travando-se por essa occasiSo entre ambos 
larga conversa sobre o estado litterario do paiz. 

Também visitou a Sua Majestade o sr. Pedro Wen- 
ceslau de Brito Aranha, a quem o Imperador desejava 
conhecer pelo que d'elle lhe havia dicto o sr. Innocen- 
cío. Conversaram, e Sua Majestade acceitou com o maior 
agrado a dedicatória que o sr. Brito Aranha soliicitara, 
para um livro que tencionava publicar, destinado ás 
escolas. 

Fallecera a esposa do sr. visconde de Castilho, e o 
Imperador, sabendo esta infausta noticia, enviou ao di- 
stincto poeta um telegramma a dar-lhe sentidos peza- 
mes por tão triste acontecimento. 

Soa Majestade foi ainda neste dia comprimentado por 



38 

ama phíiarmonicá de Viila Franca de Xira, que d'alli 
fftra condnzida Dmii vapor, levando á frente o ar. Josft 
Joaquim Janaario Lapa» e pelo ar. visconde da Bdia 
Vistap reqpeitavel e rico negociante da praça de Lisboa. 



DiaiQ 

Foram ao Lazareto comprimentar o Imperador em 
nome doa actores do theatro dé D. Maria, Emilia daa 
Neves, Theodoríco, Joio Rosa e Moreira, artistas de in^ 
contestável merecimento e sempre bemqoistos do pn- 
blico. O Imperador recebeu-os com muito agrado, e disse 
que conhecia o Tbeodorico, de nome, e Helíodoro, a 
quem vira representar no Rio de Janeiro o papel de Ho- 
lofernes. Conversou durante algum tempo com a eximia 
actriz Emilia das Neves, a respeito da Joanna a doida 
e da Judiíh, peças em que admirara sinceramente o 
talento dos actores. Disse-lhe saber que já tinha creado 
mais um admirável papel no Gladiaà&r de Ravemia, 
que desejava muito na sua volta a Lisboa vél-a naquella 
peça, e qne até já tinha expressado esse desejo a seu 
sobrinho. 

Ás dez horas da manhã o humanitário e valente pa- 
trão Joaquim Lopes foi comprimentar Suas Majestades. 
Levava pequeno uniforme de segundo-tenente de ma- 
rinha, e do peito pendia-lhe a insígnia da Torre e Es- 
pada. Também foram visitar o augusto viajante os 
srs. Bernardino António Gomes, facultativo da tasa 
real, António de Serpa Pimentel, ministro d'esUido ho- 
norário, e Marquez d*01doini, ministro de Itália na. 
nossa corte. 

Tendo o Imperador manifestado ao sr. visorade de 



Meaetwo des^ de cwbecor «3» intereMiDlifi filba^; 
estag iMiÍBts lomn^bd apêoMUtadast assim como a 
Soa Majestade a Imperatriz. Nessa mesma occasiio o 
sr. visMBKto offirrocoD ao sr; D. Pedro varias gravaras 
6 pbolQgrai^ias» as qoaes Sua Majestade se dignoa ae^ 
ceitan 

O hábil photograpiío Rocha e o seo (Mstincto ope- 
rador Ricardo Sautoft ftMram ao Lazareto photographar 
Sbas jybyostades.. 

: 0»^itmbalbosd'e6tes dois artistas inwDHson^^ 
mmte louvados por todas as pessoas qae ea viram* 
. Q irw4>. Pedro Ur que tem grande predileccSo pelos 
estados hebraicos, desejoa que lhe fossr apresentado 
o ST» Saraga» moço de grande talento, que sobre aquel- 
les assomjtfos tem feito profundas investigações. O Im- 
perador conversou com elle cerca de duas horas, ver- 
sando a conversação sempre sobre lilteratura hebraica, 
de que o sr. D. Pedro é muito conhecedor. 

também Sua Mqestade Imperial eomarsou por bas- 
tante tempo com o sr. ministro de Hespanha, revelando 
grandes conhecimentos da iitteratura hespaohola e muito 
Uni crítfca na aprecia^^o dos homttis mais notáveis 
d'aquelle paia, tanto em poesia como em outro^ ramos 
das letras e na politica. 

Em vista do pedido feito pelo Imperador, o sr« Ale- 
xandre Herculano foi ao Lazareto entregar-lhe a bilha 
de az^, que expressamente para o augusto viajante 
mandara vir de Valle de Lobos. Sua Majestade havia-se 
queixado ao eminente historiador da oaá qualidade do 
tteite» servido no Lazareto, gostando aliás a Imperatriz 
muito de peixe, prato este que raramente dispensava. 

E assim um dos oiais eruditos historiadores modernos 
ofmôa um producto do seo trabalho agrícola ao mo- 



40 



narcba illastrado» que sempre respeitara o superior ta- 
lento do creador do Eurico e do poeta da Harpa do 
crente I 

O maestro Cardio, tendo visitado o ImperadcM*, con- 
vidou-o a assistir a um concerto no Passeio PoUioo na 
noite do dia seguinte. Sua Majestade perguntou se O 
Passeio ficava muito distante do botei de Bragança, e, 
depois de saber qual a distancia, respondeu : cÊ muito 
perto, e por isso é provável que visite o Passeb. CkHBO 
gosto muito de musica, farei todo o possível para assistir 
á sua festa». 

Sua Majestade Imperial já conbecia o sr. Cardín do 
Rio de Janeiro. 

Era a ultima vez que os Imperadores jantavam no 
Lazareto. Por esse motivo o jantar d'esse dia foi reves- 
tido de circumstancías muito curiosas. 



Ultimo jantar no Laiareto 

Os passageiros fizeram uma manifestação de sym- 
pathia e de reconbecimento aos seus augustos compa- 
nheiros. Houve entbusiasticos vivas, e o capellSo do 
Lazareto e um padre lazarista italiano pronunciaram 
discursos. 
O do capellSo foi concebido nestes termos : 
c Senhor. — Permitta Vossa Majestade Imperial que 
eu, na ausência de outra voz mais auctorísada, e ven- 
cendo a natural timidez que impõe a humildade recom- 
niendada ao sacerdócio que exerço, me faça interprete 
dos sentimentos de respeitoso affecto e acrisolada con- 
sideração, que o povo portnguez dedica á excelsa pessoa 
de Vossa Majestade, como representante de um ramo 



44 

da familia real portngneza, e c(»fno que destinado peh 
ProvídeDCÍa para presidir aos destinos da briosa e hos- 
pildeira naçio jbrasíleira, na$3o amiga, na(^o irmS e 
sobretudo naçio heróica na defesa dos seus foros» im- 
monidades e independência. 

Pbr taes títulos è tSo digna de afiecto e de conside- 
raçio, eomo é objecto das mais vivas demonstrares de 
nnpeito e admiraçio o exc^so imperante, que com 
mio firme a tem conduzido peto caminho do progresso, 
da dviiisa^lo e da liberdade com ordem, que i^3o o 
mai& seguro esteio das monarcbias democráticas. 

P6ssuido do mais profundo respeito por t3o preclaras 
virtudes -— brindo a Sua Majestade o Imperador do 
Brasil. » 

O discurso pronunciado pelo padre lazarista, o reve- 
rendo Rigilto, é o seguinte : 

c Senhores. — Perante intelligencias robustas, deante 
de pessoas altamente collocadas na sociedade, usando 
da palavra, me acanho ; assim mesmo, porém, faço da 
fraqueza força, e admirador, do génio, do talento exce- 
pcional do monarcha modelo, do patriota Imperador do 
Brasil, e de soa augusta esposa, typo verdadeiro da 
mãe de familia, a virtuosa Imperatriz, a elles consagro 
este brinde, brinde que sem duvida será enthusiastica- 
mente correspondido pelos cavalheiros aqui presentes, 
porque todos fomos apreciadores das excellentes qua- 
idades d'elles. Para mim, senhores, ha um facto espe- 
cial. Sacerdote obscuro até hontem, hoje possuo um titulo 
Íde gloria. Este título, esta gloria consiste em ter sul- 
cado o oceano immenso juncto a Suas Majestades Im- 
períaes, e mais ainda por ter tomado assento á mesma 
mesa. Sim, o mez de junho de 1874 nunca será es- 
qooddo; por toda a nossa vida será lembrado semprç 



42 



com orgulho. E agora, aagastos chefes da oaçio bra* 
sileira, ouvi minha ultima palavra : Os companheiros de 
viagem, em despedida, vos saúdam. Viva o Imperador 
do Brasil t Viva Sua Majestade a Imperatriz I • 

Emíim terminaremos com a noticia de um mimoso 
presente feito a Sua Majestade por um artista lisbonense. 

O «r. Domingos Venâncio, morador na ma do Cabo, 
n."" 14, foi ao Lazareto oiFerecer-Ihe um medalhio em 
cobre, representando em alto relevo o monumento de 
Sua Majestade o sr. D. Pedro iv. O Imperador ficou pe- 
nhorado, e elogiou muito o trabalho do hábil artista. 



Dia 20 

Havia terminado o praso legal da quarentena, e por 
tanto estava chegado o dia em que os Imperadores pi- 
sariam pela pruneira vez a terra portugueza. Servir- 
nos-hemos, com pequena alterarão, das descrípções que 
em diiferentes folhas periódicas encontrámos, e que 
seria difficii accrescentar. 



. Disposições para o desembarque 

O dia estava brilhante. Desde as oito horas da ma- 
nhã começou a observar-se na cidade esse alvoroço de 
alegria e movimento extraordinário, que denuncia as 
grandes galas, as festas em que toda a popula^o se 
involve espontaneamente, e que abrilhanta e honra com 
sua concorrência. Era nobre o sentimento que inspu*ava 
tal alvoroço. A cidade abria os braços e desprendia sor- 
rias para os hospedes que estava prestes a receber. 



43 

Tracta^a-se de prestar homenagem a um príncipe 
ilhistrado e virtaoso, diçfe áa naçSo mais intimamente 
Hgada a Portugal, que abriga em seu seio miliiares de 
portuguezee, que felidta com sua amizade este paiz, e 
eeiD dle quinhoa a sua ímmensa fortuna. 

O povo» homens e senhoras de todas as classes, corria 
aos logares mais elevados, fronteiros ao Tejo, ás mar- 
gm^áb rio, e embarcava nos vapores, escaleres e botes 
de recreio para presenciar o desembarque de Suas Ma- 
jortadas Impmaes. ^ 

Áb nove horas e quarenta minutoe da manhã embar- 
cavam Suas Majestades el-rei D. Luiz, D. Fernando e o 
sr. infante D. Augusto no cães de Belém, dirigindo-se 
no escaler a vapor para o formoso bergantim real, to- 
mando a sua comitiva logar a bordo da galeota grande, 
e indo na outra galeota outros personagens. 

Nesta occasiSo occorreu um incidrate desagradável 
para el-rei D. Fernando. 

Quando saltava do escaler para o bei^antim caiu-lhe 
ao mar a espada. Foi o sr. infante duque de Ck)imbra 
quem deu por isso.^ El-rei mandou tomar nota da la- 
titude do logar em que a espada ficou, para ser procu- 
rada depois por um mergulhador. 

A este tempo pairavam em frente de Belém quatro 
vapores do sr. Boumay, cheios de passageiros, e em- 
bandeirados em arco, levando o Lusitano a bordo a 
philarmonica Etaerpe. Viam-se também com varias fa- 
mílias o vapor Joaquim Lopes, o vapor Aviso, o rebo- 
cador Tigr$, escaleres a vapor, diversos escaleres a 
remos, e botes, por entre os quaes passaram para o 
A Lazareto o bergantim, e galeotas reaes, salvando a Torre, 
gfj e a Estephania, e deitando-se foguetes no Ltisitano, 
oode a EuMrfe executava o bynino real, 






44 

Desembarcaram Suas Majestades no Lazareto ás 10 
horas e meia. No cães do Lazareto estava a goarda de 
honra de caçadores n."" 5 com a banda, e grande dq- 
mero de pessoas, incluindo muitas senhoras. 

Nos montes sobranceiros áquella margem viam-se 
numerosos grupos de espectadores. 

O Imperador havia tomado banho ás 6 horas da ma- 
nha, indo a banda de caçadores tocar-Ihe, por sarpreza, 
uma suave harmonia. 

Ficou mui grato Sua Majestade a todas as demcm- 
strações d'esta excellente musica, que gratificou lai*ga- 
mente, com excepção do sr. Groner, a quem reservava 
premio de outra ordem. 

O Imperador, ás 8 horas, recebeu communicação de 
que a quarentena tinha findado, e de que podia deixar 
o Lazareto;. mas, como suppozesse que esta concessão 
era só para elle e para sua augusta consorte, pediu ao 
sr. conselheiro António José Duarte Nazareth, director 
da alfandega grande, que fizesse a ordem extensiva a 
todos os seus companheiros de viagem. O sr. Nazareth 
respondeu que a quarentena tinha acabado para todos 
os passageiros que estavam no Lazareto, e que todos 
podiam sahir quando quizessem. 

Apenas o Imperador teve a certeza de que não havia 
distincções, sahiu a passear nas montanhas próximas do 
edifício do Lazareto, d'onde recolheu para o almoço, 
trazendo algumas flores do campo á Imperatriz. 

O Imperador almoçou á mesa redonda, como sempre 
fez no Lazareto, e neste dia tinha à sua direita a Impe- 
ratriz e á esquerda a esposa do sr. ministro do Brazil. 

Depois do almoço Suas Majestades Imperiaes rece- 
beram os comprimentos de muitas pessoas que tinham 
ido de Lisboa, e prepararam-se para deitar o Lazareto. 



45 



Emibarqae no Lanreto 

o ImpOTador despedio-se de todos os seos compa- 
nheiros de Wagem e quareDtena ; gratificou os criados 
do hotel, e deu diversas esmolas. L(^o se dirigiu e 
soa aBgnsta esposa para o bergantim, acompanhados 
pelos monardias portugnezes, que os haviam ido buscar 
ao edificio, e todos se embarcaram. No bergantim real 
Yiobam o Iiqperador, a Imperatriz, o sr. duque de Saxe, 
ei-rei D. Lufai, el-reí D. Fernando, e o sr. infante D. Au- 
gusto. 

O Imperador trazia casaca, calça e collete preto, 
chapéo alto, a gr3-cruz das três ordens portuguezas, 
e a ordem de S. Thiago. 

Numa das galeotas embarcaram os srs. ministro e 
cônsul do Braâ» e empregados da legação e consulado. 
Na outra entiaram os srs. ministros, os srs. marquez 
de Sá e duqn de Loulé, diversos funccionarios do es- 
tado, e as pessoas da comitiva dos imperadores. 

A brilhante esquadrilha navegou serenamente, ao 
som das musicas que tocavam, dirigindo-se para a cor- 
veta de guerra Estephania, que o Imperador ia visitar, 
e que, segundo já fica referido, havia sido luxuosa- 
mente disposta para o receber. Chegou pois á corveta 
e atracou. 

O pavimento da escada do portaló estava atapetado, 
e as bandas forradas de seda verde. 

A marinhagem havia subido e formado nas veigas, 
aguamiçSo formou também com a charanga na frente. 
Nos topes fluctuavam os dois pavilhões reaes do Brasil 
6 Portugal. . 

Os Imperadores, e Suas Majestades com suas respe- 



46 

ctivas comitivas, subiram e demoraram-se a bordo 35 
minutos. O Imperador viu e observou tudo com mino- 
ciosidade, abraçou os officiaes, e deu-lhes as jnais vivas 
mostras de affecto, ficando admirado do ãceio, boa or- 
dem e gosto com que tudo se achava. Á saída deram-se 
os vivas da ordenança. 

Agradável surpreza aqui tomou a esplendida comi- 
tiva. Havia ancorado perto da corveta o paquete do 
Brasil chegado no dia anterior, e os passageiros vieram 
á borda em grande numero saudar com enthusiaatioos 
vivas o Imperador, que lhes correspondeu de pè, dea- 
coberto, e agradeceu por acenos. 

A esquadrilha seguiu o Tejo acima. Então os va- 
pores e as demais embarcações que acompanhavam 
com espectadores, e que eram mais de cem, formaram* 
lhe alas, seguindo em linha a bombordo os quatro va- 
pores do sr. Bournaj, e vários escaleres, e a estibordo 
os demais. A linha do centro era formada pelo ber- 
gantim e galeotas reaes, que cortavam serenamente o 
rio, semelhantes a grandes aves, de vistosas cores, fus- 
tigando compassadamente com suas azas de compridas 
pennas as aguas, espelhadas por um sol esplendido, cujo 
ardor a brisa noroeste adoçava. 

Era então deslumbrante o quadro que o formoso 
rio apresentava, espectáculo grandioso que milhares 
de pessoas contemplavam apinhadas nas praias, nos . 
montes, e nos mirantes, varandas, eirados e janella^ 
das casas. 

Em frente da cordoaria o bergantim real parou por 
instantes. Outro tanto fez em frente do palácio de sua 
majestade a Imperatriz. Quando passoti pelo forte da 
Alfarrobeira, salvou este com 21 tiros. Os sinos das 
egrejas repicavam. 



47 



O Inperidor obsermi oom o maior cuidado os odi- 
Seios» pecSndo ÍDfònnaçõeg« qae Suas Majestades lhe 
forneciam. Disse qoe do pintada ao vivo ia grande dif* 
fèreoça ; qae nSo sappunha tão bello o Tejo, tSo ma- 
jsstosi a ddade; que lhe deixaria eternas recordações 
este paDOFama admirável. Mostra va-se também muito 
grato a tantas. demonstrações de aiSecto da população. 

Chegando a esquadrilha defronte do aterro, salvou a 
fragata D. Femmdo, e o l»igue Pedro Nunes. Todos 
os navios de gaenn é mercantes estavam vistosamente 
embandeirados. De toda a parte se ouviam tnms ao 
Imperador. 

Desembarque em Lisboa 

Era meio dia, quando a esquadrilha atracava ao cães 
das Colamaas, e os imperiaes viajantes, com toda a 
eonitivaqoe os seguia, saltavam em terra. No Terreiro 
do Psifo e ruas próximas agglomerava-se enorme mnh 
tidio ; as janeltas estavam apinhadas de senhoras. 

No cães aguardavam Suas Majestades e seu séquito 
oito carraagens da casa real, seis tiradas a quatro ca- 
vallos^ e dnas a dois. Também alli os errava o regia- 
mente de lanceiros. 

O Imperador vinha pelo braço de el-rei D. Fernan- 
do; a Imperatriz pelo de el-rei D. Luiz. 

Demoraram-se algum tempo, vendo a praça e a es- 
tatua de el-rei D. José, e nessa occasíão apresentou 
el-rei ao Imperador as auctoridades civis e militares. 
Em seguida entraram para as carruagens. 

A primeira conduzia os srs. Teixeira e Folque, aju- 
dantes de ordens de el-rei ; a segunda o sr. duque de 
Loulé; a terceira os srs. conde de Ficalho, general Caula, 



48 

Gromicho Couceiro e Vai da Gama ; a quarta o sr. mar- 
quez de Ficalho e duas damas brasileiras ; a quinta el- 
rei D. Fernando, o sr. infante D. AugustOi o sr. mar- 
quez de Pombal e o sr. Moreira de Brito ; a sexta, le- 
vando por batedores dois ajudantes de campo, condu- 
zia Sua Majestade a Imperatriz, o Imperador, Ei-rei e 
o duque de Saxe. O sr. conde de Camilo Branco ia á 
estribeira. 

Em outras carruagens iam o ministério, a légacio 
brasileira, e muitas pessoas que tinham tomado logar 
em seguida ao cortejo official. 

Seguiam cerca de 100 carruagens, onde se vUun os 
ministros, a corte e particulares. Durante todo o tran- 
sito o povo erguia vivas ao Brasil e aos Imperadores. 
Âs musicas regímentaes executavam todas o bymno bra- 
sileiro. 

O cortejo chegou ao Rocio, onde formava a guarni- 
ção, compondo majestoso quadro com o brilho de suas 
armas e fardamentos. O Imperador tinha na frente a 
estatua do Imperador D. Pedro IV, sen augusto pie. 
Poz-se em pé, descobriu-se e cortejou reverentemente 
o monumento, dedicando-lhe alguns momentos de con- 
templação. Esta scena tocante fez palpitar mais de um 
coração. 

Em seguida o cortejo deu volta ao Rocio. A tropa 
apresentava armas, e as musicas tocavam. O Imperador 
viu e admirou a bella fachada do theatro de D. Maria II, 
e seguiu pelo lado oriental e sul para a rua Nova do 
Carmo, e Chiado, em direcção ao palácio de .Sua Bla- 
jestade a Imperatriz, viuva, sua augusta madrasta. 



49 



Visitas que os Imperadores fizeram 
e digressão do dia 

Chegados alli, realisou-se a desejada entrevista, que 
darou cerca d'uma hora, deixando em extremo sen- 
sibilisada a nobre e veneranda senhora, como nâo podia 
deixar de ser, vendo, depois de tantos annos de sepa- 
ração, o íilho de seu chorado esposo. 

Eram os primeiros passos do Imperador, em Lisboa, 
evidentemente guiados peio entranhado sentimento de 
amor filial. Dos braços da Imperatriz, sua madrasta, pas- 
sou a visitar o tumulo de seu páe. Foram pois a S. Vi- 
cente de Fora, onde se acha o jazigo dos reis e prín- 
cipes da casa de Bragança. 

Entrando em S. Vicente, o Imperador dirigiu-se logo 
ao jazigo real, pedindo que lhe indicassem o caixão, 
em que repousavam os restos mortaes do Imperador 
seu páe. Quando lh'o mostraram, ajoelhou reverente, e, 
manifestando profunda commoção, assim esteve orando 
por algum tempo. 

O povo que affluiu a S. Vicente, quando soube que 
para alli se dirigia o Imperador, e que entrara no jazigo, 
junctamente com elle ajoelhou também. 

Era um espectáculo commovente o que apresentava 
toda aquella multidão ajoelhada e orando juncto do cai- 
xão do reí'Soldado. 

O Imperador pediu depois que lhe indicassem os 
caixões da senhora D. Maria II e dos senhores D. Pedro V 
e infante D. Mo. 

A companha vam-n'o o sr. patriarcha, e o sr. bispo 
eleito do Porto, D. Américo Ferreira dos Santos e Silva. 

Depois de prestada esta homenagem ás cinzas de sen 

4 



50 



augusto pae, irmã e sobrinhos, encaminhou-se para os 
paços da Ajuda, onde reside el-rei o Senhor D. Luiz I 
e sua augusta familia, e depois ás Necessidades, resi- 
dência de el-rei o Senhor D. Fernando, sua esposa a 
senhora condessa de Edia, e seu filho mais novo o se- 
nhor infante D. Augusto, duque de Coimbra. Termi- 
nados os comprimentos aos membros da sua familia, o 
Imperador foi admirar o convento de Belém, sendo 
acompanhado pelo sr. Alexandre Herculano nesta vi* 
sita. 

Primeiro que tudo observou do espaçoso largo a 
frontaria do convento, restaurada com tanta proprie- 
dade no primitivo estylo manuelino, graças á perse- 
verança e gosto artistico do par do reino, José Maria 
Eugénio d'Almeida. O grande largo em frente do edi- 
fício é ainda obra do mesmo cavalheiro, e foi feito á 
custa de terrenos tirados ao Tejo. 

O Imperador exclamou admirado : — Isto sim ; isto 
é bellot — Passando ao interior do mosteiro, percor- 
reu-o todo, examinando com minuciosa attençSo aquelle 
thesouro de preciosidades históricas e architectonicas. 

Pelo que respeita á casa pia elogiou a sua boa ad- 
ministração, e a contemplou com uma esmola. 

Terminara alli a sua digressão diurna. Voltou pois 
para Lisboa pela Junqueira, informando-se acerca dos 
bellos edifícios, em que abunda aquella extensa rua, e 
regressando ao hotel de Bragança pelas 7 horas e meia 
da tarde. Fazia guarda de honra ao hotel o regimento 
de infanteria 16, o qual á entrada de Suas Majestades 
fez a continência devida. A guarda de honra foi porém 
dispensada pelo Imperador. 

O sr. marquez de Vallada apresentara-se no seu rico 
coche puchado a duas parelhas, que só costuma sabir 



54 

nos dias de graade gala, ou festas na corte. O fidalgo, 
representante d'uma das mais antigas casas da aristo- 
cracia portugueza, foi recebido com toda a aifabilidade 
pelo Imperador. 

Entre as visitas recebidas por Sua Majestade não 
deve esquecer a do dislincto poeta, Francisco Gomes 
de Amorim. Havia o monarcha tido a delicada attençSo 
de lhe enviar o seu cartão de convite, nos termos de 
que, se o seu estado de saúde lhe não permittisse sahir, 
iria vêl-o a sua casa. O sr. Amorim esteve pois á ndte 
no botei de Bragança, sendo recebido como facíl é de 
suppor. 

Padecia já então dos males, que o levaram á sepul- 
tura, o eloquente orador e escriptor aprimorado, Rebelio 
da Silva, que se achava na sua quinta de Santarém, e 
por este motivo não podia ir comprimentar o Impera- 
dor. Escreveu por isso aos srs. Lisboa, ministro brasi- 
leiro e Porto Alegre, cônsul da mesma nação em Lisboa, 
rogando-lhes que sollicitassem de Sua Majestade Impe- 
rial licença para lhe dedicar o volume da' historia de 
Portugal, que havia pouco concluirá. 

O Imperador accedeu a este pedido, e manifestou o 
sentimento de não conhecer pessoalmente o erudito es- 
criptor. 

Passemos a dar noticiai succinta dos aposentos impe- 
riais jio 

Hptel de Bragança 

Beune este hote^ todas as condições para receèer 
hospedes reaes, accrescendo ás suas commodidades e 
iQasnifipençip e^Uir cQllooado em posiçSo elevada, donde 



• . 



52 



se gosa a majestosa perspectiva de grande parte da ci* 
dade baixa e do Tejo. 

Os aposentos occupados pelos Imperadores do Brasil 
constavam de todo o segundo andar, seis quartos no pri- 
meiro, e seis no terceiro. 

O quarto de dormir tinha duas camas muito ricas, 
de armação ; roupas e colchas de linho corresponden- 
tes. Os quartos de vestir, tanto da Imperatriz como da 
Imperador, estavam ornados com luxo e elegância. A 
sala de visitas era forrada de seda, côr de canário, com 
lustres e serpentinas de prata. Por toda a parte sé vian> 
vasos de flores. 

O jantar não teve circumstancia digna de mencio- 
nar-se. Os Imperadores jantavam em plena liberdade 
de família com a sua comitiva. 

As alegrias de que a cidade havia dado inequívoco 
testemunho tradiiziram-se á noite em elegantes e geraes 
illuminaçôes. 

Festejos nocturnos 

A cidade estava quasi toda illuminada, e atè adian- 
tadas horas da noite considerável multidão de povo per- 
corria as ruas e estacionava nos largos. 

Havia muitas illuminaçôes que se tornavam objecto 
de admiração. Uma das que mais sobresaíam, era a da 
frontaria do escriptorio da agencia da Companhia Royal 
Mail Steam, dirigida pelos srs. R. Knowles A C.*, á 
qual pertencia o paquete DourOy em que os Impera- 
dores foram transportados para a Europa. A frontaria 
estava ornada com um grande numero de bandeiras e 
com luzes de gaz. 

Outra illuminação, que muito deu na vista, foi a da 



53 

sociedade Recreio PhilarmoDico, estabelecida numa casa 
que fica por cima do Arco do Bandeira, e faz frente 
nesta parte para a praça de D. Pedro. Uma grande e 
brilhante estrella de lumes de gaz tinha no centro as 
letras — P. II. — , e dos lados eleva vam-se duas py- 
ramides também de luzes de gaz. 

 rua do Alecrim estava completamente illumi- 
sada, oiferecendo brilhantíssima perspectiva. Foram 
além d'isso notáveis as illuminaçôes do sr. visconde 
de Ouguella, na sua casa ao fundo do Chiado, c^da um 
dos três andares da qual parecia ligado por um cinto 
de luzes; a do sr. Agostinho Roxo, á Mouraria; a de 
madame Alli, no Chiado ; a da fabrica, do gaz, que era 
brilhantíssima; Confeitaria Nacional, na rua. da Bitesga, 
defronte da Praça da Fi|[ueira ; real Iheatro de D. Ma- 
ria ; armazém de roupas brancas, na rua do Ouro ; typo- 
graphia universal, na qual se avistavam 160 luzes; 
quartéis do Carmo, e de caçadores 5 ; escriptorio da 
Correspondência de Portugal; hotel brasileiro e muitas 
outras. 



Visita ao passeio publico 

Segundo a promessa feita no Lazareto ao sr. Gar- 
dim» Sua Majestade o Imperador resolveu ir passar al- 
guns momentos no Passeio Publico. Como isto constasse» 
affluiram alli para cima de seis mil pessoas. 

Ás 10 horas da noite estalou no ar uma girandola 
de foguetes, acompanhada d'uma salva de morteiros. 

Ao mesmo tempo toda a gente correu para a en- 
trada principal do Passeio, e resoaram os vivas ao Im- 
perador* Havia chegado o augusto monarcha. 



64 

Episódios muito cariosos se contam dd eâtrdda do 
Imperador para mostrar que era inalterável nos seus 
hábitos de despretençlo e simplicidade. 

O sr. Cardim recebeu o soberano, ofiferecendo-lbe ca- 
deira para se sentar, mas Sua Majestade recusou, dizendo: 

«Não mé sento porque n3o estou cansado, demoro- 
me no passeio e quero ver tudo e ouvir os seus coros. 
Vá tratar da sua vida, que eu me sentarei depois em 
qualquer parte.» 

E logo se entranhou pela multidão, percorrendo todo 
o passeio. Subiu também ao mirante, e demorou-se al- 
guns instantes, observando a excellente vista que o pas- 
seio apresentava. 

Quando passou em frente do coreto, a banda de in- 
fan teria 7 tocou o hymno brasileiro, que foi magistral- 
mente desempenhado, seguindo-se coros executados com 
acompanhamento da banda de Saxe, o que tudo agradou 
a ponto de ser pedida repetição. 

O sr. Cardim mandou então repetir o hymno bra- 
sileiro ; o Imperador ouviu-o de chapéu na mão, e no 
fim ergueram-lhe vivas. Os coros cantaram um excel- 
lente coro da Joanna d' Are. 

O sr. Cardim havia mandado estender um tapete 
próximo do coreto e pôr algumas cadeiras, o que deu 
logar a um incidente que a todos revelou a lhaneza e 
espirito bondoso do monarcha brasileiro. O Imperador, 
o sr. duque de Saxe e a comitiva sentaram-se. Conti- 
nuara a execução dos coros; mas, quando a musica to- 
cou uma elegante walsa hespanhola, muitas crianças 
que se haviam agrupado em volta do Imperador, e al- 
gumas das quaes procuravam beijar-lhe a mão, corre- 
ram a uma distracção muito usada naquelle passeio^ e 
juntando-se em pares cMieçaram a daâçar» A^masi 






55 



porém, fagiam de passar por cima do tapete, coiii medo 
na sua innocencia de offenderem a etiqueta devida ao 
imperial viajante. O Imperador chamou para junto de 
si algumas meninas, acariciou-as, e disse-lhes que dan- 
çassem á sua vontade. 

Goncluido o programma dos coros, terminou a mu* 
sica pelo hymno brasileiro, que foi seguido por vivas 
eothusiasticos. 

O Imperador retirou-se, abrindo caminho a custo 
por entre a multidão. Quando, porém, sahia appareceu 
o passeio illuminado por fogos de Bengala, o que pro- 
duziu excellente eíTeito. 

A illuminação havia sido augmentada. Na cascata, 
que oceupa o topo superior da rua principal, destacava- 
se a inicial P. II, cercada de palmas e festões com luzes. 
de gaz. 

Sahindo do passeio, o Imperador entrou na carruagem, 
e deu volta ao Rocio, gozando a illuminação, que desde 
o faustoso casamento de el-rei o Senhor D. Luiz com 
Sua Majestade a rainha, a senhora D. Maria Pia, não 
tornara a ver-se tão geral e vistosa em Lisboa. O povo, 
que se agglomerava pelas ruas, desejoso de ver os hos- 
pedes imperiaes, obrigava a carruagem a parar fre- 
quentamente, e os vivas eram estrondosos. 

Sua Majestade Imperial agradecia-os commovido. 

A primeira pessoa que no passeio ergueu a voz para 
dar vivas ao imperador, foi um menino de treze annos, 
estudante da escola académica. 

Suas Majestades recolheram ao hotel ás onze horas, 
atravessando com diíliculdade as ondas apinhadas da 
multidão que enchia o Chiado e rua do Duque de Bra- 
gança. 



56 

Os Imperadores estavam de loto, e por isso d3o foram 
a theatro algum. 

Dia 21 

Pelas seis horas da manhã Sua Majestade el-rei 
D. Fernando entrava no hotel de Bragança, e pouco 
tempo depois sahiu a passeio com o Imperador, a pé, 
dirigíndo-se á praça de Luiz de Camões, para de perto 
verem a estatua do poeta, que ambos analysaram deti- 
damente, e de que o Imperador gostou muito, mostrando 
desejos de conhecer o escuiptor. 

Seguiram depois pela rua do Alecrim para o cães do 
Sodré; foram a pé pelo Aterro até á Pampulha, vol- 
tando á Cova da Moura e seguindo para as Necessida- 
des, aonde entraram, passeiando também alguns mo- 
mentos no largo. Depois entraram numa carroagem, e 
voltaram ao hotel, onde o Imperador almoçou ás oito 
horas e um quarto. El-rei D. Fernando retirou-se, e 
ás dez horas foram o Imperador e Sua Augusta Esposa 
num trem de aluguer visitar Sua Majestade a Impera- 
triz viuva, com quem conversaram durante algum tempo; 
e, como o Senhor D. Pedro havia promettido ir visitar 
a Escola Polytechnica, dirigiu-se para aquelle estabele- 
cimento, onde era esperado desde as onze horas, e por 
isso já alli se achava o sr. ministro do reino. El-rei o 
senhor D. Luiz chegou pouco depois, e decorridos al- 
guns minutos entrava Sua Majestade Imperial, que foi 
recebido por el-rei, pelo ministro do reino e pelo corpo 
escolar que lhe foi apresentado pelo director, o sr. João 
de Andrade Corvo, hoje ministro dos negócios estran- 
geiros. 

O Imperador dirigiu-se em primeiro logar ao labo- 



57 



ratorio de chimica, onde o esclarecido professor, o sr. 
António Augusto de Aguiar, lhe fez uma exposição dos 
productos obtidos pelos seus estudos sobre chimica or- 
gânica, merecendo a attenção especial de Sua Majestade 
uma matéria tintureira que dá excellente cõr vermelha, 
6 outra azul, ambas muito aproveitáveis na industria. 

Egualmente lhe foi mostrada uma notável collecção 
de photographias das manchas do sol tiradas pelo mes- 
mo professor, as quaes se devem considerar como das 
melhores até hoje obtidas na Europa. Também se fez 
deante de Sua Majestade a experiência da nova pólvora, 
extrahida da madeira, que rivalisa com o algodão pól- 
vora, e se lhe apresentaram os productos que serviram 
de base ao estudo de theoria de chimica orgânica do 
sr. A. V. Lourenço, theoria de grande e merecida re- 
putação entre os entendidos. 

Dalli passou Sua Majestade ao muzeu de geologia 
6 mineralogia, onde o sr. dr. Costa lhe estevç mostrando 
a preciosa collecção de mineraes e de fosseis que a es- 
cola possue, e especialmente os fosseis que serviram 
de fundamento ao seu estudo da Fauna nos terrenos 
terciários, de que o sr. dr. Costa publicou duas me- 
morias. Referiu o mesmo professor ao soberano brasi- 
leiro as investigações que fizera acerca dos dolmens, 
offerecendo-lhe a respectiva memoria, e apresentando- 
Ihe as estampas de outra ainda não publicada. Em se- 
guida convidou a Sua Majestade a examinar a carta 
geológica dos srs. Carlos Ribeiro e Delgado, e as folhas 
parciaes da Grande Carta, cujo estudo na parte da geo- 
logia detalhada já está completo. 

Sua Majestade visitou egualmente o observatório me- 
teorológico, e, sob as indicações do sr. Rrito Capello, 
^eiaminou a excellente collecção de instrumentos de ob- 



58 

servaçio, e teve occasiSo de apreciar os trabalhos qoe 
os observadores tém feito acerca do magnetismo ter- 
restre e das variações atmosphericas em rela^ is re- 
giões meridionaes da Europa. 

Passou depois ao gabinete de physica, que eri diri- 
gido pelo sr. Pinto Vidal na ausência do sr. Fradesso 
da Silveira, e pôde notar a boa coUecção que alii ha 
de instrumentos destinados aoensino, recebendo do res- 
pectivo professor as memorias que tem escrípto acerca 
d'aquelles estudos. 

Sua Majestade, ao atravessar pelos gabinetes de me- 
chanica e geometria descriptiva, que s3o dirigidos pelos 
srs. F. Horta e Pegado, observou, alem dos objectos 
próprios do ensino, alguns exemplares de cortes de 
pedras para pontes oblíquas e abobadas, obra de ar- 
tistas portuguezes e digna de attenção. Dahi seguia para 
o museu de zoologia. 

Eram conhecidos de Sua Majestade o nome e tra- 
balhos do sr. J. V. Barbosa du Bocage; mas infelizmente 
a saúde d'este professor n3o lhe permittiu ter a honra 
de receber a Sua Majestade. Faziam as suas vezes o sr. 
professor Figueiredo e o sr. Brito Capello, naturalista 
adjunto. Ambos mostraram ao esclarecido serrano a 
coUecçSo de exemplares zoológicos, rica principalmente 
de espécies provindas das nossas colónias da Africa e 
de aves que pertenceram ao museu particular de Se* 
nhor D. Pedro V, as quaes em grande parte lhe haviam 
sido oíferecidas pelo Imperador do Brasil. Sua Majes- 
tade pôde notar os trabalhos dos srs. Bocage e Capello, 
tanto na classificação de espécies novas, de aves e reptis 
de origem africana, como na classificação, ainda não 
feita até agora, de peixes e productos marítimos da 
costa de Portugal, e as memorias e artigos publicados 



50 

por estes dois professores nos escriptos da academia e 
em jornaes francezes e inglezes. 

O Imperador, que durante a visita patenteou por dif^ 
ferentes vezes a soa admiração pelo estado da escola e 
pelos trabalhos dos professores, manifestou de novo ao 
despedir-se a sua satisfação nos termos mais lison- 
geiros para a escola e para o paiz, apertando a mao a 
todos os lentes. El-rei D. Luiz acompanhou sempre 
nesta visita seu augusto tio. 

Como Sua Majestade Imperial se demorou perto de 
quatro horas nesta visita, nao pôde visitar a Imprensa 
Nacional, o que, tendo sido communicado ao digno admi- 
nistrador d^aquelle estabelecimento, este se dirigiu á es- 
cola polytechnica, e, sendo apresentado ao Imperador 
pelo sr. marquez de Ficalho, ouviu do augusto sobe- 
rano o seguinte: «Sinto pezar de não poder agora vi- 
sitar esse estabelecimento industrial, que gosa de tão 
bons créditos; mas, como desejo ser ahi tão minucioso 
como o estou sendo aqui, falta-me o tempo.» E pro« 
metteu em seguida que no seu regresso ao nosso paiz, 
seria ú primeiro estabelecimento que havia de visitar; 
em conclusão, pediu ao sr. administrador que o descul- 
passe para com os seus empregados. 

Em qaanto o Imperador visitou este estabelecimento» 
Sua Majestade a Imperatriz fora ao hotel dos embaixa- 
dores, a fim de passar algum tempo na companhia da 
sr.* viscondessa de S. Salvador de Campos, sogra do 
fallecido ministro de Portugal no Brasil, o sr. José de 
Vasconcellos. Apenas Sua Majestade chegou ao hotel, 
logo nos mastros das janellas se desfraldaram as ban- 
deiras brasileira e portugneza. 

A sr.* viscondessa apresentou a Sua Majestade os 
ssr. Pedro Velloso Rebello» barão de Mathosinbos e o 



60 

bacharel Manuel Aurélio Pinto. O sr. cônsul do Bra^I 
apresentou também á Imperatriz o sr. António Manoel 
da Fonseca» professor da academia de Bellas-Artes. 

A sr/ viscondessa de Campos, a quem Sua Majes- 
tade honra ha muitos annos com a sua amizade, con- 
vidou a Imperatriz a tomar uma refeição, que ella ac- 
ceitou, pedindo á sr/ viscondessa para convidar todas 
as pessoas que lhe foram apresentadas a participar 
d'aquelle offerecimenlo. 

Sua Majestade tractou os seus patrícios e demais 
pessoas com a maior amabilidade, desprendida de todas 
as etiquetas da realeza. 

Assistiram a este improvisado banquete a filha da 
sr/ viscondessa, seus netos e outras pessoas de suas 
relações, que tinham ido receber Sua Majestade, ao 
descer da carruagem, com ramos de flores nas mãos. 

Voltando ao hotel de Bragança, Suas Majestades alli 
receberam algumas pessoas notáveis, e a corporação dos 
corretores ajuramentados, cuja mensagem de felicitação 
foi apresentada pelo presidente da camará syndical, o 
sr. commendador Lamarão, e os srs. Silva e Albuqu^- 
que, Gonçalves Macide e Francisco Duarte da Silva, 
membros dos corpos gerentes do grémio popular. Acom- 
panhava esta deputação uma outra de seis crianças da 
aula diurna da mesma associação, que educa gratuita- 
mente os filhos das classes mais pobres da sociedade. 
A uma d'ellas estava commettida a leitura da allocução, 
que Sua Majestade Imperial dispensou, dizendo: «dôem- 
m'a, porque a hei de tomar na maior consideração, 
pois sei dos seus bons serviços em favor da instrucç^.» 

Ás cinco horas da tarde os Imperadores receberam 
a visita de Sua Majestade a rainha e de seus filhos. 

Sua Majestade ia acompanhada pelas suas damas» 



61 



as «senhoras condessa de Sousa Coutinho e D. Gabríella 
de Sousa Coutinho, e pelo sr. visconde da Lançada. 

Na mesma occasiSo foram também recebidos por Sua 
Majestade Imperial os srs. patriarcha de Lisboa e mi- 
nistros do reino e obras publicas. 

Depois partiram os Imperadores para o paço, onde 
lhes estava preparado o jantar que os monarchas por- 
tuguezes lhes oiTereciam. 



O jantar real aos Imperadores 

O rei de Portugal e toda a familia real empenharam- 
se em dar aos seus imperiaes hospedes todas as de- 
monstrações de affecto compativeis com a excessiva mo- 
déstia por elles imposta a todas as manifestações. Sua 
Majestade Imperial furtou-se a todos os obséquios, e 
o mesmo jantar familiar a que no dia 19 assistiu no 
Paço da Ajuda, não foi sem instancia que o acceitou. 

Ás seis horas e meia da tarde começaram a con- 
correr os convidados, penetrando no edificio pelo sal3o 
de entrada que dá para o átrio do palácio, e que é de 
todos o mais majestoso. 

O sal3o, escada e corredor que conduz á sala de már- 
more, e ainda esta sala, pareciam ao mesmo tempo flo- 
resta e jardim, pela quantidade de arbustos em vasos 
de vários tamanhos, e pela profusão de flores que os 
ornavam, e cujos matizes scintillavam pela abundância 
de lumes que os feria. No salão havia dois tanques de 
forma circular, symetricamente collocados aos lados e 
fronteiros um a outro, ornados nas margens com flores 
e hera, e tendo repuchos ao centro. 

 sala azul e aposentos particulares do rei, que con- 



duzem á sala do conselho, onde se deu o jantar, e as- 
sim denominada por ser exclosivamente destinada aos 
conselhos de estado e de ministros, estavam rica e ap- 
paratosamente ornados com talhas do Japão, abundân- 
cia de flores e grande quantidade de luzes. 

A sala do conselho tem no tecto a primitiva pintara» 
que é no centro a figura da justiça e em roda diáenentes 
figuras allegoricas da fabula ; as paredes sSo vestidas 
com os melhores pannos de raz que possue a casa, re- 
presentando todos elles batalhas da antiguidade; o so- 
brado, porém, é moderno e de custoso parquet. No 
centro da casa via-se a mesa repleta de vasos de prata 
com flores, serpentinas, o celebre certamen (onplaàau), 
figuras de prata do tamanho approximado de 30 oen- 
tímetros, douradas ; quatro aparadores, dois por banda, 
contendo as peças mais ricas da baixela, como orna- 
mento, e mais quatro para os moços da manteeiria trin- 
charem. Ornavam egualmente a sala três bustos de már- 
more de Garrara, um da rainha, a senhora D. Maria Pia, 
defrontando com outro do senhor D.. Pedro v, situados 
no comprimento da sala, e ú terceiro de el^-rei Victor 
Manuel, na largura d'esta, da parte da rua. Pendia 
do tecto um magnifico lustre, e pelas paredes aqui e 
alli havia diversas placas de cinco velas, o que mais 
fazia scintillar as vivas cores dos pannos de raz. 

O jantar foi dos m^s finos, o serviço dos melhores, 
e todo sorvido com a baixella real. 

Os commensaes que estiveram presentes foram trinta 
e quatro, que sâo os seguintes: Imperador, do lado di- 
reito da mesa, dando a direita á rainha, e a esquerda 
ao sr. infante D. Augusto; a rainha dando a direita a 
el-rei D. Fernando ; do lado esquerdo estava el-rei D. 
Luiz com a Imperatriz á direita» á esquerda a danoia da 



63 



Imperatriz, mãe da sr/ condessa de Penamacor ; á di- 
reita da Imperatriz estava o sr. duque de Saxe. 

Eram, pois, o Imperador, Imperatriz, el-rei D. Luiz, 
D. Fernando, a rainha, o sr. infante D. Augusto, três 
damas da Imperatriz, sr/ marqueza de Ávila, a esposa 
do sr. ministro do Brasil, as sr." condessa de Sousa 
e de Villá Real, viscondessa d'Asseca, D. Gabriella de 
Sousa Coutinho, D. Maria Thereza de Mascarenhas, mi- 
nistro do Brasil, três camaristas do Imperador, os srs. 
marquez d'Avila e de Ficalho, marquez de Pombal, 
condes de Ficalho, de Mafra e da Ponte, general Caula^ 
Gromicbo Couceiro, Luiz Folque, Teixeira de Carvalho, 
o medico de serviço, dr. May Figueira, e os oiBciaes da 
guarda do paço. 

A rainha vestia cõr de rosa com rendas de França ; 
a Imperatriz e suas damas de luto ; condessa de Sousa 
e Dl Maria Thereza de branco e azul ; D. Gabriella toda 
de branco ; marqueza d' Ávila toda de azul ; Asseca, de 
lato ; Yilla Real, claro e roxo ; e esposa do ministro do 
Brasil, de daro. O jantar principiou ás 8 horas e termi- 
nou ás 40. 

Ás 10 horas e meia o Imperador, el-rei e o sr. duque 
Saxe, acompanhados pelo sr. marquez de Ficalho, foram 
ver o observatório da Tapada, tendo-se dado ordem para 
ser illuminada com archotes a estrada que para alli di- 
rige. 

As i 1 todos tinham saído, sendo a Imperatrizacompa- 
nhada ao hotel pelo sr. ministro do Brasil, porque o 
Imperador não voltou da Tapada ao paço, e chegou ao 
hotel á 1 hora e meia. 



64 



Partida para o extrangdíro 

Não alterando os seus hábitos de grande madruga- 
dor, Sua Majestade levantou-se ás quatro horas da ma* 
nhã, e pouco depois tomou um banho frio. Ás sete 
menos um quarto almoçaram os Imperiaes viajantes, e 
em seguida foi o senhor D. Pedro agradecer pessoalmente 
a mr. Meston, dono do hotel de Bragança, a excellencia 
e boa ordem do tractamento e elogiar a perfeita orga- 
nisação do hotel. 

Ás sete horas e meia dirigiram-se para a estação de 
Sancta Apolónia, onde fazia a guarda de honra o. bata- 
lhão de caçadores 5 com a respectiva banda, e ás oito 
menos um quarto chegavam á^ar^ da linha férrea, achan- 
do-se já alli el-rei o senhor D. Luiz, o senhor D. Fernan- 
do, o senhor D. Augusto, o ministério, a camará munici- 
pal, commissario de policia, alguns ofiSciaes mores da casa 
real, legação e consulado do Brasil, commandante e oiS- 
cialidade da corveta Estephania, commandante da di- 
visão e auctoridades civis, e muitas pessoas distinctas, 
entre as quaes os srs. duque de Loulé, marquez de Sá 
da Bandeira, conde de Valle de Reis, marquez de Fica- 
lho, conde de Ficalho, visconde de Menezes, conde de 
Castro, conde de Rio Maior António, visconde de Soares 
Franco, visconde de S. Thiago, Mello e Carvalho, José 
Baptista^e Andrade, Andrade Pinto, general Caula, Gro- 
micho Couceiro, Francisco Travassos Valdez, Joaquim 
Filippe de Miranda, Mello e Faro, Ulrich, Pereira de 
Miranda, Costa Carvalho, Netto, Duarte Nazareth, Men- 
des Leal, Silva Tullio, José Rebello da Costa Carvalho, 
dr. Forbes, Guerra Sanctos, Zofimo Pedroso, dr. Alves, 
marquez d'Avila e Bolama, José de Mello Gouveia, vis- 



65 



MMMWkaa>HBk 



conde de4^iuMiMrofiíi#iuta. e Vafcdonceilos; címioiitr^ 
do SrasU; d secretario dgi;j8|[iç3o bmsifièini Gomes Rid]^ 
dai), Qumol» Ladiúcoe, Prariçais, Pa«l a vftríds empre^ 
^ gados da oompanUa do& cammlios de ferra 

Depois de Suas MajestadèsImpèrMs éeba verem des-^ 
pedido de seus augustos parentes e de todas as outras 
pá5»és, iftte alii ttiAam tdó prestaivlhés «AivaiM^te- 
misiK) ide. eoaisideraçSo e respc^ efitraraifa iitaBaa cap^ 
rÉagem-^aliQ^ e éfroito 6 dez niínotoBdén^e sigjaal 
da partida, largando o comboio entre muitag saodáijjiõea 
affectuosas e espontâneas. 

bombcHo cotnpunha^se dé dois wágéns^ pritáéira 
eUsse^ duae eãrrii>agec(s-dai&es^ ' diias catrúagens reaes 
iDxwDfameBte adQrDBdas 6 t»m futffM real. 

iDoranta «ate ^a o ;gcmnia recebeu os éc^nintes te« 
legpmniaa^ que Bo^ia immeidlatti foiraip puUicadoa nd 
Diarto do Governo: ' ' 

Saritáren^iásl^boraá e 40 mimtos^-^Kx."^ (Pre- 
sidente á»^KX)aseibo >de mini^tros.«*^ Siia5 Mej^sta^^ 
QS taiparadores do< Braaíl, ebçgaram bemá estdfSo d4 
ciàadei^iieiSantarÊaii, popcd ^depois: das 10 bonKi. ¥^ 
ram alli recebidos pelas auetoitídadèsf civis, judícíaes^ 
ecclesíasticas, pela camará municipal e por numeroso 
GotacniBo^áeípávo; sendo por^dosi -vietoriaiáos ^ai 4tí vo 
enthuáiasmft Os» avgiistQa viajantes, depo» dé breve de^ 
morav proee^iram, diando jiigi^aés de satisfaf^i jiela ma^ 
Beira potqxmíoÊiáDàwe^ébii^^ civ^i 

MaffC|iieef4ei£lesim]prar.^'. --:'''';MÍ <-' - -••' !> 

Entroncamento, 1 1 horas e 5 minutos — Ao ex."® 
Baac(|liaz.d'Avii» e dèBotaÉM^ f f¥^ideiite do «o»sélho 
de iiâiiitt]í0B.i^ âoasvMaieslàte ctiegartm a0 

5 



66 



Eotroncameoto ás li boras.Fbram. muito festejados Da 
AlbiDâra, em Santarém, > «i aquk Soa Majestade o Im- 
perador toma minudosas mfoimacões de todo o pai£ 
percorrido. Suas Majestades ^almoçaram dentro do trem 
real.*r- Visconde de .Chadcelleiros. : . < 

AJE>rante6, 3>boras e 18 minutos dai tarde -^Ex^""** 
presidente do conselho 46 ministros.-^ SuasMqeatades 
Imperiaes continuam a passar semnovidadOi — ^Visconde 
de Chancelleiros* .íj . * 



I ■ 

mo 



EWas, 2S> 4 horas e 45 minutos da tarde — Ek. 
marquez d'Avila e de Bolama, presidente do oooseUx) 
de ministros.-r-Suas Majestade^ Imperiaes chegaram 
sem novidade, is 3 horas eúm quarto, a esta cidifle. 
Partem agora para BadáJQZ;^*^ Visconde <ie Chuicel* 
leiros. .... 



ii ' . >*.* 



Em YíUa Franca^ Torfes Novas, Abrantes, BliM e 
outras povoações por onde: passou o comboio» muitas 
pessoas esperavam os Imperadores, levantando trivaíéi 
sua chegada; easmusicas^ que também aHi^tavain, 
tocaram o hymno birasileiro. ^ 



•i . .■ .]■• ::: ■ . ■ <«■ 



Em Abrantes a sr/ viscoqdessa de Abrançalha foi 
apresentada ao Imperador, que affayelmiente se dignon 
apnesental^a á ImpOratriZt Quando o; comboio passou 
em Villa.Nova de Constança, o madiinísta recebisu or- 
dem de parar, para os imperiaes viajantes observarem a 
magnifica ponte sobre o Tejo. 

• ■ . ■ " , ■ 

Em Sacavém o Imperador tinha deitado o salSo e 
passara para (>,.brea^€k; obàt se íDonservou àtè Badajoz. 



67 

Chegou o comboio a esta cidade pelas cinco horas da 
tarde, e na gare eram esperados os augustos viajantes 
pelo "governador, e outras auctoridades civis, ecclesia- 
sticas e militares, fazendo a guarda de honra um des- 
tacamento da guarda civil. Também alli estavam o sr. 
ministro das obras publicas e o seu secretario o sr. 
Mouta e Vasconcellos, conselheiro Francisco Chamiço, 
Roldan, dr. Simas, Le François, Ladame, e o enge- 
nheiro em chefe do caminho de ferro de Ciudad Real. 

O Imperador conversou familiarmente com estes ca- 
valheiros, fazendo perguntas acerca dos pontos mais no- 
táveis da linha, e fallando com elogio dos homens e das 
cousas de Portugal. No numero dos primeiros citou em 
primeiro logar o sr. Alexandre Herculano, a quem Sua^ 
Majestade linperial chamou seu velho amigo. Referin- 
do-se a Lisboa disse que era mais bonita e importante 
do que anteriormente julgara, que tem admiráveis mo- 
numentos, e louvou a grande vigilância poUcial que 
nella ha. 

Suas Majestades Imperiaes não quizeram recolher-se 
DO hotel, preferindo pernoitar dentro do wagon. 

Como se vé, não houve o menor incidente durante 
o transito até á fronteira, e sempre Suas Majestades se 
mostraram satisfeitos da cordeal hospitalidade que lhes 
foi prestada neste paiz, e cheios de saudosas e agradá- 
veis recordações entraram em terras de Hespanha. 



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SEGUNDA PARTE 



SEGUNDA PARTE 



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72 

dral gothica e maseu de pinturas. Embarcaram em 
Calais, atravessando o estreito em direcção a Dover, 
porto da Mancha, immortalisado pelo illustre dester- 
rado de Jersey nos Operários do mar. 

cidade marítima, a sudoeste de Dover, passando aalii 
a Londres, que visitaram minuciosamente. Da moderna 
Babylonia sairam para a pe^ena cidade de Chatan, e 
foram a Oxforáy^-áoèd» dá èlnknva o^firènome da sua 
antiga universidade, e o dos 35:000 manuscriptps da 
maior das numerosas bibliothecas, que possue entre ou- 
tros muitos estabelecimentos scientiiicos. Seguiram para 
Birmingham, centro de muita industria e commercio ; 
Warick, cidade pequeâè^ tonas iridditrial; Chester, grande 
povoação situada já sobre o mar da Irlanda ; Liverpool, 
rival de Londres pela importância da sua industria e 
commercio, e que serve de porto a Manchester, em- 
pório das manufacturas algodoeiras. 

Subindo ainda a GJasgovrj grande t^idade da.Esi3Dtía, 
fQram à Edimburgo, capital <d'e&le reino, < e seda d'uBia 
antiga «Div4tsidadd# Désoeimft dep0s aDilrbai&»;« vi^ 
stiaraOi tto^ooiídado de Leacastreã ctdaAedt^. Mesma 
nome^ i*no de Yoi*k a capital lassou denoBiintday ú^e 
ba digfio .àa admirar-se a mai& i beUa cathedrai de lih' 
glaterra. Viram Sheffield, conhecida pelos seus piiadueM- 
dia :^tehiría; e quíiiqnilfaarías; Matk)dk,)»4K>vbac3o pe- 
qtíena, Uas dòtavel pw saob tanlio& tbenii9e& e làitias 
de chumbo; 6 enofim Cambridge/ oltiuia : cidade: ooii^ 
qoé feebiram b digressão péla Gifã Bretanha. ' 

Tomançlo novamante o estreito de Cblais^ âtra\í0sr. 
saram em direocSo a Ostebda, âdade mlritiflola dtf Bal^ 
giea. Pa^sarani af^Gatid» itapiCál da FlaDdrpÉ oiieatdii; 
eeiehr^ palaaiaqafi dH» hydraalioas, coètifiw^odo ;por; 



n 



Jtim 



ttNl4e <Agrip(iíbifi 2rí(ffâadéTÍl«;flfttla<te Dussetí^ 
além de formosa, possua e6àd)i6|(í($friètiCD^iâpi6MS^ 
ti\asi'^>\SMl^í^^^Pxrk i '• iHáFmbia^^ * éidiídé tedeipbD- 
defllé;'8iaJMifili(^imiíiá^M'diáiá^ H^fi^emei 

•; DMcefaid decidis! a ^Á^, <f 60 Wimmvé^ «oi idi éií 
8«rihB,i^p(Wtinòni 4«'imiá ftítfidKá^ gati6K4^' dé <9»«drí)» 
eide^/OM biblkftlMttt^e aOOtOCíd iiiipíé8B(Á/é*Íí)8QO 
iiitNmMilptÒ8.IVisiiaii»tír â^ ««ifbiUMsaí' cidade^ 

de^Miimi^ Oàm^^í(Màdfi'\máúms\ peqti6fla>ddpfiiM 
cít)adé» ' Al 'SaáeMClt^bâP^o^SsálfeMl^^ i^lletíitÉi 

pelO0 tÉhs*iiMyiib9>^theriMí^iiv] è peto «oâ^rêS90<llli#i 

' TriittfpoiMfram (Cí>fltoiiÍ6)t« aíistrmiâáipiDriSalizlNHtr^^^ 

^i «'eiflhMrám^eiti^Vl«dd«;<Êmf $«^M^ 

o ni^or' pÒi«t)i dcíímperioi^ qtté j^ásoá' ta«*' 

tamx^ dá Bii«op»jtf|fit^tÍBflMr»adi o Aílriírlteov; pa^saiidò 
á Itália, onde entraram por Veneíav i^ik)rrérafÉi Pádua»' 
Vetboa . e MUSo, «ti^^ Oâlb^fÒrati w mfiiaiièKes' eontiim 
pél» oitava Mfttilhoí^ é^dèsceràin pov^oimbáiaté fttifip 
disi, porto do antigo reino de Napdés^ 1K^ ÂártetíeD,' 
d'onde se transportaram ao Egypto. 

Aqui passaram pela nova cidade de Ismaília no canal 



I 

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7* 



de Sneit admiraade ^wlpnMhflflta ettpFMft^GoBojBBiA do 
presente século; e visitaram. AIexailâriat£airOr Suez» 
e Florto &Md/M entradft^d». canal Viram a» pi^midBs, 
na maior das. qua6sjsefi?:í^mphatagl«phar em grupo 
Q Impcorador, : o ar-barUía.idQ BomJiotíro 6 ^ sábio 
Qroucii^ que os jicraipaobava. i >/. 

Vphwdo.á Europa» dasAmbarcarMi («nMípcd^^ 
tíga capital das J)aaa>Si^lid8tjia ftmm^a Ronta-Subíram 
para o norte da italif^.pçfK^orra^ 
BfaiB rica de saiWQinentose obfais d'ârte; Vím^ oaot a 
sua grande torre inclinada; Gepova, ia Turim» ia. tntiga 
capital daSacdenb«. Vararam, o grande tunnd ooimoMe 
Cenis, e, pa^ndo por Aix-les->Bwis, cidade Irw 
rica de Whos e . moiimmeiktoa romaaiis^t dlriginaONe 
pêra a Suissa, onde vinam Genebra, e: Bale, cidade rde 
importanciía^ commercíal próxima do Rbeno.. De wffo 
passaram aFi^ança^ «e. segwam pofíSti^sbtnlgo,; Oode 
eão. podiam deixaír..46 impresaíonar o espirito: lobtfsr- 
vador do ilt«i$trado. monarchaçe vestígios/ da ultima 
guerra nas ruínas dos seus admiráveis edifícios. D'aqai 
se dirígik»m . a P^i^ Des«epdo para iQr^iA > viaitairam 
LySo,: percorreiído à»pm a tcosta/ do Mediterrâneo ipor 
Marselba» Touk)tí>. excellente , portos praça;fe(r|e,, (>Pr>; 
nes,. onde : NapoIeSo. i,4eswibdr<;oa voltjSMedo ; da i^ 
d'Elba; Niza^ Aries ie IHímest-^ue ain<k pees»em^iittH 
numentps antigos muito notáveis ;: . MontpialUeri, Qette^ 
Toiosa>: e por foiífiayoi^»; oidadefbwitai^ praca d'arBias 

QO: golpbo de Gascopha- ^ííi • r ^ .m:! 

; Penetrando : em. Hespao^, visit^am Burgos, . o. Ea? 
curiíj ^rom fiaas>:meff vilhasy ^Toledo» Sevilha^ ^ Málaga, . 
Granada». Córdova e Gadt;. . . '-. i. • 

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Kcjgre^so a f aripgél 



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. Viageai, paio Cjainiiilio de ftrro até ao Porto . 

ÇJfBgmxa .Suais Maje^tmlei^ i frooteira d^ iPQrtugal 
no dia 29 de fevereiro de 1872, isto è, oito' meíses 
depoisi qa^ a baYiam. trapspo^ em dirae^SQ' 90 Qortf 
da Europa.. Tocaiwpíi em Qa^atoz ás 5 horas da tiiyrde 
aparpram oa prúoeíra estaç9o portugpeza» em £|va$; 
pekis 6 bor^ e 24 minutos. Aqui os aguardavam já os 
CDii9i)es. ^itlaleiros, em Lisboa o $r^ Mai^ui^ de Árapjo 
PoftQ Alegre, e ao. Porto o sr> Manuel < JiosérRa))elte(p, 
o mipistFQ doS: uegodçis estrangeiros de Portugat- o 
sr. i(ãp de Andrade O)rvo, o sr. marquez de Fiç^Ubo^ 
camarista de Sua M^ijUde el-rei o sr. D- Luizi^ o 
qual tinha.pon[niss3p especiaUcoqopanhar.o Imperador 
na dWTQ^P P^â^ Unbas dQ Portos, hoje ^desfiguradas, 
apiqo^jBS Sua ^jestajie desejava vejrifi^ na, cpmpapbia 
de Jilgom.dos berpicps.,#f)9i^re$.,jil'edUas e particular 
senii^r d^^jn^perddor seu pai. : ' >' '^ 

jGpqiQ -&|)ámos. oo. sr. ministro dos éstr^geirqfi» 
cpnvein^Oieobionar q^ nomes dos ^actuaos ministros, da 
eor^> (Pqr nSo serem os me^o^^que dirigiam os^n^i 
gpcÍQS'dQ,$st9()o emt Junho do aono passada, quaç^jp^ 

Suas Majestades deseiâbarcaram em Lisboa^ . . ■ ; . 

I • .II-. 

. António Jbria de Fpntes Pereira daMello^ çQniselbeiuçi 
d'estado, presidente do cpnaelbo de ministrjos, mi-f 
. pisftra da Ip^Qda/e interiao da guerra. 
António Ro^rigp^ SampaiQi, con«ilb6ÍrQ i^ tcibui^ 



H 

de contas, e antigo redactor da Revolução de Se- 
tembro, ministro (Jo çeioo. • ., 

Dr. Augusto Ceíin^{Já^()ná'd'é'^Íh*èí^« lente da facul- 
dade de direito na Universidade de Coimbra, mi- 
nistro da justiça e ecclesiasticos. 
Ántofiíd tJhf^^ AvèKAb;'ilJQ^Mté êo pfòctMNkrf ^geral 
da coroa juncto do ministério das obras publicas, 
- ^iomúieHn6 e hidustríiat, tíitriMf^o âb'mMi]M& Mihis- 
^ terto. " ^ '''■'■ .-^■'ii ■'•' ■■■' ■■•'•» '-*'' '■'-■' í-í!> » 
Jáhne ObAMUMMo dbFrtítat Moriii; t^^6fe«or'âor«M^ 

•W^Tiov deletra*. 1ttÉrtistK]i^d& iftfcHiBhà. ! ' ■ ' 
Mo de Andíatfe Conto; prtítesíõí-wIá-E^^oto Wíf^ 
' éhniéa dê Lisboa, ministro do^Mgeeios e^triab^ròí. 
•Os impeíriaes viajánfles viSo ftcceitdram' (t tteni^MMl, 
qòt o gOverÂo matidarà pôr á siila dísposíçiO' eiiif Ba<* 
ãaji^, i0v na cdrruãgem«^ai3ò, despida^ de íaxty, éttl ({ue 
vfèfám <}e Hesparifaflf, e que passou para o còmbòft> ois 
dinári6 pòrtiiguez, prosègutraàl pára ò^Éntt^ne&ttíento, 
onde chegiaramSsíi hcwTEís e meia da ttóítd.' ' 

Na plataforma da éstaçSo formava um batalUb' 4o 
regirtiemo de infanteHá n/ 1 1 , com a compéteiitebátida, 
qtre tociob o Hymuo brarsiteíro' togo que o-MoibcMi 
parou. O Imperador apeou^e para enthit hxíik gabiaet» 
da éstaçSo com o sr. coi!i^lheíro Migu^ Máiria Lisboa, 
ttíinislro brasileiro na eápital, onde sentados tioâverfth 
rám por algum tempo. Sua Majestade récolhaii á'^ 
carruagem, é o sr. conselheiro Lisboa tomtíú o eomiímo 
que se dirigia á capital. . ': . . 

P sr. conselheiro José da Silva Mendes Leal, mi- 
M^tro portugnèz em Mftdrid, vinha lio mesmo' Com- 
boio em direcção a Lisboa. 

Chegou a Cofanbra o comboio áè9 hòtmeMÒtú- 
Atitos dâ madrttgiàdtt do dia i;^ de mití^J • ' -> - 



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^uai^ IbÔe^ades dí8«arar«m-se o toiapo qiiei^i «com- 
boio pára.9i.a»tQQlio^ <f pio ísahiram 4a icarraigeiat qvne 
4m.pce«^t^atoeiUe ipeli^ ImpeirttdPP p i)À Impe- 
ratriz. ;.-' '. ...:• f . . ;;m .. ;:< 

Dte {riatafomid acbavaiRtsa os.di^ .goveraadc^ eivil 
Aiito^d6.(ioufQia OsoH<^ geaeir^l 4a i^visfio Jodé iulio 
40i Antral; «iw o. seu Matado «aaior* govermdor o^iliur 

N0 te(W>tor<da ^stacio fortpava o d(^taoameQto^;4<k iil- 
bni^n» 9íé ieoéQ á fireptd al)tiE4a dom^im^Bto. ; 

O Imperador, logo que o comboiO; parpn^ ivaio á 
paitkbolli <fe /eafirufilgaiaij . datvui^ lamítraraieote, 
caia a icpNca ídça^)berta» ^1 dâpoiâi^Mf <Mipitiai^pl«M 
com as pessoas que o esperavam, disse queDSa;()Mrt9 

A i)at)da 4€0(f u o (bj^mao brasAeiíMx» i :. ;^ ; , 
lÉMaboihoâo tQQy^ar^^^ tau iâi^j^890« rafemdas^ 
pa«gttslieril-lbe8iOlmperadQr;ai^6«iiaâom^ faUoiieidíf 
({iiifíi»<èM cousas ãetCoimbra depois da ocnviAair oa;ta*- 
nUiaicoil pmicntap t><)obm^ :.-. t- - •> .-.:;. ik; 

(c B^iqneoià vúkaiíaidanimdadoia (diasií^inia^ 
»la;4lt6€Íava>4laebf]i^se.•lt^II^''aousaa^^^<^ 4Í)e QDassem 
9ftrâ«r.Mittpo,^^#por isaatniQiaasfstíría aoa«a^os,:iqi» 
aqDhoda^i mat yisilatoifticlsaiitaa^na o<M)l^i0 4Íte4M^ 

tecQ^^ab' '.-. ly-' \'fiv\-^\ .;" -:. ^ ,i;í •:.:.:ri -i."^ ; IrJi? 

IíQqgiintoii^);ib>(fi€ai;a]iK(pârtp>a qiwtA >daa AitgfnkRaa 
dsQ eof{yaiitQ;idê^ StatalCblii^ iporquaiaeadQitaaimiiiM 
visital-os a pè. Accrescentou.qMtfiiMâpniíyafvisíiir lao^t 
Ihttnílfoob^iiãrM, Sé VaHfa,' dardim^BotaimtiVM^^tttdos 
oa';9rtiibol€lQ8ientflaidaNUjttii(^^ t. aoioii O /. 



Sua Majestade conversou principalmente com o 
sr. Vasco Guedes- 'áoqusd fez a significativa pergunta 
se ainda encontraria no Porto alguém do batalhão de 
eaçadore» 5. Sew pai, oimperadòr D^^Pedn»' nr- f&i o 
i^ronel d'«ste baitalhlo, no <tempo da gberrs. ' ' 

liamba pergontop' pelo $r. dr. AntcMiò áe Oarva- 
lho, irmão' do nosso ministro no Brasil. .\ ';:.. 

Disse Sua Maj^tadé que <y sr. manques d6 Sá da 
Bandeira nSo pudera acompaínhal-K) ao Porto, ^conioelfe 
desejavâf, para visitar as linhas com uma- dM^insís 
gloriosas espadas que as defenderam» ^porque òíllufsttíe 
general e^ava doente dos olhbs; mas que em sétt*'k)galir 
vinha õsr. marquez de^ Ficalho, que fora baláaHâta de 
■seU"'aug«sto- pai: •■-'-'■ ••''* ■■. ^ .:.••.-.]-.!.; :» 

^Pateados 06 iGminutosd^ regulMiento dè âerViço 
Sua Majestade partiu; depois d&rapido/ídeQs is pessoas 
nrfendas;-' •-■;■'■"-■■ '. -í'-..:; 

D'aqui por diante o comboio tíiú se demorCMi m^ 
estações mais que o tempo necessário para ibmai* pas- 
sageiros.' Amanhecia porém, e os primeiros • alvores 
<la aurora de um fortoo^ssimb dia deâxavam braiulear, 
através da tenu» 'nevoà) que se rarefaeia, as riàts eam* 
pinas, e toda a opulenta epittobesca ntlQi302aj ponentre 
a^at >seppehteta»o ierreo carril áté^ dar o* braçòi ao 
oceano^' que isfaega a beijaivlbe-as^iplaul^ é >offereée 
novO' 6 9Sq menos súrprehendente espBctacolD. Qsmo 
bom observaáoro soberano brasileiro vtera para a ja* 
nella da carruagem, e assim atravessou as estaçQes, 
cffide convertava* ooi|[i ts pessoas que èeltasisôadiaVàm, 
hrformaddo-se eom: a curúisidaUa^dor^vibjailte^qae d3o 
quel* perder mn aMOfleiíto. *< ! A • ■«' 

Em nenhuma d'es(ás estagõbs bouveTaoepç8o cffioial. 

Ás 6 horas e 44 Hwiutos, íqoando 'aiaot^oattieçava 



79 



a dourar as primeiras cumiadas, tocava o comboio em 
Ovar. onde teve pequena demora. Comtudo estavam 
na estação muitas jpj^^a^ (((jfifà x]uem o Imperador 
conversou. Haviam ja partido para o Porto mais de 
400 habitantes d'esta localidade para assistirem á en- 
trada dos imperiaes viajantes. 

Uma b(tt^ «){30 mmutos- diejH^ em&á o 

oomboíd) fli le^cSo das Dêíreztid,''iiá árontanhA ftob- 
teir»'â''Cí(íáJe"iiiviciai'- -^j':' í'»'»'!^ '■' '>^ '^í' -^ *• ííií:--/» 

•' 'í/^^rTr» "'; ^,\.>^,\•.'.: ■.'■.,'• i;-; 'i ■:■■■•■ •' '■»;ii >il!;» 
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. NJk) é>o PoFto^ ckMe quaj$a 0que stois/mnf galhardia 
e piípdo&or. Atém d'Í8to édflo» iQQtívfi»# iaátMtaí a 
estimar a visita memorável que ia na^teber^t iPbeparojMe 
portanto com o melhor das suas galas e cartamada 
grandeza para hospedar o nobre descendente d'aquelle 
que lhe confiara o precioso deposito do coraçio e da 
espada. E de feito tiveram os soberanos brasileiros ma- 
gnificente recepção nesta briosa cidade, a respeito da 
qual a elegante penna do sr. Abilio da Fonseca Pinto L 
ha pouco se exprimiu nos seguintes termos: 

cN3o tem o Porto a corte de Lisboa, nem a univer- 
sidade de Coimbra, os fortes de Elvas ou as theologicas 
tradições bracharenses ; mas é um complexo de tudo 
isto, enriquecido ainda com o seu commercio e com a 
sua industria, animando tudo e a todos com a soa ad- 
mirável actividade. É como um homem robusto na in- 
telligencia e nos nervos, mens sana in eorpore sano; 
o sangue generoso pula-lhe vivido nas veias, o juizo 
assenta-se-lhe repousado no cérebro. 

<0 baptistério de Portugal foi o Porto, 






w 

, . . leal cidade, donde teve 

Origem (como é fama) o nome eterno 

De Fortugal. . . 

(Cam6m). L 

«No Porto, berço do magnânimo infante D. Henrique, 
o impulsor das nossas famosas navegações, esquipoa 



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este firÍD(»t)e: &»melbor parte, da esqàadra qw ttúboa 

Ceuta, . •::. •-»,."..<..•. ■ • ■ ',. •. =, ' . f 

, £Í9 in!| «i9<^iuite$^ av^s pela 4rg^to ; 
Da funosa llLiètis inquieta/ 
• Albnnclò as pahâaH assaô vfto áo Véhto, ' " 
.... Para onde Akiide» pocã estremiijBiefca.. '■. .i 



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fE prinâpíilflieDte na aosaa historiai oontempi^raMia 
occapa esta cidade as mais formosas das suas paginas. 
LéwiIpq emi^fiâO o primeiro gmtt)' da iibèrdade^( $us- 
ItÉitoa^^a com sanguinolenta porfia «^em 1^4^ oorrpbõ- 
inu^ajar(d)iisteGeu^a em 184^. E depoíe áà laM.nSp 
esípieGeia a Jída.: Çom ds oobiiÍ£skiios suores do ím- 
balho consolida a polUica libemtqiiei firmou cob lo 
aágoé.datsyeias. .Se o cooTento: da. Serra èioodumento 
do seo valor» o Paladeide Crysfal é e eapiidlio da sua 
judotfina^ tÈ.os dois edffioios miram^se freoteírGiã como 
duaa solifiellasi que vigiam.: tauilelcsa^ e firaaae pela 
isesma: causa. , Um; é o guerreiro (ti^flo peio sdi an- 
idente^aa batiaUias e peio fujobo daipdkteá dea canhões^; 
-o otítro,^ esteudèndò^^se. arredondado peloí dorsoi da dó^ 
Maa^ SMaelha o bicho da seda, fabricanão uQ:S6u;tflh 
$tíé m nps primorosos iartefactosi Foi^ o pjrimeivd, 
Aeatro de gbiiii do reirsoidado; d[)rius06 alícei^s* do 
segufido o.rei-^cldadão. Eas estatuasNdos dois prinGÍpes 
.eletámrse^Dtro da cidade como protceto eloquente, db 
que as suas obrasi ficarão firmes e duradauvas . como o 
bronze que os representa.. . : > • w 

«Esta è a ^tiíese;da) historia: do. Poite, ósideli- 
De^metttoa capitães das suai fsiçanhaa.e dosseustiur- 

rOJOS.^» -íJX' i'..-< '■ !::M^* 

6 



82 



Era esplendido o aspecto, que a cidade oflferecía 
desde a ponte pênsil até á praça de D. Pedro, e d'ahi 
pelas ruas dos Clérigos e de Sancto António, Íngremes 
e fronteiras, e porisso em posição apta para o effeito 
de ornatos e iiluminações. Arcos, ricos pavilhOes, co- 
retos, postes, bandeiras, damascos, galhardetes, movi- 
mento alegre da população, haviam transformado em 
templo festivo a laboriosa ddade do trabalho €i da in- 
dustria. 

Duas linhas de bandeiras tremulavam nas guardas 
da ponte pênsil, seguindo-se a. praça da Ribeira^ ele:- 
ganteménte adornada com mastros, bandeiras, colunma*' 
tas, pyramides e vasos com flores, plantas naturaes, e 
além d'isto um elegante pavilhão. ; 

No laiigo, ^ entrada da rua de S. João, havia- 4ois 
grandes obeliscos, ebfeitadbs de bandeiras portugoezas 
e brasileiras; e tendo do lado direito as armas brasileiras^ 
do esqfierdo as portuguezas. Ao cimo da mesma rua et" 
-guiasse um soberbo arco tríumphal, rematado por três 
estatuas, symbolisando a da* direita a Justiça, ado-loeio 
o Poiio, ea da esquerda a Liberdade. O grupo de todas 
^ignifik^ava oORorto a offereeer uma coroa de looro.aos 
hospedes imperiaes^ baseado na justiça eb» liberdade. 
A do Porto tinha em ambos os lados da base' as armas 
da cidade r no líiesmo. sitio tidham as outras as armas 
brasileiras da direita; e as portuguezas da esquentou 
' No alto das duas partes que cótiipõém o arco, dís- 
tinguiam-se as iniclaes P. II e T. M. 

O desei^o foi do sr. Thoinaz Augusto SoUer, e a 
pintura, que mostrava bom gosto, dos srsw Marques 
Pinto e Salazar. 

Apresentava bonita apparencia este arco. 

No l9Sfg& de S*.J[)oamigos construiram um pavilhão. 



8S 



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de feitío oitavado/ cajá copula tinha a forma cónica, 
apoiada ém oito columnas, pintsida com ás cores das 
doas naçiSes, tendo no cimo um mastro com um galhar- 
dete» e na base as armas brasileiras e portuguezas. 
Acima d'estas havia um oval com as letras T. D. P.JL 
No cimo do pavilhão, circumdado de medalhões peque- 
nos^ contendo as letras V. P. II, na parte que deitava 
para a rua de S. Jo3o, havia três escudos, ten^o pinta- 
das as armas da cidade, as brasileiras e as portuguezas. 

O estrado era cintado por um varandim, ornado de 
«scudos, com as armas das duas nações, lyras e cortas 
de flores. í ^ 

Na base tinha pilados emblemas de musica. Tudo 
que foi dlfe^o e pintura, pertencia ao sr. Francisco An- 
tónia Pereira; ■ ■'•^'■ 

Outro arco triQmpbat, em estylO; manuelino, foi en- 
guido na entrada da rua das Ftores; 

Tinha nos^ tj^mpanfos éscudetes de armas, cujo tin^ 
bM eonsiátia flum capacete. Sobre o abcoí corria uma 
arohitraVe;''em que se lia, do lurgo de S. litomingos, a 
s^inlte inseripçSo : Piiium cor patris possidentBs saiw- 
fani; qaé deve ser assim traduzida : a Os que possuem 
o coraçSo do pae saúdam o filho». Do lado que! dizia 
pira a kiia âa^'Ftei>Bs: Martii kaUmdis MDGCQLXXII 
^m de março de 187^). Sobre a arçhítrave continuava 
a decoraçSbem estylo gothico/terminando por uma aguh 
lha, em que fluctuavam as bandeiras porlJdgiieza' é bn^ 
sileíri. Os remates, formados petos columnelos, termina- 
vam em pequenos coruchéus; os quaes -faziam realçar 
todo-o eòrpo dp arco, cansicterisando perfeitamente o 
seu estylo. Do centro pendia um • lustre |[othico,qDp 
loi iikimiBado a azeite^ bem como todo o arco« 

A planta d'este arco foi f6it8:ipela sr.* Coèto Guimet- 



• • 



rães, o qnat também dirigia a pintura» exeMUMJhi pelos 
srs. Carlos Pereira e José dos Reis, que era miuiosat 

A entrada das roas da Ponte Nova e do Soqto era 
guarnecida por quatro estatuas de gesso, representando 
à Etrropa, Ásia, Africa e America. 

Desde a praça da Ribeira desfilavam, além d*isto, na 
rua de S« Jo9o, largo de S. Domingos e rua das Flores^ 
alas de postes com galhardetes das duaa cores iiuso4)ra- 
sileiraSb 

No largo da Feira de S. Rento havia outro pavilhSo, 
em f6rma de míranete turco, pintado a cores de rosi 
e branco. Subia-se para elle por três lanços de^scadaa, 
ornados to, princípio e tko cimo ecoa grandes janfa8;com 
flores natucàes; Do lado da rua da^ Flores tinha «ma 
ellipse com o letreiro Pedro IL, e do cimotresoia no 
mastro, no bUo do qual tremiulava a bandeira portií^iza. 

O estrado era circuitadado por um varandim e. ado^ 
nado òom estatuas e jarras de flores naturaes ; 4o cen- 
tro pendia também usa açafate com flones^ Q deae«i)io 
e pintura d^^este elegante pavílhio foi do sr< Vera^,, e 
a constméçio de madeira, do $r. Moreira de Mattos^ O 
resto do pavithio estava enfeitado com bandeiras e^ ga- 
lhardetes. 

No ponto que deflroâta com a raa de D* MaríaiA 
eleva vam^se duas pyramides alias, ornadasoombande^ 
ras das duas nações, e outras duas i entrada do largo 
da Porta de: Carros. 

Esta rua e este largo estavam ligados por postes 
com bandéinlSf e estes por fbstões de murta, tpmjhw 
destinados i iljuBdinaçio. A meio dos poste» bavía tm- 
pbéus com eoròas de louitK 

Na praça de D. Pedro, á direita da estatua (to aiv 
Dl Pedro* IV, construíram um coretow 



m 



rrr nu 



Um magnifico arco triumphal tomava o principio da 
calçada dos Clérigos, ifmtando oatvo que existe em Pa- 
ris. Tinha entradas pelo largo dos Loyos, rua do Â1-; 
madh^ prafça àe D. Pedro e cai^ada do» Clérigos, e tifiha 
nos tjmpanos as letrae Pi IL, e noí cíAid^' ^fre tro4 
phéQ^> À> tado da praça de Dv Pedro ab armas i^ràsi- 
Iefa^s,-^l08 iGierigos as portuguezas^ -^oe Lojoè e AW 
mada as da cidade. Do alto pendia um grande mastro 
êOBíi%ihdtírps das duas nações. A planta foi dadfi pelo 
engenheiro, o sr. Kopke de Canatbo; a pintm^ feita 
piBiQS srs. t;inri)ertini e Porcopio, ea iniciativa erehtàsa- 
Cio pelos srs. Miguel Vaz Pinto Guedes e Fortuna e 
Kmeífíta^ além <la colof)fa brasileira, e: outras {pessoas* 

'Fíoatanenie na rua de Santo António estavam oolloca- 
dos obettsieos pintados de azul e ferancp, e 'rematados 
por ovaes, oMe se viam em letras douradas os letreiros 
«Pedro Ih e «Thereza Maria». Nos intervallòs de uns 
aos outros viam-se plinthos com escudetéfi; pintados dd 
aisardltò e verde, com os mesmos di^eresidos dè ciina. 
6 elreumdados por trophéus e bandeiras; :Ao cimo dá 
rpa de Santo António e no sitio onde se acha o obe^ 
fisco de pedra, viam-se pintadas do lado dir^to as ai^ 
mas brasileiras, do esquerdo as portugoeBas, e no centro 
Yima âUègoria representando o seguinte: «O PcHlolno- 
Ant ao Douro a bella estrella de Pedro II, a qual des* 
pofnta no horisonte». Tanto a allegoria oomo as armas 
foram pintadas pelo sr. Lima, e eram transpar^tes para 
prodazir effeito com a illumina^. 
' Em outras ruas havia aiada raibellezamentòs de mer 
Ms importância. 

Gdmo estamos com os preparativos da reee^^o, vem 
de molde a noítíoia dos aposentoia preparados pára re* 
tièbtv Gi Ilmpebídores. ■ - "• '^' "-. -< .^ • >; 



Vk 



Hotel do LoaTre 

* ■ ■ 
- - ' . • 

Fora tomadO/ por conta do Imperador este hot^, 8Í« 
toado á entrada da rua do Tríumpho. t, 

Tot^Doa-se dt^oo de menção e objecto de curiosidade 
a grandeza é o gosto com que a sua proprietária o de- 
corou. , . 

O primeiro andar foi destinado aos Imperadoiteç,» e 
o segundo á sua comitiva. 

O hotel foi expressamiente modificado ^ algumas da^ 
suas disposições para este fim extraordinário, e o es- 
mero que se empregou nesses trabalhos, bem como na 
decoração interna da casa, toraavam-no digno de -re- 
ceber os altos personagens a quem se destinava. 

Do portão, decorado com plantas e estatuetas, su- 
bia-se pela escada em espiral, tapetada e guarnecida 
também de plantas, para a galeria do 1 J" andar. 

No topo da escada havia dois grandes, espelhos, col- 
locados aos lados da porta fronteira á escada, que dava 
aecesso para o quarto de vestir do Imperador. Em frente 
doestes espelhos estavam coUocados dois magníficos var 
80S de mosaico com plantas. 

Á esquerda da galeria fitava a grande sala de re- 
cepção. 

Era aprimorada a decoração doesta parte da casa: a 
guarnição era de nogueira e ornatos dourados com es- 
tofo de damasco vermelho ; no topo do salão, fronteiro 
ás duas janellas de sacada que lhe dão luz, e por cima 
do sophá, um grande espelho de moldura dourada; no 
meio um kome, ornado coni um vaso de flores; emtorno 
dispostas as cadeiras de guarnição dourada. 

Preciosos quadros de Gobelins^ coatador de pau. pre^ 



87 



tèt iqteitdamebte ornado oám fifníwíckuiáetaVdouTlido, 
dois ricos, vasos da bdih eom plantas, mãgniSeos bo*< 
fétes e OQlrosadonK)s completavam a decorado; 

áo lada esifeerdo da galeria seguiam a um lado o 
gaarto de dormir dos âmperíaes esposos le áo outro no' 
de vestir ida Irhpdratrl^. £ra riquíssima é do mais bello 
gosto a decoração 4e serviço d'estequartb : guÀrniçlodè 
diar3o estofado de casimira branca; o servigo de piorr 
odboa- do Saxd. • '".'•••:<:.;• ■.:■•.■..•; i; ■.■■■<:; -.-•> 
'. Este serviço é considerado warn preciosfdade pc^ 
seu valor e merecimento artístico. ti : «i 

Era primorosa a g uamição do espelho, toda de^ or- 
natos 6 figuras de porcellaoa, como o eram es eaodeí-^ 
labros, os vasos para flores e todas as outras peças qu^ 
constituíam este serviço, o qual passi^por ter sidoxom^ 
pradoiia:6xpoi5iç3o de Madrid. Grandes espelhos de m»)!- 
dura dourjida e outros moveis completavam (» decora- 
ção. Era atém d'i9so dividido em dois quartos quecom^ 
municavam entre si por uma larga porta em arco, com 
reposteiro de casimira. 

A guan^çfíoidl) qeai^to de dermk* era^éer charão com 
estofo de damasco amarello. Duas camas simples de 
mogno i franceza comJopgo cortinado /ãoi cassa hrâf^ca 
8Q8pei)so do tector grande espelho sobre o foglK)^ atr 
guBS quadros, toucador, lustre de .erystal jio;^ntro,i 
e(mstituiam a>sÍQgela e elegaoite decoração d'esta parte 
dos aposentos. . =í . 

Seguindo pela gateria á-âiréita> ^ntrava-se nasala de 
jintan  guaroição d-esta sala era de carvaífbo dò uortelj 
Ao éedtro uma grande, meza ; a um lado tfm aptirador^ 
do outro, espelho comi meldura de carvalho^ tende em 
frente uiBa estatueta de bfonfee; vasos com plantas» 



S8 

qaadros 6 oatfoa -moveis. Abria pata «sta sala» qdeé 
espaçosa» outra de menos aoiplàs< ^ro^orçoes, -destioada 
para se Bdrvtr o cafó. A: gaamiçiioiorlide inogM toH 
estofo de niaio rermelho edearo; e itoDstòtxuadi onèsto 
da deooraçSo quadros, espelhos» ivasôs oom plantas; elo. 

(O quarto •devestír de Sol JMíajeata^e olmperadoto 
ficava ao topo da escada piriímpaU A lí^uarai^o doeste 
qtrarto era^idacaeimíra ttátada^iiasDdo o bstofe coberto 
com panno de crochet. Era luxuosa a decoraçSo^rpciSto 
qoe nio tSo noa coaso a do quarto de vestir dft Im- 
peratriz. 

Haivia ainda no (Hrimeipo andar outras salas» também 
decoradas com primor» a destinadois para oonv^-sacio 
particular dos augustos personagens ou para reoniio 
das pessoas da sua comitiva. 

O segundo andar, destinado á comitiva impertd^ Mp* 
posto n3o estivesse decorado com a grandeza do pri-^ 
meirOi denotava comtado esmero e bom goeto.* . 



' • .' 



Palatfto do <r; vfcoònáe ét nrindaAe 

Também o sr. visconde dá Trinéade se preparou para 
receber e obsequiar no seu histórico palácio os eepe* 
rados viajantes» conío cosluma sempre <)ue algum pes- 
soa real visita aquella cidade. E tinha uma novidade 
que lhes offerecer. 

Na saia do-paiacio» onde esteve depositado o oadairer 
de Carlos Alberto» figurara» pela prínietra vez os ra^ 
tratos de todas as pessoas reaes» que o tém visitado» è 
que sfio-^Siias Majestades D; Luia I è a; rainha a» 
nhora ID. Maria Pia em 1863, el-rel oer. D. Fernanda» 



80 



N ■ Btfto» vétratOB sftiriRD piatackB, ob phmèífiE» itfaatrq 
píHo. «v.|bit) Marques^^ SilY^OlmiRáy alvmáo 4» 
aoMBinia «^ortoecmf de balas artes;; edbimcroi doia 
pelo ^r. Âdolpho Cyrillo e Sousa CarDeiro, alumnò M 

í r»i}'l í;5-::' ' -•.-.•', . , í. •<!:■•; f~'i:;»,*í:.' — '•...■;■••.) 

. «.1 •=ti;'.:i :-. ;.;;f^épár.aiiToa-éiii.Craya< ^'^ ••:.■:'»: 

.A><damai:a mciíRicipal de Villa Nova dd Gaya mandou 
pré^anar^lonáa satã na estação das DeVèzas para Suab 
Majestades descansarem; nomeou uma eommtssSo, GonSR 
posu d(te én». i^itonío Joaquim Bçrgesdé Castpo» pre- 
fiideotdi bln^odo Corvor Caetano (A' Meito MeDeees« 
Gastm» 6 ; ítíaú dò Rio Jumon, vereadores, wcarregadli 
de receber osniQnanahttS na estaç^o^- e nèpresentér ètti 
todo a. mesma camará: > í 

PnmòveiiitiÉia subscrip^ao para as deapêzas dos fe^ 
stejoa. Mandou ^posiai^ ufipa banda áe nifi^ i^a eatah 
ç^o, enfeitou a estrada, desde este pofilo 'âté á ponte 
pênsil; ccÉi<|^it^d8 vanedad&de vistosa^ bandeiras, e 
coBTÍdM os baibitantes a ornarem as ^suas ([^sagi> • 

ClMgli4aí!'t eritaçãd das Demuam ie «altràda ao FtpHò 

- Na'est9i(ib das Devesas «esperaram Soást Majestades 
$b osÉwrae ieVilb Nova de Ifiaya e^ PoHo^!<él» srs^ go4 
vernador civil BenlO' de Freitas Soares esea ifeoredatio 
lotquim Taibner* de'#ik*aes, fsneralt J6s& áe Vèitíòn- 
eèilos Oosrèr-e^stadatiQ»^ o srii HapueLdõei 



nistradores de Villa Nova e Porto, commíssariOigeDllde 
policia» chefe do departamento matítimo, idiraotot^í da 
alfandega e alguns ^empregados, yaríoft titulares» aM^ 
ciaes reforma(k)s e muitts outras pessoas de jàmdde^ 

ração*. •!;. / :■•• ■ .r : , ..;. ' •/ ^ •■ :": í /. .:. ' •■• 

A camará municipal do Porta compite-M i^aftreraj 
Francisco Pinto Bessa, presidente — António Caetano 
Rodrigues — António Ribeiro Moreira — Augusto Pinto 
Moreira da Gosta -^António José do Nascimento LeSo 
— António Domingos de Oliveira Gama — José Luiz Go- 
mes de Sá : — Manuel /Ustino de AiavedOTr- José Duèrte 
de Oliveira ^*-^. Pedro Maria da Fonseca^— ^^AiitoffiaFer* 
reira dos Santos. . -...., ; - ;- : 

Fora da estaç3o:6 junto á linha» para o lado do norte, 
estava a banda qnia foi do palácio de CryAal; dú lado 
dò largo das Deyézas, dentro do gradeam^to» que dá 
entrada para a, estacão, fonnava o esquadrão de caval- 
laria 6, que fazia a guarda de bonra; ,ei no iargo^ em 
frente da estação, um esquadrão de cavattaria da^guáhla 
muoâcipaL A^policia era feita por guardas civis,; vestidos 
de grande unifwme/ ?. u. - 

Em lima das salas da estação, do ladodireitõ^iloi 
improvisada a sala de recepção mandada adoroar pela 
camará municipal de Gaya. As paredes eram forradas 
de velludo carmezim no centro, e de seda azul e branca 
dos lados ; *d teoto coberto oem damasco aoiarello, 4(Mu1ò 
no centro as armas brazileiras ; o chão tapetado. A um 
dos lados ti&bam sido collocada^ duaa cadeiras de^es- 
paldar* estofaàus com velludo vertnelfao. Em volia da 
estação agglcHoerava-se bastante povo. i; • :> r r 

Pelas setek)rds.e meia, cb4gou ái«3tãç9o Q:QCiid« 
bQi6,t Ojquii logo foi afmunciadâ;por uma salva de^vinte 



81 



^>* 



Bí malirosoa for^leza daiSiârrli da Pilar.!8.poFaiitnt iio 

BIStelItí da Foz.. .* .; ilX ..;.»:•::.. 

Os Imperadores foram recebidos pela commissS& da 
CMuara itofiicipal de Gaya, governador civil^ canora 
iiiHHGÍpsi);d(D lV)rk), 6 mais. possoas acimà meDCJonAdaSi, 
e ãirigiRam-se para a sala de recepçio. Âs camarás em 
breves palavras felicitaram os augustos viajantes^ e ooq^ 
^aram-os a descançai^. A musica, qtie foi a. do ptlaeio 
de Grystat, tocava o hymnoitoisileiro, e io pova qae 
roãearva a estação, dava vivas a^os Imperadores do Brasil^ 
''Siia3< Majestades^ porem, poucos minutos, se demo? 
waai, 6 o seohor D^ Pedro II, sahindo só com a Imper 
ntdz pelo braço, foi á sala das bagageosi, voltou, e« 
mettendo-se no trám que Uie estava destinado» seguiu 
para a cidade. • . 

: .Como o esquadrão de cavallaria ^acompanhasse. 
Staa Majestade acenou ao general para o mandar re- 
tiraF^ a< que fez eom ^e elle retardasse a marcha^ 6 
)q[aisse a maior distancia.. i ,;..■. 

Os • vífpafi. repetiram-se ao-sahir' daí estação. 

O trajo Q maneiras do Imperador eram, como s^b-; 
[nri&, ãe^retenciosos e simples : fato preto» chapéu bdixó 
) manta de xadrez branco e preto em voftaâo pescoço; 
I sua mala de couro preta na mão dbeita^ chapéu de 
dinva na esquerda, sobraçado um embrulho da papeis, 
[flo: desdizia da mais natural singeleza de qualquer 
Nitro viajante. 

..A Imperatriz trajava eguãlmente de Julo; vestida de 
Qieriíio preto e chapéu de palha da mesma câr. 
pj. Desde asDevezas até á ponte pênsil estava â estrada 
ioda embandeirada « as Janeilas gi]^necidas dq oídiepr 
ídres de. damasco* •• • . .-.' ^.i^i.,, .'ini^^u-i/ 
\ Eraln perto de oito bocas. i)vaiidOi0s.impeda^ 



«M 



tMes da ddade» e foi delineada peto hábil architecto, o 
sr. Gosta Lima. N3o temos espaço para dèsoreVer esta 
peça architectonica; Apenas trasladaremos aqtii i in* 
âcrip([^o cofiimemoratlva que tem na frente':^ . 



-.1 



EN COH • '■'■• • . 

ILLIUS TANTI VIRI 
QUI GLORIiE ÂMORE FLA6RANS 
SINGULÂBIQUE tN OAfííES^ iKOfiNK) LÍBERALI PRiEOrTUS 

PRIMUM CIOID CCC XX VI 
' LUSrTAPrOS sua ^PÓNTÊ tlBeRtÀtE DONAVit 

DEWDB CSQld CÍCC XXX H * ' : 

nPSOS ACEHBISSIMA CAPTIVITATE ÒpipR'eSSÒ9 ^ 
ARMlâ ET GONSILIÒ ItEHUM kN LÍEÍÊRtAf Km* ASSM^IJit 

TDM CblO CCC XXX IIII ' ' ' ' = ' 

iNNUMERis TTRANNi 'Gòpns cõNTUsis PENrrtJ^ÈinÚjànris 

[ IPSO E SOLIÔ DETtJRBATÓ AC ÍINlBÚS'tóÍ!ÍLSO ' 
' MARIA ÁUTÊM ÍT FILIA SI&ICARlSl^IMA ; ' • 

ih ÀVITO SOLlÒ COLLOCATá' "* ' '" 

(ÍONVENTUS INDtX^rr IMPfeRlUMQlÍB ' ' 

■ ■ • 

PRÕUr tEMPÒRA POSTULÀB ANT StÀBILlVrf 
" AD POSTRtÉUM CIDID CCC XXX IV ' "'"■■ 
TOt tANTlSQUÉ LÀBORIBUS FRÀCTÚS '■ - • 
Et IMMÁltmA MORÍÉ PRÍIREPTUS Vlll KÁL' liOGtOBá. 
AB HÁC IN MELlÒhfeM VÍTAM MÍ6RAfORtlÍS ' ^ ■ 

HOC TANTI AMOtílS WGNlJSi. •' - ' 

j •■ ■ . • 

t » I ..'. ■■■•■. ■. . ' .1 . . .' 

• A 'trtíducçSB d'eistâ hiscíripçao é como se seguei 

. . • , . . ': •: • ■]■'.' '•'•,'■•' ':'^• . ' ■"■■■•■ *■• V 

, 1 

Eis o corúçãod^àqUdle ^atÔJO tãá grande, íjiii; in- 
^ãthfhadó nò'ú'jfnót*'dá^^ilúrià e degMÒ^siúgiMrmen^ 



Uberià fhra tõdio^, príni^ò (l896J-í)úWrâdu a Uber- 

dáèftm^áHtí^ikTiisr^ã^ 



pelo mais acerbo captíveiro, por árma$ é amseihà os 
restituiu de novo d liberdade; então (I^Si), batidas, 
e de todo desbanaltadasas. innumeras tropas do iyromno, 
dem^ado este do. sólio, e expulso do reino, ^ coUoeada 
lio ^lio de.sms avó» Maria n^^ súà carisma filk&^ 
convoiiáH cortes, e c&ríéoUliou o^ifnperió con/prme as 
exigmu5Ía^'ão tempo; por utíimOi{4834),'quebrataadQ 
por toes e ta/nios. trabalha ;y-e^ arretado por «nn^ 
marte prematura; rao passar 4'eetu pataúmãhor viâa 
(2A 4e s^embro}^ Mgou a esta nossa^mHga, muito 
nobre, sempre lea\ e invicta cidade^ ^sstamdhoi; porção 
áe si mesma, eàíe Oagroí^de plsvãm do seu amot, ^ 

"■■• \ . .^'■'.\ .'•'. ■»»■; \^'' ' '^';V' ^.' ; . V : .i :;. .'.. . -í 

N» iiitel*iQr do moniimeato ha uni receptáculo^ emde 
se vó om^/etogaate pede^ah^d» ordeia jônioA^ ^e.^^bre 
eAte4iina«iiBba ide* prata. doiradav ooi^ndo^iun. «asovde 
oryaitalt q^e «ivoeiTa o*«opaçSo. ^j^ 
destal estão gravadas varias ibstnpçoesBbtaveis^ sendo 
a dá^frente da maneira seguinte : 

.':'./.n'4 'w;.;--- ■ ' '■ ■•'. •■*:•:>;■■ -i-" ". 5'):í lí!■í'i^ •; ■;; í V; 
! '.). J iVv ••.'•^•:.':siiBEQ ÓPTIMO; MÁXIMO >" '.'. : .■....■■. : •. -í: 
V^trnkQ-im^MOmMx^^C» .FWJPiAlróiUSlff^ACISi. AG 4P0BLie« 
LIBEBTiTJSiw AUCTOaÈ < JSf u1VIiXDl6é,^lQ|kJ0Í)> .(DIVII^VIIAlTIS^ 

IMPULSO . ANIMl . MAGNITUDINE . AD . PORTUGALENTIA 
UinORAii API»Ul.aQ . mi . CUM \».E9CS1M:a^U ;£UáV XEC .NON 
MA3L1MQ 4iar é yOb. €REDlBlLI>4\qVHIIÍ^ V AOWOVOiÚO w\1^AlâV 
t DB.TVfU^IfrA).0CAM4l>l^.0MNÍu£lilS^ 

. mi(nSa\ÂRMIS^LtJSItA^fAIÍi^UI>CISC63<f«C^)^ 
V M09I i\e8 .4 SUAMQUB «VIVAM yA FAÍPÃIA «^ MAG^fANI|lrrER^ 4í v ^> 
OBtÚuT . GORDIS . SUI . REQUIETORUM . IN .VIGTA . ADHUC. 

ELIGENTE , AMÉLIA . íA^ÍSS/XAl ^jCOlUU^ «ilàJ^tNIlSl^lMÀ . 
LIBENS . MERrrO . SPONSI .VOTUM . SOLVENS . QUOD MORTALE 

wir.iyy!m.cotoi»i;ii^GiGt^ ucVotissima posuit. 



96 



. «ZíÍIâ iP^f6^ dtèq%ig de Bráfftmçá^ fmúUèr^^>pà^^ 
doador e vingador «(iiM ií&frdaií<^> jt^ft'toiM> káoeitdí^ 
por impúhá da Bivindaéê, ^•eom\u smf^ffAmdêM de 
aima^ aportado áe jjrrídas-áo Porêo, e.Unáo Mè^ peki 
força d^eçcerèiío qtíê^^oinimiandaM^e^pek^^-^i^^ e 
qmsi incriMltífuda que^^lk^^reiOarã^^ús yo H iftyiw^ 
vingado oá^nmmv tmipo, ecomfmtas tíimag\;a^Fer^ 
sugai, UtHío^dofgrannú qm o appriénia; túmodê Ma 
a sftt^ fràeçáo^^egúndO' a duque, )Mt' isê^^^^messm^ t 
aindeb em vidot^ agudl^ k>gan\<mâiB êS» .nmgmMknà^ 
mente expoz a própria vida p^la pátria, para nelle, 
depois da fnqrttr dmançai^ o 8êu wraifõa^ Jt^ 
geèsta/tatMtUissimà tonsorte do duquá^ quérendu á^ boa 
^imaadfe, e com ratík>^ cmnpnr o\véU)'d^^^ 
ençer^rou reverehtemektemsía umaoe^diBtpofaií étifUme 
do c0r4paD.de ^.ifiarído.«'r' ^^ .i-iv: ■> ífi ' 

• -. . .' • . ::';íí.í;: i-^ •Jlt"!..ii-'í: . j 

Na almofada correspondente a esta e^tSo gravadas 
as seguintes memorav0ÍB paílawasy estrahidas da procla- 
maQSo quefii Pedro dírtgÍQ aos porftienseB (fminto m 
mez d& joibo à» it634i mkoi a berotear cidade : •■''• 

<t. « • Eu me felmio a^mim mesma par me iNm'«o 
tkfeatr/y da minha glmm^ na meio áosmms mnigfoe^p&i^ 
tuernes^ d'aqueile$i aqum.áÈM, pelmHmc&mt qnmm» 
prestariam áurante 'O mmMíxvel^ sitio, únéme^ qm ad- 
quim, e que^konradadeixarm &mhefmfça a meus ^fXhoi. 

f \ *i . . f. ■> \> >,»■ ' '• • • . • -'-■.>»•. i I.I.. : :íi. 

Porsa^i SfJ' de :fulh0 de fSSéé : ' . ; .m; i 



97 

Preciosa relíquia convidava por taolo o sr. D^ Pedro n 
a começar pela homenagem do seu amor de filbo. Ia 
visitar e orar junto do coração de seu pae. 

A egreja havia sido sumptuosamente adornadai sobre- 
sahindo no arco cruzeiro, no meio de um trophea de 
bandeiras, as armas de Portugal e Brasil. Exteriormente 
também estava embandeirada. 

A porta achayam*se o reverendo prelado, mesarios 
da irmandade, pegando ás varas? do pallio, debaixo do 
qoal devíãtm ser conduzidos o soberano e sua esposa;. 
Janto do pallio estava a camará municipal, mais aucto- 
rídades e outras pessoas. 

Entrando no templo, a primeira cousa que fizeram, 
ftii beija^ o oscalatorio que o sr. D. Américo lhes 
iforesentou. Logo se dirigiram á capella-mór, e ajoe- 
lhando oitaram por algum tempo junto da urna que 
encerra o coração do sr. D. Pedro iv, eoUocada do lado 
do Evangelho. Ergueram-se, fizeram ainda- oração ao 
SacnNínento^ exposto no altar-mór, e depois foram oc- 
eupar as cadeiras que lhes estavam preparadas debaixo 
4e um docel de damasco encarnado do lado do Evan- 
gelho, d'onde assistiram á missa resada que se se&uiq, 
celebrada pelo reverendo cónego da Sé, António Alves 
Mendes da Silva Ribeiro. Á esquerda, em plano inferior, 
debaixo do dooel branco estava outra cadeira para o 
prelado diocesano, que nella assistiu também á missa, 
paramedtade de pontifical. 
;4 'Ao solío do prelado assistiam os reverendos deão 
4r. Joaquim José Corrêa de Vasconcellos^ e cónegos 
Jo3o Bernardo e Alves Mendes. 

A missa foi acompanhada de symphonias desempe- 
nhadas pela musica instrumental do sr. Canedo.Suas 
Majestades conservaram^se sempre de pè» ea Impera- 



a 



triz lia Qfa livro <le oraf^es. Ambos teâtiam àt preto, 
e dffiotavMn profunda oontnoçio. Recusancn is aU 
mofadas que thes foram oSo^das para se ajoelherm. 
No fim f)io houve o Tê Deum^ a pedido do Imperador. 

Assistiram lambem á missa os srs. governador dvB« 
secretario geral, camará ecclesiastica, general dedívifão, 
general de brigada, offictalidade dos covpee da ifuar» 
iii(9o, «orpo oonsular, eommissario gerai de poKcia, 
administradores dos <]ois bairros, algqps titnlan»» oa- 
trás pessoas de distiheçao e «aito povo, qae irroiÉpm 
peh igreja dentro logo em seguida aos Imperadoras. 

O regimento de infantaria ii«^ 48 £az a guarda àt 
honra. 

Concluída a missa. Suas itfajestadss, antes de saírem, 
fonam prostrar^so e orar de novo deante da ama fue 
guarda o coraçSo do sr. D. S^drorv. Á fiaida^subÍFan 
ao ar girandolas de foguetes» a banda regimentai tocava 
o hyomo brasileiro, e a mnltidio qoi» enchia o larg/^ 
sauda^^aos^monarehas, agítiuido os chapéus emáant^ 

As roas por onde passaram, estavam adornadas .de 
líeos oobertores e bandeiras, assim como o lango da 
igreja. Algumas ruas estavam juncadas de bervas e 
flores. 

Visita a vários pootoa 

Da Lapa passaram a visitar a qninta do eh Agostinho 
Francisco Vetho, vice^cotisul do Brasil no Porto, na^ual 
desejavam ver o terreno onde foi o raducto das Me- 
dalhas, assim chamado por ser nm dos pontos. «uiis ar 
riscadoee expostos das linhas, ondeaa£Cuaâ)iraifli maitos 
^0» qae o -deifendiani, sendo por iaso eondscorados lodos 
os ijoe escaparam ás balas ieímigais. 



§m vfiih ãetfm^f M pj^w^o coi;i)i^iick) p§)9 vm^e 
dfi sQ»gm. OepcÂ^ 9 iip^çessi^adí^ ^nigou 4 jevf^r BDfi 
r^qfito, que «arvi^^P de 9^ígQ -90$ ^mhfte^s» e 
t9rQ9i$8e defeosívet .a iposielo; m^p 4onao (^iHiai?ou ? 
sfip qm lítos poD(Q3 iD9Í$ b9t|d03 pelp jfflpjtig?, ^ P)9i^ 
fiengoao, li ehriswp de g«wp mudw-lh* oaosie p^ 
nduçíQ dsf^ medalhas, ©epo^ higubr^ ^a» igualpoei)^ 

G^t^ valjente c^chiÍ t^ubstituw # o m^jor Npgaeir^j 
«^ moi^ sefu^pd» 9 ^1)9 i^c;i^9 dignip d^ m vmr 
«íonado. ^ 

. Q wiJQr IJogumr-a s^ra dQ WQPtP Pedp?], wmçí . qívS 
doesta pQ»çío, (eom algfflPS ÍQfW a fttacflr o liD^ipiaç)^ 
i}ue .estava d^^nontet Aí^aqu » peito de$cobei;H>« <9 i^or 
i«9Q M ícrido por ww feala, fim^ m pcbavi M.y*^ 

ftlcmf»idía$)(^ivâ«0CiçM^ iowig^;. Uip.#r^eqt(^ vjH)d4^ 
tíom vida, ergueu-o, e pretendia retir^r^^e fí(^idU»,i^ 

cwf^; .QHtra bpla pôfápi -«^ «aatçiu a AmÍK^iu 

Ò sr. Vírtbo liííba RFjsparií^dQ .u«a aNiM^flíe iííwifr. 

A mna hora 4a .t^rdp 0$ ÍKpperadftrei* visitarajp »P , 

sumptuoso edifício da Bolsa, sendo ahi recQbid()^'PP)fl 
muito digno director, o sr. Francisco Ignacio Xavier, 
que os acompanhou durante a visita. Percorreram todas 
as S6cç0e^ á^aquelia casau ^demòr^ndo-se príDcipaimente 
na sala dos retrates. 6' 4)o^l8o4d4iOMli, que ainda se - 
anda construindo. Depois de terem assignado os seus 
nom* mXwo dQ$ yÂsit^ntes^ r^tirar^m-sei; iiido em 
«fuida í igffja d3.Qr,ítçin de S, Fra^c/aco, p.gus^ i/^ff^ 
(«ar* i^àmm 3.riflVlfW'(|? í^t^*?.^ taj^ha (iM^,^fldQr«íu 



• • 



400 



visitarem a secretaria da Santa Casa da Misericórdia, 
onde foram recebidos pela mesa. Examinando os retrato» 
dos bemfeitores da Santa Casa, que alK se acham, ad- 
miraram um qaadro allegoríco á instituição do hospital 
d'aquelle pio estabelecimento, considerado como davida 
d'el-rei D. Manuel. Descendo para o átrio, o digno pro- 
vedor, o sr. António Ferreira Moutinho, apresentou a 
Suas Majestades a sr.* Sandeman e sua filha, a quem 
o Imperador fallou com sentimento dos doze martyres 
da pátria, cujos restos alli se achavam^ um dos quaes 
era pai d'aquella senhora. Tambm visitaram o archivo. 
Entre outras perguntas desejou o Imperador saber se 
a Misericórdia tinha bemfeitores qué residissem no seu 
império, sabendo por esta occasiSo, com signaes de 
agrado, do valioso donativo, que havia popco fora dei- 
xado pelo fallecido sr. José- Plácido Campeão. 

Sairam, e, quando entraram para a carruagem, foram 
saudados pela multidão agglomerada á porta da Miseri- 
córdia. O Imperador correspondia affectuosam^te a 
estás manifestações. 

Da Misericórdia passaram á Sé e Paço Episcopal. 
Atravessando o largo da Batalha, demòraram-se deante 
do monumento do sr. D. Pedro v, que contemplaram 
detidamente. 



Visita ao Athenen, Academia de Bellas Artes» 
Bibliotiieca Publica, etc. 

Pelas duas horas e meia estavam á porta da Acade- 
mia de Bellas Artes, sita nò extincto convento de S. La- 
zaro. Esperava-os á entrada do edifício o sr. conde de 
Samõdães, par do reino e ministro de estado honora- 



m 

■H. * 

rio.; AiigtfitQ fiforein, ;I9 Pedro^aria da Fonseca» vq^ 
readores ; J63o Antodio Cg^ rea, ' professor de. pintura ; 
£duando Augusto AUen; bibKothecario; Eduardo Gor 
qtietf e outros, empregados^ O sr^ coude foí-lhes apre- 
«edtado pelo conisul brasileiro na spa. qualidade de vicor 
inspector da Academia depois do que lhes apresentou por 
sen tui^o os professores da Academia, que se achavam 
preàeutes. O Imperador tomou nota de seus nomes, e 
dirigiu; ao digno vice^inspector e a elles palavras muito 
lísoogeiras, recordando-se immediatamente dos actos 
políticos <k) sr« conde, e de ter sido s. ex.' quemihe 
endereçou a felicitação que os portuenses lhe dirigiram 
pelas victorias do império brasileiro no Paraguay. x 

Dirigindo-se então ao Atbeneu a primeira cousa que 
chamoQ a attençao do Imper^idor foi o busto do falle- 
eido José da Silva Carneiro» }efite de mathematica e 
ooUahoradòr do antigo Periódico dos Pobres. O çr. conde 
de SamodSes na occasilio em que Sua Majestade elo- 
giava aquelle retrato» e perguntava de quem elle era 
e o seu actor, apresentou o professor de pintura J. A. 
Corrêa como habilitado a dar explicações relativamente 
•ao busto e outras obras d'arte d'aquelle museu. 

O retraio é modelado em barro, e foi feito pelo es- 
<5ulptor António Couceiro, discípulo da Academia. 

Passando Suas Majestades a ver as pinturas da ga- 
leria, preferiu o Imperador que lhe indicassem as prin- 
<^ipaes e sobre tudo. as de pintores portuguezes: Exa- 
minou detidamente o exceilentO; quadro de S. Jeronyof o, 
pintado em madeira e attribuidoi a Çran. Vasco, e €im 
seguida os quadros origíoaes^ da José Teixeira BarretOi 
Pedro Alexandrino, Joçepha* d^Ay^lIa, Franciscp; Vieira 
Portuense^ Domingos António de Sequeira, Jpaouim 
Raphaol» PirrãlhQ, > qs ^do ^í^t^s pmtpf;es estr^gi^irôs* 



101 

1^ af è£lt)ãlâ^ cflie bS i^CrpuM dèt* de D. Adbnsd Hdfirriqties» 
e HHè 0lle suppnnbá ethtír ainda eih OoitDbfã. (mde 
éàèctiTâttiènle se conserrou até 4834 no convento dè 
Sã»eta Grdz. Qualndo D. Sebastião visitou é^ mostelm 
ém 1570, most^ou-lhe o príof gefal a e^ada,' e o des^ 
Venturado mòtiarcha, tomando-a nas mios, a beijou com 
iaàuíta reverencia, e disâe para os setihores e fidalgos 
que d acompanhavam : Bom tempo em que se pékjaM 
eúth espadas tão curtasl Esta ê a eêpador que liberMi 
túãú Portugal do cruel jugo dos moutros sempre ^e^ 
eèdota, e por isso digna de se gtmPdar com toãàú 
'(neneráipão ; e, dando-a ootra vez ao prior, disse: 6^r*^ 
dae, padre, esta espada, porque ainda me hei-dê Mlet 
^ella contra os mouros de Africai B effectiTamefate, 
qilaiido d'ahi a oito annos o valoroso mas infeli2 mo- 
nafcha se preparava para a desgraçada expedií^o de 
Afriòâ, escreveu uma carta ao prior do mosteiro, pc* 
dindo-Ihe aquellâ espada, que levou comsigo. 

Âllodindo a este facto, diz o sr. João de Lemos na 
soa mimosa poesia intitulada Alcacer-Kebiri : 

É partes... levas a espada, 
Levas o escudo real, 
Essa espada tão fallada, 
Por mouros tão receada, 
De Dom Áâbnso immortál ! 
Se â deixas envergonhada, 
Ai de tí ! de Portugal I 

tleféré D. Nicolau dé Saneia Maria, na sua chronicâ^ 
qué a espada ficara na armada, sem que d'ella se che^ 
gasse a servir el-^rei D. Sebal^tiao, e que por estb toíh 
tiVo poúdé Voltar para ò mosteiro.^ 

Tanibem Viu e eiamitioti a ríquidsima escrivadibhá 

i Ê dipio de lér-s^ um artigo que sobre esta matéria escreveu 
O àt. A. M. Seabfa d^Albhqàéi^^uie hòkr PrAúdtbè ÍXU^iSá^^í 



103 

de lirtiruga aiarclietachi ds òaro, a qaàl errd^aiMDte 
se crè ({tie fera dadiva d'uip papa ao Veo6r»vri «ra^ 
bbpa da Braga» l). Frei Baribolomeu dos MartyreSb. no 
tésnpá do coocilro de Trdntp^ è 5â tem ^oripto qua fora 
a que servirai |)ara a$ adsigintiiras dos de6re(oa d'aquell^ 
cMebna^ coociliò. < 

Esta etorívaohiba pertencia ao Santtaarío do mor- 
teiro de Smet^ Crus át Coimbra» e mdhor íoformidos» 
á vista do qoe mcrere o st. Joequim Martins de Carvalho 
noseo intéressaMe Uvfo Apontamiftíos para aStstaria 
Qmt9mporaneA, 6 de saber qae, havendo o papa Beo^ 
diclo Ktv creado no oiosteira de Saocta Craz. de Goioi- 
bra, por bulia de 22 de junho de 1747. uma academiai 
que 86 denominou Academia Litúrgica, lhe (Mereceu, 
joflctamente com outros objectos, aquella escrivaniohai 
como prova da consideração e estima em que tinha e^ 
iimtiloto. 

Contítmando a viáita aoÂtheneu, omonarcba parot} 
diante do diapéu^ ocúlo e cánana de seu augusto pai^ 
dcfscobrindo-se com reverenciai e notou os erros da 
data dad inscripções, que drcumdam a lirna que en*' 
cerrava aquelies objectos^ 

Depois de reparar no mau estado em que se acha o 
ediflcío^ cuja reparaç&o compete á camará muínicipal d4 
ddade, subiu ás aulas da Academia^ e ahi tKrtou os 
quadros doe srs« Fraocieco José Resende e João António 
Gorreav que elogiou, pergimlando pelo primeiro» o <|uid 
se nSo achava presente. Mais tarde foi o fir» Resende 
recebido no botei do Louvrsi aonde foi offerecer-lbedoii 
quadvos^um de cosumeài outro còm ó retrato d'eKreí 
osr. DvLuiz. 

Elogiou também os qjuadit» do falleoido Augii$t<^ 
EqqoemoDt, e do pròfeseor Gujlherme Antoúo CSúriíNu 



104 

ExamitiOQ depois rapidamente' a sala da peqo 
bibliotbeca da Academia^ & passou ao salão da bibliolh 
publica, examinando o medalheiro que foi do mu 
Allen, comprado em 1856 pela camará municipal, 
que era vereador o sp. coode de SamodSes, eucai 
gado da bibliotheca. O segundo bibliotbecario, Edua 
Âllen, mostrou*lbe alguns livros e maDuscríplos rai 
e o Imperador perguntou ao digno vice^inspector 
Academia pelo — Tiraru lo jB^uco -^sendo-lhe.ec 
èíuccintamente narrada por s. ex/ a historia do seu i 
apparecimento. O Imperadorrecommendou que. se < 
pregassem todos os esforços até se conseguir a sua i 
ti^uiçSo. 

< Elle e a Imperatriz assignaram então os nomes 

livro dos visitantes. Descendio ao andar inferior, visitai 

somente a aula de esculptura, onde lhe foi apresem 

pelo sr. conde o professor, o sr. Manuel da Fom 

Finto, hábil artista que recebera dò duque de Bragí 

pelos seus primorosos trabalhos de esculptura as hoi 

de esculptor da casa real portugaeza. O sr. Fon 

Pinto foi incluído pelo csnrdeal S. Luiz na Liski de 

gum artistas portuguezes, publicada em 1839,, ( 

p "**^- <«Poi esie artista o que executou na cidadi 

rorio^a elegante obra das diflferentes figuras all^^oi 

^ ^^^ ^^^^icas, e m baixos relevos, que ornam t 

2? '^^os, como a popa e proa do vaso denoBwnado . 

fi^una. Tem executado muitas outras obras de eí 

rj?^^ talha para vários navios construídos naqi 

^ade, eic. i Er^ ^^essa epocha lente de desenha 

J-TOservatorio das Artes do Porto, d'onàe. passou 

^te ^^^^^^0 da Universidade e Lyceu annexo,^ 

<rtdad ^^^^ inaugurou estas aulas em Coimbra. D 

^ae 'passou de novo ipata to Porto para a cadeira 



m 



occupa na Academia de Bellas Artes, de que é director. 
O Imperador mostrou que Já isODhecia o velho professor 
pela sua reputação, e o tractou com lhaneza e affabíli- 

ExamiDou depois os. trabalhos dos alumuos e elo- 
giou algOQâ, mostrando pela judiciosa critica e acer- 
tadas ot^ervações que fez de algumas pinturas e estatuas, 
tanto no Âtheneu como na Academia, que era um dís- 
Uoeta stmador de bellas-artQs. O mesn^o aconteceu na 
Bibliotheca onde o illustre monarcha patenteou conhor 
cimentos de um eximio bibliophilo, interessando-se muito 
ao ver alguns dos raros, exemplares impressos e ma- 
nnscriptos que lhe mostrou o sr. Eduardo Augusto 
Allep. 

Depois da visita ao Atbeneu, foram os Imperadores 
aos paços do concelho, onde a camará municipal os es- 
perava, assim como grande concurso de povo. 

Na passagem para aquelle edificio deparava-se ao 
Imperador o monumento erigido ao sr. D. Pedro iv na 
praça do seu nome. Dedicaram-lhe por tanto alguns mo- 
mentos de attenta e respeitosa observação. 

Sahindo dos paços do concelho, dirigiram-se para a 
igreja dos' Clérigos, onde subiram á grande torre e se 
demoraratn algum tempo na barandá mais alta, contem* 
í)lando o vasto e magnifico panorama que d'alli se des- 
cortina. 

Findava o dia, e, como fossem horas de jantar, reco- 
Iberamrse ^o hotel, onde depois houve recepção pelas 
7 horas. : 



f<M 



1 ■ 

I • ' .■ ■ 

 audiência começou pelos comprimentos da^ f9lh 
marad mnniclpaed de Yúltt Nova dé OMa ê dd'Mto. 

A prim^lrti érd repr^ntadá oe^te dieto p^k^ sr. Au* 
Umh Joaquim Bdrge» dê Castro, áéd digno prdgMtiMi 
batUO do Corto e JoSo do Rio Jubior. 

A do Porto apresentou a Saa Majestade ú Ifliperador 
a felicitação âeguinté : 



S«nhot I -^ A Mibida coDsidaradU) que Yosia Mt^eatod» Ld* 
períal se digna dar á cidade do Porto, honrandò-a com a tua 
visita, acompanhado de Sua Majestade a Imperatriz, enchètt de 
Jabik> o peto t^ortueofle* A camars Avhnioipal^ que Jà, tete ft^átít- 
£a^ de saudar a Voasa Majestade Imperial peJa sua fèlis cba- 
^da á Sntopa, tem mais uma vez a honra de apresentar áTossa 
Majestade Itnf^eríál as bomenágeus depf<xfaúaor«§pèit9 esya^ 
pathia que os briosos habitantes da cidade tributam à augusta 
pessoa de Vossa Majestade Imperial e de Sua Majestade a Im* 
peratiiz. 

Efijfcn ddadé, senhor, qaè M het^ da mouardhiii pòitu^oéM 
e deu o nome a Portugal, é também aquella que por inezcediytts 
sacrifícios concorreu mais directamente para fírmar em solidas 
bases a dinastia eonstitudonal portuguecsa, fundada pelo im- 
tnortfil outorgâdoí* da Carta, ú senhor D< Pedro IV de Portu» 
ga] *, fiel depositaria do magnânimo coração do chorado libef- 
tador da pátria, saúda com enthusíasmo o augusto £[Iho do rei- 
soldftdo, prestando Assim utti justo tributo de grafeidio á mm tbA* 
moria, e um testemunho da mais profunda sjmpathia pela aii* 
gusta pessoa de Vossa Majestade Imperial, que sabe grangear 
a admiração do õQundo pela. ilIUstraÇ&o áó Sett goVèirho, que tem 
létftdo oflorosdente ittiperio do Brasil ao grau de piMjMHâiiié 
em que se acha. Não foi pois uma simples e vá curiosicUuie f 
que agrupou uma multidão numerosa em volta de Vossa Ma- 
jestade Imperial no acto da sua entrada dentro dos muros d'efeíta 
invicta cidade, theatro da maior gloria do augusto pae de Vossa 
Majestade Imperial ; foi a demonstração expressiva do a£BBcto, 
que os portuenses, a quem o magnânimo heroe chamou compa- 
nheiroB e amigos, tributam á sua augusta pi-ogeuie, o ao Bnwil, 



m 

fÊíjé pòVè «lâ itgkdD à tSÚ^ poAvlgÚ9>ÊA pêÊOê U^oif éátoé» 
ntáiBft tfi«>£paffirBÍdfiçiê. • > . 

A camará, pois, nef infefp^eée aós sontíméntõs dô povo ^or- 
taense, extremamente lisougeadàr |jèli( dMtftté^ tnáb ár^miTti 
a Vossa Majestade Imperial conceder-lhe, roga a Vossa Majes- 
Me Iiik|)oria! se éigne aoeèitar beoevolamentar as ex^eséò^s 
fb maior àeatauientb e i*e8p^to, que a eamara e o povo doeste 
wuneipio . lesleoKildHun a' Vòsoa Mâjéstader Idipe^ral • a Suft 
Majestade a Imperátris, e os Voto» que falsemotf ao l^odo Pod»- 
nsop^ prolosgrAçliO dá preciosa Vida do Vossas MajesMâes 
Inperiaos o de toda a knperial familift. 

FêtHh, 1 de «ATtò de 1872. 



A eaiiUM*a de Gaya apresentou a felicitaOâo seguinte : 

ãeiifaò^t — Â <samara lúuiildpftl de Oaya, fécodHecéndo em 
Voèsa liftjestade o proiimò parente dos seus téis, o filho aii- 
gtrstó do ifei soldado, que á castÀ de itomeiíeoiá sactifícios. im* 
plaBtòti tieste pais a liberdade, o soberano da uttçfto brasileira, 
fi^^à á pòHngueza pelos laços de fraternidade, e de reciptocoâ 
fàterétesefií, e «mfim o príncipe exceláo, por suas preclafissímas 
Vlttadés, veth, respdtosamente tributar a Vossa Majestade &ú 
túBB homeiíagens, eiprimindo-Ihé os sens Eentimetitos de maia 
pt^ftcaÚA venetaç&o, a os votos qtte faz aò Todo Poderoso pela 
iSòntfèrva^ da vida de Vossa Majestade e de todli a imperial 
flukfliia, e pdh prosperidade da naçfto btásiléita. 



Foram também recebidos os srs. governador civil, se- 
cfélafio geral, generaes de divisão e de brigada, e seuá 
ajudantes» os srs. Lima e Fernando de Magalhães, o co- 
ronel Mosqueira, o sr. Cezar Ribeiro Abranches Ças^ 
iéíloi Branco, presidente da relação do Porto> deputa- 
ções de diversas cor*poraç9es^ tiiukires, e entre outros 
a sJf- VtScóbde dâ Trindade, ftmcciotoàrios pnWicos, se- 
nWas e muitas outras pessoas. 

Uma das commissõòs peeebidaB ptk) Aonaroka era 



«ompoftta de estudantes brasileiros, e foi por elle 
ctada aym especial affabiiidade, sendo-lhe permittido 
a felicitação, qub se segue: 

Hetihor ! — Os Astudantea bratUeiros no Porto não podisB 
ntir-se do — por um espontâneo impulso de pstrioCinM— 
dej^r aos j)és de Vos^a Majestade imperial oa «eoa 
onthusiasttcos do mais alto respeito e consideraçio. 

Nflo os incita a isso tão somente o tributo de vaaaallmgaB do 
siibditt) ao Heu soberano. rjonge)felízmente,\'âooB tempos cm qut 
o nascimento era tudo; em que o facto fortuito de uma estirpe 
elevada eram os pergaminhos únicos de nobresa «Dte a aode- 
dade inteira; hoje a scioncia e o talento são os senhores doman- 
do. O ({uo muito especialmente aqui nos conduz — a nós, repre- 
sentantes (J*aquelles dos nossos compatrícios que nesta terra 
estranha buscam uma posição o um futuro no labutar das aulas 
— ó o desejo de patentearmos a^ Vossa Majestade Imperial e á 
sua AiigtifltaCJontiorto o regOHijo immenso de que estamos possui- 
dos pelo fuli« ensejo que hoje nos proporciona o termos entre nós 
o excelso monarcha, a quem á Providencia aprouve entregar os 
dostinfM da nonsa pátria; o preclaro soberano, douto em todos 
08 ramos dos eouhecimcutos hum:ino&, que, compenetrado pro- 
fundamente das verdadeiras ideas liberaes do século, tem sa* 
bido brilhantemente deAcmpenhar a nielindrosa missão de que 
esU revestido, desenvolvendo em ampla escala o progresso ma- 
terial e moral dos seus estados; o cidadão benemérito e patriota 
uue nas rocimtes eoiguncturas difficeis por que passou o impe- 
nO| a despeito de mil diíliculdades, muitas d^ellas originarias 
das rliverf(encius o dinsensoes dos partidos governantes, salva- 
guardou o d(*.córo e o lustre do paiz, conservando -se senipre ã 
altura cio eminente titulo de: •Imperador e defensor perpetuo 
do liraniL» ()ue a couKtituição lhe ontorgou; finalmente, o ver- 
dadeiro liberal, a quem devemos a mais sublime pagina dps ifas- 
tos da nossa hist^M-ia contemporânea — a abolição da escrawi- 
lura — outVora nódoa indelével e ferrenba para um povo que 
sempre se orgulhou de ser — porventura-^ o mais livre dooni- 
verso I 

l'erdoem-noB VoRsas Majestades Imperiaes estas considera- 
ç/Jes, humildes na phrase, mas brilhantes de verdade, a que nos 
não podemos furtar, ambiciosos de manifestar aos noasos augus- 
tos soberanos a veneração ^ue tributamos ás. altacf virtudes de 
um monarcha, honra e gloria do paiz qué o viu nascer. — JSía' 
nuel llodriynea de Miranda Jwmút — '• Mánud Lopes Santiago 
-••* Francisco IJ>tmmíf> da Fmiseoa Jikiiaríi •. 



m 

Finakniente uma dias pessoas, á qaem o Imperador 
falloiiy e dírígm expressões que merecem ficar archi- 
yadas, foi o si*. cOinmendador Manuel Joaquim Fer- 
nandes Thomaz, muito digno secretario da universidade 
de Coimbra, e filho de Manuel Fernandes Themaz, um 
dos gloriosos revolucionários de i820, e que deixou 
de si honrada-iAemoria, tão bem imitada e seguida pelos 
seus filhos. 

O sr. Fernandes Thomaz procurara o Imperador no 
hotel do Louvre, pouco depois da sua chegada ao Por- 
to, còm o fim de saber se Sua Majestade assistiria á 
ceremonia do capello na universidade; e nessa occa- 
siSo o soberano perguntou-lhe se era filho de Manuel 
Fernandes Thomaz^ e aci^escentou que. este nome não 
podia deiítár de âer proriunclàdo com respeito por quem 
conhecesse os fachos da nossa historia moderna. ' 

D'este modd honrava a memória d'um dos maia 
notáveis heroes do partido liberal portuguez, que na- 
quella mesma cidade fez parte do synhedrio, que pre- 
parou e dirigiu a patriótica revolução de 24 de agosto 
de 1820. 

Finalmente Sua Majestade, que tanta predilecção con- 
sagra aòs bens livros 6 a quantos ús cultivam, nSo po- 
dia deixar de receber bem, como mereciam, ós srs. Gbar- 
droÀ e^ Bartholomeu H. de Moraes, editores do grande 
diccionário de frei Dottírngos Vieira, os quaes sollici-^ 
taram permissão paí*â lhe dedicarem esta obra, depo* 
sitando nas suas mãos uma elegante pasta com a col- 
lecc^e* já publicada, favores, que o monarcha acceitou 
gostoso, exprimindo-se em termos muito lisongeiros a 
respeito da empresa, que reputava muito utit á littera- 
ttírà. 

fisle dicctoíiario intitttla>-se érfaiidle í)tc(^^ 



m 



mguez m thmwo ia Imgua potriugima. Foi rwliffdo 
w fm pfW«íro MÀmí^ peto sr, 4^. Tb^gpbUo l^r^^. 

logo* D ar, f laiPicisi^ Adoi()bo Co«itto<. 

Duns bonis ^ ^ooioroa q jM)beraw) pom .98 pa»09í& 
4Q9 o procuraram^ a$ quaes recebia com a HHn» w- 
tarai aMÂIiija(l^ mm A&^\^^m do «irwwtotfiO' 



v" «o^^^vy^^v •'vvy*'M>*"y* 



A icidade oor^servpu ^dfaote toi^ 4> dia aspoK^ (Je 
gala. A tachada do$ paiças do ooocelbo o^ltava «m^n- 
deirada» reva$tjida die damaipo^, I^qi cocm> K)d«s ^a» rqas 
por €iQdo o cortejo pat^^oy 4^ xnanbi^. ^M ri^airl^c9«9 
publicaa p3o $e aprÀrap»; o povo ((arpoam pi^fi rilM* 
admiraiMlQ os «efi^b^^io^ímefiif^.-^^^M^c»^ ,qO$. 
gos, A praga do D.. Pedro paroeJA.Htt arraiaL 



Tlia£i(ro 

Xenmkiad? a roc^çHo, dirigifamrso.^wMuíHUldes 
ao thea(trQ.i?a(jn4tf jp^rto da» oove bonas. F()cai» r^eof 
bidais á^nU:9<;to pic^ emprosario» o sr* Aotoojp MopMobo 
do S<^$a, e peto^ sr^. Mm^i^ Albortp 4a Ç^m^ IM 
6 Aaionio XoUaira d'A)ssi^> l9^a9do ifm.ala^ OiO^o 
oa |parta-macbaçk)s d^ ínfanMría i S« fandadoa d^ jgfiaiMlo 
unâormíi. Apoo«s onti^araio w caBwnMet eoiptigpp ao 
pjJteo, ido lado direito, os especte^onB» wgWWHS^ # 
or<í»estra ítocow P hyínnp .hr^sUe^Or 

A ííí^e^im tn8jaA^3 flOQsi ^i^^reina «^iippliiúdadfu ^oar 
tido afogado de faille de xadrez preto e branco. .F^r 

diai&rlbo ^ or»lil;^.^jpsos de.rÂiuiawQfls brâUwpies. 



iii 



' g- ' g... 



pprtdi^ do asjQi^or í)ria8Íileiro« o $r. Macb^do .4e As^, 
6 cOs médicos»» demorando*^ os monarchà^ até ^o 

Foram visitados por algumas pessoas m camaf(Qite, 
e o Imperador desceu á rua num intervallo para ver 
as ill um! nações» 

Á sahida foram victoriados pela grande multidão que 

p^ afeava «a rw. 

Pia U 

.Apyo»9r da« tbdig^s da veispera o Imperador n|k) des^ 
dí»^ ,do^ ^em babitoe ixiadriiigadorea» e á$ $ boras 4l 
n»wti3 isabw4(^ bot^l) acompanhado pelos 9r%. mrqmz 
d0 Fk^^UMu Andrade: Corvo, e barlo de ItaAna, rf^^^ 
iMfiando 3 3uaí rápida .excwsão por tqdo quanto a cv» 
49^9 invicta Uoba de mai^ notável em sciencia, iddu^ 
irU, líftes e ;bi$tori(i militar. 

Q»ai^ i m^swa jti^a ia Imper^rí^„ vealida de preto 
(»iMHn ^mpjicidiide, acc^i^paobada pela sua dama, ^ 
pelo cônsul, q ar, ^abóllo* sabiu também a cmw nussA 
i» igiMya (^ Nossa ^ei^ivora do Carmo, oode j^ $e dl- 
giom a^c^itar o tapete qw lihe foi. off^recído para s^ 
ajoelhar, regressando ao hotel logo que a mi^ Wr 
minou. 

O Porto joao haíiíia madrugado wenos que os seus 
hospedes. Satvaé e rapyjmcis; ,dè ^ÍSíOS .annunciaram o 
romper da aurora, e pouco depois começavam a tocar 
as musicas no largo de S. Domingos e rua de Sancto 
António. ^ 

^acita A digressão do Imperador aio podemos sé^ 
gdit a<M4eHi por qoe vigHop os difierentes pootps onde 



esteve, porque s3o confusas as noticiai publicadas a 
este respeito, e n3o nos chegaram a tempo todos os es- 
clarecimentos que soilicitámos; * « 

Visitou as fabricas de fundição do^icalho e de lani* 
ficios de LordeHo. 

■ r t 

Visita á Serra do Pilar 

• . * / 

Eram iO horas da manhã quando chegaram a esta 
fortaleza, onde entraram pelas portas denominadas da 
Eira, sendo recebidos pelo digno governador. 

O Impei^ador dirigiu-se immediatamente ao sitio onde 
existem as ruinas do convento, chamado da Serra, e 
que serviu de alvo á artiiheria inimiga no mémorave> 
eerco do Porto. Demorou-se aqui um quarto de hora, 
examinando tudo attentamente. .Dirigiu-se depois para 
abateria da Gloria, demorando^-âe égua) espaço de tempo 
na contemplação da magnifica perspectiva que a cidade 
offerece, vista d'aquelle ponto, e logo sahiu pelas portas^ 
da Calçada para o Porto, caminhando a pé até perto da 
ponte pênsil, onde entrou para a carruagem descuberta 
íjue o havia conduzido às portas da Eira. 

O digno governador acompanhou o monarcha em toda 
a sua ourta visita a esta fortaleza, assignalada pela sua 
heróica defensão. 

Visita à Escola Hedico-Cirurgica, 
Instituto Industrial, ete. 

Regressando á cidade visitou o Imperador a hospital 
de Sancto António, e a escbola medico^cirurgica, assis- 
tindo por essa occasião á. prelecção do sr/. José Fra* 



ilt 



ctuosa AijTesiid&iiãouYeia^iileDte» dú^quinlo aiino;'íeB| 
cuja aula!«eideinoroa:algQai:tempo. > "^ >'• >l'f:i^: i' -ai 

Quando Soa^ Majéstade^entrou^i.b sr.KAIyresde ^u- 
veia ihteirompeu a soa:preleG<^o^^ létaátou^se f(idi8S8 
— qa&ipofi annaes da!£scola Jáedico>-OFBrgksi<do'PorU]^ 
na memoria do&alumnosi presentes! iopartictaiannehtf 
na d'eUe profbsson 'ficada park sempre gi^avada a'leu<> 
branca da víiitft do augoeto monarcha: doBra»^. Depois 
d'esta manifestação, pediu o sr. Ayres» de. Goévetalif- 
tença pára codtinuar a. sua preiecçlío, ^oique fe^fallindo 
da historia da medicinai \^\ ecfó sea" exercida /bí| 
Inglaterra, França, Prússia e Portugal.. -'j'--. -t 

iSna Mijestíide.demoroti>-^e cereh-de um qoartò de 
hora a onvir -o diâlrooto professor; ; » . 1^- x • 

Visitou inaift o Instiidto Industrial^^ineltado doiBor 
IhSb^i fqbrica à^ companhia Fiação pòrluense^ e^ntids 
estabelecimentúsg! atéquèiemfinl; se dirigie <a «sàá tdo 
sr. Forbes, rogando-o para o acompanharam Visitb^que 
ja fazer ad sr.^Camillõ Càdtelb>Bniico.i€em ^ffeito 
sahiram ambos^comoâr- barão de Ilaúiia^í do metnno 
trem» demandando a habitação, do ifliístre escripter. : : 

. ■; • •::■.. ■» : .■..''■. • •■■; '!r'.'íM 



il «' 



Visita ao çr. CaipiJlo.Castello Branco ' 

■ ■■•.••1*3 '• '■•'i ' ' .Ifil.! • ■».. 

Este encontro figurava de xerto eatrb os primettios 
cuidados do esclarecido vit^anteína sua visita t si^nâa 
cidade do reino, pois que duas horas depois de chegar 
jã 6 sr. dr.Pofbcispifocann^ o primeiro romaoeistaipor- 
tQgQez,< parai lhe cbmMunicar queo monaitha déséjafni 
receber "a' apa : visita DO fcoi^^do' Louvre> «onde bfik^ata 
esperando. O sn'QMáiiMíGtta(^toiBiíiDe^ 

8 



tu 

podia mnuir a este (xmvite em oôliaeqiieMná de sem 
mau estado de saudei, n)n o ^qual «eesonselu 
- Áb tíncú tiòra» da tarde o^Jér. Forbes rtaovoo o 
oenvite, ^^ !0 dáBtnicto teaeitptor ef[iralmeiite oe descai^ 
para ícoin m:..9ens ÍiicòmÉiodo&^ £mto no da:MfiiiB(e 
pela iBahhi rapetía^íe a l^Hirofiai íosíeteocia do mo* 
nantha JtiQ£Íteire; iqne doesta ivi^e lhe pedia juBtaueate 
iiocfHà pBàrst o procunaT' em ^aa c^isa^ ae^lhe aSe foeaa 
pbaahrei-irrao bote). . i* ••./-•:, 
>: A Bttspòsta •foi .<(fa& 4i na leaaa. «ra bastante prim 
pnratreoebev Soa Majestade» maus4al conto wn «atafva 
ás suas ordens.!'; ■ ' ^ i i -í ': • : .. ' 
: Eram peís; duas jiopas da larde^ ii^aikd<^ oiÉílpaeador 
e os seus dois companheiposoheganmi axanáo wiHã- 
«fllo€aMeHo Brhnco, «o t]iial bi^u receber â porta 
iàm iruB; merecendo por isso n oeqsara que enaipalarms 
'(õrdiaesHO sciíeitano Iheidírigía eiiirsaSD do: «eta tmaa 
•estado 'de .'saudcl : ' ■• .;■»!■.=( 
, ApeDasèotnffattaári CainilieCaslellGBrancaepre^- 
^seRton ao ImpéraSeroer. Guilherme Bra^vípoitapo^ 
tuendo^ AiHqoemi iSuQ Majestade tractou oom exteenu 
jovialidade, mandando-o sentar próximo de si, e n3o 
consentindo que no acto da apresentação lhe beijassem 
a m3o. 

Tornòti-se^teátimpto dé cBnversá(Jã6 a ânalj^se de uns 
quadros, que o sr. Gamiilo Castello Branco tinha na 
:8atoi W)$t»nd(i!(e^sQberanò vastmiMnheoimeBtofl^âebre 
ípinlwa. i^or ^sta oeoasião o illusílire raadaBoiela afiuMeu 
aa^sau 'ho$|)e^ um quadra com^iretraítot$«dos viole 
AUffa primeíro$ neiSíporf ugneees, que paiasá ipor ter sido 
fnfijtade» aioda m cein^-àQ^Ò. iJo3o ivi /Q ecdhor 
À.. fledro; agradeceu,; coiD|)ifai)endoti0!Í de possuir' uma 
dimhntMideiCaadlloilQMCellofiBia^ u .-á^ív-í 




Soccessivamente fallaram da lítteratura tanto portu- 
gueza oMlo brasHèira» fliat^m sol^re que^^-nonarcha 
discursou largamente com perfeito conhecimento de 
taosd; ;dos livrios dd^isrj Camilfo^CastétlÀ ^PâDoô/ Ique 
conhecia fei*feílameotei ^ emfim dosfalieiíij^os -é chÀ>- 
raâos^^scriptores Gonçalves iDia» e Juliô Dítitz, o fnHr 
ineiro distinctíssíme^ poeta brasíteiro, e o s^ndo rò^ 
fnáMífiita porhiense, >cisfo «orne 'vei^eiro era Joaquim 
CrttíWierraè Gomes CJoeflbo. *' •'' ; i 

A -conversaf^ por ultimo versou «obre âssiimotos 
dê art^itçctura, proporeionaniJo aonOsdQ illostpe pomaif»- 
didta ensejo parádiprgir aò sei nobre interlocutor vm 
«spHituòsoe akffavel -comprimento. Disse- Ihô que;- éio 
'«lètsínto Ur do extfadgekD/ onde teria <admirada !a 
faiBOBsIíiàtftedral de 4iOndres iâótlli^as flMraviHtisis deali- 
cfeítedil^a, havia de Hv com satisíaçEío ò 6dífici(»da 'Ba^ 
talha, ond&se acharia e&tre os seus, no meio (toitiímalfK; 
de avós; áo qniei o monardia respondeu r «Eu eodtaÍÉD 
sempre sepam o artista do tíomam;» 

Westá apraslivei pflflestra^ se passaram perto áe^iw 
quartos de hora, findos os ^uaes o monaitl^ se <retirÍMi 
apertanab a tnlo aos sus. Oámillo Ca«téllo Brando <t 
Gi^fUberme -Braga, e daiiandé ás «oelhorés itfipves^õês 
n3o sò de íikisiraçSo, como do deu nlodo^joflãlíid^ide»- 
«erimoritóso.- -" ♦•"■••■■< : '• 

• Ó taiperádtH' encarregou idépois^ ^^^ 
i9dmprat -e onviar-^lhe 4odas as obras' do W: ; CutílHb 
Gastelb Brando, bem como t Os j^tâaígos da^CasneMéil- 
rtsca» do fallecido «Goínes €oelhoi^ • ■ - • •"' -v* 

Aleni ãáá pessoas já fefaridas,. tevà ta«)i)em a iMisilu 
m sr. Câmillopop teslefiarDUba «aar. losè dé Aadvèdb 
Gastélk)^ B^co^ sobrinho do! iliunstré cMríptor «liéMb- 
dâBté na litriveí-sidade. i ^ ' ■■'■ ^í'>'í'* ! mJ H í.í!) 



Il( 



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:i;.i . I. 



•Ill .... :•■ í,.i . 1. 1. . . 1 

: . Visita & chapelaria! dp sr. (Jo«tf( Bi^ga 



' I 



. I 



> * i< ■ . I - 



j Pelas tx9^ horas da. tarde ;q Impi^râdar, acompaphado 
do ex.'"'' ^io de Itaúna e dr. ][^arbes, yiditou esU cba- ' 
pelaria a vapor* estabelecida na rua de Santo António. 
O :sr. Costa Brag^^e seus filhos recelteram o imperial 
visitante com as Q(f&ioi;es ilemonstrações de gratidão e 
respeito, e muito mais penhorados; ficaram pela nimia 
delicadeza de Sua IMajestade em querer conhecer pes- 
soalmente a espçsa do sr. Gosta Braga, a qual, sendo- 
Ibe apresentada, houve por bem Sua M^estade inquirir 
sc^re.a sqa naturalidade» vindo a sabier que é pataral 
do Rio. de Janeiro, e.bapti^da,i\9 fregnezia de Santa 
Rita. Em seguida <:^ij|}itou as o^cínas^dos propiagistaa 
e costureiras, dos fulistas (onde pediu para ver moldar 
um chapéu), do salão dos arcos mecânicos, e das ma- 
diioas de Soufleuse e de afinar. Sua Majestade fez va- 
rias perguntas ao$ operários com aquella e:xtrema deli- 
cadeza e bondade inimitável que nelle ò proverbial. De- 
pois passou ao salão, luxuosamente preparado^ onde 
o sr. Qo6ta Braga lhe mostrou os diversos productos 
manufacturados, qye Sua Majestade minuciosamente 
examinou. Nesta occasião o sr. Costa Braga sollicitou 
a graça de consentir que neste estabelecimentp se 
manufac^rassem doisxhapéus, um de seda e outro de 
feltro^ para o uso de Sua Majestade,, obtendo â'este 
não »i o /Consentimento^ mas a d^laragão que já tinha 
em vista a encommenda dos mesmos como uma me- 
moria do grande aperfeiçoatnento que notava peste 
estabetecimentci recomineindando-ihe qufl a remessa 
d'elles fos{^ para,Q hotel Bragança^ ein Lisboa»; atè ap 
dia 11. Egual encommenda fez o sr» barão d^ Itaúna. 






Aqui Sua: Majestade èntbeleTe demorada convttrsaçifi; 
€om o sr. Costa Braga, interroguidoo-sobpeídiffenenlea 
pontos. PergQDtoa-lhe o tempo da sua estada do Brasil, ao 
qae respondeu ter sido de vinte e quatro annos, adqui- 
rindo crenças 'g^arla&^stodoBas â'aqueita tcírra, onde oc- 
cupara a maior parte do tempo na industria de chape- 
ianaJ Perguntcru mais qual a sua opiniSo sobre átin- 
dtiBtria de ^t^hdipfelaria naqudle império, ao que s% sjt: 
Ms^pandêu ^e a' jtitgava táo desenvolvida eaperfbiçoada 
qae podia deputar primazia com^ a industriai fnrtícezaL: 
^tííz também Sna Majestade saber se a expoi^tai^So do8 
seus productos para o Brasil se fazia em alta esíeaià,* a6 
que o sr. Gosta Braga declarou ser pouca, em vista dos 
eléViNlos' áíreitos que obstavam á protecção d^^esta in- 
dustria. Ultimamente o sr. Gosta Braga significou á 
Sua Majestade a ufania e prazer de alli ter alcançado 
mBíitãs gtoríab industriaes, pois que fòra o primeiro m- 
trodudtor do vapor na chapelaria no anno de f 863, 
concedendo*lhe Sua Majestade o titulo de imperia) fár 
brica de chapéus, data e acontecimento este que Sua 
Majestade confirmou ter ainda bem presente iia me^ 
moria. • . , «^ 

Esta honrosa visita durou perto de uma hora^, du-> 
rante á' qual tocou uma banda de musica marcial o 
bymno brasileiro: ao retirar-se Sua Majestade, se lar 
vantaram òalorosos e enthusiasticos vivas^ tanto pcNT 
parte ilos operários do estabelecimento como do iuit 
menso povo que presenceou esta honrosa visita. ■-■•- <: 

O sr. Codta Braga, querendo solemnisar mais a vi- 
sita de Sua Majestade, nSo só gratificou os operários 
e os dispensou do resto dos trabalhos nesse dia touio 
convidou o publica) pelos jornaes da cidade, a tisitac 
e examinar tSo importante estabelecimento, senda âm- 



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» > ■ 

Yiflite 80 PdMio i« CtjnM • ^ 



' Proxhlicv da^ quatra horas chegaram Suas^ Majesta^ 
áo- s(^effbo palácio da indústria» onãd eram «speradqii 
por toda a dHreccH de que è presideata ^ sr^ viacMdè 
dft VUhnr. Allen, um ám iniciadorea da 6xpilBÍe9o inter^ 
Bacional de i86&^ a qm deve aí âna ofttprn !^ Palaeia 
de Ci^slal. liais de dua& mil iiessoaa alli se achavam 
também; entre ellas o st, mit^istro doa fiegocíoj» estrani- 
geiro^ Andrade Corvo^ governador civil e oiiCía& Moto* 
ridadesu 

A% galerias da l»ve central ei^m occupadas por 
BRÚ4)as 8enbora8;e quando Suas* Majestade» entraras^ 
o* gr. Roberto Woodhouse» distinctissimo amador de mo^ 
sica, tocoQ uma marcha triumphal de Mendelssohn no 
grande e harmoniosa orgãof, que serviu na expo^ç3k>^ 
da qoal o Imperador faltoti^ 

Percorrendo os bazares, perguntou se aquelle esta- 
belecimento era permanente. 

Disse ao ^. visconde de Viilar Allenv respeitável pre- 
sidente da Direcção, que tinha ouvido que a sociedade 
hicjtava com cKfficuldades, o que aquelle cavalheiro coek 
firmoó, accreseentando que isso fora devido principal* 
mente i espoliação feita por um ministri^ em dietaduva* 
' Visitaram taorioeím oa magnifioos jardins ; & a . sua 
vastidão^ assim cdmo a dos terrefios ai^xoSf impres- 
aionarasb o Imperador^ a ponto de perguntar $e todo 
aquetle espáçó. pertencia. á sociedade. i l 

Assifli ten^ainoii a súa visita ao prtitieflrp aslj^belecK 



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?i«il«èFo» , 




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• "-.i • {.!■' ■1 



áigoo-govem^^ da ca^MeMo,! .o $r. QM|)CNr Jo^qomiUh 
zaro Franco, re(^eAieiH)iS naH^|)ilgDa(|a4 (k)a)^^ 
l»er.a& b(Hiira# e cQf4i|)ene^^ 9iaa g» Imperador 

disjpepaoiXHEis». iiA)' ^iMegancb .fot i^sq aidtsfM^rahae maiA 

iflia tltt tíliO.. . . :■••'•!•:. '•'■•?•. v'.'.;- {«••!. 

Subindo a rampa, estanciarmi rn» Kmra^haB;.^ Sm 
Maje^ade.0 Imperra^* «compatíb^doidosTi govornaácr,, 
si^u ao baluarte ^ne àom\m a !barra> eiíabiin^fid^ 
tudo, p^i^untaodo 0$; st^mw dos peeedoa maia nottaydi^ 
Moiaando Jiiigo i prúncÂra, .vigia » pb^rot da^iLust e.» 
abrigada 4a XeUõe^». Ck^^w^oia ocm» â maior Ifpad^ 
conA €í sgovemadof » i(to (}ueii2> qjKiis ;»ab^r o^ imwq e.o 
corpo em que tinha servÂdò^f Feztlbe muitas mais fitor^ 
gutít^ e depois, dando q brafio à 1mp9rsAm^i^o\fBfíim 
noa aposentos do^. goveroaidoí:, wda .viraa^>GQjiIoefl|doa 
08 aeciB retratos €w<mQÍQ icorpo; exraiioaraifarifMHtjWaêr 
v^%è um, álbum am4)iie aq:aeljie>ser)ihiQr tem oalr^atoft 
dos geoeraee brasiteiriofi <» mbai&;officiaea.:do exetroít^e 
armada que.âe distingi^iram na gutfrrai do Pamg^iayii % 
sabendo que taes b^iQd^a ôvarp^^OTÍiadQj&pelo ilbo )ào 
governador, que é o l."" secretario <doGaibinetQiRWtQq 
gtiea^ de Leitura nOiiUo da Janeivo^idiasa S«a Mf^eslade 
que. muito b^m o caoihecia» : : . ji .1; Iív 'f 

O Imperador , iM)tou ' que fali^vam no .aibuiO: joik jI^ 
tratos cb dois« militares distinctois. por imporUdtea iarf 
viços, mostraode iassim qjOô não peidei lembíiralica d 'aqjUKA' 



les q«8 a merecem por BMSi^lèitos em defesa daipAiai 
Sentia iqtie o» retratos doe feneraés Mana ^Barreto e 

Fontes d3o estivessem vestidos á militar. Examthoii jM 
quatro tomos da Historia da guerra do Brasil contra as 
republicas do Uraguay e4^rft^j, publíca(}a em 1871 
no Rio de Janeiro. 

< Vhieguaimente, o que índíto o lisctogeóu, aà obn- 
dedbíraii^ èraadas^ e eoncec^cias aoexeírdtD e armada 
como' recompensa da ukimã campanha. ^ ; t i = > • 

Saa Majestade a Imperatriz cortou dois raminhos de 
um florido aiecrim, que está no terradior -do Castello, e 
deu um á dama que a acompanhava, guardando o outro 
1^ §eio, coíba recordação d'aquelie sitio. 

Sabendo, pelo decurso áú conversação, que o «digne 
|;évern»dk>f era soldatío de D. Pedro iv, que com eile 
tifiha saltado nas praias do Mindello, desejou ^r infor- 
mado ittiiiHiciosamente de todas as circomstaDciàs do 
desembarque^ fazendo muitas perguntas a este respeito, 
taes como os primeiros corpos que desembarcaram, se 
o diia estava lindo e omar bom. 

O sr. Lazaro Franco teve éntSo ensejo de o informar 
de qoe'só ^(e o acompanhara w baluarte mais saltite, 
do qual ; foi < mostrar ao soberano brasi leiro os pontos 
das fortificações dos doiá exércitos Contrários, descrê-' 
vendo-lhe* o modo cOmosefaziam os desembarques de 
mantimentos, e relatando os ataques dados áFoz, sua 
defesa'é muitas* outras ^peripécias da memorável cam- 
panhá^ naquelle sitio.' > * 

Assini terminou 'a« visita a esta fortaleza, depois da 
qual visitou ainda o Imperador outros logres, como foi 
a quinta do sr. GhristovSoWadzetór, <em Ramatde, ponto 
assignalado' em todo o ceneo, e com especialidade no 
ataque ás linhas em^âS.de juUto do 1833. 



tsf 



o laipérador viu taiid)eim-ò caminho de ferro mbb^ 
ricano, observando-o de cima da ponte, que dá &a- 
irada para o castello, e por baixo da qual o caminho 
passa. Nes89 0ccaaiao estava :aíoda por abrir ao transito 
publico, mas hoje tracrsporta diariamente de 700 a 800 
passageiros entre o Porto, Foz, Leça e Matosinhos. 

Na volta o imperador passou pela nova alfandega, e 
recplbetl ao bqtçl, seguindo-se o jantar, como sempre 
breve, e limitado ás pessoas da comitiva. 



Recepção 

* . , • » ■ 

Era infatigável o Imperador. Acabando de jantar 
passou á receber as pessoas e commissões que pre- 
tendíaoi apr^sbotar^se-lhe. 

Os srs. Agostinho Francisco Velho, cónego Antcnio 
Alves Mendes da. Sílys^ Ribeiro e Manuel de Sousa, me- 
sarios da irmandade de Nossa Senhora da Lapa, apre- 
sentaram a Suas Majestades as patentes de irmãos, que 
os monarchas gostosamente acceítaram. 

Entre muitas pessoas de distincção concorreram os 
srs. viscoade de Figueiredo e conde de SamodSes, ao 
qual Sua Majestade disse, que tinha notada que em Por^ 
tugal havia gosto pelas bellas artes. 

Especial acolhimento teve a deputaçio dos velhos e 
valorosos restos dos extinctos batalhões de caçadores 
5, e voluntários da rainha, pelos quaes Sua Majestade 
havia perguntado em Coimbra ao sr. governador mi- 
litar 'd'aquella cidade. 

jO sr. Bernardino Prati^ sargento do batalhão dô 



caçadores 5, leu* m meio^kHijfQs caatowkfc a^ se- 
guinte > 

f eUcUMiçiò ias aaHndia ih aalifo^ IkitaHrihr ' 

4floaAaáosMa> 

Tenli» almus-deamseiitar mYomm Hajcstede IwperM os 

poucos dos velhos soldados, ^ue ainda ezlstcnu do byatjsUMp.da 
caçadores n.* 5, de mie to\ digno coronel o ibcíyto general^ au- 
gusto pae de Vossa Ma^tade Imperial. < - 

Vêm elles com a maior satisfação e alegria felicitar Saas 
Magestades Imperíaes, e dar-lhes as boas viudas pela feliz che- 
gada a esta heróica cidade do Porto, baluarte das liberdades. 

São esteJB os fieis soldados, que o augusto pae de Vossa Ha- 
jestade chamava para o seu lade como os mais esforçados guer- 
reiros nos maiores e mais arriscados e ardentes combates do me- 
morável cerco do Porto. Nós, Senhor, devemos ao heroe liber- 
tador mais vlfo reoonbecimento da amizade d0 q«9 oioutroflci- 
dadâosy porque não quiz Sua Majestade apartar-se do ipando 
sem que fôsse á sua presença, na hora fatal, um dos seus sòl-; 
dados, para lhe legar o ultimo adens, o ultiníè^abrafo^ diaenéO^ 
lhe: ctransmitte-o & todos os tens eamatFSMbil ; é um aignal de 

fratidão pelos relevantes serviços,, que comigo prestastes á li- 
erdade e restabelecimento do throuo excelso de minha augusta 
filha, a seiíkira D. Maria ii : » abraço» que mis veeebemoe e ali- 
mentamos em Q mais durável sentimento de gratidão. 

Fomos nós que o conduzimos á ultima morada, pegando ái 
borlas do real féretro, e mais tarde os que fizemos a gnatda; dè 
honra para a entrega do magnânimo eoraçfto e sua espaà^^^ue 
Sua Majestade legara aos briosos portuenses. 

Levamos ao illustrado conhecimento de Vossa MajestadjS o» 
honrosos serviços que acima deixamos ditos, para mostrar qoe^ 
ainda por largos annos, atè baixar á eampa, o mesmo descnoispr' 
derados pela representação nacional, nunca esqueceremos a me- 
moria do augusto pae de Vossa Majestade, nosso general,, ca- 
marada 6 amigo^ laieado votos pe)a protperidadé^do sen ezcalso 
filho, o senhor D. Pedro u, herdeiro de suas moitius virtadath 



O Imperador bIo podia conter a satisfeçSo qae Hi# 
causava a presença dos bravos sokMtosí qoe havJMfr 
combatido ao lado de sea aufoslo pai. Aperto» a mio 



m 



NM 



ao sr. Pratí» 'e o mesmo fez a todos os demais volim- 
tarios. 

Pergantoa ao sr. Prati t]aanto^ existiam ainda do 
batalhão de seu pae: o sr. Prati respondeu que na 
eatnpash^id^edr^ do Porto tínhami .enc4)»nlrddo a morte 
a maior pafte d-ellesk ^pm^feoteittent^ exisUam ^m^ 
àet Gfs^ àoteii PefgUfiton àm qu« sa eoipregavam : o sr^ 
Rrali;respoiKifei»ique'^imii artif^tas^v. . ^ 



■ I 



Tenniiiada.a recepção» Sua Majestade a fanperatri^u 
qoe tdmbam tiniba traictado do modo mais ailavel a(|u^ 
las relíquias do exercito constbtiiCioAal, disse que qoer^ 
despedtr^^ dos . aaç^oresy e em seguida comprínien- 
tocH)S'a.tedos bem como aos voluiUaríos da raiohai Por 
esta oeeasi3o.di^se-^lbe o sr. Prati que era um dos qu^ 
tinham. tomi^o as borlas do caixão do duque de Bra*» 
gança ; Sba Majestade perguntou-lbe o uome e mostrou 
a st» satisfação por saber que o sr^ Prati era de orír 
gam italiana^ 

■ • 

>Jiiiida livdradi a houra de fallar ao fnonarçha o sr. 
MigmliAiigialo/oma.Gomfikissãade cavalheiros, que Vm 
Uà ápveseetar a medalha feita pelo sr. Molarinho» o sr. 
António Cândido Ck)rreia de Resende Lobo, alem d^ 
outras.' A)gutta/í;d;estas pessoas fizeramoffertaa» de qué 
Callarenofii em /capiiulo especial, i 



t • 



Ddseíaftdo ver as iHamiilatSes percprreram em carro 
descoberto a calçada dos Clérigos, praça 4e D.; Pedf;p, 
Feira ét&i Beato» rua) das Floresce & Jo3o até i paute 
pensi^ indo âpear^se ao theaUro deS. JoSoi qQanid«,)i 
passaTd das òil^ horass. e seodo constaUemeute .vjQtOr 
riidost pela mnkiâSo. • 



r " 

7h9atro de ^. João , . .„ u 

Á entrada do tb^tfti^d'^s^#am por ^IM'^ a» -1^ 
dos porta-m^rebadõs de Manteria 18, qbe lbiB9 fiíeram 
a continência militar/ e> foram rBcebkk)sl pfdo sr. Aoh 
tonio da Fonseca Padchoal, 6mpre^ié> áa''«4K>ipaiiÍHá 
lyrica, e Romão António Martins, director da scena, su- 
bindo pela escada particular para ô Catmiroté-n.^'!! 
da 2.* ordem, contiguo á tribuna real; uod idoisl in- 
mediatos ficou a comitiva. * ■•' 

Apenas entraram tocou-se O' bytmio brásileirt^^ <^n- 
servando^se de pé os espectadores e -os imperiaes faos^ 
pedes. Alguns espectadores pediram o tiymino da Carta 
Gonstitucional, que também foi escutado < d« ^pè, > «mo^ 
receu egualmente enthusiasticos applausos. N&sta oo- 
casião o sr. commendador Miranda levantou oa plateia 
um viva aos soberanos, que foi calorosamente corres- 
pondiíJo. 

No fim do l."" acto o sr. António Pinheiro Calda;, 
poeta distíncto, recitou de um camarote umaf cloiiipò- 
siç3o poética, que foi repetida e mereceu muitos' ap* 
plausos. ' ; , I. 

Depois d'isto a orchestra desempenhou uitr hymno, 
composto e oilerecido pelo sr. Eduardo Vianna aos poiv 
tuguezes residentes no Brasil, o qual foi chamado ao 
proscénio, onde Ibe foi dado um ramo de flores • t)or 
entre applaúsos. - • : ! 

Sãguiu-se a execuçfio, pela banda do regimento de 
infantería 18, de uma marcha offerecida ao tinpeírador 
pelo maestro da companhia lyrica, o sr;' Caztulmo. . 

m intervallo do â."* acto o sr. Càrvatbo; eejtudaiiia 



«II 

» I I UH I ■» 

hrasjleiit]k»rproDt)rMrioq»(le.umveaQ^roiai um diâcunsp 
em honra. ;À* Jmperaidore»* ; ,í/í; . 

O <68peGl96ul0 i termioon pela* repetição do; hymDO 
Jbrasileiro, r^tàrpíKto-ga jp6 monapcbas, acompanhados 
1^0 emp4n6i$ario^ ^camará rmunicipal e mais aactoridir 
des,f que tq)nbem assistiram ao espectáculo. 
M SJra. meia noite quando se. recolheram ao hotel, 

A ex."* si.* D. Maria do Carmo Rodrigues Forbes 
YÍaítou a Sua& Majestadqg, w camarote. 

' • ■ V -ií-. ;■: • ■ • . .•; •■■■■■ ■.•■•■ 

•.•!>:■■•■■ r I ' ' ■ 

lUuminaçSes e mais festejos nocturnos 

■ ■■ < /'. ■: •■ ■■■...}.■ t ■ ■ : . • ■ . • / 

À noite a cidade offerecia aspecto deslumbrante: il^ 
luminara-se quãs» simuUaneamente. 

O pavílhlk) da praça da Ribeira e postes que t ro- 
deavam loram iUuôninadoa tom balões venezianos ;í8ur- 
prebendia o seii affeitov A rua de & Jo3o esta va, couir 
pletapeate lUttminada) nem uma só janella estava sem 
luminárias» Na dOs Ingleses distinguiamrse duas estreitas 
d6<gdz/Q ppviíhio do largo de S. Domingos» foi illumi^ 
nadb^^JEi:ballõ^ de cores» :Q aneo da rua das Florou w/i 
dos mais nota veia pela elegância da architectura e mimo 
das pinturas, illuminado a azeite, produzia comtudo ex- 
cellente effeíto» principalmente na parte superior. Gon- 
•corriamcom eUe para tornar esta rua brilhante o& prer 
dios q«e se. illpminaram sem excepção^ 

O pavilhão cio largo de S. Bento era illuminado : a 
balões» e, la Abem tinham luzes as janellas do convento. 
, A ma ^e Santilo. António apresealava- uma marairi- 
Sioaa perspdotiva com milhares de Idzes e côrea« .n: 

Os predioa estavam j^luminado6 d'alto a baix0i e os 



46 obelisood tinham 87 luze» àt atehe oídaf tim. Ao 

cimo da rua havia um quadpo'i\ideid|i^iiMnisft»f<0''m 
representava — o Pdrt&modtraitdo A)fkiQM) itfeellàes- 
ireHa de Pedro ir quis despontava <M<hei^isoDteiidMt)ft 
ám qivadroB oontintomas^ armas f>ortiigtlezas: a imair 
leiras em traospareates. DesWca^-sef a frénWrfa és 
theatro Baquêiyiínie se intermeatisim as^lfteeS' eoM as 
iMDdeiras. ' • ' 

Defronte (^mpletiva a^exòellenteperspec^va-diíiM 
da rua dos Clérigos, coreto próximo e illuminação dos 
prédios; o arco era illuminado a gaz, e pendia-lbe do 
centro IH» grande- htótpe. ^ ■ ^ - • >i- 

Na praça de D. Pedro, a claridade rivalisavá com a 
luz do dia. 

A fachada do edifidoiáa oaiftara fniifiio^síl -e-d^firedii 
t)onftg«o eram UtumíDadOB !a gaz^ e M)m esirellas dé^if- 
fepeiAes cores; os candelabfos em mtíà' da praçaf todòi 
tinham grande dumero de hiz6& AléM d'i6t€ w b» 
deifas eram qnasi tanta&eomo asIum^-eBi toda^fraçii 

"NSo «ra inferior a perspectiva do iàrgió da Batàlbt, 
no méiò do ^al se eleva 'a estatua dcísli^. Cl. PedfoVi 
As arvores da praça illumtnbdas'por iklfmpméeríiÊê, 
OB edi&òioe chèioside lutes, assim cDmta' a cimailha -sd- 
periar do m(MRimen(o. 

'Urnas pyramMes^ que imittivatii-ei^estesv e aí grade 
etÉ volta 'do linonumeniiò esHvnffii (Httvrièadaa. No^eeiítri 
destacava-se uma oorôa com esla insoripQlk) ^»*- AsBOoii^ 
çao^áos' artistas portuenses. ■ ^ - '»• : ^/ 

Entre a rua de^D. Maria ii e a embocàdmia do fcu^ 
dá F-eíra de S. Bento fxara a porta dè ^Garros pemdíam 
dos festoes, jque ligaúamaa^j^esi eolloei(da$r d6;a«iÍM 
os )ado& da roa, itincMlbieroa^ikjpos di»^res. • ; < > 



)Às escAdai^ da (•frqoi^ d& Sa^ Hdefen»» e a fpoÊh 
Uri$ da èg^ da fFrkidade lasolbeai eatautn 'mfetisai* 
ttAle âlhiininadas^ 

flhti doe c«ntro8 maíB teoncorrídos e fiartes «noM^ 
Itóadas^ra tambeni geral a ittumínaçio, b^n qae menos 
prof usa, eci^Swms èa via 4e goslo <e prnnor. A roa do Al- 
ifewh pmdma líndi9ftimf>^eSBíto, 'Tista do «campo da Re- 
generação. Neste ponto havia ilIumÍDações particulares 
brilbaotíssimas ; entre eUás disliaguia^se a casa do sr. 
Jdio Qfn\k> de Srasa Carneiro, HIumíDada ^ ioaiões 
fimBTJfíhim € (antemas de cry^al, tendo a meio do estt- 
fii^ umas armas brasileiras em transparente. Egaal^ 
«nefile 'tobresahiam ik% dos «rs. Mata 6 Miranda, e ou- 
tras muitas. 

Como é de soppõr, as illuminações e as musicas, que 
tbcarani todas as noHes na praça da ftibeira, largo de 
$. Doíiningos, largo dos Lóios e da Feira de S. '^nto, 
fTàçaí de é. Pedro «nia de Santo António, atirahiram 
'o cánétirso do póvõ. Revolvia-se em massas compactas 
fMrios largos e ruas, o translbo^ra difficil, e em partes 
lispossH^, sendo «ecessarra por^ mais de uma vez a 



PraaenUa 

Moitas pessoas se esmeraram em obsequiar os im- 
períaes hospedes «on dadivas e presentes : cabe >o pri- 

I flDBÍre vl^áráimedalha oommemorativa da visita dp Im- 

fc perador ao Porto. 

K :> Eita medalha foi ieita oonoa o producto de «ma sub- 
ttidpçSo aberta «atre €S'porludnses, e ineombída a sua 
teture ^ae sr. Arnaldo. MoUarifibo, igravfti^ imiito di- 



188 

gtiDCto 6 babil; De am:dds lados ten 6 ttínUà do Im- 
perador, em excellente relevo^ ^Atn :vo1ta a inscrípcão 
— D. Pedro ii, Imperador do Brasil *r^ No reverso. CHSti 
orna corAa de carvalho^ e dentro d'eU» umá estkiella 
raiada, do centro da qaal abhem .as palavras r-^ Atê Gf- | 
sar — Por fora circumda a coroa a âeguiote legenda ~ 
Visita de Sua Majestade Imperial á cidade do Porto 

É de ouro e tem 27 óitavka de peso. 

Foi depositada nas mios do mooareha por uma com- 
missão composta dos srs. Jo3o Ferreira de Afidrade 
Leite» Henrique José Pinto e ioaé Ferreira Moutiobo; 
e um dos membros pronunciou nesse acto a.allocucSo 
seguinte: 

•Senhor: — A terra que foi testimunha dot beroiíuiKM do 
sr. D.Pedro lY, augusto pae de Vossa Majestade, a terra que 
é legatária do seu nobre coraçftò, a ternC qáe elle tknto"iiniott 
e que lhe- correspondeu oom c^ual affecto, apfeciabâtí^deiida- 
meute a honra que Vossa Majestade ^acaba de faz^^lbQ com a 
sua imperial presença, quiz commémorar tSo fausto aóonteci- 
mento, e nos encarregou de obter licença para pôr nai augUBtts 
.mãos de Vossa Majestade a medalhi^ qne o reprea^iita, oposo 
testemunho de que, reproduzindo o filho tâo fielmente as excel- 
sas virtudes do pae, legitimamente succêdéo ao páe o filíio no 
amor dos portuenses. 

Permitta, pois, Vossa Majestade que jubilosos nos desempe- 
nhemos de tão honrosa com missão. 

Porto, 2 de março de 1872.-^ João Ferreira de Andrade Leite 
— Henrique José Pinto — José Ferreira Moutinho.^ 

9 

•■■•.=. 

Sua Majestade disse que agradecia muito aos po^ 
tuenses a oíTerta que lhe faziam, e a considerava uma 
grata recordação d'aquella cidade. 

A medalha era guardada em uma caixa forrada de 
velludo carmezim por fiW*a e verde por dentro. Tinha 
sobre a tampa as armas' brasileiras, em ouro* com um 



\ 



iâ9 

.aço do .mesmo metaU oqde se lé a ÍDscripção seguinte : 
— Os portuenses ao sr. D. Pedro II, Imperador do 
Brasil. f' 

A commissSo também offereceu ao monarcba os cu- 
nhos, entregando-lb'^ depoU de tirados outroa exemE- 
plares da medalba. . 



O sr. Miguel Angelo, compositcM* de musica muito 
I alamado, compoz uma excellente marcha triumphal e 
a offereceu ao Imperador, que o conhecia de quando es- 
tivera nt). Brasil, onde fora nomeado organista da. ca- 
pella imperial. Apezar de o b3o ter visto havia muitos 
annos, conheceu-o facilmente. 

Escusado é dizer que lhe agradeceu affectuosamente 
a offerta, fallando-lhe da arte que cultiva, especialmente 
da soa opera o — Eurico. 

O sr. Adolpbo Cyrillo de Sousa Carneiro, natural do 
Brasil e estudante da Academia de Bellas Artes no Porto, 
offereceu ao Imperador uma paizagem a óleo, que se 
diz estar muito bem pintada. 

Este moço com pouco tempo de estudo adquiriu cré- 
ditos superiores na academia, passando por um dos seus 
mais talentosos alumnos. 

A ei.""* sr.' D. Laura Laureutina dã Fonseca Braga, 
filha da directora do acreditado coUegio de Nossa Se- 
nhora da Conceição, e irmã do joven pianista Hernâni 
V Braga, começou a bordar um magnifico retrato da se- 
^ renissima princesa do Brasil, que tencionava entregar a 
•Suas Majestades; mas como não podesse concluirá a 
^ tempo, tanciona remettel-o mais terde para o Bio de 
.Janeiro, devendo primeiro %urar na exposiççSo penin- 
'' 9 



4te 



imi 



^ar iqM M j»iKij«efe ^tmefnto foctti^w miimdle igoMo 
<ii»sMmtí»H)iptroilm0B. <• i' 

O sr. Francisco José Rezende, pintor distÍDCtOi^i|tte 
iMQiè^inflpteiiiiuitD 8obtie^Mm^Miidm<^ 
íPMHeifOi oom %i^ q^aárai, ^senâò Mi >» iMniU) ><le 
el-rei o sr. D. Luiz i, e outro uma GMl|Nm0t»^âoft^Cnrf 
valbos, povoação que fica próxima do Porto. 

O Imperador surprehendBO v^sc. Rezende na occa- 
siSo em que collocava os retratos em uma sala do hotel, 
<eieniiBtaNRiAo^eKppiaií«Hse etfat^dswiMto^igt^ 
Hváfti()6iPei^rdilMiiiiBRtò^ilo«ívoi)ii: n 

O STw AntonÍD CarKiído Gkir^teia >deiR(àzende'Lc4aNi of- 
-ferfflieiíJhe lum uatioA^airabaiho »mi>mcid«fitti. ' 

iNo« iheatroiáe S*. llofo* o s». fitoqitio ViaNBM foi ao 
camarote offerecer ao Inat^emdor^^im tiymtto.flleáiinri^ 
^MSftípertttgMtts irettNi^n^ de 

^#n^ddM(mp«i)tiad<ii QoiivJ!p*a!ÉiAe ^p|rt^ 
á Imperatriz a honra de Ihecieositir e raflio ideitarefi, 
<(|iie lhe linha 'skioJbfièmiíido^mipK^canio. 

iOtexem{^ter <)lk^ecido ipelo %f. S/ Vi«M^ 
radciir^iinpressoQiDurO'6natsBiimazi)ly<0i^Udo(tob^ 
A capa, de setim branco^ t^ni ino Iroiiti^ok), lambem 
-impresso >à outx^ -o títuK (offerecimentO' e mosieJda au- 
<ctor, no uneio dei uma t^rjoi, ififapando doafs oiiilomfliaB, 
sobre as quaes assentam á eâcfaitfdá as amiais 'p^rta- 
.giieiris e »á cKteita ^8 '«xm^ brasiieirái. Mèiá d^issb foi 
eiítrefue ntmiiaM^wnQ de^etUindo vtrde^ tev^stidi^ inler- 
iiiaiiieAte'*âe «sdaiainarelte^ ie «endo»ia»is^ 
-gioi: > a A 'Sm ttai|éetade oisr. iD. tPddfo>ii,>disfeiisor;per- 
(ptiQoiido Brasil: "^«HTtuno, por ^K»il»ardo iViami»:«|—^ 
CKunsibalho tjrpographúso foi>«:xeaiiladd na tfi^rapbta 
táauiíttíL 

!Miii^nda}9ec6bBi]KOulfX)LJ|p»6seiMeiiiii]S^^^ mlos^do 



f8l 

8r. ClBKidiíit, iijrâotw^ ái jearo|K|n]^it. lyrjc^ do ttieMm 
de S. Jo3o, consistindo em uma grande marcha triiMiif 
phal de soa composição^ 

Outro presente que o Imperador recebeu consistia 
fou albdjn .de .pliotQgrd{ihJfM, oiforfcidg p^ sr4 j^o- 
eba^ h«t)il: pliotografèa, entre A^ qua0$. Sgiwi %4» 
4iai1o e càffia, : onáe fiilleeôu Q sr. I>r fíedfQ jtF. j 

.Fúiaipiefite o^^^x^ Joaquim Baptista da Silva Guerras 
aedoaiyia} oiuUa lioiíedítido â'aquella cidade/ tQceo um 
fido corte dè sfèfiogf Lilo^ eôv ^ violeta^ cMa flero»^ a 
0urâ e a6i^, para oílevticejr i Ia^)era^^^^^ .t 

■ * • . ■ j 

Ji^itov aos mreapa 

' . ■ ■ :•■ ■ 

- ^Taflabem osmfortuoio ea oairidade.tarSQ logai^oesta 
baia i8erib>.â8 alegrias e bcwaanagensi o primmiQ $a)r 
lavdòfnm lampejo jde esperança, sau u3Íco 6 perpeMp 
anpapo^ a Mira eompondQ o hymoQi sublime d9fi ^ 
fi;itt9 d'«iui9l}efi a qu^san ootasola aliegra. ,; 

; 1 Em/um dos dia3;em que Sm^ lM^*Q^ta(i(^ e^tiyei^ai» 
«k Storto-foi servido um ja&tar e di$tf ibvidas dlglma^ 
«afuola^ aosi presos da cadeia da Relat^.poriaieiatíi^ 
de alguns individuos, que promoveram uma suh3arf^|^ 

^NÉUtO ^nobilíssimo intuito de festejaretbt.ponr .tal iV(>do 

a visita ;(tDs imontfchas beasífoiros;. :> 

íiSbrídm;dua&:boras <da tarde^ 3 eâbair^.prasBQtei 9 

w. piioGunador ff€#(^ e variai pea^as^ (oi çervido-^iM^ 

r abiindapte ^jantar;- /Oe^oiâ aaiâa (pnosio recebeu uqia; loa- 

\ môkiiett d^beiíTQj. •'. ..- * ■•• ••:;;:.»;. 1 

L <' iâs.|»asQs^^<]âo (deeAtaa >en»p IMO e QS'(}jiwni6&4i^. 

:; 'ilIi^mbffarafBriaqte^teiíifelfzea;!^^^^ 

j ao soberano brasileiro, pedindo a sua4QtiaQMaslol4iii^ 



I3t 



d*el-ra o sr. D. Luiz, para ifaeè serem commQtadas as 
penas. - 

3.« Dia 

Era domingo. Pouco depois das 6 horas da maohS, 
Snal^ Majestades com a sua comitiva parUraim para 
Braga, tendo primeiro ouvido missa na real capetia da 
Lapa, celebrada pelo sr. cónego Alves Mendes, para isso 
rogado pelo Imperador. Suas Majestades conservaram-se 
sempre ajoelhados no fundo das es(^das do altar mór, 
recusando as almofadas que lhes foram òíferecidas. 

Findo o sancto sacrifício, seguiram a sua jornada, 
parando nas estações somente o tempo necessário para 
se fazerem as mudas das carruagens. Ás 9 horas en- 
traram em Villa Nova de Famalicão. 

A extensa roa, de que quasi exclusivamente se com- 
põe esta nascente povoação, estava enfeitada de ban- 
deiras e festões, e as janellas de damascos e bandeiras 
também. Três i:mndas de musica tocavam em differentes 
pontos, sendo immenso o povo aggiomerado na roa, e 
muitas as damas nas janellas. A inoperial comitiva foi 
recebida ao estridor das musicas, de milhares de fo- 
guetes, de repiques de sinos, e das acclamações po> 
pulares. 

Na ponte da Trofa esperavam-no já os srs. governador 
civil de Braga, secretario geral, director das obras 
publicas e delegado do thesouro, e outras auctoridades 
do districto, bem como a camará e admmistrador do.c(m- 
celho da villa, o sr. barão da Trovisqueira,. qde é o 
presidente da camará, barão de Joanne, que è o vice- 
presidente, magistrados judiciaes, e muitas mais petooas 
da locaUdade. Com todas que se lhe aproximaram o Im- 
perador conversou. 



m 

Smoáo (Fdlli ehegmraia sem incidente á capital da 
Minho por volta das iO horas da manhi. 



Bra^a 



NSo foi menos apparatosa, menos esplendida e menos 
smcera e enthasiastica a recepção feita pela importante 
cidade primacial aos nobres viajantes. É o povo portu«» 
gaez naturalmente hospitaleiro, e muito particularmente 
a bondosa população do Minho. ^ 

Á entrada da cidade havia um grande arco, e aos 
lados d'este quatro pedestaes, d'onde outras tantas crian- 
ças vestidas de anjo esparziram flores sobre os soberanos 
na soa passagem. Três bandas de musica tocavam, uma 
no Arnoso, muito distante da cidade, outra na Praça da 
Alegria, e a terceira no largo do barão de S. Martinho; 

Um esquadrão de cavallaria tinha ido ao encontro 
da comitiva, mas foi dispensado pelo Imperador de o 
seguir; e o regimento 8 de infanteria, cuja praça é na- 
quella cidade formava á porta do hotel real, onde Suas 
Majestades deviam hospedar-se, na rua de S. João. 

As ruas, por onde se suppunha que seria o transito^ 
estavam embandeiradas e as jánellas das casas adornadas 
de damascos. O jardim, alameda e arcada da Lapa, fo- 
ram primorosamente decorados com bandeiras, festões 
de murta, brazoes d'armas brasileiras, etc. 

No centro do jardim crguia-se um elegantíssimo pa^- 
vílhSo, de gosto gothico, debaixo do qual estava suspenso 
um rotulo, que áizhz-^À Pedrou Imperador do Br osiL 

No principio da alameda achava-se um arco com .três 
entradas, o qual estava decorado com simplicidade mas 
de bonito gosto. 



't 



m 



'! A^lráttte da ÍJ9()tC(ftiaf««daiitaiibêfll âít^^hitMi^in- 
piamente adoriaWhki: '•t- -••^••'' ♦'! -■■.i^ «■»;■'•' '•/..; ■■ ;•' :í- 

Entrando na cidade em carruagem coberta e acom- 
panhados por um extenso séquito de imais de vinte 
trens, conduzindo as au^tori^ides referidas, e outras, 
commissSo dos festejos, ò sr. conde de Bertiandos e 
outras pessoas de distincçSo, ^irigiram-se, pêlo largo 
da P0|o> ^h ^ ^«to, praçado^b^riade Si ftferUHho, 
rda Úè éi Marcos, e peia travessa éè Nessa Senhort 4& 
Leite para ç hótel^ onde ekno(^ram^ é se vtèmorkriÉi 
o carto espaço de uma hot^sr^ depois defrecosaran 
manifestações officiaes, e dis^ensaréln o iuoomaiòdo dat 
pessoas que oi acompanhavam, qtiè poi^ isâo » ieAn- 
ram^ fasendo o mesmo ó r^itivelnto 8. ' > ' 

Somente ficon o sr^ administrador do otocélbe^ Jesé 
Garlos de Araújo Motta, qiie acompanhou os augustas 
DÉonarcbas jonctamet)té cooi os sr&. dr. Pereira GaMa8> 
visconde de S. Lazaro, e JoSo Gonçalves Pereira Bastito, 
Mcretarío da commissSo dds festejos, 6a sua digréiísãa 
pela cidade. Também ficaram alguAs soldadois á porta 
do hotel por cansa da grande ii^om«raçSo de povot 

Antes da sairem do hotel receberaioi a visita do 
sr. Arcebispo primaz, e to^o se dirigiram, em eárl6 
descobeHo, na companhia do v^erando prelado, para 
« batbedral. 



Do sr. Júiè Joaiqolm Pereira Caldas, pl*ofessor dO 
lyceu de Bk*aga, recebemos^ em virtkidé dè pedido míso, 
lis mteressantes notícias que se segdem, relativas á 1â* 
^ta do Iftiperador a Bragii, ttolicias vaifosastaMo^elos 
isonhfecimentose erudição de s; eK/ tdbmò !por'4ier^ido 
{9 seudèsvclliidk^ dv^dik^ feaehâi> a6 hbníps* da? bididi 
ao illustre viajante. .oi>i»i: oXhw4 t;i 



\ ■ 



toa 



Sm Majest»k q Impnaâor M Bragit ii»«iit«i a % 

Sento 4;)vidÂ^i de<quwi.na Q9<)beãr^l :^ çoawrva w^ 
osaadA. ()im:o «ídii^e (}'e^.SBQU)> 1^^ P)fl(»l 

danraâo^ d dQdsbri^ma siv^lmidadiB^ 3ymbQliai^, um;^ 
aei^enle^ emblema d« ^tentacãov. aitraví9JSMcla. pQr ^«M 
wMi emUeino da red^c^. Coata a içaâivaoi a S^^miff^ 
OvidíQi por torceiro pretadio de Braga« Sí^dq &. Pedir^ 
ée Rates q primc^rei e S. Basãi« Q seguodPNfi^a» i;o^ 
Biwo de naeio, e< da primeira oobre^a de BojQoa^ e 
d'filte faUa o poeta Mamai em ymo^ epigrampiia^. r ^oi 
eleito prelado de Bimga (bi^pq)^ pq mm 9^ ^ ix"^ 
seco)(o da: era ohriâta; e falleceu »p» aneos de i|3Ò 
da nosea redempçSo» com 35 annos de prela;i(ia^ 

3.^ Cálix de S. Geraldo, priímeireiai^bispppHma;^ 
É eaUx pequeno de prata» om lavoím $jinplic^írf o^i 
Tem de altura O^^.KX e de diameAi\e> m pé e na boçça 
0",07. Era S. Geraldo fraftcea ide naçfio, e fienge IwAfr 
ãictiDO de Tibães, a 6 kilometros de ^r9ga« cqnforme 
reza a tradiçSo. Florecea oor^oado de D^ Alboao vi 
de €astella e do conde Dt {fenrique da Portugal fm 
pontificados de Urbano u ^ Rasoboal ai, nos íina dP ^ 
oulo %h . : 

d,"" Dua$ cruzes prelaiioias, zmJm^ de prat» e ida 
maior simplicidade ; unia batida e QuU^a cyHodriíca j m 
tando coQJuucto com ambas um £ragmeu(o 49 c^wíoi 
CQiD que o santo se disciplinava^ . ; 

i.'' Umas gftlbetas de prata mtuito aotí^, oth(^a$ 
na tnadicâo wmo 4o8 primeira itexepoe dia moearQbM» 



136 



entre os annos de iiiO a i 137, na época dos prelados 
D. Maurício Bordino on D. Payo Mendes. 

5.* A Virgem de prata, chamada do Beato Lourenço, 
qtre a tradição dá como trazida engastada tio morríSo 
de Lourenço Vicente, na batalha de Aljubarrota contra 
D. Jo3o de Castella. Era este prelado natural da Lou- 
rinhã, e floresceu nos reinados de D. Fernando e D. 
Jo9o I, nos pontificados de Gregório xi até Bonifácio ix, 
nos annos de 1371. Conserva-se na Sé a roumía ve- 
neranda do Beato Lourenço, que na alludida batalha 
obrara prodígios de valor no meio da cavallaría, rece- 
bendo então na cara um grande gilvaz na face direita. 
Na Chronica de D. João i dá Fernão Lopes a carta 
curiosa d'este prelado, em que narra que o que lhe 
dera o gilvaz «não fora contar o ruxóxó ao soalheiro.» 
Deteve-se o senhor D. Pedro ii bastante tempo a con- 
templar esta múmia veneranda, coliocada na capella 
dos reis no claustro da sé, assim chamada por alli terem 
estado as ossadas do conde D. Henrique e de sua mulher 
D. Thereza, mudadas depois para os lados da capella- 
mór, onde ao presente estão ainda. Está D. Lourenço 
do lado da Epistola, juncto ao altar da capella. 

6.^ Um cálix de campainhas, cheio de lavores em 
astylo ogival, symbolisando os passos da Paixão em ca- 
pellinhas de coruchéos. Tem na base esmaltes folheados, 
e num d'elles a data de 1509, com as armas do dador 
D. Diogo de Sousa. Floresceu este prelado, que obteve 
a mitra em renuncia do cardeal de Alpedrinha, desde 
1505 a 1532, nos reinados de D. Manuel o D. João m, 
e nos pontificados de Júlio ii até Clemente vii. 

7.* Paramentos antigos e modernos de muito valor, 
e mimosamente bordados, sendo admirável entre elles 
uma alva de linho, pespontada e bordada a retroz branco 



fSÍ 



nesta cidade de Braga, com gosto e paciência, no ultimo 
quartel do século xviii. 

S.** A capella de S. Geraldo, onde é constante estar 
occolta com azulejos, juncto do lageado, a ossada me- 
moranda do alcaide de Coimbra, Martim de Freitas, que 
prezara a honra e a lealdade, como varão d'antes que- 
brar que torcer. 

9/ A capella de D. Gonçalo Pereira, de geração no- 
bilíssima, e um dos progenitores da casa de Bragança, 
como avô do condestavel D. Nuno Alvares Pereira, 
conde de Barcellos. Foi D. Gonçalo arcebispo de Braga 
no reinado de D. Affonso rv, nos pontificados de Jo3o xxn 
até Clemente vi; e teve o pae do condestavel em Sa- 
lamanca d'umadama illnstre» cursando a universidade 
como estudante. O arcebispo D. Gonçalo Pereira (assim 
como o arcebispo D. Lourenço em Aljubarrota) obrou 
prodígios de valor na batalha do Salado. É chamada a 
capella da Gloria, e fica ao lado da capella de S. Ge- 
raldo, mas no exterior da cathedral. Deixou a admi- 
nistração d'esta capella ao deão da sé, ^ comtanto que 
fosse portuguez e filho de portuguezes; não queria 
nada com castelhanos. Achando-se em Canavezes, con- 
correu para a paz e concórdia entre D. Pedro e D. Af- 
fonso, na presença da rainha, desavindos acirradamente 
em virtude do assassinato de D. Ignez de Castro. 

Foi acompanhado o Imperador no interior da sé, no 
exame dos objectos indicados, pelo sr. commendador An- 
tónio Lopes de Figueiredo, cónego da cathedral e lente 
de theologia dogmática no seminário diocesano de S. Pe- 
dro, e um dos ornamentos do cabido. Acompanhou com 
este cónego o senhor D. Pedro ii também o sr. cónego 
Joaquim Alves Mattheus, ornamento do púlpito em nossos 
dias» e varão respeitabilissimo por sua vasta erudição. 



Eativeraa tamlMai. pveseAte^i deiO' « oa\rmiúm9fp&n 
O Imperador ouviu com muítai í{vttett(So-.a ^posi^o 
oiix^umatanciada que doa 4d)j«ctod: ék sacbnistia e Àe- 
souro da ró IbafiiKÍa â âit ocsmnendddoif AntwíorLcipoft 
de Figueiredos 

Na eerienior da sé« aoompméíAQi peto aiictOR d'e6ta 
notícia, examinou o Imperador com mittádM, (^iicomct 
objectos em que se aprazia « suar inMdiiiiçSQ : ' 

1.^ Uma. inficnpfgãa rcmana^ oolloeactenaipaiMkait** 
teralda sé« f»*0í9in)a' d» porta itraveaia contígua 4 egraja 
da Misericórdia, e de ouja autbefitieidada ae tem: do-t 
vidada, lendo*$e traasoripU em Ambrósio e Mwatori» 
atom do no930 'Argole, Data do reiqado d/Aiiguato* ^m^* 
eesâor de iutio Casar, em viata da greudaiia e baltoaa' 
do» earaeieres. Começa pela palavpa COMDJTVM, ífíê 
por aí só apenas pôde referir^se a um fulgm* eioi 
poata primitivamente em logar aberto, oooao eram ^ 
lagares sagrados dos raios. 

3.'' Uma inscripção romana, ooUooada na parede pos- 
terior da capella de S. Geraldo, na rua das Ussias, atrás 
da sé* iPoí consagrada a Isis Augusta, divindade egypcia, 
e dedicada pela sacerdotíza Lucrécia Fida. Transcreve-a 
o padre Florez inexactamente na EspaM Sagrada, 
no tom. XV, como egualmenie Argote ms Antiguidadi^ 
da Chancdlaria Bracarense. Era a deosa protectora das 
mercancias e<]os negociantes, e tinha templos em regra, 
conforme Vitruvio, nas praças das povaaçô^. Foi achada 
perto do local conde está, e gravada depois da erecção 
de Braga em convento Jurídico, visto mencional-^o esta 
inscripção. Do& muitos negociantes romanos de Bi;aga 
faz jnenção ainda uma la(^da quadrílonga, <}uasi ga^ 
de todo, que se acha colloeada sobre um cippo milliario 
á ãiraita da eapella de S. Sebastião ;das Canvalbejri04 



No9 priricí|^{«6f do ãeeulo x?i via^ aqui. cm BrMga, i 
Tltfl <}dam^ 01^ %uátía cidade, no sitio (te S^ FVnelilos^ 
ú AfílkiuâlídEltasíViOdl, lOfí podendo leHhe senSo as 
ib»á tilliQitt8 tmti^. Hoje poma olaÍB! se Nia tem pitv 
didolôh 

-9;^ Á']»ôr«i tfdi^essa da sé, qrdasi età freme da rua 
de SatíM^ Ktâfiaj thaoiada valgarmente roa do Poço. & 
dò ^oto oMí fofma transitiva; ^smda na parede c6ú^ 
ll^an Ii2í^ míMiibeê Áii mesma épooa, àlH coltocadc^ 
enlfe otltftís moderno^/ em época de refazimento da 
iWÊ^ftá páfede. ' 

t.^ A ft^dntaHA d» sé, oom formas arehitectonicas do 
iMâniO áe(^uío, iiò terço saliente e abataustrado. 

9.° Fá^í^e posterior da eé, formas ogivaes do século xrf\ 
MMetídádas e ataviadas em partes com reparos poste*- 
rtol^s.-^ Neste sé, anteriores á época da ogiva, sio 
potilqdissimoB os vestígios, e esses por mais d'uma vet 
réiiiendadõs e alaviados em díffer^tes séculos. Dentro 
da galilé ha na porta principal dois arcos de volta re^- 
donda^ coneentricos, e cheios de figuras, umas pbao»- 
ttí^ticas e outras reaes. Os capiteis estão revestidos dè 
iblba^etis, e guarnecidos em cima com impostas eie»- 
pitílei. A pedra d'estdfs construcçOes é a arcesa (grat- 
uito reèotm^Sto), mais fácil de trabalhar ^e o franito 
^orphyroidé, e só comparável ett parte ao gmnito am^* 
phibolfto, ambos abundantes no concelho d'esta cidade^ 
e no geral dós cònèeltyes db distticto. Nas addiçde» è 
i^láciítteritós Aioderndte ék sé fH'edomin)si o granito por- 
lihyrbide. 

Os ebjéctoè ^Mrgòs, que Suâ Majestade tio no iute*- 
riòr 'dà sê, e iidám individuados, foram-lhè dados a ver na 
^òbrfstiá, onde éostumam ^tar castoAiados. No corpo 
do t^t^o <^io «Oto <iin«Mléda : na ceptttahmòr, soa Mofe 



i40 

do altar-mór, os monumeDtos sepulchraes do conde 
D. Henrique e de soa mulher D. Thereza; eiami- 
noa-os e reexaminou-os com summa attençSo. Trasla- 
dou -os da capella dos reis, no claustro da sé^ chamada 
hoje capella do Beato Lourenço, como fica mencionado, 
o arcebispo D. Diogo de Sousa, mencionado egualmente, 
6 a quem a cidade deve melhoramentos valiosos, além 
de n3o poucas aberturas de praças e ruas ; sendo as 
principaes entre ellas a rua nova do Sousa, e a praça 
amplíssima do campo de SancfÂnna, onde hoje se acha 
um bellissimo jardim, com musica do corpo da guar- 
nição em todos os domingos e dias sanctificados. S3o 
de areosa estes monumentos sepulchraes, e tem cada 
um d'elles na tampa tumular o vulto do defunto, reto- 
cados ao de leve nalgumas partes por mão mais mo- 
derna ; havendo na face anterior do sepulchro do conde 
D. Henrique uma inscripção latina, que o faz oriundo 
da Hungria, conforme a confusão geral da maior parte 
dos eruditos no século xvi em Portugal, em que era 
mui commum a confusão da Hungria com Borgonha. 
D'esta confusão participa ainda Camões (Lus., cant. lu, 
oit. 25, e cant. vni, oit. 9), e participam em geral os 
eruditos da Europa antes de 1596, em que appare- 
cera impresso o famoso manuscripto de Cluni na Bor- 
gonha, vulgarisado em Francfort, apparecendo também 
então á luz as historias de Cylabro e Sugar. No anno de 
4598, no arcebispado de D. Agostinho de Castro, co- 
gnominado ainda D. Agostinho de Jesus, foram sepa- 
rados convenientemente os ossos de D. Theresa, e col- 
locados então no tumulo do lado da epistola, mandado 
construir por D. Diogo de Sousa para si, e de que de- 
pois não quiz utilisar-se. O anno Í5i3 do letreiro re- 
fere-se á trasladação conjuncta das ossadas. De D. Diogo 



141 

de Sonsa é ^aalmente esta capella-mór da sé, com sea 
retabido de pedra, com boa e elegante architectura. — 
São também obras do mesmo prelado a sachristia, the- 
soaro e orgSos grandes, em que mandou collocar as 
suas armas. À capella-mór, que é pequena, era-o antes 
muito mais. Os orgSos foram reformados no tempo de 
D. Rodrigo de Moura Telles. Na frente do altar-mór 
examinou e reexaminou o Imperador o valioso frontal 
de calcareo, com onze capeilinhas ogivadas de lavores 
mimosos» apenas mutiladas levemente nalguns ornatos, 
representando passos do apostolado, com estatuetas bem 
esculpturadas. Infelizmente, a fim de casarem outr'ora 
este frontal com as dimensões do altar-mór, cortaram 
num dos lados uma capellinha, ficando assim com des- 
eguaes capeilinhas lateraes a capellinha do centro; nem 
tem sido possível achar-se a capellinha cortada, apezar 
das diligencias empregadas nesse intuito. Este frontal pri- 
moroso' costuma andar sempfe coberto com os frontaes 
de tela, apropriados ás festividades diárias do culto. — 
Numd eapella lateral á direita, quasi em frente da porta 
da sachristia, demorou-se Sua Majestade no exame atten*? 
cioso do frontal do altar, em que está patenteado em re- 
levo o iriumpho pleno da religião. É bem escuipturado, e 
similhante no desenho geral aos quadros análogos de fle- 
meling e Cranach. Âs figuras do triumpho s2o de mulhe- 
res, e as dos esmagados pelo carro triumphal são de ho- 
mens. Toda a talha 6 inteiriça, e n3o ha uma só fenda, 
ou uma só mancha, na madeira d'este quadro grandioso. 
— Á direita, á entrada da porta principal da sé» exami- 
nou por miúdo o tumulo de bronze, coberto d'um bal- 
daquino do mesmo metal, em que fora sepultado o in- 
fante D. Affonso, filho segundo do rei D. João i. Foi 
este infante jurado successor do reino, e íálleceu nesta 



I4t 

cidade de Braga 601 4440, aos 10 «mmh df m jAide^ 
MandoQ este iumato para jal^igD da irmlía; detBolih 
nha ooáe existia easada, a infinita D. Jcaftelifiodimã. É 
ck)i]rada> com sua legenda na orla dto se^lçhro^ e «om 
o tecto sustentado em ffqatro eoUimoas de eafiíteis fio 
UieadM. Embora de exeeuçSo groséeira ma powQ,^:tem 
sen mérito ar Ustioov a(é jeomo. itm des |)oue0& oionut 
mentes de Jbronze que S3 eootam bo paie. No lado dl 
cabeça tem um anjo de joelhos, e ialtatlbe «m )^ no 
vulto do defunto, que está em relevo na tampa tuinu^ 
lar.^-^Á esquerda da entrada da sé» do outro. bdO'fdo 
tomiplo de bronze, e proximamente i porta da eqlnadi 
do templo para o claustro, via e exattiinou a pi» baptist 
mal. É um baptisteria de gram^» coberto e recbborto 
infelizmente com mSos sobre mios de oleadelas aiMure^ 
tendo na base, no pé e na oria ids pia, figurfis b> Jaiío^ 
res dignos de exame. Na base teor qimtpo teâa^d de*' 
víMrar os filhos; no pé algumas, crianças aspiraado a 
subir da terra para o céu; e na erla^laoea jleiaveras 
mimosos. Â symbc^ica d'este figurado nSe ipodOivSOf 
mais clara. 

-^ Como a teíbpo esta'va contado para a demora ido 
Imperador em Braga, e d'um modo inreipedíafeili >sA 
deirela»ce attentou o senhor D. P^roKiMcóflOiiiqui 
é de pau santo, e trabalhado primorosamaoto, fímoí 
cómodos belti^simos orgios l^teitaes do mesiQO •eôro^ 
aos <|uaes só em Tuy ha órgãos similhaates» Ind pniaer 
da «coostrueçao a na riqueza dos registros; liàwDdo 
ainda muitos n9o explorados, odmoiovai wistr^áo 4i 
observado s exame deoada dia^ tForam executaflos a 
todo ocusto* ' i " ' ' •:>..• 

D- esta vrgeneia de apiov^taro têmpo^ dando ialgosi 
a oda um. dos objectos d^sideusiai^e lua^i^adfe 



Ui 



pmmu ^ nMttBiUâé^ide deinr o Impenidor a «afiíe- 
4rt(^'i€iMnttagai 4e 100 poder ivfrieieMud^ oeasa 
va 4ef idfl'<m9dita^o. * 



Catnpp «4las OarTaliíetraft 

r 

iDa sé <áírigi(Vi» «o Imperador ao campo das Carva^ 
Ihoirfts» ODde fie icbam ^uatorze lapidas romaivas aft^ 
dricas, mittmríis, con wias poucas ^^iiadrilonga^ ^ « 
ma neza -dpocFj^pha «feita 6im d^ama lapida romana 
^liBdpHoiiga. » 

®xamÍDoa mmdameirte as lapidas de Gaio Jdlio Vero 
MasiminO (3),» e a tlaptda de Flávio Magnencio. 

Protão «om «esta qoe as flespatibaB segoiraiii ^ 
paMido de jUagoencíD tomo as OaHias, qiiandd este se 
rebelfera etitre os narbotiei^sas contra Constante, filho 
de Constantino Magno, no anno 350 de Gbristo;-*^ 
<Som uma lapida mhada t^ Voka doiCòro <na serra do 
Gerez, na ^estrada da <Geira, oomprova-se como este im- 
perador Magnencio nomeara césar a seu irm3o Decea- 
t3io, o -mfiifs moderno da classe imperial, de qne fazem 
menção os cippos d'esta via romana, construída de certo 
ne flDfyerio de Vespasiano, o mais >antigo dos fanpera- 
tlo^es^ neiles mencionados. 

<FbÍ esta estrada demarcada nos tempos de Daceih 
em,>comoifoi reformada fios teiyiposde Maximino^ a»- 
-siniMsomo outivas vias roRianas 'egualmente «sabidas de 
fir&ga, HintBo Sraoara Angusta. Sem estas lapidas, omis- 
sas andariam nasi historias da'época estas miudezas. Mtf- 
gnoRoio 'matou iGonstaMe em filua. 



144 

Nas três lapidas de Maximino, uma quasi gasta de todo, 
dá-se-lbe o 5.'' poder tribunicio, coatra õs testimQDhos 
coohecidofi dos historiadores d'esta época emartmka- 
da. Nâo lhe dao senão o 4.° poder tribunicio, dizendo-o 
acclamado no anno 235 de Christo, e fallecido no anno 
de 238. O «quinquies» (v) n3o pôde estar mais claro 
do que está. Nem pôde estar mais claro o nome Jfo- 
xumtis do filho de Maximino, a quem dão Gapitolino e 
Aurélio Victor o nome do pae ; nome sem cunho ro- 
mano, porque o não era em verdade Maximino impe- 
rador, que era thracio pelo berço, godo pelo pae, e 
alano pela mãe. É mais uma prova, a que ha nestas 
lapidas» para se acabar d'uma vez com a discussão que 
tem havido se era Máximo ou Maximino : Eckhel dizia 
com razão que «era ignorância o chamar-se-lhé Maxi- 
mino.» Ainda Borghesi (Dissertazioni delle Pontif. Aca- 
dem. Rom. di Archeologia, tom. n) põe em duvida esta 
leitura clarissima, sem provas explicitas da sua parte, 
que, do mesmo modo que Orellí, confundiu o legado 
Quinto Decio, superintendente da reforma das estradas 
na época maximiana, com Quinto Decio, que depois 
vestira a purpura, com o nome de Quinto Decio Tra- 
jano Messioii Uma lapida romana da Geira, em que se 
adduz ao legado o nome de Vaierino, deita por terra si- 
miihantes casteilos no ar. 

O Imperador, ouvindo-me com summa attenção, 
mostrou comprazer- se no exame doestes documentos 
de granito, salvados incólumes da acção do tempo, e 
da mão da destruição, para rectificação e esclarecimento 
da verdade histórica. Deu provas de muitos conheci- 
mentos archeologicos, assim como o barão do Bom-Re- 
tiro, cavalheiro muito lido em verdade. 

Nunca estiveram estas lapidas romanas no campo 



445 



da VÍDtaa, onde e8tãó' edificados os dois seminários, o 
de S. Pedro a leste e o de S. Caetano a oestes como 
tem jpara si o profundo archeologo Emílio Hiifoner. Af* 
flrma-o assim este sábio no seo opúsculo Auszug aus 
dem. Monatsber der KônigL Akadem, der Wmemchaft. 
zu Berlm, illudindo-se com o texto d'uma lapida qua* 
drilonga, que existe coUocada em frente da capella de 
S. Sebastião nas Carvalheiras. E^ lapida ajlude á ca- 
pella de Sancta Anna, edificada em 4506, d então cir* 
colada dos cippos romanos. É considerada como «ille* 
giveU dos que nSo s3o dados a leituras lapidares^ mas 
pôde ser lida integralmente dos que tém uso das mes- 
mas leituras. O Dr. Hobner iiludíu-se de certo com as 
palavras Vetres q. vineae, e com o nome Campo da 
Vinha. Vi-o copiar a lapida alludida, acompanhando-o 
como conhecedor das espécies em 1861, com recom- 
mendação do meu consócio académico Augusto Soro- 
menho; è o Dr. Hobner é um epigraphista consummado. 
Attentou também o Imperador na meza apocrypha, 
testemunhadora d'uma antigualha bracarense agora em 
desuso^ {Mosaico de Camillo Castello Branco, A meza 
mysíeriosaj. — Com a narração da antigualha sorriu-se 
o Imperador, como era natural^ e de cerjb hão de sor- 
rir-se, quantos a lerem ou escutarem. 



Visita ao quintal do ídolo 

Das Carvalheiras dirigiu*se o Imperador ao quintal 
do (dolo, na rua dos Granginhos. 

É esta antigualha um monolilho granítico, no meio 
d'uma horta, meio descoberto ou pouco mais, e com a 
base sobterrada ainda. É baixo-relevo em forma de sa- 

10 



146 

ceUwm. Sobfêsahe no ceotro o Tulto d'iHii togahiã^ qne 
é o qut dea o Dome ao (|QÍiitai.; e (em à esquerda, na 
parte superior, uma iDSCrípçiú: memoratiíva d'um Fron- 
tés fumiiz com outra ioscrtpçSo ite CSampo das Gàrr^^ 
Itieiras, sobre um eippo mil^rkv e em fórma quadril 
longa. Á direita, e na parte inferior^ está outrt inacrip^ 
çfio aiflMla indecifrável «com eerteza»^ ao pé d'tti]) Yiito 
de mancdx) numa pequena ara^menos mal coaaenradft 
em geral. Ei*a de certo o nome da divindade,, o que 
alli. se quiz memorar. Menciooam-ee talvez na iascrip* 
çio das Carvalheiras o neto e os dois faisnetos áo: Frtmio, 
que fez por ventura o sacellun^ e riles restauraram de 
fiOYO, visto findar essa inscripçSo com a palavra Renih 
fsarunf. Memora esta ínscripfãf» Titvs CaeUcvs Tripn 
Froma^itomo avô e bisavô. O Tripé» nSo è difiScil da 
lér^ como geralmente se tem acreditado. 

Oqttintal do ídolo %a detrás do bospital daS. Mar* 
cos» mandado edificar em Í50& por D. Diogo de Sousa, 
reduzindo assim a um só os que havia ,enfâo na ddade, 
em proveito dos enfermos necessitados. Tem este ti* 
tttlo por nelle se venerar o corpo de S. JoSo Marcos, 
discípulo do Salvador. 

D. Diogo dé Sousa foi o primeiro que em Braga abriu 
estudos públicos. Trouxe depois mestres para elles: o 
cardeal, infante e rei D. Henrique. Assignou-lhes pro- 
ventos estáveis D. Fr. Balthazar Limpo, «que levara em 
Roma o papa Paulo ui a conceder a inquisição a Por- 
tugal sem clausulas favoráveis aos judeos, como queria 
tí desejava o nosso rei D. Joio m»^— Deu-os aos padres 
da companhia D. Fr. Bartholomeu dos Martyres» .. 



*« 



Tiiitir ao Vafó árchiej^htoopal 

Do quintal do ídolo, seguindo peb Gasnpo dos Re^ 
médios, rua de S. Marcos, e rua do Souto, dirigiu-se 
o Imperador ao paço archiepíscopal. 

Examinou com miudeza, na sala dos retratos dos 
prelados, o painel de D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, 
que floresceu no episcopado, nos annos de 1559, nos 
Reinados de D. Sebastião, D. Henrique e l>. Fílippe ( 
nos pontificados de Paulo iv atè Gregório xiu «^ D.. ¥r. 
Caetano Brandão, que floresceu' na cadein braoareose 
entre 1789 a 1805, ^vernando o reiSo a rainha D. 
Maria i e o prineipe r^nte D. João, ao depoia vi do 
nofiie, noa pontifícãidos de Pio ti e Pio vn^-^D. Hcfn*- 
riqoe, ao depois elevado a rei, que flof8sceqpeioS'aiirKÍs 
de 1539, no reinado da D. Jo3o m, e nbs pontíficadas 
de Clemente vn e Paolo m — D. José e D. Gaspar, 
filhos naloraeà, o primeiro do rei D. Pedro «, e o sé^ 
gondo do rei D. JoSo v: o primeiro floresceu entre 
1739 e 1756, nos reinados de D. JoSo v e D. José i» 
DO pontificado de Benedictoxiv; o segundo floresceu 
entre 1756 e 1789, nos reinados de D. José r e I>. 
Mdfla I, nos pontificados de Clemente xiii alé l^io vr. 
Examinou de relance os demais painéis, com a série 
dos prelados bracarenses, desde S. Pedro de* Rãtei^ 
quasi todos do mesmO' pincel nos mais aôtigoe, e deí- 
senbados plausivelmente a esmo, como é natural de erâf. 

A parte do paço arcbiepibcc^ah edificada* fifonte^ndo 
com o Campo dos Touros, começou-a D. José de Bra^ 
gança, nomeado arcebispo em 1739, e nltímou^a ék 
todo D. Gaspar de Br^aúça, nomeado arcebiqíK) em 
i7{^«^F4â incendiada desastrosamente pstaftde; aíti 



•'• 



as repartições publicas de administração e fazenda, na 
noite de 15 de abril de 1866/ começando o incêndio 
na volta da uma hora nos aposentos da estação telegra- 
phkca, DO angulo do norte. 



Visita ao Seminário 

Do paço dirigíu-se o Impc^or a pé, seguindo o 
largo dsí Galeria, rua de Gatos, Campo do& Touros, e 
C»npo da Vinha (conforme as designações antigas, e 
íóra de Brap mais conhecidas), em direcção ao semi- 
nário diocesano de S. Pedro, fundação do venerando 
arcebispo D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, logo que 
Fecòlhera a Braga do Concilio de Trento, em sahbado 
da paixão, em 1564. D. Fr. Bartholomeu dos Marty- 
res e D. Fr. Caetano Brandão eram dois varões me- 
moráveis, de que fallava com admiração e respeito, e 
de que ambicionava vér em Braga quanto restasse das 
suas épocas, assim no paço, como no seminário dos 
orphãos, contiguo ao seminário diocesano. 

Viu com attenção a fachada do seminário dos orphãos, 
que frontéa com o Campo dos Touros, onde é a praça 
munidpal, e o mercado diário da cidade. Foi condqído 
este seminário em 1 796, e tem o nome de seminário de 
S. Caetano, do nome do fundador, que lhe deu excel- 
leutes regulamentos, vulgarisados ulteriormente por 
meio do prelo. 

No seminário de S. Pedro, onde o arcebispo estava 
esperando o Imperador, com o deão da sé, embebeu-se 
D. Pedro n em contemplar a entrada do edifício, e uma 
columnata do claustro, sobre que assenta uma varanda 
de pedi:a, que é o que resta ainda d'aquelles tempos, 



ua 



além das aulas theologicas do mesmo seminário. A co- 
lumnata está bastante desalinhada do prumo» e em 
risco de não durar em pé por muito tempo, se lhe 
Ti3o acudirem de prompto com remédio. 

Do mesmo seminário esteve o Imperador contem- 
plando o que resta ainda da torre denominada de S. Ge* 
raldo, prelado, que floresceu pelos annos de 1096, no 
reinado de D. Affonso vi de Castella, e no gòvémo por- 
tuguez do conde D. Henrique, nos pontificados de Ur- 
bano n e Paschoal ii. N3o deve deprehender-sé da de- 
nominação da torre, que ella fosse edificaç3o de S. Ge^- 
raldo. Edificou-a D. Fernando da Guerra, que florescera 
na cadeira bracarense nos annos de 1418, nos reinados 
'de D. Jo3o I, D. Duarte, e D. Affonso v, e nos ponti- 
ficados de Martinho v até Paulo n. No forro e nas pa- 
tedes mandou este prelado pintar em quadros expres- 
sivos a vida do sancto, de que fora sempre devotissimo. 
Era D. Fernando bisneto do rei D. Pedro i, como filho 
cie D. Pedro da Guerra, que fora bastardo do infante 
D. Jo3o, filho do mesmo rei D. Pedro e de sua molber 
D. Ignez de Castro ; e foi o primeiro que na sé primaz 
mandara fazef uma casa para livraria, enriquecendo-a 
com. livros cque nenhuma pessoa podesse d'aHi levar 
para fora, sob pena de excommunhão resenhada a Ro- 
•ma, em virtude de Breve do papa Nicolau v.» E viu 
igualmente as ruinas do incêndio desastroso, qi$e de- 
vorara ulteriorniente a porç3o do paço fronteante com 
o Campo dos Touros. — Soube que a parte occupada 
agora pelo prelado, fora a que D. Fn Caetano BrandSo 
occtljpara. 



i. 



'•:•/; 



' . ' » v- 




Visita a yariH pontoi 

Do seminário foi o Imperador ao jardim ido Campa 
de Saoia Anna, planície de grande eitmslo, e ««mo 
ha pouciifi fio ioierior de povoações* Tanto o jardim^ 
como a eonijgua alameda, estavafo brilbantemeote ador<- 
aados e iUiiminados para a noite; ccw iam\o gosta, asr 
aiUi como a arcada fronteira da Senhora da Xipa, onde 
i D ponto de reuniSo quotidiana da cidade» a onde fistão 
08 cales prÍDicipaes à'esU capital do Minho» Gstava aiU 
ínimenso povo á espera de ^ua Majestade. 
. Do jardim dirigiu-se o imperador ao local da Gua- 
4alupe, seguindo a roa dos Chios-de-t^ai^o» a nia de 
Santo Ándró» e o Gampo-novo. Nesse local, onde ba 
uma «apella ila Senhora de GuadaJv^, ^teve por uib 
poaco a gozar o Imperador oa helío» panoramas qqe 
d'alli ae avistam, até o monte de Santci Martba, monjle 
4a Falperra.monte do Sameiro, e monte do 3om Jesus, 
fioíndo mais ao largo o monte do Carvalho d'Este, me- 
morável pela carnificina que nelle houve na iavpsfo 
idod fraacezas em aosso pai^, em direcção a esta cidade 
de Braga, . ^ 

. Deixando aqui, sSo só a Imperatriz, como a comitiva 
que sempre o acompanhara, foi o Imperador cíMOiigo, 
aegoído somente/ do barão de Bom B^tiro, ao alto pro- 
símo da Buraquinbe, beliai&ente aobran^iro â cidado 
6 a cavalleiro de Guadalupe, e ondo, ^bre uma fraga 
4fi granito, eampéa uma cruz, com resguardos de ferro 
em volta, deixando apenas espaço para ser circulada 
por uma pessoa de cada vez. Gozam-se d'alli panora- 
mas amplissimos, não só para os lados do interior, como 
ainda para os lados do mar ao occidente. AUi esteve o 



151 



Imperador por naii^ de Ires quartos dlidra, com um 
escelteote binóculo de iheatro, cafospo e mar, fxami* 
nando os diiatadissimos e varíadissnios panoramaSi of** 
fm^cidos ao coDítempbdor em todos os rumos do ho» 
nfionta. 

Conversou eomigo sobre quanto podiam estes pa«- 
Doramas ofiforecer digno de exame. Failou-se na' ser* 
rania memorável do Ger^, cheia de riqoezas naturaes 
em todos os três reiáos, e atravessada pela via romana 
da Geira» de cuja construcçSo, reforma, e demarcaçio 
dei iudicações^ ao fallar das lapidas romanas das C»r* 
valheiras. 

Toedu-se na visita djue alli fizera Alexandre Hercu* 
lano, qde eu^tive a bomra de acompanhar, com o àb^ 
bade de S. Lazaro hoje nesta cidade, e entSo abbade 
de Crespos na aldeã, e com o abbade de Mafamude além 
do Porto, e então abbade de Selva Escura áquem da 
mesma cidade ; e follou*se por essa occasiSo do con- 
SQOimado historiador português, mostrando-se o Impe- 
rador muito dedicado a elle, e muito prosador. dos seus 
vastissnnos conhecimentos. 

Failou-^ dos extinctos conventos de TibUes e' Yillar- 
de-Frades, de que d*alli se viam á larga 6s locaes, signi- 
ficando D. Pedro ii as saudades com que ia de &*aga, por 
Tão poder ir examinar estas casas, de que estávamos 
faliando com miudeza. V^ i discussão o glorioso nome 
de Titâes, com as recordações históricas que lho andam 
associadas. O convento deTifoSes foi reedificado por Paio 
Gotterres da Silva, que governava as terras da comarca 
de8raga, no reinado de D. Affonaò vi de Castella, com 
o titulo de Vigário d' el^éi: e correspondia esta aucto*- 
ridade i que tiveram depois em Portugal os adiamiadoik 
Fallou^se dos restos arcfátectomeos existentes ainda 



16t 



na frontark da igreja de Villar-de-Frades, e prestes a 
desapparecerem talvez em breve, deixando lògar aos 
alinhamento» e aformoseamentos dos camarteliadores. 
FalloQ-se nas janellas de volta redonda e de estylo rd- 
mano-bysantino; fallou-se também de dois bellos areos, 
romano-bysantinos egualmente, e talvez pertenceirtas 
ao antigo frontespicio da igreja» por isso que estio 
aproveitados em construcçSo que^íiló prosegoira. Troo* 
xe-se á conversação» que era animada e substanciosa 
(mostrando por vezes o barão de Bom Retiro muitos 
conhecimentos), tudo quanto- era digno de ser «objecto 
de discussão. Tudo inquiria o Imperador, e em todos 
os pontos . de vista : veio até á tela o espirito reaccio- 
nário de Braga, por isso que em Guad^upe tinha es- 
tado um telegrapho nos tempos de D. Miguel, durante 
a lucta civil do cerco do Porto; e esse telegrapho of* 
ferecera logar a essa conversação. 

Alli me perguntou o Imperador, se o Sanctuario af- 
famado do Bom Jesus tinha em si obras d'arte dignas 
de attenção. Disse ao Imperador, que não, nem plano 
havia fixo e meditado para obras algumas ; notando*lhe 
que alli se consumia não pouco, dinheiro em fazer e 
desfazer construcções, sem gosto, nem discernimento, 
como convinha. 

Ninguém, no meu logar de indicador de notabílidades, 
deixaria de usar d'esta linguagem franca e conscien- 
ciosa. Disse ao Imperador que o local era bellissimo e 
saluberrimo, apto para ser dm paraiso, mas que en 
infelizmente um local de mau gosto, de muito péssimo 
aproveitamento, e desaptado até hoje ao que devia e 
podia ser. O Imperador decidiu-se em não ir alli, eli* 
mitourse a examinar pelo binóculo o que tinha em pe^ 
fipectiva, tanto no Sanctuario^ como no Sameiro, tNuto 



\ 



153 

está erecta a estatua da Virgem da GoDceíçSo, e d^onde 
se gosa o mais amplo dos panoramas d'estes sitíos, seja 
qual for o rumo do horisonte. 

* O Sanctuarío do Bom Jesus do Monte nos subúrbios 
de Braga, a uns quatro kilometros a leste da cidade, 
forrestãurado e reedificado de novo em grande eschala 
em i7â3, debaixo da direcção do arcel^ispo D. Rodrigo 
de Moura Telles : obra, em que este prelado gastara 
para cima de 60 mil cruzados. 

Tinha sido restaurado e reedificado antes, em 1629, 
nos aros d'uma ermida de muita devoçSo dos povos, 
restaurada e reedificada ainda anteriormente em 4522, 
com o titulo de ermida da Sancta Cruz. Tinha a cadeira 
de Braga, em 4629, o arcebispo D. Rodrigo da Cunha, 
primeiramente bispo de Portalegre e do Porto, e de- 
pois por fim arcebispo de Uslm, onde faliecera em 
1 643 : e era então monarcha intruso de Portugal D. Fi- 
lippe III, e occupava o pontificado o papa Urbano vni. 
Em 1522, occupava a sede primaz D. Diogo de Sousa, 
o restaurador e reedificador doesta capital do Ittinho, 
que lhe deve as melhores ruas e praças que tem. 

A ermida da Sancta Cruz, restaurada e reedificada 
era 1522, foi ereda pela primeira vez nos aros do 
Sanctuarío do Bom Jesus do Monte nos annos de 1494^ 
Occupava então a diocese primaz o arcebispo D* Jorge 
da GoBta, o 2.'' do nome, imão >do arcebispo D. Jorge 
da Costa, 'ol.^, mais conhecido com o nome de car-^ 
deal d*Alpedrinha, do nome da villa da Beira de que 
era natural. Tinha D. Jorge, o2.^ succedido namitm 
a D. Jorge, o 1.% em virtude de renuncia em 1488,. 
com o jconsentimento do.rei D. João ii, e apfuravação do 
pifa ImioceociQ vm. 
'. -Dós ptojectos architetonieos ordenados para o San-« 




ctaario, e para os aros convisinhos, confécoíoQttikis pelo 
arehitedo Amarante, tndo se lem imitilistdo a miodi** 
ficado com mau gosto. 

Ainda em Braga se conservam vestigioB da euromn- 
vaiaç3o romana» organisada como e&Uío era de oso.Nio 
foi vel-os D. Pedro ii por falta de tempo, eomo também 
n3o foi ao Bom Jesus e a outras cireumvisíflbaQgas de 
Braga, como a Dume, onde em 556 fora ordéDado Uspo 
S. Martinho. 

Visita á Bibliotbaca pmblioa e Lyesn 

Descendo da Boraquinha, dirigia*se o Imperador i 
bibUotheca publica. 

Eiaminou com detida attençSo, no 'meio amalgamas 
raridades e obras valiosas» escolhidas d'aQtéi'm3o peio 
bibliothecario, e coUocadas na mezado seu uso, os ioi$ 
exemplares que nesta bibliotheca ha de Memoriai da 
Tacola Redonda (Vide IHcc. BiU., «verb. Jorge Per-" 
reira de Vasconcellos). Um dos exemplares está falho 
em bastantes partes. 

Além d'este8 dois exemplares, e especialmente o 
melhor, examinou o Imperador om manuscripto éd 
fr. Alexandre da Paixão, pertencente á livraria monástica 
de Travanca em tempos antigos, rdativo i historia do 
reinado de Affonso vi. D. Pedro t, por indicação oiinha 
e do bibliotheca rio fallécido, deliberou ntendar copiar 
este manuscripto, no intuito de o dar á estampa. Co* 
meçou-se o trabalho âa copia, mas intarrompeu-o a 
morte do infeliz monarcba,: verdadeiro amador dasl6« 
trás, e apreciador generoso dos cultores d'ellas. Devo 
esta indicado ao rei illustrado, que m dignara oavir^mi; 
e até escotar-me gostoso, áoerca das notabikiladQs d^ásta 



r 






capital do Minho» memcnravel como eôrte das &mwo$y 
e como eoknía do8 noaianQS, conforme é ecDstante nos 
que s3o iídoB em nossas antigaalbis. Devo-l|)e cbiplí- 
cadamente esta índícaçio» pela f eoerosidade reai cota 
que me mimoseára gohí livros. Coaiém esie manutorí- 
pto aneodotas da época que descreve, em que D. Af- 
fÒDSO TI fora privado da mulher e d» coroa, eomo in- 
capaz do thalamo e do throno ; não o reapreitmdo ainda 
sem a esposa, que na acç3o de divorcio addut állega- 
ções que a penna nao escreve sem pejo, nem os ou- 
vidos escutam ainda, sam que o rubor assuma k)go ás 
faces. 

O ar. D. Pedro ii escutou sempre com toda a atti»)caa 
e Ihanesa o bibliothecario sr* Gonçalo Ântio de Macedo 
Sá e Abreu. A bibliothaea estava lindamente adornada, 
e os varandias com muitas damas distinctas da cidade, 
que davam á bibliotheca bellissimo realce. 

Descendo da livraria publica, foi o Imperador á aula 
4b loCroducção aos três reinos da natureza, onde ha os 
apparelhos e utensílios essenciaes para a pratica de pby- 
sica e chimiea, e exercícios de historia natural* oom 
os principaes tjpos de mineraes, rochas, fosseis, ma- 
deiras do districto, exemplares de plantas eiciccadas, 
e os mais accessorios correlativos. Ha allí tambom os 
principaes instrumentos d^usotopogrBphico, pana a pra- 
tica das cadeiras de geometria e mathematica elemen- 
taitts. 

VíaiU á livraria dt Pereira Caldas 

lyaqui veio o Imperador a pó, com o barão de Bom 
Betíro, e o oonsul brasileiro no Porto, Manuel José Ra- 
iieUo, vindo também comnoseo em carros o resto da 



*I56 

ecHDÍtiva, visitar a minha livraria» dignando-se examinar 
as duas salas que estão no primeiro pavimento. 

O Imperador, chegado que foi á primeira sala, man- 
dou-nos sentar do modo mais lhano e a&vel, fazendo-me 
sentar numa cadeira ao lado d'elle. 

Começada a conversação litteraria, e lançando o Im- 
perador a vista para um grupo de livros de cavallarías, 
onde tinha muitas variedades dignas de exame, disse 
eu ao illustrado monarcha, que num canapé fronteiro 
tinha estado o rei D. Pedro v, quando viera ver a mi- 
nha livraria uma noite, na occasiSo da sua vinda a 
Braga. O Imperador foi sentar-se no mesmo logar; e 
eu agradeci a Sua Majestade^ cheio de reconhecimento, 
o poder gloriar-me de ter tido na minha livraria, e 
sentados no mesmo ponto, dois monarchas de valiosos 
« sólidos conhecimentos, ambos amadores dos livros e 
presadores dos cultores das' letras. 

Deteve*se o Imperador folheando e examinando vá- 
rios Uvros, começando pelo Espejo de Príncipes y Ca- 
^cUleros, de D. Diego Ortuiiez de Calaherra, e Marcos 
Martinez de Alcaiá de Henares, cujas quatro partes raras 
possuo em bella encadernação da época de D. Maria i, 
a quem os livros pertenceram; obtendo-os êu, por ter- 
ceira pessoa, do espolio do finado conde da Barca, de 
quem possuo ainda algumas outras raridades em muita 
estima. 

Viu o Imperador, ao pé da primeira obra, uma 
versão muito rara do Tirante-el-Blanco, e de summo 
valor lilterário; e examinou outras raridades em vários 
géneros, em que eu felizmente sou muito rico, riquis- 
stmo, não sendo mais que mediocre em bens de fortuna. 
Na segunda sala demorou^se o Imperador menos tempo, 
ém virtude de se aproximar a hora fixa da partida 



157 

para o Porto ; mas, âmda assim, como amador conscien- 
cioso, mostrou o Imperador o apreço qoe fazia de mui- 
tas e raras obras que tinha á vista. Disse-lhe que sentia 
muito que Sua Majestade não podesse dar mais tempo 
a Braga, e com esse alguns instantes pausados aos meus 
livros. O Imperador disse-me, naquellas expressões do 
presador consciencioso: — E eii sou amador t — Dada 
a hora ai»*asada da partida, (e ainda o Imperador se 
demorou mais um quarto)» offereci a Sua Majestade a 
Gaia de Jo3o Vaz, edição de 1630, bem conservado 
exemplar, pelo qual o sr. Theophilo Braga reimprimiil 
em Coimbra a obra (Vide Dicc. BiU., verb. João Vaz — 
e Repositório Litierario, quinzenal de Coimbra, n.** 2^ 
1868, onde ha espécies a adduzir ao sr. Innocencio. 
Veja-se também o 1.^ volume do Instituto, de Coimbra, 
onde fallo da Gaia). 

O Imperador, acceitando reconhecido a raridade bi- 
bliographica da Gaia, mostrou-se-Aie altamente grato, 
dizendo*me que levava na mão, em summo apreço, o 
exemplar offerecido. Assim o fez, levando*o de minha 
casa para a hospedaria, e sahindo d'allí com o livro na 
m3o, caminho do Porto. 

Chegado á cidade eterna, mandou-me ao outro dia 
o seu retrato pelo sr. Gouveia, tenente do regimento 
de infanteria 8, numa bellissima photographia em papel 
marfim, com a assignatura de D. Pedro d'Alcantara» 
escripta por seu puDho no fundo do retrato, tudo en- 
volvido num sobrescrípto em branco, dentro do qua) 
vinha outro com a offerta endereçada ao meu nome. 

Dos «incunabulos» da minha livraria fixou muito as 
vistas do Imperador um in-i."", excellentemente bem 
conservado, com grandes margens, contendo Apho- 
ristnos de Raby Moysis, conforme as doutrinas de Ga- 



I5> 

ktto, com inieiaes em cores, ediçio de Bomidê, im* 
prema Betuáiai Heaoris líbrarii, 4489, assim eomo 
06 Aphorismos dê João Damaseem e os Ajphoriimo8 
de áask, remidos fodos no mesmo volume, con en- 
cadernação grosseira!, moito antiga, mas bem coiiser^ 
Tâda. Vi quer lhe era este «incunabiilo» ibm novidade 
como o fôr» egoalmente a mim qoando o vi pela prí* 
meipa vez, tendo-o comprado {>or 2(9tOOO réís^ por^ 
<fue debalde procurei as indicações que devia ter no 
ítepêrtarium BibUographicum Ludomci Haki. N3o as 
achei eguahneote nootros bibliographoe^ 

Da Gaia fíca-me uma edt^o que Donca vi, nem sei 
q4iem visse ainda, ou no paiz on fòrd d'e}le. fn, até 
averiguações para AUemanha, donde tenho obtido muitas 
preciosidades portaguezas e bespanholas^ algomas á 
peso de dinheiro, outras em preços muito razoáveis. 
Ê de 1661, como outra que tive em Mio,, e offereci 
ao visconde de Almeida Garrett, movido do que lera no 
prologo da sua Adosmda. Em logar de ser em folio, 
é em 4.% e diflérente »na correcção d'essa< edição co^ 
nhecida. Houve por isso duas ediç?^ no mesmo anno: 
è esta de 4.^ mais manuseavel, adoptada por ventara 
para uso do povo, ficando o folio, por menos manusea- 
vel, para uso dos eruditos. NSo é desarrazoada esta sop* 
posição. Tenho da Sermões atè três edições do Hiesmo 
anno^ e algumas em differentes oíficinas, e guardo estas 
espécies como documentos valiosos para a historia é^ 
typographía entre nós. O 4."* da minha Gaia, é o 4.*^ 
pequeno,: e contém quatro oitavas em cada lauda. A 
vinheta do frontispicio é da primara tiragem. Não tem 
mna só macula; e é da officina de Domingos Carneiro, 
como a ediçSo de folio^ É' bellissiioo exemplar. 

Durante a excufòão péiA oidsde^ acaá9>anhott sem^ 



»M 



pm ao IiBperiKlor o presidente dt eonmmtíío brasileira 
de Braga o sr. visconde de S. Lazaro, e o secretario da 
mesina coifiini9s8o ú sr. Jgiío Gonçalves Baitov orifiodo 
do império áo Brasil, e no mesmo earro do secretario o 
aeooipanliou sempre o 9f. Alberto Estanislao, filho, 
sobrinho, e neto de oíficiaes do esquadrio de cavalltria 
dos Eternos, creado por D. Pedro jv no Porto, e que, 
por mais de uma vez se bétêra contra os realistas com 
denodado valor. 



■<x<»»««v<^w^<«<^ 



Aqoi tCBrmina afaiti^assaQte notícia que o sr. Pereira 
Caldas nos enviou com o modesto titulo de aponta^ 
mentos, e que tkòs Domámos a liberdade de transcrever 
por iMei70. 



li NSo feltou também a caridade entre as demonstra- 
i| ções de regosijo» dadas aos augustos viajantes. Â be- 
< nemerita commissSo dos festejos nSo quiz que o roído 
-: das suas festas atribulasse o infortúnio dos que. jazem 
f ú» prisões, e levou-lbes lá a consolação e a alegria, dis- 

tribaindo*lhes um jantar verdadeiramente opulento para 
b taes infelizes. 

Os próprios n>embros da commíss%) lh'o serviram, 
: acompanhados pelo meritissimo delegado do procurador 
i régio o sr. Motta, pelo sr. administrador do concelho 

^ seu secretario o sr. Parada. 

Fora dá cadeia tocou uma banda de musica durante 

este acto. 

O sr. governador civil do districto deu do seu bolso 

duas inscripções de lOQ^OOO réis nominaes, uma ao 



asylo de S. José e outra ao recolhiniento dast orphãs 
da Tamanca. 

Depois da visila á casa do sr; Caldas os soberanos 
brasileiros tomaram ao botei, para gosaretti algum des- 
canço, e deixaram a cidade de volta ao Porto ás 4 horas 
e meia da tarde. 

FelicitaoSo 

Suas Majestades receberam felicitações da camará 
municipal, d'uma deputação de veteranos da liberdade, 
e do egresso benedictino fr. João Guadalupe Martins 
Pinheiro. 

 da camará foi-lhes apresentada logo que se en- 
contraram no extremo do concelho, e é concebido nos 
termos seguintes: 

€ Senhor ! — Braga, a terceira capital do reino, de que foram 
reis ditosos os augustos avós de Vossa Majestade Imperial, nfto 
podia ficar silenciosa, muda e queda, á nova da visito com que 
Vossa Majestade a quer ennobrecer e honrar; e muito maitpor 
ser ella feita ua companhia da Muito Alta e Muito Nobre loi- 
peratriz, Vossa Condigna Consorte, cuja união os céos prolon- 
guem por muitos e dilatados annos, para^felicidade dos povoi 
de quem sois luz, e i)rotecçâo dos portuguesses que lá residem. 

t Senhor ! — O niunicipio de Braga, que representamos, vendo 
em Vossa Majestade Imperial o Augusto Neto de seus pródaros 
reis, o digno filho do immortal D. Pedro iv, o illustrado irmão 
de sua sempre chorada rainha, a sr.* D. Maria ii (a virtuosa), 
e finalmente vendo em vós o espelho dos reis, e monarcha inve- 
jado das nações, e protector dos portuguezes, nAo podia deíztr 
de correr em festim ao vosso encontro, como testemuDho do alto 
apreço em que tem tamanho favor, o qual, como padrfto immor- 
redouro, ficará registado em seus archivos, para que os vindoo* 
ros tenham d*elle conhecimento. .. 

«Continuem os céos a proteger as preciosas vidas e felis rd* llfl 
nado de Vossas Majestades Imperiaea : e taes são os dese.fos dof j({| 
habitantes do concelho de Braga, a quem os abaixo aB0^;Dad8f 



\ 



4«« 



têm a hoD» de repres^tar^ como e^ndlura mii^ioip# ào D^e^poo 
ooDcellio.i 



.» 



Fdtx Maria Gomes d*Àraujo AlvdfçtSf presidente. 

Alfrtdo Alves Passosl 

António José Pimenta QonçahMf Júnior. 

João Baptista Ferreira cUu^ilva. 

João Evanadista de Sousa Tj^rres e Almeida, 

João Luiz Pipa. 

José da Fonseca, 



 felicitação dos segandos foi esta : 



. Senhcnr ! — Soldados da liberdade, companheiros nos perígos 
6 nas glorias do senher rei D. Pedro iv, o immortal dador da 
carta constitucional, e augasto pai de Vossa Majestade Impe- 
rial, nfto podíamos nesta occasiâo solemné deixar de vir aprei- 
aentar a nossa respeitosa homenagem, em pos^ nome e de iv)s- 
80S camaradas, Iqnto a Vossa Majestade Imperial, e saudar óbzp 
SBtbusiastico jubilo a presença de Vossa Majestade Imperial ào 
Mio da capital do Minho. 

Frisa a Deus que Vossa Majestade Imperial e a augusta se- 
nhora Imperatriz, virtuosa esposa de Vossa Majestade Imperial, 
regressem á capital do Brasil, cheios da felicidade de que sáo 
dignos, e que bem sinceramente lhes deseja o povo portuguez. 

António de Sima^ Machado, major reformado. 

António Carlos d* Araújo Motta, tabellião e militar que íbi 
cio batalhfto de voluntários da rainha. 

José da Roeka Veiga, recebedor da comarcit e voluntário que 
fSoi do batalhão de caçadores n.« 2. 



A cidade d3o prescindiu das íllnminaç5es e festejos 
qpie tinba preparado para a noite, apezar de n3o pode- 
rem ser presenciados por aquelles, em bonra de quem 
Bram feitos. 

Quatro bandas de musica tocavam no Campo de 
Sancta Anna, cuja illuminaçSo deslumbrava^ contan- 
do-se para mais de 20 mil lumes, desde a areada da 
11 



1Í2 

Lapa até á Séntiora Branca. O pavilhão e frotttaria da . 
Lapa, entrada para a alameda, fachada do theatro, inãitas 
casas particulares, e arco da Porta Nova» offereciam 
deslumbrante espectáculo. 

Terminaremos esta parte da nossa descripçSo com 
os nomes dos cavalheiros que çomiluDbam a commissSo 
encarregada de dirigir os.festejos. Foram os seguintes: 

Visconde de S. Lazaro, Joaquim Machado Caires, 
António José Gonçalves Braga, Luiz António da Gosta 
Braga, Jo3o Gonçalves Pereira Bastos, Francisco Ba- 
ptista Silva, Francisco Casimiro da Cruz Teixeira, Ma- 
ntiel José da Costa Guimarães, Francisco António da 
Ãraiíjo Reis» José Pinto Barbosa, Manuel Luiz Ferreira 
Braga^ Apparicio Joaquim Gomes Pereira Castiço, Ma- 
ntiel José Lc^ies dos Sanctos, Félix Ant(^ío da Rocha, 
líanueí Ignacio d'OÍiveira Braga, Fulgencio José da Gosta 
GuimarSes, Manuel Pereira d'Oliveira e Sá, João Pedft 
Soares e Commendador José Maria Rodrigues Carvalho. 
Coube a direcção da mesa aos srs. Manuel Luiz Fe^ 
reira Braga, presidente, Apparicio J. Gomes Pereira 
Castiço e João Gonçalves Pereira Bastos, secretários. 

No seu regresso ao Porto, os soberanos brasileiros 
pararam eni Villa Nova de Famalicão ás 6 horas da 
tarde. Eram alli esperados mais tarde; mas assim mesmo 
foram recebidos pelas mesmas pessoas e com as mesmas 
demonstrações de pela manhã, sendo grande o concurso 
de povo. D^Qioraram-se apenas o tempo necessário para 
as mudas. 

A villa iliuminou-se á noite, aproveitando os prepa- 
rativos para isso feitos, pela commissão e mais habi- 
tantes, na ideia de que passariam depois de anoitecer. 

Eram: 9 horas da noite, quando chegaram ao Porto, 



\ 



i€3 

recolhendo ao hotel sem nenhuma manifestação espe- 
dal, além das illumina^es que ainda nesta noite tive- 
ram logar. 

Pela mesma forma se dirigiram no dia seguinte para 
a estação das Devezas, ás 6 horas da manhã» entrando^ 
DO comboyo especial que os aguardava, e que rapida- 
mente os conduziu a Coimbra. 



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TERCEffiA PARTE 






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VUGEK DOS HmADORES M BUiSIl. 



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ISSSI IP(DIE'ÍPI!?(Si&Si 



-r^CJllO^ 



mcnitA mn 






C«iiÁbra 



«. 



Das qaatro príncipaes cidades, visitadas pelos sebo- 
ranos brasileiros, Coimbra fez excepção na singeleza 
com qtie os recebeu. Iscdadamente considerada eale fa- 
cto» pode ao longe fazer suppor qde a AthMaaí portai 
gueza desHsou do geral e enthusiasttco recebimento das 
OQtras povo^ões, por motivos on drcamstancias que 
hajam de ser lembradas pelos augâstps mcoarebas àim 
meoos grata recordação. >-ííí 

N3o foi porém assim; • ' < • ^ 

Fiada na abundância é valor dos moQuoientOB qqe a 
ennobrecem; nafama de que a historia e a poeaiáa cei^ 
cam; nos formosíssimos e mfinitos quadros dé qèé o 
pittoresco Mondego è farta galeria, e toda a Qatsreza 
variado álbum ; e sobretudo, emfim, na sídcmy effusSq 



i68 



dos sentimentos dos seus habitantes, n3o tomoa enfeites, 
que, sobre supérfluos, bem sabia quanto desdiziam do 
espirito desprendido do esclarecido hospede ; além de 
q^.aindavam contadas e distribuidas as sqasr horas^, e 
pêpètldaspro^ havia dadoStta^^fc^taáe tle qõSo )^m:ò 
desejava manifestações ruidosas, que o desviassem do 
seu programma de viagem. Por todas estas considera- 
ções Coimbra recebeu os augustos monarchas como 
quem recebe parentes e amigos estremecidos, com os 
braços abertos, e o contentamento no coração, sem de 
modo algum faltar ao acatamento flevido á elevada ca- 
thegoria e vasta illustraçSo dos Imperadores. 

Offereceu-lhes festas da scíeoçia^ admiração das suas 
jóias archeologicas, o enlevo dos sítios, que a natureza, 
a tradição e a poesia encheram de encantos, e emGm o 
amor affectuoso e hospitaleiro de dezeseis mil cidadãos. 

Não foi pouco, e crQmçs jtjiie não foi descontente o 
illustrado soberano. 

Não ha pois festejos a descrever. 

Apropria camará municipal adoptou as seguintes 
resoluções:. 

Em sessão de 29 de fevereiro deliberou ir esperar 
á estação do caminho de ferro Suas Majestade]^- os Im- 
peradores da Brasil, aconupanhai-os, ofiereeer-Hies (te 
seus serviços, e agradecer-lhes em inome domunfdpk) 
aáistincta bcxira-que recebia GotitibTá coin a sâa visita.* 
e decidiu, em demonstração de r^bsijo portal aconte* 
cimento, adornar de damasco as janeilas do$ paços mu- 
nicipaes,:e illuminar este edifício durante as noites ^ue 
Suas Majestades permanecessem em Coimbra. 

Deliberou mais que fosse permittido o transito de 
carros no caés novo, em quanto Suas Majestades Im- 
periaes estivessem nesta cidade ; auctorisando o presi- 



169 



11 «• ■ 



dente a mandar proceder aos reparos de qoe o men- 
eionado cães carecesse para tal fim, visto que o accesso 
ao hotel do Mondego, aonde constava que Suas Majes- 
tades iam hospedar-se, se tornava por outro qualquer 
ladodífiSciL 

A Universidade resolveu offereeer-lbe um presente 
de livros e a tão magestosa como imponente solemni- 
dade de um doutoramento. 



Chegada dos Imperadores * 

Precisamente á hm*a de antemão indicada chegou á 
estação d'esta cidade o comboyo expresso, que coiàuzia 
os Imperadores e sua comitiva. Eram 9 horas maios 
alguns minutos. 

Na estação oneravam pelos imperíaes hospedes todasí 
as auGtoridades da cidade: os srs. bispo confirmado, 
D. Manuel Corrêa de Bastos Pina; governador civil^ 
António de Gouveia Osório ; secretario geral, José da 
Costa Gomes; camará municipal, composta dos srs. 
dr. Lourenço d'AImeida e Azevedo, presidente, José 
Francisca de Oliveira Reis, José de Moura de Gusmão, 
José Libertador de Magalhães Ferraz, Manuel d' Almeida 
Cabral, e Acácio Hypolito Gomes da Fonseca; general 
da 2i.* divisão militar o sr. José Juliô do Amaral eseu 
estado maior; governador militar; reitor e seeretarío 
da Universidade; o sr. conselheiro Antonino JoséRodri-^ 
guês Vidal ; e além doestes uma commissão de acadé- 
micos brasileiros ; o sr. Felisberto José Ferreira Gui- 
marães, também súbdito brasileiro, o sr. conde das 
Canas, e o sr. José Melchiades Ferreira Santos, ao qual 
haviam sido incumbidos os aprestos da bospeda^m. 



170 

Apeados os viajastes na garef,o sr^ Mèldiiades <faAz 
tomar a mala que o Imperador traúa Ba m30i unis Sua 
Majestade recuasu, perguntando. \ç^ pela soa eanruaf 
gem. Io0iaou4be.o 3r. Melchíades a qne lhe estava des» 
tinada ; mas o Imperador, vendo uma luxuosa cmnia*^ 
gem descoberta, puchada por quatro cavattos brancos, 
criados com ricas librés aaues, ^l^So^ de veluilo eu^ 
carnado, e galão branco, librés que pek^tenoerám ; io> 
fallecido fidalgo Francisco Barreto Chichoro, duvidou 
acceital-a : foi preciso que o sr. Melchiades lhe afian* 
casse que perteucia ao áom do botei. Só entSk) Sua 
Majestade, depois de trocar algumas palavras com os 
srs« bispo é reitor da Universidade^ aquém: díaee, que 
assistiria ao doutoramento como via>anto e sem apfsh 
rato de recepção, e depois de ligeiros compríipeiitos^ 
e de reconunendar ao general que mandasse retârar a 
tropa, se resolveu a subir para a carruagem. 

A soa comitiva e as pessoas que o foram» e^)erar^ 
formavam um extenso cortejo de muitas carruagens; 
que seguiu pela rua da Sophia» largo de SansSo^ roas 
de Visconde da Luz, Calçada» Portagem, Cae& até ao 
botai central do Mondego no largo das AmâasL . 

Nas rnaS' do transito estacionava grande quantidade 
de povo; e as janellas, vistosmnente adomaâa& de sedas 
e damascos, estavam eheias de ^eíihoras. A cdsa do 
sr. Felisberto, na rua da Calçada, tinha arvorada a baih 
deira brasileira, e d -alH subiram ao ar muitos foguetes 
á passàgeni de Suas Majestades. . 

Na carruagem do Imperador iam também a Imperatriz 
e a sua dama a sr/ D. Josephina da Fonseca Gosta. O 
Imperador vestia o seu trajo ordinário de viagem, levava 
na mão a favorita mala, e olhava com muita curtosí-^ 
dade para aa janellas. 



ilL 

A Iiqpíiratri?; vastte de preto, . « o 9^ aspçcto era 
agradável. 0^ sIdo$ das torres da cidade repicavam todp$« 

A3 9 boraç e 10 ininutQs entravam og Imperial bos^ 
pedes PO bpteW As auctoridades subiram também* repe^ 
tindp o^sws pomprimeqtos; mas, annuindo aosdesejq^^ 
invariável e tenazmente manifestados pelo In^perador, 
de quwer viajar completamente desembaraçado das fas* 
tidiosaa etiquetas, retiraram^se. Fieoa somente .a com^ 
missão de académicos brasileiros, com os qqa^^ $ua Ma«^ 
jestade conversou por algum tempo. 

Immédiatamente cbégou ao largo das Ameias toda 
a força de infanteria que CQmpunba a guarniçSo, pre* 
cedida da banda de musica do regimento de infanteria 
n.^ 14, e marchou em continência em frente das jánellas 
do lK}tçI, tocando a musica o bymno brasileiro. O Im-p 
perador chegou á janella ; mas, dispensando guarda de 
bonni, a força rçtirou-se. 

A Gommissão de estudantes brasileiros apresentou a 
felicitaçio seguinte : 



V 



Senhor: — listre as grandes mauffestações de toda a Europa \ 

CQmpete-noa um logar como si^bditos de Vossa Majestade è ^ 

como filhos íá çciencia. Como súbditos não temos palavras bas- 
tante eloquentes para significar ao Cbef^ do Estado o nosso 
reconhecei mento ; o modo como Vossa Majes^de bonroq. a no^a 
pátria em todas as nações que pèrcorreny jamais se poderá ris- 
car da memoria dos brazileiros sinceros. Oomo filhos da sçienci^,! 
toda a nossa admiração é pouca para com o homem) que, sabendo 
roubar algumas horas ao laborioso encargo da direcção politica 
d*um yasTo paiz, as aproveitou num. estudo que oooUocou ao 
lado dos príncipes mais il lustrados â*e8te seculO' 

Sephor; — Os estudante^ brasileiros dá Uiviversidade de Coim^ 
1)ra saúdam com entranhado afiecto o Imperador e a Impera- 
triz do Brazil. — António Cândido Gonsalve9 Crespo — Ber- 
nardino Lu%z Machado Guimarães — J^uardo Simões dps^an* 
cf-oê Lisboa — Luiz d* Andrade — Luiz Filippe Alves da NoÒvèga 
-* RaymVtndo da Rocha Felgueiroê -^ António Cazimiro d^ Cruz 
Teixeira — Nuno Freire Dias Salgueiro, 



Nesta occasi3o apresentou*se taitíbem a Sua Iklajes- 
tade o sr. Felisberto José Ferreira GuimarSes, sendcv 
recebido com a maior afifabílidade pelo monarcha. O 
sr. Porto Alegre informou o Imperador de qae o sr. Pe^ 
tisberto era o anico súbdito brasileiro residente* em 
Coimbra. 

Sua Majestade perguotou-Ihe o noibe, e o sr. Fe- 
lisberto depositou nas mSoi de Sua Majestade a se- 
guinte felicitação: 

Benhor: — O abaixo assiniado/ eídadfto do império brasildro 
desde o memorável dia 8 oe agosto de 1823, em que na cidade 
do Maranhào, onde preston juramento, se proclamou a indepen- 
dência da império, vem cheio de jubilo perante VoBsa MajwUde 
Imperial felicitar-se nela honrosa visita qu^.a esta cidade, eéd^ 
do primeiro e notável estabelecimento scientifico dé Portugal, 
se dignou fazer o assas illustrado Monarcha da Naç&o Bhifti- 
kira. 

£ uem são para estranhar estes sentimentos de STm^atbia e 
admiração para com Vossa Majestade Imperial da parte d*um 
súbdito brasileiro, que ha quasi ttínta e sete annos, pelo seu 
amor e fidelidade ao magnânimo fundador do império ao Brasil 
e chorado pae de Vossa Majestade, se viu obrigado a abandonar 
a sua patna adoptiva, sacrificando a su» fortuna, que tinha em 
Pernambuco, e com grave risco de 'sua vida, depois de ã ter 
posto ao serviço do império desde 1823 até 1^35, em cujo pò- 
riodo militou na 2.* linha do exercito brazilèiro e na guarda na- 
cional da cidade do Recife de Pernambuco. 

Senhor: — A fetiz presença de Vossa Majestade Imperial 
nesta terra, aonde o humilde e obscuro súbdito da briosa nação 
brasileira tem vivido tãõ afastado da sua pátria adoptiva desde 
que d*ella se retirou, sem que o teinpo e a distancia tenham con- 
seguido extinguir em seu coração os sentimentos de fidelidade 
que jurou e lhe dedica, neiú a amizade cada vez mais intensa 
<^ue lhe consagra, é para o abaixo assignado um bem justo mo- 
tivo de profundo jubilo que aproveita para, perante a augusta 
pessoa de Vossa Majestade, fazer votos à Providencia pela vida 
e saúde de tão grande Monarcha e de toda a imperial famifia, 
gloríi^ do império brazilèiro e seguro penhor da sua prosperi- 
dade. 

Coimbra, 4 de março de 1872.— FdUhtrto José Ferreira Gui- 
marães. ' ' 



L 



47? 



SegQÍu-«e. o almoço: 1 



O botei em que Suas Majestades se hospedaram per- 
tence ao3r. Fraacisco l»opes de Carvalho, e está situado 
em local iQuHo «pprazível^ disfructando-se d^allí grande 
extensão do rio JMÍondego, que corre próximo, sua ponte 
e cães, momte.de Sancta Clara, alto da Conchada, e os 
arvoredos a pomares que se interlaçam com as casas da 
parte baixa da cidade. 

O proprietário do hotel preparou-o com a grandeza 
possível devida á qualidade dos hospedes que jam honrar 
a sua casa. Âs escadas do primeiro e segundo andar, 
aposentos e salas destinadas ao uso particular dos Im- 
peradores, estavam, alça tiradas e bem decoradas, senda 
principalmente digno de se notar o luxo das roupas 
brancas,r de fino linho, das 24 camas que a casa tinha 
preparadas. 

O Capello 

Dígnou-se Sua Majestade assistir á cerimonia uni- 
versitária do doutoramento do sr. Alfredo Filgueiras 
da Rocha Peixoto, deputado da nação, o qual veiu de Lis- 
boa expressamente para receber o grau de doutor. Eram 
i 4 horas menos um quarto quando o Imperador chegou 
â grande sala dos capellos, acompanhado dos srs. Porto 
Alegre, cônsul gerai do Brasil em Portugal, Barão de 
Bom Retiro, lente jubilado, ministro d'Estddo bonora- 
TíQf e homem de muita respeitabilidade e saber, e Barão 
de Itaúna. 

Como se sabe« as elevadas paredes d'estè vasto salão 
acham-se revestidas com os retratos de todos os reis 
portuguezes, collocados por cima dos doutouraes e no& 



m 

intervallos das janellas das tribunas reseryadM para 
senhoras. 

No paleo da Universidade Sdt Majestade Iitlt)èHal 
foi galhardamente recebida pela mocidadb 'acadéttúctí e 
outros espectadores qne sê achavam ttas aiitMiidád e qdo 
depois se aix^amnlaram úa grande 'sala dô^ dotítora^ 
mentos, ú qual estava litteralmente cheia, éesde a teia 
dos hospedes até aos doutoraes, áònde se notdvaitf 
principalmente dois cúmulos de estudantes, tib ()M 
obstruía os doutorâes atè aos logares da faccAdfldé de 
philosophia, outro sobre os dafécutdadedemathefOiMkia. 

Sua Majestade entrou pela portir qm oommtiDica 
com o Paço, e, adiantando-se até á entrada da táa, 
cujas bancada^ assim como as de fõr^ d'6Sta, estaváUK 
já òócupadas por muitas senhoras e òavdheirM; fiMS 
correu a sala num rápido relancear de olhbs, e^- vendo 
á sua direita dois bancos rasos, sentou-se no pi^lméi^o 
d^elles, confundindo-se d'este modo com os demais es- 
pectadores, e mostrando assim que allí, como em toda 
a parte, não desistia de apresentar-se como viajante 
particular; 

Soa Majestiawle conversou liiuito mm o sr. JóioPraia- 
€isco Ramos, sextatíista de mathématica, dòm o sr. Aq' 
gosto César da Cruz Ferreira, presidente da sociedade 
Terpsychore Conimbricense, e também dirigiu a palavra 
frequentes vezes ao Sr. conde das Cannas. Impressionado 
com a demora do corpo docente, fallou nisto- ao 9^: Fer- 
reira, o qual o informou de que a cériímonia já havia prin- 
cipiado, pois começava pela festa reli^ôsa na capelia. 

Procurou informar-se do estado de saúde do Sr. dr. 
António de Carvalho, irmão do sr. dr. Màthiâs de Car- 
valho, ministro portuguez no Rio de- Janeiro, ^a qua- 
Ndade da ttolestia que SDffria, etè.* f 



175 



Pediu que lhe mostrassem o reitor, e, quando ouvia 
os seus dois primeiros nomes — Juiío Máximo, — Sua 
Majestade completou — Oliveira Pimentel; accresceo- 
lando um elogio aos escriptos sobre viticultura, e ou- 
tros, do illnstre prelado. Do mesmo modo mostrou co- 
nhecer e apreciar o sr. dr- Francisco António Rodrigues 
de Azevedo, lente jubilado da faculdade de theologia» 
como orador sagrado; o sr« dr. António, Augusto da 
Costa SimOes, lente de medicina e director dos hospi- 
taes da Universidade, como auctor de algumas, pbrás» 
que tinha lido; e entre outros proressores, que desejou 
conhecer, citou com particular interesse o sr. dr. An- 
tónio dos Santos Viegas, lente da faculdade de philoso- 
phia. 

Assistiam a este acto setenta e quatro doutores com 
seus vistosos capellos e borlas. 

Presidia o sr. visconde de Villa Maior. 

O sr. Alfredo Filgueiras da Rocha Peixoto, candidato 
ao doutoramento,, pronunciou o discurso seguinte: 

Senhores: -^Agitam os espíritos, em maravilhosos trabaUios 
de brilhantes conjecturas e concepções eleradas, offorecendo á 
rasfto vastíssimas regiões de feliz exploração, as grandes revo- 
luções qne.a observação fecundada pelo raciocínio revela em 
toda a parte e em todos os tempos. Nesta árdua e deliciosa in> 
vestigação sentem-se fracas as imaginações mais vivas,' e os ar- 
rojos dos seus sonhos apenas são ténues sombras da realidade. 

Ignita esteve a terra, e a lei universal, eterna e fisital por ca- 
taclismos prodigiosos, reduziu^a ao planeta que o homem pisa 
e em que reina a vida, desde o fundo dos mares, povoados por 
myriades jde seres tão diversos, até ás elevadas regiões da atmos*^ 
pfaera que o condor domina. Foi esta lei universal a que presi- 
dia á creação da sciencia; é ella ainda a que a fez medrar, robus- 
tece e dirige. Tempo houve em que o homem julgou devorada 
por um dragão a lua eclipsada, a que nem attribuia o tamanho 
do Peloponneso; e hoje a sciencia possue etcellentes meios para 
deioobnr a oonstítuiç&o, a forma^ o vohime, a massa e as leiS' 



476 

doB movimentos de todoe os corpos eelestes. Os periptteticos 
apre^roaram a ipcorruptibilidade dos céus e mais ainda a do sol, 
e observações de muitos annos mostraram ser esta ineorruptibi- 
lidade um simples sonho do Stag^rita, e descobriram no espaço 
inteiro um vasto theatro d* uma vida immensa, de transforma- 
ções constantes. 

Se compararmos a época actual com a de 1616, sentír-noi- 
emos enthusiasmados em profunda e intima admicaçfto. No dia6 
de março de 1616 a Sacada Congregaç&o do Index condemnov 
a obra — Dt revolntiontbus orbium ccBlestium — monumento glo- 
rioso que ao génio elevou o immortal Copérnico, um dos otos 
sábios da terra, como Leibnitz lhe chamou; eín 1870 a ficiil'« 
dade de mathematica, nesta Universidade, leu sem repugnância 
e até com benevolência a — Tra^uilaçào Solar — que escrevi 
como dissertaçlU) inaugural para o meu acto de conclusões ma- 
gnas. £ Copérnico foi o espaço, e eu apeqas sou um leve átomo; 
o sábio de Thorn foi um sol brilhante no firmamento da sdeur 
cia, e eu, filho d*e8ta Universidade, sou um obscuro satelKte. 

Este dia, tfto solemne e feliz para mim, senhores, e o dia Si 
de junho de 1633, tão triste e funesto para o grande Galileu, 
elevam o espirito a grave meditação. Galileu, pelo crime de re- 
velar por uma forma nova e evidente a translação tenrastre, fti 
condemnado á prisão numa das masmorras do SanetoOfficio, 
e obrigado a ler de joelhos uma abjuração, que a lingua mais 
devassa não pode repetir ; e eu, senhores, que sustentei, com os 
trabalhos de muitos sábios illustres, o movimento de todos oe 
corpos do universo, fui habilitado para vir a este logar. O 
martyr da sciencia, que descobriu no céu desigualdades novas 
e novos mundos, no dia 22 de juuho de 1633, no convento de 
Minerva, foi arrastado á mais sviltante abjecção que a maldade 
pode inventar para um génio nobre; hoje, senhores, no dia 4 de 
março de 1872, protegido e amparado pela benevolência dos 
meus mestres, venho pedir aqui a mais elevada honra que a 
Universidade pode dar. 

Sublime revolução foi esta, senhores ! 

Alta e muito alta é a honra que peço e com intinia confiança : 
um logar entre os sacerdotes da sciencia. Não sou animado so- 
mente pela benevolência dos meus mestres ; enthusiasmarme até 
a Índole do século que vai correndo, século que dous factos su- 
blimes tomam o mais glorioso de toda a vida da humanidade» 
Durante muitos annos, na opulenta America, psrte d*nm grande 
povo esmsgou com jugo servil outra parte ; no dia 28 de setem- 
bro de 1871 todo esse povo foi illuminado e aquecido pelo me- 
smo sol resplandecente dç esplendida liberdade. Ha pouco ainda, 
neste velho Portugal, cuja historia é a mais profícua lição par& 



i77 



a» foyéli^ o (»{fne;4;tii9 íj^felífi et» punido 4om outro onà»^ 4a 
sociedade^ 1^9J6,, ee^hòres, a sociedade, juiz e pae, julga ejsalya. 
AiJtob^tào thAptataítnbã e mkrstvilhoe^^lío olmdfa ^imida, ie^ 
cajò teatplti aMf^tásM nrimba pedir um lii^«r e m alta (Ugiáéada 
do seu sacerdócio. 

Ancioso espero o momento em que o meu nome, embora multo 
kamilde, se^ iascripto no iávro d^oiso ^'edta Universidade. 

Permit^me ainaa, senhores, protestar aquj, tmbliaa e «o- 
IflBMiemenU, todos os eent&meiíios que tão ^ofuaaae delkkaa» 
mente me agitam aetfta hora. 

I)eflde: o instante em que senti 9 priíaeiro tbíq de Iwi, «eitho- 
rie, .faoave ura cDraçao que as minhas dores alÕi^am mais do 
mm «o Hieuy /Um homem que a minha felicidade- tounava mma 
relÍ8;do que a «mm e |iara>quem eu eiva 'tudo. P«lsa bem perto 
de «ia esse eofaçlio, agora mais í^a e aiegve que^meu. x^l-« 
(íi^ntando para o ipadrinko ). 

Tendes-me dirigido com teirnos onidados^ meu pae ; na com- 
paaliia d *uma TÍrtuosa eeposa, irmã da minha sanota màe^ 4e|i* 
dflihmie amparado com afieetuosos caçinhos ; para, a «minha feli- 
GÍdadd Bittitoe sacrifícios haveiareocibido-coiM»^ dons docéa<;>mas 
devo^todiaiiito mais ainda, e muito mai» vos agrade^ em -hora 
tila -f^ía ««oleraíne.. A sublimie pureaa -d^s vossos áB^Í0i6ntos, 
a anatara honestidade do vosso caracter e»o firme empenhoioom 
que haveis seguido a bel! a e ingi'eme estrada do trabalho hon- 
rado, meu pae, sào eiemploe ib li^es de valor knmenso eômo 
imiBètída'é a manha gratid&o.A vossa .bençÂo, meu^e, éhoje 
ain^ para mim honra mais elevada do c^úfe a que veuho>pedii]:. 

As .feeuldades de mathematka <e pbilosophia dis^o um pro- 
testo^ sÍBoerò da mais viva gratidão, |>ois aesteiogaraubi^ iguiado 
per<tedos os meus mestres. A/eceitae'm'o^ illkistres professores;; 
pertence- vos pelo respeito e affecto o coração que o inspira. 

UolJ^ sr. Tiseonde ^e Villa Maior^ digae^^ae aeoliíer bebavola- 
meate um ^voto intimo <e espontâneo ^lu^-aMuúfesto jequi ao mau 

Kix i qne « pátria seja sempre ^ata aos !servítço8 q»ie v, ex:* 
B presta, eomo reitor doesta Universidade, aenviçoa digtíos dos 
naièeseeiui valiosos que iUustram «a vidarde v. aK.*,iglocaoea 
nas armas, brilhante nas letaras. 

Muito (penhorado vos agvadeço o favor <da vossa ipresença, 
parentas «1 amigos, qne estaes aqui. piaraab^açar^aBe nesta ledta 
oa^ieiMlida. Acveditae 4|ue a^nii^ gratidão oorvaspoiíflle laas 
vosMMsedtimetltos. Aos aml^s<e.parettteB;au8entas envio dJaqui 
saudada» de ^^eirdadeiro affeeto. 

O sr. dr. Baymundo Venâncio Rodrigufds, < (|ue ;par 
differeiíttô vezes foi presitleiíte Úa câmara miinícipal de 

12 



478 



Coimbra, lente de véspera da faculdade de mathema- 
Uca, fazendo nesta occasiSo as vezes déi lentè de prima, 
conferiu o grau, depois de ter pronunciado o discursa 

seguinte : 

Senhores. '— A majestade d*e8te acto, em que pela [nrimeíra 
vez a lei me obriga a fallar em presença de anditorío tíío illnstr» 
e notável pelas suas luzes, impo&-me deveres de certo bem 8npe> 
riores ás minhas diminutas e acanhadas forças ! 

Se comtudo me acompanha o desanimo pela certesa de que 
não poderei corresponder devidamente ao cabal desempenho do 
que a lei me incumbe, adquiro por outro lado iorças e alento, 
quando vejo que me dirijo ao mais esclarecido auditório do psis 
presidido peio nosso sábio e virtuoso prelado, o eJc"^ sr. visconde 
de Villa Maior, com cuja benevolência conto; e composto do res- 
peitabilissimo corpo docente, cujo sabsr e illustraçfto me d&o 
direito a esperar que seja indulgente para comigo ^da briost 
e applicada mocidade académica, sempre e por excellencia do- 
tada de generoeidade — e de tantos e tfto respeitáveis ddadioi 
e hospedes, entre os quaes temos a honra e a satisftiçfto- de ver 
Sua Majestade Imperial do Brasil, que nâo hesitará de certo ea 
liberalisar sua elevada benevolência ás faltas oratórias em qoe 
possa incorrer. 

Assim o espero, respeitabilissimo auditório. 

Senhores. — Assignalado ficará nos annaes da noesa Unive^ 
sidade este fausto dia, em que o joven e distincto candidato, 
que vedes presente, vem receber neste alcaçar das scíencias o 
grau de doutor, prémio devido aos seus trabalhos litterarios, e 
justa retribuição dos estudos^ que com tanto zelo e aproveitt* 
mento aqui fez. 

Assignalado por certo, porque, sendo este acto sempre solemne, 
torna-se hoje solemnissimo com a augusta presença de Sus 
Majestade Imperial, o senhor D. Pedro ir, que, honrando sohfO- 
maneíra esta academia com a sua visita, a enche ao mesmo 
tempo de jubilo por lhe proporcionar a dita de poder tributar 
as devidas homenagens do mais profundo respeito, e de juits 
admiração pelas virtudes e sabedoria, que tanto distinguem o 
digno chefe da naçãr brasileira, á qual nos ligam o mesmo san- 
gue e a mesma lingua, a que nos prendem as mesmas tradiçSei 
honrosas, a eommuuidade de costumes e identidade de institui- 
ções politicas e ci^^is ; e cuja presença finalmente nos fac reoo^ 
dar que a mesma dynastia e familia cinge as duas coroas bra- 
sileira ^ portuguesa. 

Beceio, sejohoresy^offender a proverbial modéstia de Sua Mi- 



^ 



479 

jestade Imperial, narrando o tino e abnegação com que tfto escla- 
recido imperante tem governado os nossos irmàps do novo muu< 
da O que a Europa culta tem apregoado das altas vi^udes e 
Tasto saber do grande Imperador, na de a historia imparcial 
eonserval-o em letras de ouro para exemplo e modelo dos que 
a Providencia destinou para chefes das naçues. Suppra, por ísíK), 
o meu silencio forçado o que a historia ha de proclamar aos 
quatro ventos da teria. 

Parabéns, pois, il lustre candidato, por esta tão feliz coinci- 
dência! A coroa de louros, que cingirá em breve a vossa, fronte, 
éa ultima e a maior honra, com que a nossa academia premeia 
OB seus filhos predilectos. 

Depois de terdes concluído, com gloria e louvor, o curso de 
Mieneias mathematicas, e passado triumphantemente pelas pro- 
vas mais subidas e rigorosas, estabelecidas nos nossos estatutos, 
Wndes hoje receber o grau de doutor na faculdade de mathe- 
matica. 

As sciencias mathematicas serviram, desde todo o tempo, de 
base aos conhecimentos positivos da intelligenda humana. 

Quem ignora aquella celebrada inscripçao da antiga philo- 
ec^hia — Nemo geometrtae ignarvs huc ingrt^âititrf 

A geometria nào serve unicamente para rectificar o espirito, 
dá-lhe maior extensão, multiplica- lhe as forças, e habitúa-nos á 
exactidão em todas as cousas. Não esqueçamos que os génios 
mais elevados, aquelles mesmos que se entregaram á metaphy- 
sica, eram ao mesmo tempo grandes geómetras ou mathemati- 
60S, pois que estes dois nomes se confundem. Bastará que ci- 
temos Platão, Pythagoras, Galileo, Newton, Leibnitz, Descartes 
ePascaL 

Quem ignora que o admirável progresso, ou para melhor me 
expressar, prodígios quasi milagrosos da industria e da mecha- 
nica, que se estão passando debaixo dos nossos olhos, e que se- 
param pasmosamente o presente do passado, são devidos na má- 
xima parte ás mathematicas, e ás suas numerosas e variadas 
applicações ? 

Já desde o tempo do grande Pedro Nunes as methematicas 
eontaram nesta Imiversidade muitos e illustres. cultores, que 
alcançaram famft não só na pátria, mas fora d'ella. 

Ainda nos sôa o nome d'um José Anastácio da Cunha; e po- 
deria citar muitos outros, mais recentes, de grande credito e 
lama para a nossa escola de mathematica. 

Seguindo o exemplo doestes illustres sábios, sirva-vos de esti- 
mulo, caríssimo candidato,, para proseguírdes com fervor na cul- 
tura das sciencias exactas, o insigne triumpho que hoje alcau- 
^aes. 



"Tl ■ 
• ■ 

Àssíú^ cáfrrédbóÁdéréis ás sollitjftttâèto eêM que Vela j^elo trai- 
gi'è'é^ò 'ãtíB '^atúabko éMò e i^é^fM^cíl chefe ã^eereft Ubitet*^!:. 
dade, ò ^x.^ ^. Vi'8édt[d& de Villft-nfoiop, ^igno par do Vbitfóv 
tèVifé jul^itiidò d^ escola )poly^Édtíiú^, «ócio efíbetivò da aea^ 
demía réál das sciencíhk, céfitihiendador da ordem de NoiãMi 8d^ 
nWà da CdD<^ção deVilfá Viçosãi, officiftl dadeti>r^€r^e«|)tLâft^ 
dó vaTor, íè^aldade e mérito e da legião de bonra. 

Assim correspondereis aos desvelos com qfie tm Tosdos dignos 
mèstreà vc^ jpt^epÍBlráràài o catíiinhò pai^ chegar tité %BÍSé \o^t 

A8SÍÍD, btiíàtiiéitè^éMeépc^âéttéw^^^ 
com que o vosso illustre pae, o ex."*» tir. Fnaffeiseo ^imiiel da 
Uochk í^èiíátb, dò Conselho dè íána Maj^stáde^e tím dos «ttia- 
m'éht^8 db iilá^BtrattiVti poHttj^ezà, vos educou coto bons' eiíem-^ 
pios è'éòm lábios e prtrdèiiteB ^conselhos. Tamhem é «lie hoje 
VÒS8Ò péíttbtíô ne^e solénmè iBLCto, o que duplicadamente tos 
obriga a que continueis com o mesmo vigor, como áté ai^oi, nà 
cult lira dais ^cTéncilaSy ctijás jf^òrtas vos íbraiA abcfrtas 'pot vosso 
pae exífôiííòsô ! . i • 

'Rést&-n)e >Ítlda'ftdorh'ftr-V6f8 cóM «s iíisigíiias doaUxtsMN». Aqui 
tendes a cotÒã., bomo etnblema da victoria que «leairçaiÀè; t> 
annel, symbolb 'âa amizade que^ deveis consagrar -aos oollegas, 
da frálèi^nidáde qúC Vòs deve ligar aos homens da sciencfa ; o 
livro, emblema da «ciência, significativo do campo qne deveis 
cultivar eéarpldtTir com vòssá perspicácia e int^Iigencili. 

IdeltígoraiecebÁefr os abrais e o osculo da pto, e depois voitae 
â dar 'gi'tíÇa8, ^riíneito a Deus, ftmte e origem de todos os bens, 
depois atòdos qtte vos obsequiaram com a sua preseA^. D*ee€e 
modo vos mostrareis digno da honra que vos foi concedida) e 
que será, flHbémetite ò Creio, perekme incentivo pára voS tor- 
nardes 'é&ák vez mafs digno pelos sentitnentòs reíigioiK)», 'pela 
integridade de tíoãttímiés b pelo estudo e amor lúoessante da 
scienci^. — Disáe. 

NesU solemnidade lambem oraram mais dóís doqloires 
da fecnldade, ossrs. José Joaquim Pereira FalcãOí^e^oSo 
José d'Anías Soiíto Rodrigues. Os seus discursos, iÈffli 
<»nfonnfdade com as praxes académicas, foram m 
latim, circumstancia por que deixafmos de os piibKfM'. 



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vmn « ^ v«tt^« 



1 



teò dá universidade deseen paleta ç^il^ d^ M^^v^^ 
€kic)i visitar ^ Sè Velha. 

£ra uma hora da tarde quando eaH*(Hi wst(^ f)Q^ve} 
moáumento de i^rcbítectur^ r<)imai)()-Í>y^ti(^i, ^y^^- 
tado na época de Âffonso Henriques. 

Sfua Majestade. fH^corireu as op v^ acif ozeirq dp tem- 
fio, 8 parou em frente dos Beguintes abjectos, que qiai^ 
kéivátú a sua attençSo : 

: rrr O tusiulo (]]0 bispo de Coimbra P« Bgi^^ Wp^% ^^^ 
o qual se vê estendida a figura do prelado com initra 
Ba oabeça, vestido, de hábitos poq^ifio^e^, q^ br^Qos cru- 
zados sobre o peito e os pés apQÍa<Íoa a un|i l^âo. p. ^gas 
teve o bispado de Coimbra desd^Ot Qm do ^qno de^^iÓ 
4íté ao de i 266, em que, tendo partido p^ra Roíqa, ftl- 
«aoçou a prelazia det Gompostella. Fallec^u em i^^. 

-trr O tumulo de D. Yetaça, filha dei Guilhelmq, cwd^ 
âe Viotemilha e aia da Rainha Sanota ]|%abel. Deixqiji '\vàr 
me&sòs bens ao cabido de Goíj3aIí)F9 por te§t^^,e^^p eqi 
i3â6. ^obre o tumulo está repr^entada en^ ypIIiQ).^ 
iilustre danva, vestida de bahito.3 religípsq$,.ff&^ i^j^ 
cuidas, e tendo aos pés doia rafeiros. I^ face fiplerior 
do moimento véem-se eptre varip$ oroatps Ireis siguiâs 
«m laiio relevo, cada uma com àu^s cabeçais. 
. tr-rO tumulo do bi^po de CQifubrs) D^ Ti^^P^^^o, ap 
ioesmo gosto do de D. Egas. D|, TibP^^í^ ^ Pf^Q^Jire ^a 
historia por ter sido um dos prelados que (p^jfl a6^C£)- 
•daneoie sollici taram do papa:I^ipQW^ iv fi dei^^bi^ni- 
«açfia d'dlrrei D, SAnebo u no apno de 1245. 

Os.capiteis de «Igqmas columqas do t^ippli?, j^- 



183 



balhados no gosto característico da archítectura romã- 
no-bysantina, nos quaes se notam variados caprichos 
da imaginação artistica nos admiráveis relevos de fo- 
lhagens, animaes, flores, grifos, festões e outras figoras 
habilmente escuipturadas. Algans d'astes capiteis vôm 
desenhados, com o frontispício do tempk), na nnpor- 
tantissima obra do sr. Augusto Filippe Simões ^-^iRe- 
Uquias da Architectúra Ronumo^By$(Mina em Por- 
tugal, 

— Os azulejou que revestem as pilastras, apreciáveis 
pelos seus lindos lavores esmaltados e pelo seu brilhante 
verniz, singularidade que tem passado qoasi desaper- 
cebida á maior parte dos viajantes nacíoiíaes e estran- 
geiros. 

— O famoso labyrinto de embutidos que adorna o 
tecto da egreja por baixo do coro. 

Ha ainda neste templo outras muitas notabilidades^ 
dignas de attenç3o, como os quadros em ponto grande 
com Bs pinturas da rainha de Portugal, Sancta Izabel> 
e de Sancta Úrsula ; as capeilas do cruzeiro, a da es- 
querda com os apóstolos em vulto de tamanho natural, 
e a da direita com o martyrio de S. Pedro e S. Paulo, 
Ilido maravilhosamente esculpido em pedra, a primeii*a 
no tempo do bispo D. João Soares (1566), a segunda 
no do bispo D. Jorge d'Almeida (1481 — 1543); e as- 
sim o retábulo da capelia-mór, admirável pela miudeza 
das peças delicadamente trabalhadas no estylo gothíco 
do século XVI, obra d'este ultimo bispo. Sua Majestade 
porém não pôde dispor de tempo para examinar estas 
notabilidades. 

O augusto visitante, depois de ter examinado interior- 
mente este deposito precioso de monumentos archeo- 
logicos de variados gostos, typos e edades, desde o 



183 



principio da: fmonftrchia, passou a examinar .aredificio 
pela parte exterior. Deteve^se exàimnaado o tamatoa 
inscripçSo do conde I>. Sisníaíddo, governador do Coim- 
bra por D. Fernando Ma^o logo depois da oonquista 
da cidade 'aos moaros em- 4064. ' : ; . • ; ; 
O gostd da architectifra do pórtico principal, a forma 
acasteUáda que offeréce ò templo Woadò de ameias ^ 
parapeitos, e? as paredes denegridas pelo sol de tantos 
séculos attrahiram também a attenção de Soa Mpjestaâe. 



'. \\ . 



: Rm de Quabra-^costas-^Arco d*AliDedíiia-^ 
i Ruínas do inpsteiro áe Sancta Glara 

' Deixando este templo; pedhi ique o encaminhassem 
pela rua de Quebra-costas. O sr. cónego Manuel Mar- 
ques Pereira Ribeiro lh'a indicou, e Sua Majestade,' 
descendo por ella, disse que a qneria conhecer por lhe 
haverem fatiado muitas vezes doesta rua dois seus an- 
tigos preceptores, formados na universidade de Coimbra. 

 rua de Quebra-costas é uma das. mais declivosas 
de Coimbra, tomando-se por este motivo (ejecto de 
reparo e curiosidade para os visitantes. 

O sr. Teixeira de Vasconcellos, fallando d'ella na 
interessante obra Les Contemporain», diz-crue dont Is 
pente rapide lui a valu l& líom áe Cas$e4€i-dosit (Que* 
bra^costas). Também ferio a fttenção de mr. Chavi*- 
gnaud, que escreveu: o L«e Portugal m'8pparaitcòmine 
le véritable Éden, surtout depuis que mes yeuxont 
été éblouis par le magnifique paysage de Coimbra, Quel 
dommage pour en jouir pleinement, qu'il faille con- 
stanmient gravir des rampes impossibles et ces rues si 



C84 

bíeD nommies Oneòra-^iuié»^ qne neufi ont légoèns nt» 

Ptísando^lo Arco A'Alnedíjil, bmtiioé nfid^nota* 
itts<fdifieiofe ée péímln^a ficiaftia^fafaríoãi átí cantam^ 
grande altura, fecho eii (i^va^ e appaffeBeia i(ki anfti^ 
fnidàde» aipnnnqa «)»< paiticiiar ^uriosidbda «tá no- 
taviri ctoiístiruc^iO' B o biqaSo de Ccriafbraa^|Bandiâo>att 
eoHocar t>dr elntei: Dj Maimie);k6^(]^'tanto; teiii dhdÍQ qg^ 
faAtr a ^eta» elprósadèrea.ii' i i .' • . ' !f^ < < 

A denominação Almedina foi interpretada pelo anctor 
da Historia breve de Coimbra como equivalente de san- 
gue, 4izeada quie m fkkn aashn; ebtuMiiido este arco 
pela grande k^orrent^ dWI^ que aW Mipr»80fi%m 1064 
em raz3o da carnificina feita pelos chrístSos aos mouros 
sfi QGcasiSo da conqoi$ta da oidaãe^ Poré» a veihdíadeíra 
interpretaçio doesta' patana è>a que lh»;dá'iFraiiQiso9 
Lopes Tãtaarid, beneficiado em Grana Aa, dúi^do q«e 
Akmdma ^ mtne mooriscov e significa «tdo^ajivYmia; 
por onde, fòrta deAimedioa è o mesmo que porta dl 
cidade grande, opinião esta eeguida. tambein pele sr. 
Ayres de Campos no seu bidicê Chronoloifieo, pag. 14. 

Desceo para a Calçada, e encatminhoQ-sd, smipre a 
pé, para a ponte atè ao convento velho de Sanda Ciara, 
cujas, relíquias foi examinar. As invasões do río e o 
alteamento dos terrenos margínaes, produzidos fior ei- 
las^^ifjoramvnè atterratidov de modo que hojeaõtasta 
diesebberliQ o andar superior do coQvenfo,, o qual foi 
a^handonado em 1677 pelais venerandas reHgiosas qoe 
D habitavam. 



; • r ' I * 



19» 



Visíita á Lapa dois E&tòios 

Concluída eàtá'inspècçSo característica de um apai- 
xonado investigadbi* àfrChéológõ, subiu para a carroa- 
gem e dirigiu-sé ã cjcitóta dàs tíaiinas, propriedade dos 
srs, condesáo toésmot|tufó'.Pòéàue está^^^^ um sitio 
pittoréstò é melanchdlícò, jtiríttí do Mondego/ que in- 
spira e convida os podtàk; é pòF isso tem sido por elles 
cantado, merecehdo qtré d sf. víèconde de Castilho o 
escolhesse para templo á^' Festa de Maio, e do Dia de 
Prítnareré)t, que alli Celebrou. 

Attraído pela fama' db 'sitio, quiz o Imperador levar 
comsigo as impressões que produzeín *a solidão da Lapa, 
a corrente rumorç^ante tfo rio, a sombra espessa dos 
arvoredos, a vista dbs mlt^ntes, á embrenhada vege- 
tação (|ue trepa bèlassatiendas escarpadas, as flores 
agrestes estendendo o seu manto de matiz pelo dorso 
dos sarçaes e pelos parapeitos dos sucalcos, emfim as 
inscripções dos poetas nas lapas, nos troncos e nas 
paredes, a companhia das aves, os panoramas frontei- 
ros, o fundo, ao longe, da montanhas colossaes. 

O IwpçríidoF» aoompafthíMÍQ peto* $r^ Pqpíq Alegre 
9 Imm do Bom Retiro ^ d^ Itaúr^^, çbegido <i{uei M á 
4«Mata, apeourse^ e tonv)u o caminha frpndoso da Lapa 
do» &taio9. A Rieio d^|t^QrQ^ o ar. (màei ^s, Ç»m?», 
qwt imi»adiiitamef)tei» acori^Qu ao encontro de Sna Maj^^ 
ii^ajogo q»e o avisaram da. ^wi presença pa quipU» m- 
^sontríindQ-Q já oaqualie fQUo^ mi^-^ coaipriç^Ptou, 
acompanhando-o durante a minuciosa visita que foz ^ 

iu^pUlorasc^g propríodade. Chegando á Upaamoparcha 



t , 



brasileiro leu a seguinte inscrípção commemorativa da 
Festa de maio, gravada numa lapida; 



AQUI CELEBROU A. F. DE GA$TU410 

GOM OS SEUS AMIGOS 

A FESTA DA PEIBf AYEPLA 

DONDE AO SITIO SE MUDOU O.ljIOMB 

DE LAPA DOS ESTEIOS NO DE LAPA DOS POETAS, 

AQUI VOLTOU 
NO QUADRIGESIMO ANNIVERSARIO DA FJSSTA 

DE MAIO, 
A 1 DO MESMO MEZ DO ANNO DE 1862. 

ESTA MEMORU 

PARA CONVITE E INCENTIVO PE^iPETUO 

AOS CTSNES DE COIMBRA 

A MANDARAM AQUI PÕA 

NO SUPRA CITADO ANNO 

D. JOSÉ BIAHIA DE VASCONCELLOS AZEVEDO 

SILVA CARVAJAL 

E 

GONÇALO TELLO DE MAGALHÃES COLLAÇO. 



Colheu O Imperador algumas folhas de hera, e as arre- 
cadou Da sua carteira, uma das quaes, como se verá, 
era destinada ao sr. visconde de Castilho; D'alli passoti 
ao pequeno terraço superior á Lapa, onde se demorou 
alguns instantes, subindo em seguida ao mirante mais 
alto, donde se gosa a magnifica perspectiva do sul do 
Mondego, que Sua Majestade contemplou com inte* 
resse. 

Neste ponto ha uma lapida com uma sextilha, feita 



-187 



em 24 de junho de 1844, por seis poetas^ cada om 
dos quaes coodpoz am verso. Diz assim : 



Jocu) de Lemos sobre as azâs da poesia 

A. M. Couto Monteiro. . aqui nostbouxe a amizade^ 
/. Freire de Serpa. , . . cantemos nas lyras d'oiro 
L. da Costa Pereira,. ... esperanças pa mocidade, 
A. X. R. Cordeiro • . • ., E aos bardos da primavera 
Augusto Liijítíi , • mandemos uma saudade. 

Próximo d'esle ha outro mirante, cuja parede está 
cheia de pensamentos e lembranças dos poetas que o 
têm visitado. Aqui se deteve o mònarcha, copiando 
alguns versos e escrevendo no fim da copia: «Quinta 
das Gannas, 4 de março de 1872.i» 

Percorreu ainda outros pontos da quinta, que offere- 
cem á vista os esplendidos panoramas que cercam o rio 
Mondego, e entrou no palácio, onde admirou a bella 
vista que das suas janellas se gosa, e lhe mereceu es- 
pecial attenç3o o busto do sr. visconde de Castilho, col- 
locado em uma das salas*. 

Este busto é de magnifico mármore de Garrara, e 
devido ao aprimorado cinzel do sr. Francisco de Assis 
Rodrigues, professor de eSèulptura da Academia das 
Bellas Artes de Lisboa. Sua Majestade gabou a sua fi- 
delidade e boa execução. * 

Á sabida despediu-se affectuosamente dos srs. conde 
e condessa dás Gannas, aos quaes dispensara sempre a 
níalor afiábilidade, deixando-os por isáo pei^horadissilnos 
e justamente reconhecidos. 

Os srs. condes maodafam gravar Ma bma pedra que 



t88 

já e«tá eoHMadn m sqa quèí4«. a 9eg«mt9 ÍDs<npç$o 
commemorativa <la visita diP. bnpwadoí; : 

NO DIA 4 DE MARÇO DO ANNO DE 1872 
FOI CfsTÁ LAPA DOS POEtXs HONQADA ÇOk' A Vtô^XÀ 

S; M. I. o SR. D.. PÊDBO H D.O B^IASÀ,^ * * ' 
QUE D^AQtl LÈVOtJ ALGUMAS TOUU^ DÍ!^ It^ik 

PARAllkMORU. ..' 

ESTE PADBXO MANDARAM AQUI P6tt ' 
OS CONDES DA QUINTA DAS CANNAS. 



' . ■ . ■ . 

Regressando á cid9(t#, ; entrOM QO hpC^l» e j$3Í)|ijt lQg(^, 
acompanhado pela Iaiper4iU'iz» dirígin^OrS^ psira. A pa- 
je^toso templo de Saneia Cr^^» ond? foraq^ rec^ln^P^ 
pelo reverendo prior» o l)ia/(^el MaQV^l Cardos dé Fi- 
gueiredo Nogueira. 

A primeira cousa qqe viram foi a pia bapU^Rwl^ qua, 

posto não seja primor de esojy()ptura, é ÇQmi^itdc); peça 
apreciável do e^tylo da rena^epoa. flq)ararap^ P?. tu- 
mulo, collocado á entrada, peirt,enpej)|^ ^ (amilia Gpgor 

minho, no qual se v^ qg) Iwn^Q C()pp)^U> de ^ çhavení» 
eircumstaocia qqe ie^ ^m quQ fom muda(}9 PMn ^ 
porta por ordem de el-rei D, MaPU^l» qq|indQ'$9T'^ 
taurou a igreja, poia qqq, twdo ^ cbav^^ píur armas, 
razão era» no oonoeilo d'aquelle moDarcba» quq i^çassp 
á wtrada da porta, O Imperador adi w çihwp* «?í? 
tradição, que lhe foi referida VQP $imõe$ 4<^.Qas(rq, 

^qaiãdo esiQ, poji^a dopoi^» rôaebflB dB ÃP? Afejeçladô 



vr,t I I ■ m 1 1 

ficio, / 

Sliàs Miqésdádeb fijfe^m i(n»açiG ma capella -do San- 

ktísdita6, '6 depfH^ Vir£rm ò^f pito, considerado nm 

}òía dè^^f^iffMm ^élò mimo e gosto dois seus kvofels^ 
Pófi ler^db iá 'õttínfííl ^^peá^Sd de PaHs ^ modelD 

em gesso d'esta ' famosa peça e ahí foi vendido pof 

ééí^ib'^^ a vigitò àos itumâlos 'de iD. Aífoáso Hen^ 
liqWès ^D. Sancho 1, tia bpeU» mòr^ e nelies 'oímpe^ 
ffldo^ leu aã hiscrlpeões lâftinas dos epitaphsos. 

Pássàtwlo á sa<5Hsttia^ etavnrna» attedtsrmente alguns 
dob -^dâdros mais 'notáveis ^^e adornam às paredes, 
chegando a subir â cftimâ do contador pã^ra ver de pert6 
a 9lteigtfatm*a dèlimd^elfes, que lhe havia sido hidi- 
cada por Simões de Castro, o qual» estanâo proirtmOv 
fci pelo >&rfet*endo ptíor, que fora &eu condiscípulo ínas 
koMb dé direito, apresentado a Soa Majestade. SimSes 
de Castro havia enviado ao Imperador pela posta interna 
vítíí 'bteií^tar dò sen €rtm histórico 'do vicgtmte em 
Críiinbra, eòtftro do isett ^Bmsãode Coimbra, e portiil 
motivo recebeu os seus agradecimentos nesta occasiSO'. 

O IttíJ^ôWitíor subindo, como «dissemos, ao contador, 
encontrou FfO lòdal ilràii^dò a assignatnra de Velasoo; 
e,^òUàndò^^ pai^à um dos'da sna comitiva, disse pa- 
receWiie tjne «líí ô ei-a o Velaf^jiíez de Hespanha ; mo»>- 
tk^ando biáto, còMo etn dutt^as obsetvaçõeis, eòm ^e 
àctíifypfM^íháva 'o séu 'ex^me, qae tekn ^eonhedmontOB es- 

I>'è^ès<qMidros já Simões >de Castro tínhb e^rípU> 
6 Sè^iMfe WdH."* a:í85 dò 4hHimbricênse de 1868 : 

«[...'ds^dòià 'quadres mais celebrados «fue illi e«s- 
teiH -^Htti' fintaado por VéhMo, ttipltm^míAo 'bPen- 



190 

teeostes; e outro assignado por Owa, figarando o Ecce 
Homo. 

Estes quadros eram tidos por obra de Grão Vasco; 
mas, viajando por Portugal em 1865 o sábio iuglez 
Robinson, e fazendo varias investigações acerca das 
nossas escbolas de pintura» pôde d^icobrir as assigna- 
turas acima indicadas. 

No primeiro quadro vè-se a assignatura uuma espécie 
de papel meio enrolado ; a .do segundo está numa das 
lanças dos guerreiros que nelle se vêem representados. 

Robi-nson publicou ha tempos uma interessante me- 
moria, elaborada com esclarecida critica, acerca das 
suas investigações artisticas, e nella falia com muito 
louvor doestas duas famosas pinturas.» 

Esta memoria foi depois traduzida pelo sr. marquez 
de Souza Holstein. 

Passando á capella de S. Theotonio, contigua á sa- 
<^ristia, perguntou se os quadros que alli havia, eram 
de merecimento. 

Respondeu Simões de Castro que n3o, mas que era 
digna de notar-se a esculptura da capella, que é obra 
de Thomé Velho. 

Visitou depois o claustro do Silencio, notável pelas 
suas esbeltas arcadas no estylo manuelino. 

Na capella de Christo viu os túmulos de dois priores- 
móres de Sancta Cruz, D. Pedro Gavião e D. Jo3o de 
Noronha e Menezes, o primeiro dos quaes foi quem no 
tempo de D. Manuel procedeu ás obras da restauração 
do mosteiro. Na mesma capella examinou também o 
tumulo do primeiro bispo de Miranda, D. Rodrigo de 
Clarvalho, o qual do collegio dos Borras foi ha poucos 
annos transferido pela camará municipal para a referida 
<^pella. Sua Majestade leu^he todo o epitaphio latino. 



l 



191 

Admirou os retábulos em alto relevo do claustro, 
attribuidos ao insigne esculptor Jo3o de Ru3o. Nesta 
occasiSo Sim5es de Castro mandou buscar e offereceu 
a Soa Majestade o 1 ."^ volume do seu Panorama Pho- 
tographico de Portugal, que contém a photographia 
de um dos altos relevos, a que nos referimos, com a 
historia da reedíficaçSo doestas obras. O Imperador agra- 
deceu muito aquelle livro, que contém photographias 
e úotieias dos muitos objectos que andava visitando, taes 
como a^estufa do Jardim Botânico, o interior da sala 
dos capellos/ o edifício da Universidade, a porta da ca- 
pella da mesma, os conventos de Sancta Clara, S« Fran- 
cisco, Ponte e rio Mondego, e duas vistas geraes da 
cidade. 

D*alli dirigiu-se ao coro, onde muito apreciou a ma- 
gnifica obra de talha que orna as cadeiras dos antigos 
cónegos regrantes, fabricadas de preciosas madeiras 
mafDdadas vir do Brasil por el-rei D. Manuel. 

Durante a visita tocou o afamado órgão. 

Em seguida visitaram o Sanctuario e escreveram os 
seus nomes no livro dos visitantes. Passaram ao claus- 
tro da Manga, donde em seguida visitaram a casa da 



Associação dqs Artistas 

Atravessando pelo interior do edifício, desceram á 
vasta sala da Associação dos Artistas, por convite da 
K)cio, o sr. José Corrêa dos Santos. Foram recebidos pela 
direcção, presidida pelo sr. José de Figueiredo Pinto, 
actual presidente da assembléa geral. 

Percorreram a galeria examinando attentamente os 
quadros que adornam as paredes, entre os quaes se conta 



19Í 

a'|AiOtograj[)hi(i de sr. 'Infffffte D/ÀAfUAe.^^Daqiie de 
Oerttâ)ra, que o imperador Mtoo. O sr^ Fi^ocAfeái 
PkiU) chamòU a >dua atlençaio ^pitr a a aságtiflíttira, 4pie >o 
qu0drD «em, feita f)elo próprio puiiho do éc. Snfaiite, e 
éectot*a¥Hto^e prexâideríte honorário <)a A^soDiaçio^ 9 'que 
Sufii Majesláde chs^vòa, ^xprímmdo^ise-eoiB piria>ms éb 
t^omentáoientd. > 

<itti&do<aored¥ilo, oâde esiavatn loolloeaââBwbBQM 
iSafà auta^, diãíse^lieo sr. Figoeit^oiPfato-qtte aqttihs 
6t*ám as friá^s da c^^, isignific^aádo os ioetrameotos 
de èfUsítíO dos filhos do trabalho. 0'monarebi pergnih 
t0tt^)he se eys-curso^ eram diurhos ou nootoFttos, céiai^ 
{rtrassendo-se de saber qoe eram nocturnos. 

Indagou mais quantos eram os alumnos, e se atinltos 
m tíí&íWte^. Ouvindo que os akmmos «md 'BOI e 
40 èfAuho^ aproxrmadametifte, notov ò pomo cuníiéro 
i9-e^fó> eiogo ^despediu, dirigindo «èiipr^^ 
vras de elo^ e ificitamentb á msocíaçSo, e mm mm 
directores, os quaes tíiveram leonstante ocoacAo iié>ob- 
siérVár que o iHu^Mido monarcha se mostrava isAis- 
feito, e >retiòt)lieci^ a dtiliidkde <ia mia iassDcúaQiifi, ben 
eomo ^ reg«rtdr(dade CítDtti que se «oha orgMMSftda.. 

Esta associação, que hoje se acha em estado pros- 
pero, foi fundada por esforços do sr. commendadorOlym- 
pio Nicolau Ruy l^erwainílete, q»e per 'Hlguns annos foi 
seu presidente, e lhe prestou relevantes serviços. 

Á despedida o sr. 'Figueiredlo <Pinio 'brindou 10 Im- 
peradcír com ium eseimplíar do itetatorto 'áa sHqxftiçlo 
dlstríctal de Coimbra em 1869>e(Com crutro r9kítoríO'<li 
gerência da AfSdociaçSo m uHimo ianno. 



tn 



:■■■■'■"■ ■ ■ ' • : iií- 1- .■ 

... Ojointa das Lagrimai e HoaCedos Amf»:^ . 

Passava das 3 horas quando Suas Maje3tad6s e a sua 
comiiíva eotraraiB novamente nas carruagens e parti- 
ram, para Saneia Clara. CkHno porém fiosse mais cedo 
do foe a hora aprazada com o sr. bispo-conâe, sem o 
qual não podiam penetrar no mosteiro» retrocederam 
pifa a ^uinla das Lagrimas. 
. Posto que s^m prevenção, o sr. Miguel OsoHonão 
dicvidava de que a fama bistortca da quinta das Lagrimas 
í&Qi deixana de attrahir alli o Imperador : por isso tinha 
mandado vigiar a direcção que Suas Majestades tomariam 
porii 06 ir esperar, sem que quizesse fazer-lbes coQTite 
e^eisá para visitar a Fonte dos Amores, não só em at* 
tencio ao incógnito que Suas Majestades guardavam«.mas 
ainda porque sua irmã, a exm.* sr/ D. Maria do Ó Vel- 
lasques Sarmento, se achava já gravemente doente da 
moléstia que pouco depois a levou á sepultura. 

Vendo que effectivamente o Imperador se dirigia para 
a sua* quinta, mandou adornar todas as janellas do pa*- 
laoio com magniticas colchas da Indiá: bordadas,, que 
produziam um bonito effeito pela variedade das oores 
e riqueza dos bordados. 

O dono da casa, sua mãe a exm.* sr."" D. Maria da 
Conceição Pereira da Silva Fóijae e Menezes, suas ir- 
mãs e sobrinhos desceram para. o pateo á espera de 
Siiflrs Majestades. 

Apenas chegaram, o Imperador descobriu^se e affa- 
velmente se dirigiu ao dono da casa,: que se aproximara 
dt carruagem, e lhe perguntou se era o sr; Miguel 
Osório. Respondeu este que sim, e outão SuaiMajestade 
lhe pediu licença para \isitar a sua quinta^ Diase o 

13 



194 



sr. Miguel Osório que» por esperar já essa honra, tinha 
vindo com sua família receber Suas Majestades. Feitas 
as apresentações do estylo, Suas Majestades dignaram-se 
subir e entrar no palácio, onde descançaram por algom 
tempo na bella galeria envidraçada» que estava, coma 
de costume, adornada de plantas e flores, e offerece 
um deslumbrante ponto de vista das margens do Mon- 
dego e da cidade. 

Percorreram Suas Majestades as salas, e em todas 
notaram o bom gosto e simplicidade dos seus adornos, 
e particularmente apreciaram a sala dos retratos de br 
milia, toda mobilada com trastes antigos, riquíssimos e 
muito apreciáveis pela harmonia do seu estylo. 

Demorou-se o Imperador nesta sala a examinar umi 
collecção de estatuetas, que representam os hábitos das 
diversas ordens religiosas que existiram em Portugal, 
a qual se acha em dois magnifícos armários antigos de 
pau preto, ricamente entalhados. 

Também nesta sala mostrou o sr. Miguel Osório a 
Suas Majestades uma apreciável memoria de D. Ignez 
de Castro — algons fios dos seus cabellos guardados em 
um lindo relicário. Estes cabellos foram obtidos pelo 
antigo par do reino, o sr. António Maria Osório, pae do 
seu actual possuidor, havendo-os do major Rodrigo 
Fera, que no tempo da invasão franceza, passando em 
Alcobaça com o regimento de milícias da Figueira, de 
que o sr. António Maria Osório era coronel, os alcançou 
em consequência da violação feita pelos soldados fran- 
cezes ao tumulo de D. Ignez. 

O que sobremaneira attrahiu a attenção de Sua Ma-^ 
jestade foi um jarro e bacia de prata, do século xvi, 
primorosamente lavrados de figuras, castellos e flores 
em alto relevo, peças de grande valor intrínseco e ar- 



195 



tistico. Â bacia tem de diâmetro 58 centímetros e o 
jarro 48 de altura. Ambas as peças s3o de lavores, a 
que os francezes chamam repoussée, e que a antiga es- 
eola portuguéza denominou bastiães. Com este nome 
andam estas peças designadas nos títulos da casa das 
Lagrimas, pois que è peça que pertencia aos vínculos 
da mesma casa desde o anno de 1584, em que o insti- 
tuidor de um dos morgados, Manuel da Serra Chucre, as 
^eiiou em seu testamento pelas seguintes palavras: 
mnculando juntamente toda a prata ao dito morgado, 
que corísiste em um gomil e taça dé bastiães, etc. 

O sr. Miguel Osório teve a bondado de nos mostrar 
os títulos da àua casa para vermos se poderíamos saber 
por elles a origem doestas preciosas peças e qual o ar- 
tista que às executou; mas, pela muita pressa com que 
fazemos este trabalho, não podemos entrar em miúdas 
averiguações ; e apenas transcrevemos do Vocabulário 
de Bluteau o que este ^uctor diz do termo bastiães : 

c Bastiões ou Bastiães, certo lavor antigo de figuras 
de metal levantadas. Dizem que se lhes deu este nome 
em razão de três irmãos ourives e excellentes artífices, 
que se chamavam Bastiões.^ O mesmo auctor, para jus- 
tificar o vocábulo, cita Gouvea na Relação das Guerras 
da Pérsia, pag. i76 vers., onde descreve uma baixella 
de prata lavrada de bastiões, obra de relevo de muito 
feitio, e a Chronica dos Cónegos Regrantes, onde se 
descreve um gomil grande lavrado de bastiães (lív. 7, 
foL 9i). Fr. Joaquim de Sancta Rosa de Viterbo dá no 
seu Elucidário a mesma interpretação, e cita um do- 
cmnento de Pendorada do anno de 1395, no qual já se 
«mprega o termo bastioensA 

*- 1 o sr.F. Adolphd Warnhagen, no glossário de alguns termos 
«eiipectivQs á architectura, com que termina a sua t Noticia do 



• • 



 elegância do jarro, qae já esteve exposto m ei^ 
posiçSo districtal de Coimbra em 1869, & di£Bcil di^ 
descrever. 

Dirigiram-se Suas Majestades á sala de jantar, qoe 
também acharam moito elegante; e o sr. Miguel Osório 
fezrlhes notar que os magníficos aparadores de lalba^ 
feitos de nogoeira e pau preto, bem como toda a re* 
stante mobilia, eram obra de um artista de Coinbra, 
o sr. Joaquim Gonçalves Fino, que também exeeotoo 
as estantes de estylo antigo da sala dos retratos, de qne 
já fizemos menção. 

Descendo ao jardim, foram ver uma corpolenta ro- 
seira, que attrahe a curiosidade de todos os visitantes, 
porque tendo só um pé de grossura extraordinária, forma 
uma abobada de verdura, que abriga uma área de mais 
de cem metros quadrados. 

Este colosso vegetal só tem rival na celebre videira 
de Hampton Court próximo a Londres, em um dos par* 
quês da rainha de Inglaterra. 

Passaram emfim á Fonte dos Amores, onde o sr. Mi^ 
guel Osório tinha preparado um mimoso refresco, dis- 
posto em duas mesas, debaixo dos cedros que ensotte 
bram a decantada nascente de agua. As mesas, oollo* 
cadas aos lados da corrente, estavam adornadas de ISore^ 
e elegantes vasos de prata da rica baixella da casa d^d 
Lagrimas. Suas Majestades apreciaram immenso a ^e- 
licada surpreza com que os obsequiou o dono da casa, 
e serviram-se de vários doces, fructas e vinhos; e tSo 
agradável acharam o local, que por três quartos dehore 
se demoraram juncto da fonte, da qual beberam agm. 

N3o estava ninguém mais do que o séquito de Suas 

mosteiro de Belém* diz : Beêtiãès — Lavores em meio relevo de 
pedra, oa prinotpalmento em metal, de figarae de animaeai elo.» 



tQ7 

Majestades, as pessoas da casa e o sr. bíspo-conde, qa^ 
alli se dirigira, como já dissemos. 

A Imperatriz conversou quasi sempre com a sr/ 
D. Maria da Conceição, que, pela sua afabilidade e s^rà- 
ésvel conversação, tanto captiva todas as pessoas que 
(ractam com tão virtuosa e respeitável senhora. 

O Imperador perguntou se a tradição da Fonte dos 
Amores tinba fundamento, ao que o sr. Miguel Osório 
re60ODdeu, com a sua costumada franqueza, que a tinha 
{X>r infundada e por devaneios de^poetas, pois que o facto 
4o assassinato de D. Ignez de Castro não se podia ter 
passado naquelle logar, onde naquelle tempo só existiam 
«ns moinhos pertencentes ao mosteiro de Sancta Cruz, 
mas sim deveria ter acontecido no antigo mosteiro de 
iíancta Clara, que -tinha annexo um paço real, onde, se- 
gundo a opinião dos chronistas antigos, taes como Fer- 
não Lopes, residia D. Ignez de Castro ; e que a fonte 
-cantada por Camões era seguramente a que corria no 
mesmo mosteiro, que também é propriedade do sr. Mi- 
guel Osório. 

foi muito agradável ao Imperador a conversação 
^bre este assumpto, a que o sr. Miguel Osório deu 
mais largas proporções. 

O assassinato, segundo se lê em outros escriptores 
^aotigos, dignos de credito, foi perpetrado nos paços 
reaes, que estavam Junctos do velho mosteiro de Sanctb 
Clara. 

O bispo do Porto, D. Fernando Correia de Lacerda» 
fallando d'estes paços no liv. 3."* da Vida de Sm(M 
Isabel (escrevia no anno de 1678) diz: 

«€omo a Sancta fez aquelies paços para etfm maior 
jô^tí^tidãp lograr da. companhia das religipsaSr e j^ró- 
^iMTQva atalhar que lhes não fizessem moléstias»^ ordenou 



198 



que nelles se n3o aposentassem senSo as majestades e* 
os infantes successores do reino, ou algmna senhora do 
sen real sangue, a qual ella nomeasse por sua morte. 
No tempo d*el-rei D. ÁiFonso iv o quizeram devassar 
differentes pessoas, e el-rei os mandou despejar pelas 
suas justiças; e ultímam^te devassando-os o infante 
D. Pedro com a assistência de D. Ignez de Castro, que 
ainda era de cangue real, e filha de um seu prinoK) com 
irmSo, não tivera licença da Sancta Rainha. E, se bem 
em sua vida teve presumida a majestade, depois (h 
morte, duvidosa, por mais que el-rei coroasse o cadáver 
e a sepultura, aevassando-os a pessoa, os manchou o 
sangue, e todos attribuem a sua infausta morte a haver 
profanado com tão duvidoso thalamo o logar que a San- 
cta Rainha exceptuara (em obsequio do mosteiro) de- 
toda a habitação menos decente. Hoje d'um e outro edi- 
ficio ha pouco mais memorias que as ruinas. . . 

«Dos paços se vêem ainda algumas paredes, e é tra- 
dição que nellas se lê em manchas de sangue de D. Ignez, 
escripta em seu original, a crueldade de Álvaro Gon- 
çalves, Pedro Coelho e Diogo Lopes Pachetío, que sem 
embargo dos piedosos rogos, das lastimosas lagrimas 
de D. Ignez haverem mitigado com a vista dos formo- 
síssimos netos a real ira, lhe fizeram revogar o perdão, 
e como falcões carniceiros, fazendo das horrendas espa- 
das cruelissimas garras, tendo-a por indigna de ser r^, 
despedaçaram o coiio da mais formosa garça, que viram' 
não só as ribeiras do Mondego» mas todos os hemi- 
spherios do mundo.» * 

1 «Ântoiiio CoeUio Gktsoo n^ Bua Conquista de Coimbrarf, 
cap. xzvii, narrando o caso de I^oez de Castro, diz : «Cuja tra- 
gicomedia foi onde hoje se vê amas minas d*iin8 paços jnnet» 
a Sancta Ciará d'e0tá cidade, q«e se chamam o Cnlgo^ e qnaii 



\ 



499 

O Imperador retírando-se qxxii levar coBOSÍgo algamas 
pedrinhas avermelhadas, sobre as qaaes corre a agaa da 
fonte, e qae a tradiçio poética inculca como BianchadaS' 
do sangue de D. Ignez de Castro. A esta tradição allu- 
dem os versos de três dos nossos mais maviosos poetas: 

Aqui da linda Ignei a fermoenra ' 
Acabou : cruéis mãos morte lhe deram. 
Inda signaes de sangue, que verteram 
Est&o gravados nessa penha dura. 

(Ahtohio Bibubo dob Saicvos). 

Como a fonte d^Ignes soluça ao longe ! 
Parece inda chorar-lhe a morte escura. 
Osculando na pedra eternas manchas 
Do sangue espadanado. 

(J. BB Lbhoa). 

Inda, infeliz Ignez, inda saudosos 
Estes sities que amavas te pranteiam. 
As aves do arvoredo, os echos, brisas 
Parecem murmurar a infanda historia; 
Teu sangue tinge as pedras, e esta fonte 
A fonte dos amores, dos teus amores, 
Como que em som queixoso inda repete 
As margens, e aos rochedos commovidos. 
Teu derradeiro, moribundo alenta 

(SOABBS DB PAilOt). 

Egualmente Sua Majestade quiz levar comsigo um 
bocado das raizes filamentosas de côr arruivada» que se 
vêem ondular na agua da fonte» semelhando uma farta 
madeixa de cabellDs. A tradição poética, dá mesma forma 
que faz ver na agua as lagrimas que pela morte deignez 
de Castro choraram as nymphas,. nas pedras averme- 

éeita4o8 por terra, em lembrança de sua infalieidade, em que 
eetá uma aldeia de gente pobre.» .• . 



aeo 



IbadM o sangae da infeliz, inculca também aquelle rai- 
same como as trançasde sms cabellos loiiroB. B o&ioth 
ristes nSo se despedem da celebrada fonte sem qM le- 
vem, coma lembrança, alguns fios fl'aqaelles cabellúB 
vegetaes. 

É isto o que sabemos dos cabellos phantasticos de 
D. Ignez de Castro. Os verdadeiros têm sua historia 
curiosa. 

É sabido que D. Ignez £9i sepultada em Alcobaça 
num rico mausidéu, carregado de delicados lavores» 
erigido por seu extremoso amante. Quando em 1810 
a soldadesca francçza passou por Alcobaça, entrou des- 
enfreadamente no mosteiro, e, abrindo o tumulo, na 
persuasão de que nelle encontrariam algum thesouro, 
desacataram os venerandos restos da formosa amante de 
D. Pedro. Este vandalismo foi praticado no dia 26 de 
setembro de 1840, véspera da batalha do Bussaco. Foi 
então o cadáver despojado da sua bçUa cabelleira, que 
ainda se conservava em bom estado, mas alguns restos 
poderam escapar á brutalidade dos soldados. Ferdinand 
Denis dá testemunho de que vira uma carta do marquez 
de Rezende, na qual dizia que uma grande porçSo doestes 
cabellos foram levados á corte do Rio de Janeiro, e que, 
na occasiSo em que o conde de Linhares os estava of- 
ferecendo a D. João vi, os arrebatara uma forte ven- 
tania, sem que jamais fosse possível tc%*nal»os a eboon- 
trar. O mesmo auetor egualmente dá noticia de qna 
uma pequena madeixa àm cabellos de D. Ignet de 
Castro, que vira noutro tempo nò gabinete de DenoDi 
se Gdu^rvava ultimamente num relicário da ctííkctfto 
do conde Pourtales^ 

^ y Sdé N&tí^KUe Biasft-aphie €éniraUe, publicada por Fimifai 
DidotFrères. 



a«tt 

A estes factos allude o padre José Fernandes d'01i- 
veira' Leitão de Goavea, qaando diz numa das suas 
odes: 

».» bté de Castro 

Timos com magon as cinzas, 
fi os ténues fios d*otiro pelos Evos 
, Té álli não profanados, 

A dtsoriç&o dos Notos, que suspensos 
é' " Ficaram, té que as Nimplias 

Aos peitos com ternura os transportaram. 

^iTáiábeai levou algumas iVer^^tiia^ Violáceas, mol- 
Iqsoos que se dio muito bem na agua da fonte e que 
de ha muito lem<po téra attrabido a attenção dos natu- 
ralistas. 

Ao retirarem-se agradeceu màito o Imperador ao 
ir« Miguei Osório a franqueza e amabilidade com que 
»reGebeu« O illustre dono da casa pediu ent2o desculpa 
de não acompanhar a Suas Majestades fora da quinta, 
perque o estado perigoso de sua irmi nSo Ibe permíttia 
deixar de assistir a uma conferencia de médicos» que 
RSUva para se Ibe fazer. 

O Imperador teve a amabilidade de lhe dizer que 
levava d'>elle e de sua familia mui gratas recordações, 
9 qiiè, sabendo a amizade que o ligava ao sr. dr. Ma- 
liúas de Carvalho, nosso ministro no Rio de Janeiro, 
ssperava fallar-lhe no seu nome, e recdiíerta por elle 
BOtioÍBs da doente, pela qual muito se interessava ; e 
qjue iâèDiUa que talvez naquella oocasiSo lhe tivesse 
nosado incommodo : ao que o sr, Miguel Osório r^ 
piíoou ique, poslo qae em mbmenlâs de lanta dor, a 
lÉsitfl ée Suas Majestades era para elle extremamente 
bonrosa e agradável, e que sentia nio os receber oon- 



902 



CoiiTeiito de Saneia Clara 

Ás '4 horas da tarde já o ex."** bispo se achava em 
Sancta Clara para acompanhar os Imperadores na visita 
ao tumulo da Rainha Sancta. Suas Majestades porém 
estavam na quinta das Lagrimas, e o ex."^ prelado pan 
alli se dirigiu» acompanhanclo-os depois para o conv^to» 
que coroa o monte fronteiro á cidade. 

Ahi a communidade veiu á portaria, o prelado to- 
mou capa de Asperges, e os imperiaes visitantes foram 
conduzidos para o coro superior da egrejii, miagestosa 
recinto, a meio do qual se acha o sarcófago, que guarda 
o corpo da Rainha Sancta Isabel. Tocava o órgão. Os 
Imperadores, o prelado e a communidade ajoelharam 
e fizeram oração ; mas Suas Majestades nSo acceitaram 
as almofadas que lhes estavam destinadas^ 
. Depois o prelado, acompanhado da madre abadessa, 
dirigiu-se para o tumulo e abriu-o. 

As freiras entoaram então uma antífona ; o ex."** pre- 
lado cantou a oração de Sancta Izabel, e logo fez a ín- 
sensação do corpo. Finda esta cerimonia imponente. Suas 
Majestades beijaram a mão á Sancta esposa de D. Diniz, 
e o mesmo fez o prelado. Seguiram as senhoras e após 
ellas os cavalheiros da comitiva. 

Em seguida os imperiaes visitantes passaram ao coro 
de baixo, onde também se encontra o primitivo tumula 
da Rainha Sancta, obra notável' de esculptpra. Percor- 
reram depois todo o edifício, admirando a sua gran- 
deza, excellente posição e esplendido e vasto horisonte 
que d'el)e se alcança; e, tractando tanto as religiosas 
como o prelado com a mais extremosa urbanidade, saí- 
ram do mosteiro. 



303 



Jantar, recepção e offerta9 

Suas Majestades regressaram ao hotel pelas cinca 
horas e meia da tarde. 

O jantar estava marcado para as seis horas, e foi o 
próprio Imperador que desceu á cosinha, do modo mais 
familiar, lembrando que se aproximava a hora. 

Nesta occasiSo, passando para a sala alcatifada, do 
lado direito, ao cimo da escada do primeiro andar. Sua 
Majestade recebeu algumas pessoas, que se lhe apre-^ 
sentaram. 

O sr. Luiz Adelino Lopes da Cruz, caligrapho hono- 
rário da casa real, offereceu^lhe um primoroso quadra 
de differentes caracteres, obra sua, feita á penna. Sua 
Majestade Imperial apreciou devidamente a offerta, e 
dirigiu ao distincto caligrapho as mais lisongeiras ex- 
pressões, tíio só por aquelle trabalho, como pelo exame 
que fez das escriptas dos alumnos, que o sr. Lopes da 
Cruz leccionara em quinze horas na cidade do Porto. 

O sr. António Maria Seabra de Albuquerque offe- 
receu ao Imperador uma rica cartonagem azul e ouro, 
contendo as suas Considerações sobre o Brazão de Coim- 
bra, precedidas de uma dedicatória, dirigida ao monar- 
cha brasileiro, na qual o sr. Seabra descreve, em rápi- 
dos e elegantes traços, a historia d'esta cidade desde 
muito antes da fundação da monarchía até aos nossos 
dias, 6 que é como^se segue : ^ 

Senhor ! — Esta cidade congratula-se por ter dentro dos seus 
mnroe o magnânimo Imperador das terras de Sancta Cruz. 

A nossa formosa Coimbra, Senhor, só por si é um grande li- 
vro de historia portuguesa. 

Lançae os oUios para o seu bnuEfto, ,qne neste opúsculo tos 



ao» 

apresento, e elle vos dirá que em tempos já bem remotos, para 
tornar amigos alanos e suevos, teve de se offerecer em holocausto 
a nobre princeza Cíndazunda. 

Fnnda-se a monarchia portuguesa, e alli, nos campos do Are- 
nadp, foram as salas do conselho, onde, com tino e meatria, se 
combinaram as tomadas de Lisboa, Santarém, Alcácer do Sal, 
Cintra, Cezimbra, Moura, Serpa, Alooohel, e Évora. 

£m Sancta Crus jaz t> grande heroe de iodoa essas feita, o 
tronco de todos os vossos antepassados, o sr. D. Affoaso Henri- 
ques. 

£m froQíte vereis o sr. D. iSàncho u As tomadas de Albdftllnà, 
Jjagos, Portimftoi Monchique^ Messines e Paderna^ mostrulb de 
sobejo que de seu pae n&o só teve por herança o reino mas tam- 
bém o seu muito valor. 

Nfto longe. Senhor, existe o eastello, onde se eacrevea a me- 
lhor e mais brilhante pagina do reinado do sr. D. Affbnao iii ! 
Entrae... não encontrareis barbacans, miradoiros oa torres de 
menagem ; mas pedras haverá ainda que vos fallem de noites 
bem mal dormidas, doesse combate entre a fome e a fidelidade 
ao seu rei, sustentado heroicamente pelo nobre castell&o Biar- 
tim de Freitas. 

No monte fronteiro jae laabel de Aragão, a virtuosa eaposs 
do sr. D. Diniz, rei lavrador, esse modelo de amor e caridade, qoe 
que mereceu ser proclamada sancta pelo oráculo pontifício. 

Quasi na raiz do monte, que de lagrimas saudosas e mui sen- 
tidas não chorou alli a formosa Ignez de Castro pela aoseneia 
áo seu Pedro I... que de hoiTores, dopois, se não sentiram vendo 
os ternos infantes salpicados no sangue da sua carinhosa mãe !... 

Nos paços das esenolas, as antigas alcáçovas, fizeram éeo as 
vozes de João das Begras e Nuno Alvares Pereira, ao coroar 
eom o titulo de rei o sr. D. João i^ mestre de Aviz ; foram os 
nossos pães, honrados com o titulo de infançoès, que primeiro 
bradaram,— recU real por D, João i, rei de P&rtugal, 

Hoje, esta universidade, que bonraes com a vossa visita, fui- 
la-vos dos srs. D. Diniz, D. João iii e D. José i, augustos pre- 
decessbi^es de Vossa Majestade Imperial, e monarchas <)ue i 
erearam e muito engrandeceram. 

Paro aqui, Senhor, o esboço para tamanho quadro: o prímeíip 
de que vos f ai lei, foi o que diz respeito ao seu brazão, e é esse, 
que, beijando respeitoso a mão imperial, peço a Vossa Majestade 
80 digne acceitar. 

Coimbra, 4 de março de 1872. 



20S 



o monaroha trácton o sr^ Seabra com a $11» nataral 
lhaneza ; examinoa as primeiras paginas do Hvrinhoi 
e agradecen-lhe com muita amabilidade. 

Ainda .Sua Majestade teve a benevolência de recebw* 
José Alberto Corte Real, e o sr. João de Sousa Ara ajo, 
que posteriormente se desligou da empresa d'este li* 
fro. O fim da soa apresentação foi pedirem licença a 
Sm Majestade para lhe dediearetn esta obra, que então 
premeditavam, tendo a fortuna de serem honrosamente 
recebidos^ e de alcançarem a graçd que sollicitavam. 

Por essa occasi9o Sua Majestade ílallou a respeito da 
imprensa de Coimbra, perguntando se havia jomaes 
seíentificos, como era de esperar d'umá cida^ onde 
taiitos homens se dedicavam ao estudo e ensino das 
seieneias. 

Também se achava no hotel a commiss3o de estu- 
dantes brasileiros, com quem Sua Majestade conversou 
familiarmente. 

O jantar passou-se sem incidente digno de mençSo, 
reduzido como sempre ás pessoas da comitiva imperial. 
Findo elle, ainda Suas Majestades receberam algumas 
pessoas, sendo uma d'ellas o conselheiro dr. Antonino 
José Rodrigues Vidal, que apresentou a Sua Majestade 
Imperial as ex."" sr."* D. Francisca Adelaide de Maga- 
lhães e Campos, filha do en\iado extraordinário e mi- 
nistro plenipotenciário de Portugal na corte do Rio de 
Janeiro, durante a menoridade de Sua Majestade Im^ 
perial; D^ Januaria de Magalhães e Campos; afilhada 
de Sua Majestade Imperial e de soa augusta irmã a 
sr/ princeza D. Januaria ; e D. Maria Izabel de Maga- 
lhães Campos, filha mais novn d'aquella senhora. 

Suas Majestades Imperiaes receberam da maneira 
mais distíncta o sr. dr. Antonino e as tires senhoras da 



806 

saa família, dirigindo particularmente á sua afilhada e 
mSe doestas as mais affectuosas expressões, recordando 
as acções e serviços do ministro Magalhães, um dos 
mais dedicados amigos de D. Pedro iv no memorável 
cerco do Porto. Sua Majestade Imperial dignou-se trocar 
a sua photographia com uma duplicada do sr. dr. An- 
tonino, uma como voluntário académico de D. Pedro iv 
6 outra como doutor na faculdade de philosophia. Deu 
também á sua afilhada a sua photographia èm troca de 
outra d'esta senhora. Estes presentes foram feitos por 
Sua Majestade Imperial na despedida do dia 5. 

O sr» dr. Fortunato Raphael Pereira de Sena esteve 
com Suas Majestades, sendo recebido peia Imperatriz, 
a quem apresentou as felicitações, que o sr. António 
d'Âraujo Ferreira Jacubina, que foi empregado da casa 
imperial, natural de Campos, onde reside, o encarr^oa 
de transmittir aos seus antigos amigos por terem che- 
gado felizmente a Portugal após a sua longa viagem pela 
Europa. 

Theatro académico 

Suas Majestades dirigiram-se ao theatro académico, 
na rua Larga, onde chegaram cerca das 9 horas, e se 
demoraram até ao fim do espectáculo. 

Representou-se nessa noite o drama Pedro, do sr. con- 
selheiro Mendes Leal. 

Á entrada de Suas Majestades a orchestra tocou o 
hymuo brasileiro, e depois d'este q académico. 

A Imperatriz trajava vestido alvadio, o mesmo com 
<]ue sahira de dia. 

Em um dos intervallos a direcção da sociedade phi- 
lantropico-acadenúca foi ao camarote onde estavam os 






207 

iDODarcbas apresentar ao Imperador o diploma de sócio 
protector d'aque11a sympathica sociedade, que Sua Ma<i 
jestade promptamente acceitou. 

Findo o espectáculo retiraram-se para o hotel seria 
meia noite. 



* /• /* «\A^/«.A^l/v\/v^^/^/^/^/^/v/^/^A. 



Neste dia houve feriado nos estabelecimentes scien- 
tificos e repartições publicas; e á noite, bem como na 
do dia seguinte, estiveram illuminados os paços da uni- 
versidade e do concelho, osedificíos de varias reparti- 
ções e muitas casas particulares. 

No mesmo dia foram melhoradas as refeições dos po« 
bres e das crianças recolhidas nos respectivos asylos e as 
dos presos retidos na cadéa, porque o sr. commendador 
Olympio Nicolau Ruy Fernandes, satisfazendo a incunà- 
bencia d'um seu amigo, mandara com aquelle fim en- 
tregar donativos ás direcções dos dois asylos e ao sr. ad- 
ministrador do concelho. 



\ 






Dia 6 

Visita a varias aulas da universidade 

Ás seis e meia horas da manhã o Imperador entrava 
fium banho, e ás sete e meia almoçava rapidamente, par- 
tindo para a .universidade logo que ouviu tocar o sino 
das auias, as quaes Sua Majestade havia manifestado 
ardentes desejos de visitar. 

Os srs. reitot*, secretario da universidade e conse- 
lheiro Antonino José Rodrigues Vidal, esperavam Sua 
Majestade Imperial, para o acompanharem ás aulas. 

Ás oito horas entrava na aula de Hi^ioria Ecdesias-^ 



208 

tica (1.* anno de theología), regida pda sf. dr. Damásio 
Jacintho Fragoso^ ex- vigário geral de Aveiro, e elli se 
demorou por espaço de meia hora. Á ligiov <iue veri 
sava sobre a forma do governo da egreja, foi chanoAdo 
o alumno ordinário n.** 3, o sr. Carlos Braa da Sil- 
veira, natural de Angra do Heroismo. O digno profes- 
sor, a fim de proporcionar ao estudante ensejo para 
ostentar o sen talento e estudo, tomanda a palavca, dis- 
cutiu com elle. 

O sr. Carlos Brun declarou que a egreja tinha mt 
organisação especial, e disse que nSò se podia sçsteBtar 
que ella tivesse qualquer das formas de gOTerao da 
sociedade civil, por não haver perfeita analogia eetre 
o governo d'aquella e o governo d'esta. O sr. dr. Di^ 
masio apresentou em primeiro logar ai^meatos: para 
provar que o governo da ^reja era democrático. Bea^ 
pendidos estes pelo estudante, adduziu argumentos para 
provar que o governo da egreja era monarchioo. D^ 
monstrou ainda o sr. Carlos Brun que n3o era monar* 
chico. Finalmente o sr. dr. Damásio apresentou argu- 
mentos em ordem a provar que o governo dá egreja 
era monarchico-aristocratico. Concordou o alumno em 
que era esta a forma de governo, que alguns pontos de 
analogia tinha com o da egreja, mas disse que ainda 
assim se nao podia dizer monarchico-aristocratico — 
i.* porque já antes tinha demonstrado que o governa 
da egreja n3o era monarchico; — 2.* porque, o que 
se pode chamar Da egreja elemento aristocrático oii 
representava no governo d'ella o que representa o ela' 
mento aristocrático na sociedade civil. 

Sua Majestade quando sahiu da aula deu signaes mt 
nifestos de haver assistido com muil» satisfação aoHi"||í 
teressante debate. k 



\ 



»9 



Doesta aola passou á de Theologia Dogmática Es- 
pecial (Mystica), regida pelo sr. dr. Ántooio José de 
Freitas HoDorato. 

Sua Majestade' sentou-se no banco da frente, desti- 
nado aos hospedes, tomando logar á direita do barão do 
Bom Retiro, qae o acompanhava. Nessa occasiSo o 
illcistrado lente expunha e desenvolvia o § 41 do tomo 
3.^ da Theologia Dogmática de Prunny, na parte po- 
lemica, em que a resurreição de Jesus Christo é vin- 
cada de todas as difBcuIdades, que costumam suscitar- 
be. O digno lente que explicava foi ouvido com muita 
Atenção pelo Imperador, que depois ouviu com egual 
nteresse o discípulo, o sr. Theophilo Salomão Coelho 
fieira de Seabra, natural de Pedorido, estudante muito 
listiocto, que provou com todo o vigor e eloquência a 
rerdade da resurreição de Jesus Christo. O estudante 
õra chamado á lição depois de darem os três quartos 
)ara as nove, porque é a esta hora que o lente ordi- 
lariamentè pede lição, e o Imperador esteve-o ouvindo 
piasi até ao fim da aula, que terminou ás nove horas. 

O estudante começou faltando sobre a importância 
la matéria. Fallou depois sobre os esforços da incre- 
lalidade de todos os tempos em contestar a verdade 
la resurreição. 

Em traços rápidos alludiu á futilidade das hypotheses 
los exegetas racionalistas allemães, dispostos a encon- 
xar o my tho em tudo o que é sobrenatural ; e ao me- 
;aio tempo fez justiça a Renan pela superficialidade 
^jaica da sua conjectura romanesca sobre a resurreição 
le Christo. 

Passou depois a expor o estado do assumpto: mul- 
íiplicadas apparições de Jesus Christo a seus discípulos ; 
[^ircumstancias que as acompanharam ; conver^cÃd pro- 
le 



ato 

•kiDgadarGom os poitaâores da fe>afne>ro, confirmaúcib-os 
oa fé» oer.cootÍDuando. assim .aiiiâa4a isua .missio de^vw- 
dadeiro doutor. 

Disse qae a divei^enela que, > á- pf\tíkipt ;vhla»i appa- 
< recia i em a oarraçSo dos hagiognaphos, Í0Dge'de«ser 
obátaculo, era iargumento fortissimo para vencer eocm- 
Condir os incrediílos e condenKiar ei teimosia dos adver- 
sários do christiaiásmo : aecreseeQtou tambemxcfoe, uma 
Tez provada a realidade da morta* de Ghristo, 'dá sua 
sepultura durante três dias» e do<seu desapparedmeDio 
i3o sepulchro/íattoique só por uma; resurreiQã&' mira- 
culosa podia ter legar, aiver/lade.da.these leravinaba- 
lavel e superior a < Ioda a contestação,' etc, 'Otc. 



>Bibliotheca 

Eram nove horas quando, o Imperador passou à bi- 
= bliotheca da Universidade,» onde foi recebido' pêlo dire- 
ctor, officiaes e mais empregados do majestoso: estabe- 
lecimento. 

É directoria bibliotheca o sr. dr. Bernardo. An- 
tónio Serra de: Mirabeau, lente da faculdade deiMedi- 
cina, cavalheiro dotado de aprimorados dotes, muito 
•versado emlitteratura e antiguidades, e especialista de 
numismática. 

Da entrada contemplou Sua Majestade a perspectiva 
interior do edifício, e,:adiaQtandosad'umas)para oatras 
salas, foi inquirindo o. dignot director sobre o^oomero 
de volumes impressos e doâ manuscriptos. contados na 
.bibliotheca. 

' Na última sala estavam (sobre> as mesas; muitas pre- 
i€ÍQSidades InbUographidas, fiaeSi|Uf; Majestade observou, 



i ■ 



^j^|€!Dj(JftTse- principalmente no ç3Ljn}e,.de.qfna,poíaye! 

€plÍecção .de mappâs 'gebgí;ap|)icos do . ipeaâo ào jsp- 

culo xYi. Com particularidade dedicou ínâiór áttençSo 

.,^o.,p}appa quc|,fJe^igna a flartQ prijBntal da^ America do 

, |!|in:.^eguida.yia.Sua Majestade primorosos, códices 

,.pia];uijsprípt9s dps séculos xii, xiu, xiv^ e ^v, e outras 

..r^pdadçs, t)it^ÚQgraphicas, eptre , as guaes /admirou a 

.^iblia hebraica çòm ^flinotações ^os !massòretas, obra 

* úe grande estimaçSo. 

.Pergun^u^.i^^a^Maj^sts^è/^ a bibliotheca ppssuia 
algum mãjQuspnplo de José Bonifácio jle Ând^ade> e foi- 
. Ibe! respondido pegatívámeçte, 

. Antes, jde s^ahir digno vi-se, inscrever seu nome no livro 
.dos visitantes. Estava sobre a mesa um álbum primo- 
roso, destinado a i;eçeí^er a assignatura dos príncipes 
-gpe visitaxem a bib^P^^^Ç», è proxiiijo achaya-se q íivro 
geral do registro dos visitantes ; . e coma nelle jnps- 
,lra§sep,a Sua;^ajestade a^a^signatura.de sua augusta 
^ba, ^sepepissima senhora í).. Isabel/ princeza imperial 
4o Bteisíl, tomou o Imperador este livro e escreveu sçu 
,í^ome por baixo do da princeza-rP. P^^o de Alcan- 
çara, 5 íle ngflrçpíde 1872. 

Esta bjblipttíeca conténí 18:337 obras e 58:0^2 vo- 
lumes, comprehendendo 4:105 não classificados. 

.As obras estão divididas do seguinte, modo : 

CoUecçõ^ e.jornaes sciçjntificos, mtera- : 

. tíq^ a politicos . . ..f 162 qt)j:dis 

Sciencias, historia, lil|^atura e bellas- , 

artes ^rg^tÔ ., » 

Sciencias naturaes, artes e oíBcios. . . .. 6:581 » 
Sciencias civis e politicas 4:020 » 



• • 



212 

S^ciencias ecclesiasticas. 2:355 obras 

Os manuscriptos s2o em numero de ... 2:129 » 

 diiferentes pessoas perguntou Sua Majestade se 
haviam conhecido Cândido José de Araújo e Cândido 
Baptista de Oliveira, seus antigos preceptores, bacharéis 
formados, na Universidade de Coimbra, pois desejava 
conhecer as casas onde residiram. Ninguém lhe soube 
dar noticia d'elles em raz3o do muito tempo decorrido 
desde que cursaram a Universidade. 

Sua Majestade perguntou se poderia ver os livros 
das matriculas, onde desejava procurar os seus nomes. 

O digno secretario d^ Universidade mandou buscar 
os livros das épocas que o Imperador referiu, e Sua 
Majestade tirou d'elles a nota da matrícula dos seus 
velhos amigos, que tamanha l6g)brança lhe meredam. 

Diremos portanto os annos em que elles se matricu- 
laram na Universidade. 

Cândido José de Araujd Vianna, filho do licenciado 
Manuel de Araújo da Cunha, foi baptisado a 21 de ou- 
tubro de 1793 na freguezia de Congostas do Sahará, 
capitania de Minas Geraes. Matriculou-se no primeiro 
anno jurídico no anno lectivo de 1816-1817, e re- 
sidiu nesse mesmo anno na rua do Forno n.® 93. 

Cândido Baptista de Oliveira, filha de Francisco Ba- 
ptista Anjo, nasceu a 8 de fevereiro de 1807, e foi 
baptisado a 15 do mesmo mez e anno na freguezia do 
Porto Alegre, capitania do Rio Grande do Sul. Malri- 
culou-se no primeiro anno da faculdade de mathematica 
no anno lectivo de 1 820-1921,, e morou na rua da 
Trindade n." 48. 



2i3 



Visita ao Observatório Astronómico 
e a outras aulas 



Da bibliotheca djrigiu-se o Imperador ao observatório 
astronómico, onde se demorou pouco, e voltando aos 
Geraes visitou em primeiro logar a aula de Hermmeur 
iica sagrada, uma das do 5.® anuo de tbeologia, que 
o sr. dr. Manuel Eduardo da Moita Veiga, ornamento 
úat sua faculdade pela sua erudição, e distincto orador 
sagrado, principiou a reger este anno, em consequência 
da jubila(^o do sr. dr. Francisco António Rodrigues de 
Azevedo. 

Quando o Imperador entrou na aula, estava dando 
liCSo o sr. padre Manuel de Jesus Lino, natural da Co- 
vilhã, e discorria com muita sizudeza e boa critica sobre 
a apreciação e valor dos meios hermenêuticos para a 
interpretação da escriptura, e sobre alguns meios es- 
peciaes empregados pelos exegetas allemães para o me- 
smo fim, argumentando com o professor, que de pro- 
pósito lhe apresentava algumas objecções. 

Sua Majestade conservou-se até ao fim da lição. 

Passou depois á aula de Physidogia especAal e Hy- 
giene privada, no segundo anno medico, regida pelo sr. 
dr. Bernardo António Serra de Mirabeau, na qual con- 
cluía a sua lição o estudante, o sr. Vicente Urbino de Frei- 
tas, natural do Porto, o qqal fallou sobre phenomenos nu- 
tritivos. Terminada ella, o professor começou a sua pre- 
lecção, a qual versava sobre a influencia do systema ner- 
voso na nutrição ; sobre a nutrição, os alimentos ,e os 
tecidos animaes [ElemefUas de physiçUogia humana, por 



A, A. da Costa Simões, 2.' parle, || 64 e 65). Sua 
Majestade Quviu attep.taniente a iUustrado professor por 
espaço de meia hora. 

Eram 10 horas, e principiavam .as aulas de direito. 
Si^à Majestade só etitrod tíâ-dé^dirfettónatti^^ddl.- 



inerecldo os gabos de nacíònaeíáe exlràÉígçíròs;'epèW* 
qtial',o;sr. drí Brito recébfeu u!tin!iaibènté''dò"rêr'del' 
Hispániia; AmâBéu i ,' a ctímímebffà 'dá "Ordeiii^^àeJiâlíé!' 
a'^Catíi'óííc'a;'e d^a'óadetóíà^dB'leglslaçao'^dé MâHl%f & 
diploma de seu spcio. 

Quaníp Siia Majestade' 'entròií,' eêííáva ^M&Mi^^o 
estúdaiitèi á^òi^lafiò, o sr. JbSo JãMtío Távaírés'dè l#' 
déírbs, nátbVàl da Viflá dõ Ndttléèfe^ (ilha «è S: Migiíèli, 
e sèguíu-sè-lhe o ' estodárile' o sr AtítòiiTiò' Càhdfdo' Ri- 
beiro da 'Costa naturaf dé' Candotóll. 

As' liçSés d'estés applícados' estudàhtbs a^ftidaí^ià' a' 
Suá Majestade, pela doò triííá, lôtáia é iíiâíièih -cbmò a^ 
matéria foi expóMâ, mostrando ao ilfuètlrte' visitaòlè d 
quanto" d sáfcio lérítè se téte^ esfòr^dô pôr^éliivíir o'en- 
sino ási pbilosophia de direito na Universidade. 

Quântiò ò niontóa'érítroii, ò'slf: Mètíéitòs 'òttiféfiia 
a sua líèstí; e pór isáó 'tranácròvéílros- a'ultMS» ri*^^^^^ 
qt'if^^cbhi'ò^se'WètíeV 

^ííU Vêj^Òs quár a' dHliidi^ máMfâ^3b'!^áre 
a pmeírá realí^áç^o práò^icâ dd' niiittíall^^^ dé^sAsH' 
viços. , 

tTodo d facto réWliacrb' pelo direito * é sfetódtíVidy^ 
coDbreçro^ da M dá asâòfeo ; lâ^â o7atHb qdif 



mi 



meiro revela a imitaalidade > de serviços ei que melhor: 
a tradoz>éia'familía^>qiie<alm aspoptasí da orando ao» 
homem j N56 6 a /família^ romana' qm existia por estar 
m' potesiati», iwnumUy nem mesmot a* famUia « prímiti** 
vãmente germânica que se constituiu simplesmente .por^ 
investigações naturaes, mas sim a familia christâ orga- 
msada peio casamento; peio qual o bomem e amfulfaíer 
como duas oketadé^ d'òni.todQi se, completam um pelo 
ouirOr conatUumdo assim > uma unidade superior e har- 
níòAica; e, segundo Troplong; a uniSbdotíomem e da* 
molb^ depurada pelo fogo. da^graç^. e pelá. assistência, 
do espirita divino, elevando^-se atéao^oèu pela santidade > 
dô^sacratoento» Éessa uníSo^.a qye Deus communicocr 
um poder creador, é o sanctuario da procreaçao.e-foco 
iifttiiH) offdê se cultiva tudo que é divino e humano; é 
esse desígnio dè Deus para Harmonisar no mundo phy- 
síed> o doalistiao originado peia •• opposiçSo-dos: sexos.. 

crÊ essa sociedade uma e ao mesmo t^po multi- 
plico de religião, .de moral, de educação, dè economia, 
e dedirette, ond^, constituídos os seus membros num> 
orgaDlsmo completo, primeiramente sa prestam mutua^ 
mente: auxiliosfr 

«Depois vem o municipio,.qae unifica' as varias fami^ 
lias d'uma lòcalidàdev porque, ainda assim.as suas forças 
D3a podem satisfazer á grandeza do fím«. Em seguida, 
apparece a naç^ subordinando as municipalidades, a* 
principio. harmónico». E. sobra úildove^ a humanidade,, 
id^de^perfeiçSío' a' qneaBpiram t&ion os indiviéaos» 
tâdbs ois manicipios e todas as naçSbis^» 

O sr. António Cândido. possueelèvadbs dbtes e^qna-^ 
Udades* orator4a$^ aa sua.ÚcSò,^' a.q)]|^J)em.pode ena? 
latPHBiPiUBeopsov abofiidouj emi rasgogi dd eioqiieBeiai « 



216 



imaginaçSo. Traslademos duas das melhores passagens 
em qae o talentoso académico se refere, com extrema 
delicadeza, a dois factos gloriosos da vida do soberano 
brasileiro — a recasa de uma estatua, e a abolido da 
escravatura : 

A familia é uma eachola onde aio escrapulosamente joeiradas 
as tendências, e d'onde refogem mnitas ignorâncias. 

A familia é nma eschoYa. Olhemol-a por esse lado. 

O seenio actual, que deu azas ao vapor para enourtar as dis* 
tancias qne separavam os povos, e poz em facillima communi- 
caçào o pensamento de homens qne vivem em climas diffisren- 
tes, n&o podia deixar de ter todo o interesse no estabelecimento 
de escbolas, que sâo o meio de ensaiar todos os povo^" para o 
grande convivio da civilisação e do amor, e de preparar todos 
os homens para a omnimoda effectivaç&o dos divinos principios 
de Jesus. ' 

Eu sou fanático por quem abre uma eschola. £ o melhor do- 
cumento que pode deixar para a sua historia umaWranden 
real. ^ 

As escbolas, — digo-o bem alto, e muito me desvaneço com 
poder dizel-o aqui — as escholas desentranbam-se em resultados 
que dizem mais, valem mais, e duram mais do que o bronze fím- 
aido em estatua, ou o mármore alevantado em monumento a 
commemorarem uma victoria, ou a pregoarem um heroismo. 

Dizem mais e valem mais, porque do corac&o de cada um doe 
filhos d'e8sas escholas se ergue uma gratidão, que nSo perece, 
em monumento a toda a hora e sempre allumiado pela lua que 
algfiem fez na sua intelligencia d*elies. 

A humanidade, inspirada pela justiça, abençoa os que man- 
dam converter em pão do espirito a pedra de uma estatua.. .. 



Eu não sou apaixonado por esses systemas de educaçfto que 
hoie vigoram, e cujas exceilencias por ahi tanto preõonisam. 

Não quero que a mulher seja simplesmente uma coisa bonita: 
quero antes que a mulher seja uma entidade boa; quero-lhe a 
intelligencia allumiada, sim,— mas desejara muito que a maior 
força da luz fosse empregada em mostrar-lhe a sua missfto nas 
altezas cm que deve ser vista. 

Nfto sei porque, açrada-me n^is a m&e que no remanso do 
seu lar prepara com bem pensados conselhos o seu filho para as 
grandes hictas da vida, do qoe- a mulher que do aea gahtii^ 



H7 

acompanha os voos da scieneiai oa dá «ob mais pliantanoaoa 
devaneios todo o sentimento de que dispde. 

Todos nós sabemos o que vale uma mfte. Sabemoi-o por nós, 
e sabemol-o. pela historia,... 

Dois homens figuraram na scena do mundo de modos bem 
eucontrados. Um tinha os lábios engatilhados num sorriso de 
desdém para tudo o que fosse bom e augusto e divino; — o on* 
tro tinha na alma um hymno para toda a belleza, e nos olhos 
uma lagrima para toda a desgraça. Voltaire e Lamartine. . . . . 
Um e outro, sabe-o a Fraúça, sabem-no todos, nada mais foram 
do que o traslado das qualidades de suas respectivas mães. 

Para a sr.* de Lamartine tem a historia coroas de perpetuas. 
Para a outra Ainda ha o appello da historia para Deus. 

iBduOuem, pois, as m&es de familia, que nisso grande serviço ' 
fazem ás gerações por vir. Eduquem-nas, e ver-se-ha então elo-^ 
quentemente feito — o elogio fúnebre dos collegios. 



£a seria injusto se, chegado a este ponto, não dissesse que a 
mulher e a familia devem muito, mais que muito, ás benéficas 
influencitt do Christianismo. 

Troplong demonstra na sua. dissertação <da Influencia do 
Christ. sobre o Direito Civ. Romano» que para bem da familia 
mais e melhor actuou a religião christã do que o elemento bár- 
baro. £u creio-o, porque sei que o Christianismo cedo se ma- 
nifestou, lançado á consciência dos povos, como uma prodi|^08a 
semente de revoluções. 

Quando o Christianismo appareceu, ainda em muita parte a 
tnulher jazia occidta na sombra projectada no lar pelo marido, 
e 08 filhos eram uma como propriedade al^enavel. Não admira* 

Era a edade dos escravos, que a principio representaram um 
pequeno progresso, e foram depois um grandíssimo crime. A 
dvilisação hodierna vai-se pouco a pouco depurando d*essa ma» 
cuia. 

Merco de Deus, e graças a espirites bem alevantados, já o 
sol d'e8tes dias com os seus prefiilgentes raios não doura em 
muitos paizes azorrag^es è gargalheiras. São essas as conquis- 
tas da civilisação, visíveis para quantos têm olhos. 

Essas milhares de frontes, hontem escravas, hoje livres, ale- 
vantam-se para o céu a pedir bênçãos para quem soube conhe- 
cer liberdades, e respeitar direitos. Deus ouve a prece de cora- 
ções agpradeddos. A historia fará justiça aos redemptores â*uma 
tão (oqnaidiQravei porção da humanidade. . . ,. ^ . 



'if- 



K 



• 

Oíítípéfrâdoresccrtotr téida^Uçao («M^visiirèis^SiglííiBií?^ 
de interesse» > Q' subindo dá aula .cõrtejQ^ br sr.\ Ai^i^ic) 
Cândido, manifestando-Ihe doeste- mbdorqnè^bavkiiapre^ 
ctódô aS pi^otaè, qttó afòabàvg dè^dáf; d0á6tí'tislÍBiitÒ'e 
habiÚdadeoratoriai / 

Stra^Majestadfe^nío oiiiviif« a'prafe9S»i«'d%qttelfe'ca-^' 
dèlra; Féçbarà a pauta párd' éiplic^r^aòâ^ 's^^ 
a doutrina das associações rèUjgioeqsf poreta^Saa^Ma* 
jestàde; . pêlo feèbar dír pàtita'; eWèttdeu^qtiô os^tWíte- 
lbos escbolarésnaqaella aulkestávam fiados, f^^.ím 
satiiih' 

Jttu2eH 

• ••■« • ....■ ■■■-■ '.■•«..■■• 

Deixoct olmpierador a Universidade e^ dirigia^se ao 
mnzènv' Aqui visitoo' primeiro 'a paiimetAo ibféríor do* 
edifício, onde estão as seguintéà rípartiçõtó, '^ettètí- 
ceiortes á 'faculdade dé medicina: dísp6nsat0FÍarpha)*ma* 
ceUtiòò, thtert^o aíiâtotoico, gfltótietes' de 'anatomia nor^* 
mâlVpathològicà, dè histologia,, microèteòpiá e ph)[tí07 
logia experimental, de chimica e de> biitOFia* naturat- 
medida^ côiU' ói slstis instMltt^tòs; cbHecçde» sòieMi- 
ficas e respíeotivas aulas» 

D^estaíi' visitou em' prim^ro logor a dè In?' anuo 'de 
níedícító* 

Apiinehtani^e^^a^ImperadcMf* wgâtHhete^ dè^pfaysk)- 
logiãí expefiiilíèilliU' cihco lUinulos' atitei' ãd!\im áXttí- 
spectiva- aulob 

O professor, o srl dK Atttortío' Aí^atf' diH Gostsf' 
SímÕçs» estava regiirándó a velocidade dò.ni^õgr^6; 



dTIdmhbltz-ef-o pí^btiartcldn 0'st*; dr. Igfiaíto Rodl*^* 
guês da Costa Duarte, habílissimo operador,' obCncAi*' 
Yíí-se ein dlàpôr cotrvehíeirtéttíetfte òs apparelhds déàr- 
rétfteS ' fflõàòtitsiiSBS e dé apreôiaçÇW iheftófli-electric Wí:- 
qtfé também tinfbam de' funccloúai^n!^^^ 

O IràípeHidèr, corao siiSjiíés íffeirtícuíar, é' sbguiídíy tx 
scfú cbsttitaiê Désta ^íageM, estendeu a xtíSo aò professút* 
logo qiie sé aVi^tarbib ; corúé^tiêtí pior Ihéf lagi^ecer- 
o'e!xeaij!)Iáf'dá'Stía obra 'de pli^siólògiá, já jpublicádaem 
18164: Convferáaram sobre tís^trabailtíòs de physíologifii 
eibenítfètital w6á laboratórios' de França eAWendaflha} 
Boostratídòí^sê olm^efriadòritítèressátionos que dizem» 
reSírèftó' á dfetiWéçSô entre-a'coi«rtíílibí'Kdade ctosl^as-- 
ctílóâ' e( a'éièítàbi!idadé' motriz^ dé8'nehros'.pòr rt<*W 
dò ctlfàrtí-dôPàfai. 

O'ltflpê!i^ador fillífdtãnníbdin de eícpèrieticia^ deíiomí^ 
nàrda' rfettíiWf Sa ãité^r^ris;' eràquB estes* ahifflaes; de- 
pois d«" scí' tértta ctítfeerviad* por< tí^es od- quatro dias» 
ctoífi^aépèòtí) dè'rtiris^tíiortai* pdr ettveínettamehtoií/elo 

i'dnrá(ré'otf'Uràl^'; veiKedo de* frechas usado na caça e;na' 
guerra pelos jgeotío'8 do,*" * ' "' " 

g^s. Sobre os processos 
niúÀ Ynenàòna' dò k)è'd{co^( 
dtftada d&16 de outubro de 186õ, e publicada' no Inètitutó; de 
Coimbra, tomo xiy. Iniitula-se Nota sobre a droga urary ou^ 
curare. Estia memoria acòmpanlion uma reMe8áfli'dé curkre, de 
mú{tbè'ffécti/as énVeriêbkâáy, d*tM artto ddfMA^è^e dòf^utte^ 
silioé empregados na prefjiif afçao )í}ò curare (manga 40 f^zpressào 
ou typyfi^ e peneira de depuração ou urvpemà) soticitãdòs^ por 
intermédio 'do nòséò tnififstrb dos Vie^Hèltis Wrii%ÀiH)^;peld ^n^' 
fótfsdi' d'esta' cadeira da liòéóa uniVeliBÍdade,Mqu]íttdd se aisiiBVií.* 
em viagem pel^i Fi*<^n^ e^Uemtlpha e qfiti-os^jo^jzes da Euijopjji^ 
em (Jeseihpenho da missão scienii&cà de qué rora encan^gadò, 
jduttfMei^itò com o Sf^. dr. IgHàciò Ròdri^èb dá' C3òfUil 'Duarte. 
iXAf .^rtfrria do miniéterio ^o rdnb de 18 de agosto dé 18Q4 ÇB)àí 
latoríos diurna .viagem sdéntifica por A# A.' da Costa Slmges^ 
Coimbrã, I866j.\ 




aao 

curare, como que resoscitam recuperando o antigo vigor 
e agilidade. 

. Estas e outras experiências» mais ou menos ligadas 
com as mencionadas propriedades physiologicas dos te- 
cidos muscular e nervoso» e com os processos da ab- 
sorpçSo geral, nSo eram estranhas ao Imperador, por- 
que as tinba visto nas lições praticas de Cl. Bernard, 
a quem deram em outro tempo merecida celebridade, 
no coUegio de França, estas descobertas em physio- 
logia experimental por meio do curare. Quando soube 
do professor que noutra época do curso também aquellas 
experiências aqui se costumam fazer no gabinete de 
Coimbra, mostrou alguma surpreza em quanto n3o soube 
também que o professor e preparador d'e$ta cadeira 
tinham seguido em 1865 o curso d'estas experiências 
no coilegio de França; e que,. alem d'isso, tinham se^ 
guido, por fineza especial, os trabalhos particulares do 
mesmo Cl. Bernard no seu laboratório reservado. 

A propósito do myographo, que o professor estava 
regulando, conversaram sobre as modificações feitas 
naquelle apparelho de Helmholtz, por Du Bois-Rey- 
mond, segundo as quaes o exemplar de Coimbra tinha 
sido construído em Berlim por Sauerwald. Paliaram 
da facilidade com que se obtém óptimos registros da 
contracção muscular e da velocidade da acção nervosa 
com aqoelle apparelho, d'um machinismo aliás muito 
complicado, e da maior difBculdade que esses registros 
offerecem no myographo de Warey, que o gabinete de 
Coimbra também possue, apezar da vantagem que se 
dá na maior simplicidade 4l'este ultimo myographo. 

O Imperador não tinha ainda visto o myographo 
d'Helmholtz, nem outros dos apparelhos allemães, que 
SQ aòham no gabinete de Coimbra, porque nao tinha 



231 



podido descer ao exame de taes particularidades nos 
laboratórios de pbysiologia experimental da Allemanba ; 
e não os podia ter visto nos laboratórios de Paris, que 
Sua Majestade visitou com mais vagar, porque esses 
laboratórios ainda hoje n3o dispõem do material de tra- 
balbo de que se acha munido o nosso gabinete de 
Coimbra desde 1866. 

Depois da conversa em objectos d'esta ordem entre 
o Imperador e o professor, começou o trabalho escolar 
d'aquelle dia, que, segundo o programma da cadeira, 
consistia exclusivamente em trabalhos experímentaes 
dos alumnos, coadjuvados pelo professor e pelo prepa- 
rador. Um grupo de alumnos occupou-se em apreciar 
as mudanças de temperatura que se dão nos músculos, 
quando passam do estado de repouso ao de contracção 
empreendo para esse fim a pilha thermo-electrica de 
Heidenhain (construída em Bresfau), ligada por con- 
ductores apropriados còm a bússola de espelho de Wie- 
demann (do fabricante Sauerwald de Berlim). Para outro 
lado do gabinete trabalhavam outros alumnos com o 
apparelho de correntes musculares de Du Bois-Rey- 
mond, tendo como indicador das correntes eléctricas o 
grande galvanometro multiplicador também de Du Bois- 
Reymond. 

O Imperador mostrou-se muito interessado nestas 
experiências dos alumnos; e attendeu especialmente 
áqnellas, cujo resultado contrariava em grande parte o 
que se lé como matéria corrente nas obras de pbysio- 
logia experimental sobre algumas particularidades da 
manifestação da corrente muscular e da direcção d'essa 
corrente eléctrica. Num d'esses pontos o professor in- 
terrompeu o trabalho dos alumnos com este apparelho 
de correntes musculares; e repetiu essas experiências 



ji82 

>own.a n)Q4ificacljo„ de soa; leq^raDça, ppr Q^de^^se de- 
;(QQi^ra praetícswieQte que, 9 dicc^^ção d^ç^s .çppreQtes 
.4i>'uscQ^res.,D3o seaQ^ia (^opveoieDt^piepte^ formulada 
PqIos e3crip^)r98 de que tçm nQUpía. 

GontiDqarain seguidamente os tr^balhçs dos a^muos; 
< le^ o Imperador, aprox^eUaudo este iqteryallo, entretiqh^-se 
em conversação de interesse com o professor sobre 
^qvi^lja modificaçãaexperímentai e sobre todasi aquellas 
^experiências, em que appareçja alguma cqq^jde.ppvi- 
dade m gabinete ida Coimbra. 

. iFoi então que o secretario ds) Univer^ída^ç q adyertiu 
de que se estava pa^^ando 9 hora de assi^ir a outras 
^ulas de mediçipa^ O Imperador perguntíQu ao prpfe^r 
se aiada poderia encoptcar os aluo^nps ^es^;trf|l}^bos 
depois 46 ter yisitado a^ outras aulas; e cpmq soube^e 
que o.adiantamepto da hora o oSo permittia,;dâsped}u-se 
do professor com o mesmo caracter de simples parti- 
cular» com que o tinha comprimentado á entr^4a- 

Tudo se passou d'este modo» sem se alterar em cousa 
alguma o andamento regular d'esta ordem de traba- 
lhos em dias ordinários ; porque nestes dias de exer- 
€icios experimentaes nãO: ha logar especial para pro- 
fessor, prepar£(dof, e alumnos: todos trabalham de, pé 
ou sentados num ou noutro ponto do gabinete, seguq^o 
a commodidâde do serviço. Neste gabiriete, de tra^lho . ^ 
todas as cadeiras e mezas.sao commups ao pi*ofessor, 
t preparador e aliminos; e é por isso que^çst^idiade 
aula se prestou a çpnversiasparticuiares.eQ|;rQ ojmpe- 
rador e o professor. 

O gabinete estava cheio de espectadores;, que seguiam 
o Imperador por todas as aplas,ialém da qomitivajjm- 
perial e do cortejo ofQcial de que fa^i^m. parte ,ps,^s. 
,reJíi0T e secreí^io da. UpiYersij^íi^.. 



j^3 

iF!i(fSS(Hi(iva^anáe mfdieinaí operatória,' naâ.^anno» 
;«gida peloi«r.^r4,Fijiippe(jdo QuaRtal, antigo; deputado, 
•^e,eatavai)fsdiafria sobne recepções /subpedosticas. 

•Dírígiti^seidepoisi á/aqla. do :5;'* ;anD0 medico, onde 
ié eslucbda; a:Aypi>me>|}#/M;a;: O respectivo; professor, o 
sr. dr. Fernando Augusto; det Andrade Pimentel e Mello, 
4)06 por tmuitad:vez«s ;tem sido. também deputado ás 
cortes» : faltava isobpe cemitérios, ^que ena o <)bjeGto'íjda 
lição. 

\'1lmt^ ao«fabinete>dei.phyâica 
le oujii;gs|ise<(ÇQ«s;dOimazea 

. > rDos fistabel^eiflfientos da faculdade de medicinai passou 

o Imperador aos da faoulidf^de de philosophia, . subindo 

para) o- ppvimot^to superior; do n^us^u, e cctmeçando 

>pori visitar ;0 -gabinete: de ;phy3ica. 

Wa-wla ^ei precede 0;.gahinete foram-lhe apnesen- 

lados pielo reitoras dois.professores.de pbysica, os srç. 
. >dr4. JacinU)0 António de Sousa e dr. António dos Santos 

Vi^as^.á^s quaes' Sua ^Majestade recebeu com a costu- 
;:inada s^ií^iUdade, mostrando conhecer já de nome o 

«r. dr, Vif ga3, com quem particvilarmente seentrfitwe 

•durante a ^sita. ao gabinete. 

Concluída em poucos instantes e3ta apresentação, 

pediu o Imperador que ^Uie, mostrassem o que havia 
/ mai^ Botuível do estabelecimento, i E reparando na ma- 
->qiiifloa «pneumática! de. dois corpos : de bomba existente 
.'M8\al£^46 phj^siíca, observou quei modernamente aquejje 

^ppaitelbo era ; substituído: } com vantagem pela : bQmba 

/de tiBierciirio 4o systama; iGeissler ; e. perguntou se havia 
^MQ gatwetaMim ajDparelho simiihanie. Casualmente» 



214 

porém, estava sobre a meza nm dvo dêctrico, prepa- 
rado para uso da aula, no qual poucos mÍDutos antes 
se havia feito o vácuo com uma bomba de mercúrio 
d'aquelle mesmo systema, que é a que serve ordina- 
riamente no laboratório de pbysica. Advertido d*esta 
circumstancia, o Imperador mostrou desejo dé ver a 
bomba em occasiSo opportuna. 

Entrando na primeira sala, continuou do mesmo 
modo a perguntar pelos apparelhos mais importantes 
da physica moderna, taes como: a maquina eléctrica 
de Holtz, os apparelhos acústicos de Helmholtz,. os dia- 
pasões de Lissajous, spectroscopios, apparelhos de po- 
íarisaçSo, e vários outros, os quaes todos Sua Majes- 
tade promptamente reconhecia e designava pelos seos 
próprios nomes^ apenas se lhe indicava o logar onde 
taés instrumentos se encontram. 

O óculo de Merz, destinado para a mallpgrada obser- 
vação do eclipse solar de 1870, hoje pertencente ao 
gabinete de physica, attraiu por alguns instantes a at- 
tençSo de Sua Majestade, que, a propósito de tal in- 
strumento, mostrou conhecer particularmente, nSo só 
os constructores Merz e Répsold que o executaram, 
mas também os sábios contemporâneos que mais se tém 
distinguido pelos seus descobrimentos em physica ce- 
leste : eram-lhe familiares os nomes de Húggins, Loc- 
kier,' Janssen, Lecchi, Respinhj, etc. 

Voltando á aula deteve-se ainda o Imperador a exa- 
minar o grande inductor de Ruhmkorff, com o qual o 
sK dr. Viegas executou varias experiências, para mos- 
trar a extraordinária força d*aquelle notável apparelbo, 
cujas faiscas attingiam facilmente a distancia de 30. cen- 
tímetros, e quando o apparelho se ligava com uma ba- 
teria eléctrica, eram acompanhadas de tal estalido, qoe 



AAfr 

bem- se pddiaia edmpiirbr ao.vârdadeiro i^«iQ.;Siia Ma- 
jestade, a quem es^i expcfiencâas muito agradaram, 
mostrou apreciar devidamôDte a . et oeUeocia do appa- 

Dusitnte a visita ao gabioetç procurou o Imperador 
luformar-se do methodo seguido no eosÍDO da pbysica, 
e perguntou com particular interesse se, alem do ^nsino, 
se faziam na Univeraidadé trabalhos experímentaeSf teo- 
-dentes ao adianlameQto.da*:âeie(ieia; e, como soube83e 
que para este fim se estabelecera ultimamente um la- 
boratório no andar inferior ao do gabinete de pbysica, 
declarou que desejava n3o sahir do museu sem visitar 
também o novo estabelecimefito; . 

Sabinéo d'aqui entrou nos vastos salões e galerias 
do muzeu de historia natural, que atravessou acompa- 
nhado sempre pelos srs. reitor dá^ universidade, dr. An- 
tonino José Rodrigues Vidal, dr; Joaquim Augusto Si- 
m5eâ>de Carvalho, dr. Jacintbo António de Sousa, dr. 
António dos Santos Viegas e dr. Manuel Paulino de Oli- 
Teira, com os quaes conversaram mtsito o Imperador e 
as pessoas da sua comitiva» - especialmente o sr. barão 
do Bom Retiro, que com osn dr. Joaquim Augusto Si- 
'mões de Carvalho fallou sobre a prganisaçSo da instruc- 
• ç3o publica no Brasil, e sobre os seus projectos d'este 
ramo de serviço publico quando foi ministro de estado. 

O sr. Francisco Augusto Correia Barata, doutorando 
de philosophia, offereceu ao Imperador um exemplar» 
nitidamente impresso, da sua dissertação inaugural so- 
bre chimica, o qual Sua Majestade recebeu com muito 
agradecimento, e manifestando sentimento por não poder 
assistir ao seu acto grande. 

Foi apresentado ao Imperador o sr. Francisco Paulo» 

15 



-prépirador de «MAdgia; o qad'tt|e hivia oflhreeido ha 
hèmpòs quatro «semplan^ deiesqBoletos de pequeBas 
^e$ mettídos im fraacoa de^ fMro^ Bmt este motivo o 
Imperador perguntara por e\\Q, e, vendo-o, agradece»'- 
lhe oordealmente o seu presenti» e elogiou a delicadeza 
do seú trabalho. 

Depois de ter pereorrido as repartires do andar 
mkre do edrflcíOf foi Sua Hitajeatade conduzido ao labo- 
ratório de phjsica» cuja dispQsi(^ examinoQ ^mimieto^ 
emente, addu^indo a ipropoeito judiciosas TOflex9e^ e 
encarecendo 4X)m just^ a importância' de siiáilhantes 
e^belecimentos. / 

Na sala principal do laboratório teve ensejo de Ter 
a bomba de mercúrio, pela qual logo no principio havia 
pei^ntado, e de prompto a reoonheeea eoiM inteira- 
mente simiMiiMte á que lhe tlnhasi^iúostrado fia escola 
pelytechnica de Paris; nSo se esquecendo mesnío de 
advertir que existe uma k^eoerite modificação de taes 
apparelbos, que os torm mais commodos e íac^ de 
manuzear. 

Alem da sala principal do laboratório percorreu ainda 
o Imperador as «asas contig»as, cmde se encontra uma 
pequena oiSctoa de^ instrumentos e um deposito de m- 
quinas antigas e de piHias; e até a casa escura, onde 
se montam as pilhas, Sua Majestade viu e examinou 
com olhos de entendedor. • 

Ao terminar a visita mostrou^e o Imperador muito 
afradado de tudo que vira fios estab^cimeqtos dè phy- 
sica ; e, voltando-se para o sr. Porto Ale^e, exprimiu'^se 
nos seguif)tes termos : reaJmefde a physiça está aqui 
befn representada; é dos melhúres gabinetes que tdmos 
na viagem. 



«27 



Iiabcuraiborío cJdmicQ 

- ' V 

Termiaada a visita ao HUizeu, atravessou para o es- 
tabelecimento fronteiro» onde está o lator^^orio chímíco 
e a aala de chimica inorgânica do 1.® anno de philoso- 
phia. Examinou o primeiro, e entrou nesta, assistindo 
a parte . da prelecção do sr. dr. Miguel Leáte Ferreira 
Le3o, que fallava das theorias da constituição dos sáes. 

No laboratório, entre outros Goancebos, alumno9 de 
ptiarmocía, acbava-^e o&v^ Nuno Freire Dias Salgado. 
O Imperador^ conbecendo-o, e informando-se de que 
•estç mancebo não se via em circumstancias lisongeiras 
<J0 fiMiunai, e era moço applicado,^ acariciou-o» e conce- 
<]eu-lhe uma pensão de 20^000 réis meusaes» em 
«quanto icursar a Universidade» assim cooit o pagamento 
^as respectivas imatriculas e livros. 

Sste acto de significativa bondade revela um te^te- 
iDunbo de consideração ao visconde de Sapucahí, ca- 
gado com uma irmã da avó do agraciado, mestre que foi 
•das. filhas do Imperador, e senador do império. 



^%Ai/\AJ^./\A/V\MhA/W\^tf>#>/W\/\^ 



Voltou o Imperador á Universidade para visitar^ no 
observatório Astronómico, a aula de mechanica celeste 
do. ^.^ anno matbematico, regida pelo sr. dr. Jaeome 
Loiiz Sarmento. Estava á pedra dando lição o distinçto 
jâstudaotei o sr. Francisco da Gosta Pessoa^ natural dp 
Cantanhede, que fallou sobre as formulas geraes que 
determinam as variações seculares dos eleoiientos do 
0iovimento eliipUco o de suas importantes consequei»- 
. ms rel4iv?^ á »$tabÂlidaide ^ bqçso. pystemf planet^s^io 



228 



{Theofia analytica do systema do mundo, por Ponte- 
coulant, cap. 7, n.*" 54 e seguintes). 

O Imperador demorou-se por muito tempo, escu- 
tando attentamente tanto frliçSo do estudante como as 
explicações do lente. 



Viaita ao ar. dr. AAtonio de Carvalho 

Repetidas vezes, na sua passagem por Coimbra para 
o Porto, e na sala dos capellos> havia o Imperador ma- 
nifestado interesse muito particular pela saúde do sr. 
dr. António de Carvalho Coutinho e Vasconcellos, lente 
da faculdade de philosophia, e director geral de in^truc- 
ç3o publica. 

Deixando % observatório astronómico, fez caminho 
por casa d'este cavalheiro, e foi visital-o. 

O sr. dr. António de Carvalho continuava doente da 
longa enfermidade que ainda soffre, mas estava de pè. 
O bondoso monarcha, entrando, abraçou-o affavelmente, 
e deu-lhe noticias de seu irmão, o sr. dr. Mathias de 
Carvalho, fazendo-lhe bonrosissimas ausências; e di- 
zendo que tinha recebido carta d'elle havia poucos dias^ 
e que não lhe escrevesse o sr. dr. António de Carvalho, 
porque queria ser Sua Majestade o primeiro a com- 
munícar-lhe noticias suas. 

Depois de se informar da sua saúde, e de fallar de 
algumas cousas de Coimbra, conversaram muito sobre a 
Universidade. O Imperador gabou o gabinete de phy- 
sica, a propósito do qual elogiou o sr. dr. António dos 
Santos Viegas. Paliando da organisação dos estudos, 
notou os pequenos ordenados que percebem os lentes, 
^ referiu que os professores no seu império estão em 



229 

<^fidi$õeis moíto mais favoráveis» e eomtodo ainda os nSo 
€ODStdera devidamente retribuídos, attendendo ás gràn^ 
4es despezas que elles precisam fazer com livros e com 
viagens de instrucçSo. Occuparam-se também do sys- 
tema das substituições na. Universidade, admirando-se 
o monarcha de que os substitutos não: tivessem cadeiras 
<%rtas, por ser este o melhor meio de adquirir especia^ 
listas, e de aproveitar os professores que sé dedicam a 
ramos determinados da scieuciá. 

Exprimia-se Sua Majestade como quem professa amor 
<pór estes assumptos e è versado nelles^ e teceu grandes 
>^gios á Universidade, dizendo que como corpo, como 
«fitabeiecimento collectivo de todas as scíencias, era 
das melhores cousas que levava registadas na sua cai'* 
teira de quanto vira na viagem. 

Emfim,^,depois de palavras muito consiladoras para 
o sr. dr; ^António de CarvaUio, e de despedidas muito 
affectuosas, tanto ao illustre enfermo como a sua es- 
posa, retirou-se, deixando consignada uma prova de 
^consideração e deferência bonrosissima para aquella fa- 
. 'Hiilia, podendo ser considerada como resultado das sym- 
patias que^. adquiriu no animo domonarcha o sr^ driMa* 
Aias de Carvalho como ministro da Portugal na sua 
•c(^e,: sympathias que tem sabido inspirar eguáknénte 
â todos os nossos compatriotas residentes no império 
l)rasileiro, assim como aos naturaes. 



■ 



Jardim Botânico 

• • ■ * 

■,'. Da casa do sr. dr. António de Carvalho dirigiran^se 
<0:monarcha e sua comitiva para o Jardim Botânico» 
4ipeaodo*86 aporta prÍDcipaL ^ .-) 



830 



Odíreetiir, o mr. conséHieívo ár. ktAmlno S. H! ¥1* 
dal, nostroa daloirgo da fonle< a 8aa> Ifáyestade á ^ai 
geral da escbola Limeaiia prírmliva^ ^ terrapteiM 
eríentaesí superiores e médios, ende se adiam díspostasc 
as plantas segando o systema dasi fimlías naUtraei^ de 
Endlicher ; nulícdtt o passeie publico, contínoa^ do» 
Jardim Botanieo, cjfesde a pynamtde da gradaria froo*^ 
tei?a á fopinosat Araucária excelsas^ dadiva de Sua Maf^ 
jestade el-rei o sr. D. Fernando. 

O mesmo director chamoo ai atteoçio de Soa' Ha-^ 
jestade para a formosa e gigantesca Maffmtêa gfrandi^ 
florai qáe se destaca do resto da esdiola Linnemr^ 
bem etmo para os doi8 grandes tniipeiros {lÃrmdm- 
dron mlipifera) aos cantos fronteiros da porta ptim* 
pai : ao situado no canto do norte cbamanse f n^^ 
mente -^ Armjre dajKmte^ em aliui^aá floraçlo dá ar-; 
vore em maio, quando termina o iempp kttivo e eo*^ 
meçam os actos. 

Segniram depois para a entrada lateral e sêplentrio* 
nal do jardim, onde se acha a alameda fronteira ao 
HMígêstòso edifício do coilegio de S. Bento^ onde actuaU 
ment» está o ijcea d'esta cidade, e serre t^intiem de 
esidencia dos directores, cathedratico é substitota, dio 
jardineiro e criados do estabelecimento, com as tes* 
pectivas offictnas. 

Desceram depois para as estofas, e logo na entrada do 
pavilhão o director chamou a attençSo para o^ fetos ar- 
borescentes — Toddaea africana, dadiva do bar3o de 
Muller, director do jardim de Melb^urne, na Nova Hol- 
landa. Sua Majestade achou exceliente o seu aspecto, e 
por essa oeoaeiSo referiu, que na Brasil havia ã'aqiieUes 
fetos de un* tamanho gigantescOr quese assemdhaiam 
aos característicos das antigap épocas do, globo; >E»tr^ 



m 

raift depois pára a gakria< bríenlal, rícamento' povôad» 
das mais iraras & biilbantes. ^ôpeewn eqUMtoriaôs, cba« 
matido Q director » atteoção de Soa Mafefitade par» a 
Monstera adamomi, eojos fruetoa 83o da dó^ra e fra^: 
grancia tnais eixqoisitás ; parra a Pandcmus t^2t>y ^e 
Soa Majestade decbroQiBer muito íúa ccinbpcída; e para 
maitas outras espécies raraâ, mde avuUaia baatanies^ 
oblídaftpòr genefosiriade dOdisliDctissímobotaaiooHoo- 
ker, director dó jardiíR de Ke^w. ^ 

: Por oceasíSa da visita ao paviUiSo, achouae na co- 
nstimtasr. conaelheiro e ministro hoaorariôy bitpú eleitor 
do Aipnre, dr/ António Ayres de Gouveia^ que o di*- 
rector apresentou a Sua Majestade^, qual ò recebe» e 
eomprímenioo da maâeira mais cordi^u 

>PÍ»80Q-»s8 deppisao examecia galeria ocotdentai da 
estufa, onde sobresahem imiitas bananeiras anld ^ ou* 
titia mnilas (dantas raras das ctMaoensyete^ ^ 

: "Visilaram: depois a estufa d6 re^doceãov; onde eiis^ 
tem moitas òrchpdeas ejnphníM, sirfgitanas já em âora^* 
^B^ a com um aroma fragrai^iissímo. O director eba^ 
Hioa a atlenffio de Sua, Majestadis^ .para muitas plaEítasi 
fataé^ e raftieolarmefite para as quinas, especialmente 
para a ômíhma sucoirubrai^ oujos ensaios de òuUura 
naa nossas proseias ultramarinas prDmettem o maia 
feliz resultado. ,. 

Sua Majestade, que havia em Paris annunciado á so- 
<^iedade de Botânica a cultura das quinas no Rio de Ja* 
fieiro por ÍQÍmtiva>siia; gosioof«tút(i dattt^^^^ que 
o director lhe deu. 

Segaiu*^ á yisHa á astufa dos amamiaf^ re Ivtibem 
^rapDodii€(^o, oadie se acham /O: Ct^^mw» ia outras 
pfewtás farasj •' . • .i.'-i»'i- w .;'■ 

, j jSditMajesiadè^ aa«ito latiáfetia coix^t «fiMi íviattx dali 






332 



estafas, desceu para a esebola Límieana, demorando-se 
juncto da grande Magnólias e sobra para o terrapleno 
meridional adjacente, onde se acha um gigantesco exem- 
plar de Tiha, que Sua Majestade admirou. 

Seguiu-se a ^sita da esco)a:de plantas medicinae^ 
d'entre as quaes sobresae a bella arvore de camphora 
CCinnonumium camphara)* 

Passou a visitar os terraplenos médios meridicmaieB» 
em que se acham em pequena floraçSo duas famílias ve* 
getaes^ interessantes, as Prateaceas e LeguminosaÉ Ida 
Nova Hollanda, que fazem contraste com a vegeta^ 
dormente da maior parte das outras plantas de jardim, 
dietas de folhas caducas. 

Sua Majestade gostou muito das espécies de que. o 
director fez destacar alguns ramos, que lhe offereceu, 
sobresaindo uma< Btwkria magestosa. 

Subiu a comitiva para a alameda meridional,. d'onde 
o director mostrou a Sua Majestade a coUecçao completa 
das espécies de Arcmcmrmy jòxkm exemplar de Eunoa- 
lyptus falcata, de mais de trinta annos de edade. Deu-se 
a Sua Majestade a noticia de que no canto oriental da 
alatneda, quasi na extremidade da magestosa gradaria 
exterior do jardim, havia um eco endecassylabo,- que in- 
felizmente emudecera então, por causa do vento sa- 
doçste desabrido. 



Visita ao Observatório Meteorológico 

O Imperador chegou á porta principal do observa- 
tório, onde 0^ esperavam o director e os empregado» 
do estabelecimento. Era acompanhado pelos srs. baiSo 
do Bom* Retípo/ reitor da -universidade e conselheiro 



233 

dr* Antonino J. R. YídaL Teria Saa Majestade sobido 
meia encosta da collína, sobre que assenta o edificio, 
quando ; se manifestou agradavelmente impressionado 
pela vista que descobria d'este ponto» elogiando muito 
a escolha do local para aquella edificação. 

O direetor do observatório, o sr« dr. Jacintho An- 
tónio de Sousa, disse então que, se Sua Majestade qui* 
zesse..ter o incommodo de subir á torre do edificio, 
desâobiiria um bello panorama, que se estendia para 
um lado a quatro léguas e para outro a não menos de 
sete, ao que o Imperador respondeu, c( havemos de lá 
ir»; 6 apenas entrado no edificio dírigiu-se á torre, onde 
foram indicados a Sua Majestade os lògares mais notá- 
veis, «que d^aquella elevação de 145 metros acima do 
nivel do mar se descobriam — taes coma as serras do 
Bossaco. da LouzS, do Espinhal,' cabo Mondego, etc^ 
Saa Majestade demorou-se muito a contemplar aquella 
admirável vistam }uigando-a mui digna de ser copiada. 
Notando que o telhado da torre era provisório, teve 
o director oocasião de referir o destino d'aqudla parte 
do esUbilecimento e as causas que tinham demorado a 
eonstçucçio da^cupula girante, que em breve ia ser col- 
locadiau . bem como o instrumento adquirido por occa- 
sião do eclipse total de 1870, com o qual se fariam ob- 
servacSes daB manchas do sol e spectrometrieas d'este 
astro e dos planetas. 

Sahindo ã'a}li para a casa do anemographo e do ele- 
ctrographo» desejou Sua Majestade que o director lhe 
jexplii»8se o mechanismo d'estes registradores, que lhe 
:.eram aaibos desconhecidos* 
^ Por esta occasião o director, descrev^do o electro- 
l|^phò> de Thomson, manifestou ao Imperador a sua 
^epiniSo acdtfe a importância do registro continuo da 



231 

eleetríeidide atmospiíerica, e biilieiitott qoer aqnélU ap^ 
parelho^ tão* bem concebido em principio, posto «m bo 
(^ se íniHiKsasse cfin pooeo tempov a. ponto de esUr 
desarmado em Kew e em Lísboo» seodo a causft d'i68o 
o emprego do acido salpborico no ÍDlemr do> appare" 
Ibo: O director disse que tinha proftosUi» em Ingtait^ra 
o emprego de oatra» substoncias^ e qtie k ensflialH«s« 
Soa Majestade desefoa que se obtvresM bom reBttitadov 
ooDConiando na importância do rsgiatro da electnckfafde 
atmespberics no meio da comptesâade dos phenomenos^ 
mèteoroiogicos. 

Descendo, passou á casa dos baronsetroe^ onde notoa 
o padrio de Welsh com 30 milliinetroB áè'4íametiro, a 
cathetometro que lhe serve de e^^v eonãttroido por 
Adie, e o barómetro de Adie (áysMna FartinX ^^^ 
se (azem as leituras directas da pressSo* atmospherica. 
Sm Majestade quii verificar qua) era è presâio atmo^ 
spl»erica naqiwiie momento e fez uma lâAlurai 

D^aUi se dirigiu á casa photographica, onde funcciona 
. o baropsychrograpbt» construido por Adie am L4mdreSf 
segundo as indicações do director^ cfne fez mu de^ 
scripçSo doapparelbo, insistindo nas dimeàsliwda eabs 
do barographov cakuloda em ordeni a que a Variação 
do nivel do mercorio fosse inferior á fra6^< de miUi^ 
metro, apreciada na leitura directa^ e no thermometra^ 
compensador, que pela primeira vez se ooustruira para 
aqtietie instrumento, e de qoe 9 dírecM daria conbe- 
cimento a Sua Majestade ooM o auxiUo d^uoa lápis. 

Desceu depois á casa^aèlerraBea, ooide foocdotía» 
os magnetographos. O director fez uma resiMuda de** 
scripç3o d^aquelles apparelhosv que registram pboto- 
graphicamente e d'um modo oomtirao os elementos 
magnéticos: -^ força borisootat -^ força vertieal> e de^ 



235 



dim^o, notando dma modiãcsçSo importante, que Soa 
Majestade de certo n3o vira em Kew, como eram oa 
leleseopios, cpse serviam para em qaalquer occasião 
observar os três elementos, que occulta e ínvisivelmerrte 
se iam registranda no papel pbotographico. O Impe* 
rador quiz fazer uma leitura no magnetognrpbo de de'^ 
clinaçSo; ajustou a lente do reticob e viu que a divi* 
sia da escate eoinctdia entSo com o mesmo reticulo. 

Sm Majestade, passando d'a]li á casa da bibiiotheca 
e do telegrapbo, lembrou logo ao director que era oc- 
casião de lhe explicar o thermometro compensador do 
barographo, ao que o director satisfez immediatamente, 
desenhando em um papel o tubo do barograpbo e o 
tberiBonietro compensador sobreposto, e explicando 
como aquelle thermometro fora calculado para que a 
distaneta vertical entre as duas superficies livres do 
mereuTio, nos tubos do barograpbo e do thermometro, 
ficasse constante, eiobora variasse a temperatura, não 
variando a pressSo atmospheríca. O sr. D. Pedro mos* 
trov-se míoito satisfeito de ver como, por meio tSo sim- 
ples, se conseguira o que mais complicadamente se pro- 
curara obter« sem resultado bastante satisfatório; e per* 
gontOQ de quem era aqu^lta lembrança, ao que res» 
pondeo o director — que nascera d'uma conversa entre 
elle/o director do observatório de Kew e o constrnctor 
Adie, quando em caisa d'este tractavam dó modo por 
qm-devia án* feito aquelle rnètromento. Na mesma casa 
efsaminoo' Bua Majestade detidamente os registros pbo* 
tv^raphâeos, demoraodo^se mais nos* dos magnetc^^^ 
piM que coineidiram com auroras boreaes* 

Sabftido <]a edifido, drrígiu-se Sua Majestade a oma 
casa situada a E., onde se fazem as determínaç&es ab-^ 
solutas magnéticas, e lá examinou os instrumentos, que 



\ 

\ 



236 \ 

I 

estavam collocados, e procuroa conhecer o modo por \ 
que fQDCcionavam, do que o director deu informação. 

Passou finalmente a ver os dois terraços do obser- 
vatório, onde estão collocados os instrumentos meteoro- 
lógicos de leitoras directas, como s3o -*- o psychrome- 
iro, thermometros de máxima e de minima, udometros, 
atmometro, osonometro, etc. 

Dando o Imperador por terminada a visita, com ex* 
pressões muito lisongeiras para o estabelecimento e para 
o director, pediu este a Sua Majestade a graça de dei- 
xar o seu nome escripto no livro dos visitantes, ao qae 
Sua Majestade assentiu mui delicadamente, entrando 
ná casa onde está aquelle livro e escrevendo — 6 de 
março de 1872 — D. Pedro d'AlccMara — Rio à$ Ja- 
neiro. 

O director do observatório acompanhou o Imperador 
até á porta principal; onde recebeu tiovas expressões 
<le louvor não vulgar para o estabelecimento cuja edi- 
ficação, organisação e direcção lhe foram confiadas. 

O sr. conselheiro dr. Antonino J. R. Vidal, na qua- 
lidade de director da faculdade de philosophia, informou 
mui explicitamente a Sua Majestade de que o sr. dr. 
Jâcintho havia sido o fundador d'aquelle estabeleci- 
mento, e que pelo seu zelo e intelligencia superior o 
havia elevado á grande perfeição, em que se acha. 

D'alli seguiram pelo largo do Castello, rua dos Es- 
tudos, Jargo da Feira^ e Arco do Bispo atè á esquioi 
da rua de Mathematica, formada pelo prédio, que ha- 
bitou o antigo lente da faculdade de philosopbia, dr. 
José Bonifácio de Andrade, tutor de Sua Majestade, e 
actualmente pertencente ao sr.* José Maria Jacob, 



237 i 



Recepção 

Terminada alli a eicorsão doeste dia, recolhea-se o 
Imperador ao hotet, onde já aguardavam Sua Majes- 
tade o conselho da associação dos artistas, a commissSa 
de académicos brasileiros, e moitas oatras pessoas. 

O sr. José Libertador de Magalhães Ferraz apresen- 
tOQ*lhé a seguinte manifestação : 



A assocíaçfto do8 artistas de Coimbra, profundamente agra- 
dedda á benevolência com a qual Vossa Majestade Imperial se 
dignou honral-a na sua visita á casa da associação, ousa im> 
piorar a Vossa Majestade Imperial que haja por bem decla- 
rar-se sed protector. A associação confia tanto em que lhe seja 
conferida esta graça, quanto conhece a sympathia que Vossa 
Majestade Imperial tem pelas corporações, que como esta são 
destmadas não só a soccorrer os seus sócios na desgraça, mas 
á derramar a instrucção pelo povo. 

Coimbra, 4 de março de 1872. — Joêé lAbertaãor de Magalkães^ 
FtrraA — Joaquim Nobre Soares — João Pereira de Miranda 
— Joêé de Figueiredo Pinto, presidente da direcção — Joaé An-- 
Pmio Bitarro — Mathicu da Costa Pereira, 



Soa Majestade dignou-se acceder a este pedido, e 
assim se declaroa protector da associação. ' 

O sr. commendador Olympio Nicolau Ruy Fernan- 
des, director da imprensa da universidade, apresentou» 
lhe a felicitatação do monte-pio da mesma imprensa, 
dirigida a Suas Majestades, e a que a associação co- 
nimbricense do sexo feminino, por elle fundada, ende- 
reçava a Sua Majestade a Imperatriz, e ao mesmo tempo 
-lhe pedia a graça de declarar- se sua protectora. Âquelle 
pedido foi deferido com extrema amabilidade, accei- 



í 
} 



238 



tando Sua Majestade a Imperatriz o titalo de protectora 
d^aquella associação. 

As manifestações s3o as seguintes: ' 

Senhor : — A associaçfto do moate-pio da imprenBa da uni* 
Tereidade felieita a Vossa Majestade Imperíal é a soa BzeelM 
£spo«a, testenuinhAiido por ette modo qnnoto lhe é gir«te a su 
hoiiroea visita aesta cidade, e os votos que fus^f^fa que Vqiisas 
Majestades regressem com auspiciosa viagem aò intperío do Bra- i 
-sily a prosperidade do qual tanto nos iate* eaM, pelos intiaos 
laços nraternaes, que ligam os dois paizes. 

Se Vossa Majestade nào gozasse com tão justo conceito os tí- 
tulos de monarcha illustrado, liberai e magnânimo, um outro ti- 
tulo lhe dava incontestável direito k noasa estima e sympathia 
— ser Vossa Majestade o herdeiro do nome de quem restaurou 
« liberdade do nosso paix, outorgando-nos o nosso código fiin- 
damentalf consolidado por tantos actos de herxHCÍdade, praeti- 
•cados pelo augusto pae de Vossa Majestade Imperial e por seus 
valentes companheiros da «rmaa. 

Dignem-se, poi«, Vossas Majestades «cceitar a nossa venera- 
rão e as respeitosa» homenagens que lhes tributamos. 

Coimbra, 4 de março de 1872. 

Senhora : — A associação conimbricense do sexo feminino ma- 
nifesta o jubilo, de que se sente possuída, pela visita de Vobm 
Majestade Imperial e de seu Augusto Esposo a esta cidade. 

A fama das altas virtudes, que ennobrecem a Vossa Majestade 
Imperial, já de ha muito havia echoado neste pala. E por isso 
que esta associação, só constituída de pessoas (do sexo feminino, 
vem tributar suas afectuosas homenagens á Esposa exemplar, 
á mãe carinhosa, á soberana magnânima, elevando á augusta pre* 
aença de Vossa Majestade Imperial uma supplica respeitosa para 
que se digne acceitar o titulo de protectora da associação co- 
nimbricense do sexo feminino. 

Coimbra, 4 de" março de 1872. 



O sr. José Melchiades Ferreira Sanclos mereceu tam* 
bem a honra de se despedir do Imperador, e» aprovei* 
tando o ensejo par«i Uie pedir desculpa das faltas pof 



1 

> 

H 



\ 



839 

sentara occorrídAs m botspedtgMi, «xprimiu^^e aestes 
termos : 

nVossa Majestade nãd devia fícar satisfeito com os 
f)reparativoB que fui encarregado de lhe pnoporeionar, 
fmiXÈ qtte Vossa Majestade seja ifiimigo de pompas; 
mtretantp» oas tandiçSes ^m que está •Coimbra, que não 
èoiti grande ^tàUK não me seria possiv^ «{azer mais» 
fHroiotDdiíidQ Vospa Mayestade, coyno tem prescindido 
«m toda a siia:viagem, de recepções officiaes.» 

Soa Majestade íez-lhe a honra de responder: 

cindo estava bom; estou satisfeito, e nem era pre- 
ciso tanto. Âgradeço-lhe muito, v , 

E apertòu-Ihe affectuosamente a mão. 



Partiia 

, ' • d 

Âproximava-se a hora da partida, e por tanto toda 
a cootttiva entrou nas carruagens, que já não podiam 
ser descobertas por se Jer tornado chuvoso o tempo 
qoe até então mantivera toda a amenidade própria do 
mez de março. 

Grande numero de pessoas acompanharam Suas Ma- 
jestades á estação ; o sr. bispo, governador civil, go- 
vernador militar, general da divisão, dr. Antonino José 
Rôdiigues Vidai, reitor e secretario da universidade, 
commissão académica brasileira, e muitas outras pes- 
soas. Teve porém as honras da despedida o ex."" sr. 
Bernardo José d'Abreu, general reformado, que militou 
3ob as ordens do Imperador D. Pedro iv nas linhas do 
PtHTto, òodfi foi três vezes ferido gravemente. O velho 
feseral apresentou-se ao sr. D. Pedro ii, e Sua Majes- 
lade manifcstou-lhe em termos frisantes a subida estima 



240 

que lhe inspirava o velho e distincto soldado desMisil- 
lecido pae. 

Os académicos, depois de Soas Majestades entrarem 
para a carruagem, levantaram Tivas repetidos a Sua 
Majestade o Imperador do Brasil, ao liberiador dos 
esci avos, ao filho do imimorud D. Pedro §v. Logo em 
segnida ao sylvo da machina, anDundando a partida do 
comboio especial» Soa Majestade Imperial, destacando 
qnasi meio corpo, com o cbapéa na mio, fez a mais 
expressiva despedida, saudando enthu^asticamente a 
multidão apinhada na gare, que lhe correspondeu frene- 
ticamente. 

Donativos de Suas Megestades 

Os Imperadores deixaram assígnalada a sua visita a 
esta cidade com importantes donativos, de que passa- 
mos a dar noticia. 

Além da mezada concedida a um joven estudante, 
súbdito brasileiro, de que já fizemos mençSo, fez egaal 
beneficio ao sr. Luiz MilitSo Pereira d'Aquino, também 
brasileiro da cidade de Campos e estudante. 

— Á Associação dos Artistoà noventa mil réis. 

— Á Associação Consoladora dos AfjUctos egual 
quantia. 

— A Associação Conimbricense do Sexo Feminino 
egual quantia. 

Presentes 

Alem dos brindes feitos a Sua Majestade o Impera- 
dor, já mencionados na descripçSo do primeiro dia, 
resta-nos dar noticia de outros. 



241 

No fiin da visita àos estabelecimentos universitários, 
o sr. visconde de Vllla Maior, reitor da Universidade, 
o£fereceu-lhe uma coUecçSo de livros escriptòs pelos dou- 
tores da Universidade, cujos títulos sao os seguintes : 

Álgebra superior, por L-B. Francoeur, novamente tra- 
duzida, correcta e augmentada pelos lentes jubilados 
da faculdade de Mathematica, Francisco de Castro 
Freire e Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto — 1871. 

Geomtíria ancUyHca, por L-B. Francoeur, novamente 
traduzida, etc., pelos mesmos — 1871. 

Elementos de mechanica racional dos sólidos, por Fran- 
cisco de Castro Freire — 1863. 

Complementos de geometria destriptiva de L. Fourd, 
pelo dr. Rodrigo Ribeiro de ^usa Pinto — 1853. 

Elementos de astronomia, pelo mesmo — 1858. 

Hospitaes da Universidade de Coimbra, projecto de re- 
ccDStrucção do hospital do Collegio das artes, por 
A. A. da Costa Simões — 1869. 

Elementos de physiologia humana, com a histologia 
correspondente, por António Augusto da Costa Si- 
mões. Primeira parte. Physiologia geral, tomo l.^ 
com 103 gravuras no texto — 1861. 
-^ — Segunda parte. Physiologia especial, tomo 2.°, com 

124 gravuras no texto — 1863. 
^. — Segunda parte. Physiologia especial, tomo 3.® — 
1864. 

Topographia medica das cinco villas e Arega, ou dos 
concelhos de Chão de Couce e Maçãs de D. Maria, 
em 4848, com o respectivo mappa topographico e 

k carta geológica, por A. Â. da Costa Simões — 1860. 
^Noticia dos banhos de Luto — Apontamentos sobre a 

X historia, melhoramentos e administração doestes ba- 

16 






242 

fihos, com daas estampas do edificío, por A. A* da 
Costa SimSes— 1859. 

Relatórios de uma viagem stíeraifica, por A. A. da 
Costa Simões (pom um appendice) — 1866. 

Lições de direito criminal portuguez, redigidas segundo 
as prelecções oraes do exv""^ sr. Basílio Alberto de 
Sousa Pinto, impressas com sua permissão por A. 
M. Seabra d'Albuquerque -r- 1861. 

Medicina admnistrativa e legislativa, etc, por £)sè 
ferreira de Macedo Píoto. Primeira parte. Hygiene 
publica— 1862. 

Segunda parte, Policia hygienica -^ 1863. 

Toxicologia judicial e legislativa, por José Ferreira de 
Macedo Pinto — 1860. 

Compendio de Veterinária, 2.' ediç3o, pelo dr. Jo$é Fer- 
reira de Macedo Pinto, volume 1.** — 1854. 

Volume 2.« — 1854. 

Projecto do código de commerdo, por Diogo Pereira 
Forjaz de Sampaio Pimentel — 1870. 

Motivos do projecto do código de commerdo, pelo auctor 
do mesmo projecto — 1871. 

Memorias do Bom Jesus do Monte, em Braga, por 
Diogo Pereira Forjaz de Sampaio Pimentel, 2.* edi- 
ção— 1861. 

Novos elogios históricos dos reis de Portugal ou prin- 
cípios de historia portugueza, para uso das escbolas, 
por António Luiz de Sousa Henriques Secco— 1856. 

manual histórico de direito romano, pelo jnesmo — 
1848. 

Compendio histórico do estado da Universidade^ de 
Coimbra, no tempo da ifiivasão dos denominados je- 
suítas, etc, edição de fdío — 1771. 

Breves apotitamentos sobre a procedência, natureza e st- 



243 



^gnaes^das linkaê trígonometncas, escripto para uso 
dos alumnos que frequentam a cadeira de matheoia- 
tíca elementar no Seminário episcopal de Coimbra, 
por Luiz da Cosia e Almeida — 1868. 

Theoria dos contactos das superfícies e curvas no es- 
paço e nas principaes applicações, pelo mesmo — 
4869. 

JEojposição succinta dos princípios fundamentaes do 
calcido das variações, ceio mesmo — 1870. 

loções elementares da scienda dos numeras, pelo me- 
smo — 1871. 

Discursos, recitados em cortes como deputado, e na 
Universidade como professor e reitor, pelo ex."* 
sr. dr. Basilio Alberto de Sousa Pinto, visconde de 
S. Jeronyôio, çolligidos e publicados com sua per- 
missão por A. M. Seabra d'Albuquerque — 1871. 

Ephtmeridès astronómicas, calculadas p^ra o meridiano 
do observatório da Universidade de Coimbra, para 
uso do mesmo otiservatorio e da navegação portu- 
goeza, para o anno de 1863. 

^ — Para 1872 e 1873. 

Posição geographica do observatório da Universidade 
de Coimbra. 

Estatutos da Universidade de , Coimbra, edição de . folio 
em Ires volumes — 1772. 

O Papa Rei e o Concilio, por Manuel Nunes Giraldes 

— 1870. 

Carta do auctor do livro — O Papa, Rei e o Concilio, 
a seu pae o sr. Gregório Nunes Giraldes, 2.' edição 

— 1871. 

PhUosophia d> direito, por Joaquim Maria Rodrigues 

de Brito, 2.* edição — 1871. 
Ètíudo^isóbre a doutrina da proporcionalidade, espe* 



244 



cialmente sobre a deGniçSo v do livro V de EaclideSr 
pelo dr. António José Teixeira -— 1865.. 
Lições de philosophia chimica, por Joaquim ÂagostO' 
Simões de Carvalho, 2/ edição — 1859, 

O sr. commendador Olympio Nicolau Ruy Fernandes 
oíTereceu a Sua Majestade o Imperador um exemplar 
dos três tomos do Mundo Allegorico, ou o plano da Reli-* 
gião Christã, representado no plano do Universo, de- 
dicado ao clero da nação portugueza; original posthumo 
do celebre philosopho Jeronymo Soares Barbosa^ de- 
putado que foi da Juncta da Directoria geral dos Es- 
tudos e Escolas do reino na Universidade de Coimbra, 
e sócio da Academia real das Sciencias. 

A Sua Majestade a Imperatriz oiíereceu um exemplar 
do Godfredo, ou Jerusalém Libertada, poem^ heróico, 
composto no idioma toscano por Torqiiato Tasso, prín- 
cipe dos poetas italianos, traduzido na língua portugueza 
por André Rodrigues de Mattos; edição feita pela de 
1682, e agora precedida d'uma extensa noticia sobre â 
vida e escriptos de Torqualo Tasso. A nova edição foi 
dedicada a Sua Majestade el-rei o sr. D. Fernando. 

Com aquéilas e outras importantes publicações tem 
o sr. commendador Olympio Nicolau Ruy Fernandes 
prestado um grande serviço á nossa iitteratura. 

Os volumes oíFerecidos, em óptimas encadernações, 
foram recebidos com a maior demonstração de agra- 
decimento. 

Para darmos uma idéa da importância da jsrimeira 
d'aquellas obras, transcrevemos o que seu sábio auctor 
disse quasi no fim do preambulo da mesma : 

^ E o objecto doesta Obra mostrar o Plano da Religião ChrÍBt&, 
^Representado e formalisado no Plano do Universo. J^ este um 



245 

1 

«orno Theatro immenso, 'cuja architectara, decorações e yista» 
estáveis e permanentes^ s&o formadas pelos grandes coi^mm, qae 
o adornam, e que parecem gyrar sempre á roda de nós; os Céos, 
•digo, com todos os seus astros; e a Terra com todos os animaes, 
plantas e productos, que a compõem e revestem. Nesta Terra, 
^omo em uma grande scena, apparecem, desde o principio do 
mundo até agora successivamente, vários actores, que, debaixo 
^das mesmas personagens e figuras, representam, em differentes 
«ictos e em differentes tempos, os mesmos dramasj dirigido tudo 
.pe)a Providencia, a fim de manter e adeantar a sua grande obra 
^ Religião eterna; e a Egreja Christà, composta de bons, e de 
máos, e rodeada de Nações incrédulas, como espectaÉIores in- 
teressados, cooperam por differentes modos para o mesmo fim. 

Neste magnifico Theatro tudo é aliegorico e representativo, 
qnersejam objectos, quer acções. Os objectos da Natureza, assim 
•mudos, como são, têm sua linguagem bem expressiva: pois cha- 
"fiiando de continuo as nossas atteuções pelas impressões vivas, 
agradavas, estupendas e uniformes, que fazem sobre nossos 
flectidos, por estes transmittem aos espíritos intelligentes gran- 
des verdades, que o homem nào pode ver sen&o neste espelho. 
Deas 08 creou para isto principalmente, e só o atheu é que pode 
dixer que nada significam, senão o que offerecem à vista. Ora, 
4M8Íníi como todos estes objectos da Natureza são significativos, 
assim o são também todos os acontecimentos da Historia do Povo 
de Deus, combinados com os dos Povos e Nações infiéis. Todos 
«ellea s&o precursores, e propbeticos de outros, que na serie dos 
séculos lhes succederam, e hão de succeder até o fim do mundo. 
'O reino de Dens, e o Mundo-Politico serão sempre o que foram. 

Nada ha de novo debaixo do Sol. O que foi ha de ser sem- 
pre'; de sorte que os factos dos homens, que precederam, y^m 
41 ser umas imagens, representações, e allegorias reaes dos que 
ihes succederam, e hao de succeder. O Mundo-Historico é uma 
figura, como ô é o Mundo-Physico, com a differença doesta ser 
•estavdl e permanente, e aquella successiva e transitória. 

Por isto, que acabamos de dizer, já se vê que o Plano Di- 
vino da Religião, explicado pelo Plano também Divino do Uni- 
"verso, nãj pode deixar de unir em si todos os methodos, que 
4Beguiram nos Tractados da verdadeira Religião os que procu- 
raram adaptal-03 á capacidade commum dos homens, unindo 
nelles a força do raciocinio com o prazer da imaginação, e ser- 
vinâorse daa mesmas imagens, similhanças o comparações, tira- 
•das doa objectos sensíveis, para com ellas fazerem perceber o 
que o olho do homem nunca viu, nem 6 ouvido ouviu, nem veio 
jamais ao pensamento do mesmo, deixado a si. Os que para isto 
4ie ajudaram da Poesia uão podiam deixar de assim o fazer. Po* 



\ 

I 



246 

rém «quellas iraa^piis e fifiruras nâo pela maior parte de para 
invenç&Oy e partos do ingeiího e da phantaeia. As que nòa po* 
rém emproámos uo nosso Plano têm a vantagem de serem aa 
maemaa, que Deus escolheu, e destinou na Natureza e na Be-^ 
vdaçft^ para nos pintar e proporcionar as verdades inviaiveis e 
sublimes da sua £t6rna Sabedoria. Assim nâo podem ellas deiíar 
de ser as mais acertadas, e as mais próprias para esto fim. 

Por esta rasào nenhuma das allegorias, que propomos, tauto» 
no Physico, como no Histórico, é arbitraria. Todas são fundadas 
sobre a Kevelaç&o, que uâo nos pode enganar na sua esodha, 
como nem tão pouco nas verdades, que debaixo d*ella8 esoonds. . 
Verdade é, que a Escriptura nem em todos 03 objectos da Na- 
tureza, e factos da Historia, nos faz esta npplicação do qoe é- 
— yisivel ao que é invisível. Mas, feita ella uma, e outra ves 
em objectos e factos da mesma espécie, é de razão, que, pela 
regra da análoga, se extenda a outros, que estão na mesma 
classe e paridade. Quando S. Paulo nos diz, que as cousas do 
Deus invisiveis se fazem visiveis nas mesmas obras da creaçio, 
se bem se entendem, nenhuma d^ellas exdue doesta applicaçã<H 
antes as comprehende nella todas» Se pois alguma yea por pa- 
ridade de razão extendemos a allegoria a algum objeeto, oi 
acção, a que a Revelação a não extende, ella entra nas Regras^ 
Axiomas, e Principies geraes, que fazem a base de todo o Plsno^ 
etc., etc. 

O sr. José Frederico Laranjo, estudante muito dis- 
tlDCto do segundo anno.de direito, e escriptor aprimo- 
rado, enviou a Sua Majestade um exemplar do seu li- 
vro intitulado — Conteúdo e critério do Direito. 



Leiria 

Na estação de Pombal deixaram os Imperadores » 
via férrea, dirigindo-se a Leiria, onde entraram no dia 
cinco ás 10 horas e meia da noite. 

 cidade do Liz achava-se vistosamente iliuminadi.. 
Na praça, por onde passou o cortejo, tocou a musica, 
lançaram-se ao ar numerosos fogueies e foram saudados 
os viajantes coni enthusiasticos vivas. 



a47 

A camará municipal ornou os paços, do concelho com 
vistosos arcos e columnaè da ordem dórica» com as di- 
visas das principae? cidades e com muitas bandeiras ' 
portuguezas e brasileiras. 

Pernoitaram os augustos viajantes na hospedaria do 
sr. Oliveira e ahí foram comprimentados pelas princi- 
paes aoctorídades da terra e por varias pessoas de dts- 
tincçSo. 

Dia 6 

Batalha 

O Imperador mostrara ardentes desejos de visitar o 
nK)steiro da Batalha, o monumento mais glorioso, mais 
patriótico e mais bello de Portugal. 

Ás cinco horas da manhã do dia 6 entravam- na villa 
os (Ilustres viajantes, aos soiis alegres do repicar dos 
sinos e das harmonias da philarmonica batalhense. 

Na frente do monumento esperava-os o presidente 
da camará, o director das obras publicas Carlos Au- 
gusto d'Abreu, pagador Francisco Augusto d' Aguiar e 
Sousa, o architecto das obras do mosteiro Lucas José 
dos Sanctos Pereira, operários e grande multidão de 
povo. 

Logo que Sua Majestade chegou juncto do monumen- 
tal edificio, analysou altentamente a sua nobre fachada 
^ o portal, t9o ricos de lavores e de bellezas archile- 
ctonicas^ celebradas peta penna inimitável de fr. Luiz 
de Sonsa. 

. Disse Sua Majestade que nSo entraria no templo sem 
que o dia aclarasse mais, pois que áquella hora ainda 
no interior n3o havia Iqz sufficiente para poder exami- 



248 

nar as suas formas. Quando estava analysando toda^s as 
partes do frontispício, acercou-se do sr. director das 
obras publicas, e lhe fez algumas perguntas. 

Entrando no templo examinou attentamente a sepob 
tura do architecto. Dirigiu-se á maravilhosa capella da 
fundador, com cuja fabrica e belleza ficou impressio- 
nado. D'aqui seguiu pela nave central, e quando cami* 
nhava, algumas vezes se voltou para traz a contemplar 
o bello effeito da janella superior ao pórtico,. que con- 
serva ainda os seus vidros primitivos. Notou depois as 
bellezas da capella-mór com as suas elegantíssimas ja- 
nellas, que é para lastimar verem-se em parte obstruí- 
das por um retábulo de madeira sem valor algum. . 

Sahindo da egreja, foi ver os capacetes de D. JoSo i 
e de D. JoSo ii, e collocou sobre a cabeça o elmo que 
já cingira a nobre fronte do grande mestre de Aviz. 

Examinaram em seguida a celebrada casa do capi- 
tulo, onde viram o busto' do architecto que effectuara 
tão arrojada construcção. Notaram também os formosos 
vidros coloridos da parte superior da janella. 

Seguindo pelo claustro, dirigiram-se ás capellas im- 
perfeitas, onde Sua Majestade muito admirou o primo- 
roso trabalho do pórtico. Neste logar foram entregues 
pelo sr. director a Suas Majestades duas caixinhas da 
mesma pedra de que é fabricado o monumento, sendo- 
Ihes offerecidas por dois c^rarios das obras do mosteiro. 

Sahiram em seguida para os terraços, e o Imperador 
foi até á alta varanda do corochéu da Cegonha, d'onde 
gosou o formoso panorama que d'alli se domina. Âchan- 
do-se alli com o director das obras publicas, fez-lhe 
varias perguntas a respeito da topographia do local, 
onde se feriu a gloriosa batalha de 1385, conamemo- 
rada pelo monumento que estava visitando. 



249 

I 

Em qaanto o Imperador subiu á varanda da Cegonha» 
ficou a Imperatriz no terraço da capelia imperfeita, e 
abi esteve fatiando com o arcbitecto o sr. Lucas José 
dos Sanctos Pereira, ao qual fez varias perguntas so- 
bre o monumento» comparando-o com outros que viu 
no estrangeiro. Disse-lhe a Imperatriz que achava as 
obras modernas em perfeita harmonia com as antigas. 
Nesta occasiSo o sr. director das obras offereceu á Im- 
peratriz algumas moedas de cobre, do tempo de D. Jo3o i, 
queitinham sido achadas em vários desaterros, em terre- 
nos do edificio. Sua Majestade acceitou-as com toda a be-^ 
nevolencia, e agradeceu muito ao architecto das obras 
a sua lembrança. As moedas eram das que se denomi- 
nam mtis. 

O Imperador quiz ainda examinar outra vez a ca- 
pelia do fundador. Âhi, com uma penna que lhes foi dada 
pelo director das obras publicas, assignaram Suas Ma- 
* jestades os seus nomes no livro dos visitantes. 

Durou a visita por espaço de três horas. 

Ás oito partiram para Alcobaça, para onde os acom- 
panhou o director das obras publicas de Leiria. 



Alcobaça 

Pouco depois das nove horas da manhã chegaram 
Suas Majestades á notável villa de Alcobaça, onde visi- 
taram o celebrado mosteiro, cabeça de ordem cister- 
eiense.- 

Á entrada do convento eram esperados pelas aucto- 
ridades e por varias pessoas de distincção. 

Fizeram demorada visita ao mosteiro dos frades de 
S. Bernardo, e especialmente deram attenção á gran- 



250 

diosa casa da livraria, sachristia e aos túmulos de D. 
Pedro I e D. Ignez de Castro, cujos cadáveres, segando 
resa a tradição, foram por ordem de D. Pedro eollocados 
com os pés de um em frente dos do outro, d$ maneira 
que no dia dejuizo, se remscitarem na mesma poáção^ 
véem-se immediatamente um ao oitírà depeis de terem 
visto o céuA 

O Imperador leu vários epitaphíos^ e perguntou por 
uma campa em que se vé gravada a efigíe dó indivMkio 
cujas cinzas ella cobre, mandada coUocar na soleira 
de uma porta para que os frades calcassem a referida 
figura e a esfregassem com os pés, em castigo de of- 
fensas por elle feitas á communidade. N3o sabemos 
mais pormenores d'esta tradição, e-falta-nos o tempo 
para os averiguar. 

Visitado o mosteiro, foram almoçar á hospedarí^. 
Durante o almoço tocaram três bandas de musica, e su- 
biram ao ar imm^nsos foguetes. 

Pouco depois das onze horas deixaram a villa de Al- 
cobaça. 

Caldas da Rainha . 

Logo que constou que Suas Majestades haviam de 
passar pelas Caldas da Rainha, tractou o presidente da 
camará, o sr. Francisco Eduardo de Andrade Pimentel» 
de convocar uma reunião do maior numero de pessoas 
influentes d'aquella villa, a fím de se assentar na melhor 
maneira de commemorar a passagem dos illustres via- 
jantes. Lembrou á assembleia que o meio que lhe pa- L 

k 

1 Portugal, Recordações do anno de 1842 pelo príncipe Li- 
chuowsky. 



íi 



\ 



251 • 

recia mais digno e mais conforme com os sentimentos de* 
Suas Majestades, era um acto de beneficência e caridade 
para com á pobreza e desvalidos da fortuna, análogo ao 
que em outras occasiões solemnes esla povoação tem 
costumado practicar. 

Fropoz que se desse aos pobres um jantar ou ração 
de peixe, arroz e pio, acompanhado de algum dinheiro, 
Approvado este alvitre tão racional, foi logo aberta uma 
sob8crípç3o entre os membros da assembleia, e se no- 
meoQ uma ^commissão para promover donativos dos ha-^ 
bitantes da villa, a qual obteve 55^545 réis. 

A oommissSo era composta dos srs. presidente, José 
GalvSo Peixoto Lobato, director do correio— ;thésoureiro, 
JoSoFernáidesVentura Coelho, recebedor da comarca — 
secretairio, Joaquim Pereira Alves, negociante — José de 
Noronha Abreu e Lima, escrivão de fazenda — José Salie& 
Henriques, proprietário — ^António Rodrigues Senna, es- 
erkão de direito — Manuel Cypriano Gomes Mafra,, fa- 
bricante de louça — Francisco ()e Sousa, .idem — An- 
tónio de Sousa Liso, idem -r Francisco Albano, artista. 
Na praça principal da villa se collocaram as rações 
e esmolas sobre varias mezas embandeiradas, forradas 
de damasco e convenientemente adornadas de jarras 
magnificas, feitas do barro, tão conhecido, d'esta loca- 
lidade, com a galanteria que se nota nos artefactos doeste 
geoerov em que são «aíninentes os industriaes da villa. 
Delíberon-se que aos pobres recolhidos se levasse 
uma esflool» de 300 róis a cada um. 

iPeítos assim os preparativos^ e animada a festa pela 
philarihontta da villa, que. de bom grado e gratuita- 
mente se prestou a tocar, procedeu 4 commissão á dis*^ 
stribuição do bodo na própria occasíâo da passagem e 
pequena deipora de Suas Majestades, que só se deti- 



252 

' veram o tempo sufficiente para se operar as modas 
lias suas carruagens. 

Distribuiram*se naquella occasiSo cento e dez esmolas 
constantes de um kilo de p9o, meio kilo de arroz, meio 
de bacalhau, e 100 réis em dinheiro. Os cento e dez 
pobres, munidos previamente da competente senha, re- 
ceberam a esmola por m3o de quatro crianças, seodo 
duas do sexo masculino 6 duas do sexo femibino. 

Além d'estas esmolas deram*se mais quarenta e qaa* 
tro de 300 réis cada^ uma a pobres e familtas envergo- 
nhadas. '■ 

Ê digna de todos os louvores a benemérita commis- 
«ão, que tanto fez, attendendo-se ao pouco tempo de 
que dispoz, pois, tendo sido constituída no domingo 3 
ás duas horas da tarde, dava de si tão boa conta oa quarta 
feira 6, á uma da tarde. 

Suas Majestades foram eáperados na praça pela ca- 
mará, juiz de direito, delegado e mais empregados jo- 
díciaes, dr. Rezende, administrador do hospital, admi- 
nistrador do concelho, parocho e vários ecclesiasticos 
e grande quantidade de povo. Era este em tão grande 
numero que o Imperador, por occasiao de receber a 
felicitação que lhe dirigiu o presidente da camará, o 
sr. Andrade Pimentel, se lhe mostrou admirado d'a- 
quelle extraordinário concurso, e lhe disse que lhe pa- 
recia ser importante esta povoação pelo grande numero 
<]e individues, que alli via. O sr. Pimentel respondeu 
que era effecti vãmente uma terra de numerosa povoa- 
ção, e além d 'isso muito celebre esta villa peias soas 
aguas thermaes, tão conhecidas. Disse logo Sua Mages- 
tade que d'ellas tinha conhecimento, assim como do ma- 
gnifico hospital. 

Fez depois o sr. Pimeqtel saber ao Imperador qoe 



253 

este estabelecimento estava preparado para recebQr » 
visita dei Suas Magestades» e pediu^lhe licença para lhe 
^^nresentaroadminístrador do hospital, que alli se achava 
para ter a honra de comprimentar a Suas Majestades» 
O sr. Dw Pedro recebeoi «aífa velioente o administrador, 
e cool elle faUou por algum tempo, fazeiido-lhe varias 
perguntas relativas ao hospital, taes como qual o nur 
mero de camas e dos doentes, tanto internos como ex- 
ternos, qae alli alSUuiam a aproveítar-se dos banhos, etc. 
Foram também apresentar seus comprimentos os srs. 
jaiz de direito, delegado, administrador do concelho e 
outros cavalheiros, a todos os quaes Sua Majestade 
: apertou a mão e dirigiu palavras affectuosas. 

Quando o sr. Andrade Pimentel, presidente da ca- 
I mara, dirigiu a Suas Majestades a felicitação em nome 
; do monlcipio, disse lhes que os habitantes doesta yilla, 
! em vez de arcos de triumpho e salvas de artilheria para 
; eommemorar a passagem de Suas Majestades, antes 
qnizeram solemnizal-a com um acto de beneficência e 
conforto aos pobres, no que julgavam conformar-se com 
os bondosos sentimentos manifestados por Suas Majes- 
tades em diversos pontos do reino por onde haviam pas- 
sado: ao que os Imperadores responderam ambos, um 
após outro, que effecti vãmente nada poderiam ler feito os 
habitantes d'aquella villá que tanto lhes agradasse como 
o acto de beneficência que estavam presenceando, que 
muito lh'o louvavam, e muito se regosijavam com elle* 
As filhas dos srs. Barões do Bom Retiro e Itaúna, 
em quanto se faziam as mudas, apearam-se e foram ver 
as mezas onde se distribuía o bodo, e pediram infor- 
mações da quantidade dos goneros alimentícios e da 
esmola pecuniária que se dava a cada pobre dos que 
alli iam, e da destinada aos pobres recolhidos, e disse- 



35» 



ram que o qae estavam veíndo era otjae-máis^ podia 
agradar a Sdas Majestades. Observaram os belteís vasos 
<)e flores e jaírris, eescreveramrapontamratos ^em soas 
farteiras. ' ? • 

O Imperador conversou dlgum tempo com o sr. jui2 
<]e' direito, e de lodos de despediu, pedindo desculpa de 
se n3o apear, porque o tempo era pouco^ e coutava 
ir jantar ao Cercal pelas 4 horas, tendo almoçado em 
Alcobaça ás onze horas, e chegado ás Caldas áiima 
hora e meia; 

Suas Majestades n3o poderam ver o hospital, porque 
apenas se denooraram na villa cerca de 15' minutos. 

Mandaram entregar vinte libras á commissSo de be- 
neficência para distribuir pelos pobres da villa. 

Este acto de betieficencíã dos Imperadores é a con- 
tinuaçRo de outros já practicados, e com qae deixaram 
memorada a sua vinda a este paiz. * 



í. 



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[ . 



QUARTA PARTE 



<'. 



1. • 



< ^ 
• I 



meei Dos npEiuiHiilGs do bmí^l 




• i 



ii^*6*3»- 



QDAKtA PARU 



'W>/\/X/^/X/%^ ^x 



Lisboa 



Lisboa é ama das mais formosas cidades do moDáo^ 
a mais formosa das mais ricas; e a mais rica das mais 
enthosiasticameDte festejadas por poetas e viajantes. 

 excellencía de seu. porto, a magnificepcia de seus 
edifícios, a bondade de< seu clima e as vsrstas relaíçQes 
do seu commeròio, dâo-lhe foros de notável distinCçio. 
É a capital doreino^ a sede. do governo, o núcleo das 
grandes expk)raçõesindustriaes, e o centro d'onde parte 
o movimenta e a força para todos os pontos do nosso 
paiz. 

Difficil, senão impossível, seria a enumerar-lha as 
multiplices bellezas, que tanto maravilham quem as vô, 
por serem constituídas pelos mais aquilatados primores 
das artes e^da natureza* Também alli avultam sum- 
ptuosos monumentos, paginas eloquwtes e indeléveis 

17 



258 

da nossa historia, que faliam de feitos gloriosos e de* 
dicações heróicas, como só portuguezes souberam pra- 
ctÍAi^r^ . iacitados pelo amor Ja j}alria e pelo brio de 

Junto d'ella sereno se deslisa o majestoso Tejo, que, 
provindo das terras de Castella, vem como a prestar 
preito á rainha, das cidades. 

Os arredorésr SSo jardina floridos -que a nattireza es- 
maltou de formosas galas e adornos part deleite da 
vista e saudável pureza do ambiente. 

É Lisboa qual esplendida odalisca, descançada em 
recosto voluptuoso, que sedo^ pela majestade de sua 
belleza e pela graça de seus ârtaVios e enfeites. 

Os extrangeiros que a contemplam, sentem-se captivos 
de tamanhos encantos; mas ella compensa generosa- 
mente a admiração que lhe votam^ e a sympathia que 
lhe tributam. 

Foi por isto que Lisboa, mirando-se no largo espe- 
Ititi do crystalino Tejo, se revestiiF com todas as galas 
da seducç3o para receber a visita lisongeira de dois 
viajaritea illustres, que iam enuobrecel^a mais eom a 
sincera homenagem do seu apreço e consideração. 

B ainda tíiais, porque os Imperadores do Brasil, che- 
fes diurna naç3o filha da nossa, e ligada á nossa pelas 
mais cordeaes relações, illustrados e caridosos^ se tor- 
navam dignos da consideração publica, e mereciam, 
pela sympathia que souberam inspirar^ os aUosi preitos 
que uma tão nobre cidade lhes votava. 

B assim a capital lhes fez uma recepçio esplendida, 
eem sua honra se adornou com as suas mais preciosas 
galasi e enfeites^ 

Lisboa não faltoa> ao que devia aos Imperadores e 
áfâsk»da sua mesma grandeza. 



» . 



i^ 



Cbfiç^da dos Itnpefa dores á estaçfio' de Lisboa 

Ãs 9 horas é 3^ mbtitos da tarde do dia 6 daViain 
entrada na eslaÇ3o de' Lisboa os Imperadores dó' BfásU. 
SiiaS Majestades tinham partido ás 8 hòras' e 30 mi- 
Dutos da estaçSo do Carregado, em comhftyo especial 
aonde os tinham ido esperar os srs. conde dé Penama- 
eor, ministro do Brasil, e visconde de Almeida, camâf- 
rista da imperatriz viuva: 

Quando Suas Majestades chegaram á estação da ea-^ 
pitai, já alli os esperavam el-rei D. Luiz, acompanhado 
peltfs seus ajudantes e camaristas conde de Mafra, conde 
de Valle de Reis, tenente coronel Cunha e D. Franciâcè 
def Almeida ; el-rei D. Fqmando, com o seu camarista/ 
conde de Campanha; todo o ministério; governador ci- 
vil ; general da divisão, com seu estado maior ; com- 
teandante da guarda municipal e seu ajudante; duque 
de Loulé, marquez de Ficalho, visconde de Soares Fran- 
co, almirante Andrade Pinto; camará municipal, re- 
presentada pelos vereadores dr. Mendonça, Loureiro, 
Nunes, Margiochi e Alves; cônsul do Brasil; emprega- 
dos na legação brasileira; cônsul do Braail em Hespâ- 
nha; o commissario geral de policia, e o dá 4.' di- 
visão; Silva Tuliio; conde de Mesquilella, condessa de 
Penamacor, viscondes de Menezes; general visconde de 
.Faro; Mendes Leal; pintor Fonseca, etc, etc. 

Ao descer da carruagem houve entre os monarctias 
brasileiros e portuguezes uma affectuosa scena de fa- 
mília. O sr. D. Ltíiz beijou a mão á sua virtuosa tia; 
^ deu um apertado abraço em seu tio o Imperador; 
ò sr. í>. Fernando abraçou cordealmente ^u cunhado, 
é' cofioíprimentou a Imp^atriz; 



• • 



260 

Em seguida Suas Majestades dirigiram-se para a sala, 
a descançar um pouco da fadiga da viagem» que tinha 
sido longa e difficil. El-rei de Portugal aproveitou a 
occasiSo para apresentar ao Imperador os ministros, e 
outros cavalt)eiros notáveis nas letras, ou pelos serviços 
prestados á causa da liberdade e ao paiz. Depois Suas 
Majestades conversairam muito, como era natural, a 
respeito da viagem, que vinham terminar na capital do 
reino. O Imperador declarou a seu sobrinho que vinha 
muito fatigado, e contou-lhe alguns episódios mais ím* 
portantes ou curiosos da sua visita ás províncias do 
norte. 

Ás 10 horas da noite sahiram Sua& Majestades e toda 
a comitiva da sala, dirigíndo-se para as carruagens. O 
Imperador ia pelo braço do sr. D. Fernando, e a Impe- 
ratriz pelo do monarcba portuguez, que vestia da al- 
mirante. Os imperiaes viajantes entraram na carruagem 
de el-rei, que com o sr. D. Fernando os acompanhou 
ao hotel, e a comitiva e mais pessoas presentes toma- 
ram suas respectivas carruagens, formando um préstito 
de mais de cem. O batalhão de caçadores da rainha 
fazia a guarda de honra na estação. A policia era feita 
pela da 1.* divisão e por um piquete de cavallaria mu- 
nicipal. Pelas ruas da passagem era muito grande a 
concurrencia de povo, e algumas casas foram brilhan- 
temente illuminadas; no largo dq Cães dos Soldados 
havia o magnifico espectáculo d'uma luz eléctrica, que 
partia d'um prédio do mesmo largo. 

Suas Majestades chegaram ao hotel ás 10 horas e 
45 minutos. Muitas pessoas da nobreza e de outras 
classes socíaes aguardavam os viajantes para os com- 
primentarem, divisando-se nas physionomias de todos a 
mais completa satisfação. O Imperador foi mostrar os 



«eus aposentos a el-reí, qne os achou excellentes. S3o 
os mesmos em que estiveram na sua primeira passagem 
pela capital, comprebendidos no andar nobre e no sQ'- 
periòr, ornados com riqueza, excellentemerite dispostas 
asmiobilias, ecom muita profusão deflores. 

Em seguida os Imperadores, depois de tomarem al- 
guma refeição, foram descançar. 

Dia 7 

Em toda a viagem àâ Imperador se notou que Su9 
V Majestade tem o habito de madrugar, o que, alem de 
ser um preceito hygienico, lhe dá occasião de percor- 
rer e visitar maior numero de logares curiosos e inte*^ 
ressantes. 

Tisita a El-rei D. Fernando 

Sua Majestade levantou-se ás cinco horas e meia 
<la manhã, e, depois de alguns preparativos, sahiu do 
hotel ás 7 horas e um quarto num lindo landau, que 
fora mandado pôr á sua disposição, e dirigiu-se, pelo 
aterro da Boa- Vista, magnifico ponto que muito apre- 
ciou, para o palácio das Necessidades, a visitar el-réi 
D. Fernando e a sr/ condessa d'Edla. 

Depois de variada conversação, o Imperador viu com 
^ summo agrado, porque é um fino artista, as precio- 
sidades que o sr. D. Fernando possue; e aquelles doiã 
illustres homens, um que dirige os destinos de uma 
das primeiras nações do mundo, e outro que já, coiii 
applaoso publico, se assentou no throno portuguez, il- 
lustres pelo sangue, e maiores ainda pela protecção cdm 
que auxiliam as artes e as sciencias, entretiveram-se 



m 

durante doas bqra? aq es^ípe da riç^$ oibras d*ai% 
em que o cinzel ^ a palhe^ ob|ai;aj(i|à pr<)digios e re^r 
lifarain maravilhas. 

Ás iO horas retirou*se Soa Majestade, dirígiudo-se 
pela calçada das Necessidades a Siancta Isabel eçi di- 
recção ao hotel; ahnoçou, e recebeu a visita de mirtos 
cavalheiros, contando-se entre estes o sr. conde de Pa- 
raty, e os membros do corpo consular- brasileiro. Tam- 
bém recebeu uma commíssSo do Monte-pio de Nossa 
Senhora dos Anjos, a qual implorava do monarcha a 
mejcé de assistir ao beneficio do Monte-pio num dos 
theatros no dia 7. Sua Majestade respondeu que nfo 
tinha duvida em comparecer, nd caso que lhe fosse pos* 
siveK 

Visita á Imperatriz viqva 

Ás 1 1 horas o Imperadjor e a Imperatriz, trajando 
esta um vestido de seda cinzenta e chapéu de tuk preto, 
acompanhados pela sua comitiva, dirígiram-se para q 
palácio das Janellas Verdes, a fim de visitarem a im- 
peratriz viuva do sr. D. Pedro iv, que estava informa. 

Imagine-^e quão enternecedora seria a rjecepçSo, e 
com que alegria se abraçariam parentes tão próximos; 
a sr.* D. Âmelíâ vendo no filho as feiç2^es do çsposo 
que lhe fora tão caro ; o Imperador e a Imperatriz do 
Brasil vendo na real doente a esposa de seu pae, que 
lhe fora tão querido, á qual ainda boje as saudades de 
filha estremecida não poderam apagar as saudades do 
lesposo adorado. 

Aos 30 minutos depois do meio dia termiuou a vi< 
sita, 



Ért I íl 



ISaitâ M palaoio de >Bemflfltre «oaneoitOi '«Acr 



r 



Suas Majedtades tonraram a direcção de Bemficai 
indo por Alcântara, estrada da círcamvalaçSo até S« Se»* 
Instíão >e Sele Bios. rForam áquella tM poética •vivenda 
ifísitar a in^nta D. Isabel IVbria, tta de Stias Magesr 
iadei, senhora tão vírtoosa, como illustrada^ Depois 
dos comprimentos affectaosos» e de conversarem danante 
algum tempo» iònuín os Imp^^dores ver o paUcio e a 
^Dla de sua alteza, observapdo todas as fonaosuras 
BAtiiraes e artísticas^ /que utqueHe sitto tão pittoresco 
«buodam. Depois de as terem mmnciosamente percer- 
rido, voltaram sk) palácio* retiraodo-ee em segmda, d«r 
pois <d'uma despedida tio commovedora como saudost» 
D'alli partiram os moúarchas brasileiros e sua comitiva 
a visitarem a egrerja « convento de ^« DoafingM d^ 
fiemfica, immortaksados pela penna elegante de maii» 
eteganie etòríptor portuguez, frei Luiz de Sousa, <e 
aonde, nuna capella, seoccultam os restos de alguns 
iiescendentes de D. Jo3o de Castro. Mas o motivoi,^ que 
tevou Sua Majestade áquelia casa, era o empenho de ver 
o tumulo do grande clássico, que o Imperados^ aprepia. 
como illustrado que é, e jcujas obras considera tom a 
maic^ valia e apreço. 

Depois de rápido exame, voltaram Suas Majestades 
para Lisboa, pela estrada das Larangeiras, ás Terras 
de Arroios, ^em direcção á egreja da Graça. Venera-se 
neste templo a imagem do^Senlibr Jesus dos Passos, 
de muita devoção para a gente da capital ; sendo até de 
Mt» antigo que os iiionarcfaas{)octpguiBea v^.adoral-a 
fio dia «m que é conduzida eoa procidsão fid»s maa da 
cidade. Os loiperadores fioer^m oracio deante da imi- 



264 

gem, dando assim um eloquente testemmiho de soa fé, 
e examinaram o templo e o calvário, vinda depois ob- 
servar do átrio da egreja o magnifico panorama que 
d'allí se avista, e de que Soas Majestades muito gos- 
taram. 

D'este logar foram ver o reservatório das aguas, cha- 
mado da Verónica, parte do famoso aqueducto com 
que D. Jo9o v enriqueceu a cidade, e que é obra admir 
rada por nacionaes e extrangeiros. 

Ás quatro horas da tarde recolheram ao hoteL Ji 
allí esperavam Suas Majestades o sr. marquez de Re- 
zende, camarista da Imperatriz viuva, a pagar a visita 
em nome da enferma, e os srs. visconde de Menezes e 
barão de Sabatinga. Pouco depois chegou a rainha coá 
08 seus dois filhos. Sua Majestade trazia um lindo ves- 
tido de cauda, de veludo azul, e casaco de vdado 
preto. Em seguida foram o senhor D. Fernando e a 
senhora condessa d'£dla. A senhora D. Maria Pia e os 
meninos estiveram meia hora, e o senhor D. Fernando 
e sua esposa demoraram-se atè ás cinco horas. Outras 
pessoas foram também visitar os imperiaes viajantes, 
como os srs. ministros, quasi todos os membros do corpo 
diplomático, muitos dos principaes negociantes e dif- 
ferentes pessoas da nobresa. 

Ás cinco horas e meia Suas Majestades jantaram. 



Tisita á Academia real das sciencias 

Sua Majestade, que nos differentes paizes que per 
correu, ^visitou de preferencia tudo quanto respeitava 
ás sciencias e ás artes, ji9o podia deixar de honrar com 



265 



I sua presença uma das corporaç5es scientifícas mais 
importantes do paiz. 

O Imperador nSo participara a sua visita; no èm- 
tanto sabia-se que Sua Majestade tencionava assistir á 
sessão que a Academia real das sciencias celebrava nesse 
dia. 

Eram nove horas da noite. Ainda não tinham {M*in- 
cipíAdo os trabalhos, e já o monarcha brasileiro, com 
d seu modesto trajo, estava no edificio. Pouco depois 
abrio-se a sessão, presidida pelo sr. marquez d' Ávila e 
Bolâitia, vice-presidente, tendo por secretario o sr. con- 
selheiro José Maria Latino Coelho. 

O sr. presidente pronunciou um pequeno discurso, 
agradecendo ao Imperador a sua visita, e felícitando-o 
BHi nome da Academia ; por ultimo convidou Sua Ma- 
jesúidtf a eêcupar a cadeira da presidência. 

O impNu^ador; tomafido em seguida a palavra, agra- 
deceu as^expif^Oes lisongeiras que lhe foram dirigi- 
jjp, manifestou o seu regosijo por se achar no meio 
ÍDÍe uma corporação tão jeapeitavel, da qual era sócio, 
fèi agradecendo, mas recusando o convite para occupar 
a cadeira da presidência, foi sentar-se numa das ca- 
deiras, onde tomam logar os membros da Academia. 

EtitroQ-se logo na ordem do dia, seguindo-se regular- 
mente os trabalhos, enomando a palavra algans dos 
sócios pela ordem que vão em seguida : 

O sr. A. A. d'Aguiar, professor de chimica, deu 
ooDta dB Varias experiências ehimicas muito importan- 
tes, cajoe resultados constituem factos muito apreciáveis 
para' a progresso d'aqoella sciencía. A este respeito fal^ 
laram também os srs. Barbosa e dr. Alvarenga, todos 
com a profidencia que os seus conhecimentos lhes ga- 



»B6 

iwteoBu 6 com a illostratao qoe em de ^esperar da«Di 

capacidade e talento. 

O sr. Felner apres^too um curioso trabalho, oajo 
assunspto se deprehende do tHulor^AponiameDtos tea« 
dentes a provar qual era a familia e ^ nome verdadeiro 
do homem que nas guerras de Pernambuco illustrou o 
de Joio Fernandes Vieira.» 

O sr. Daniel Augusto da Silva apresentou um eatodo 
sobre geometria a«}a1ytica. 

O sr. Silva Túlio, erudito escríptor, ^oe iUwtro» 
muitas paginas do ArcMvo pittoreseo, leu ma oiqpítuto 
d'uma obra que está escrevendo» sob o titula (íe «Mi^ 
soes politicas do padre António Vieira.» 

O notavd jurisconsulto, visconde de Seabra, anctor 
do Código civil portuguez, cavalheiro cjue já foi mi* 
nistro e tem exercido outros cargas eimoentea ii«,admi<- 
nistraçSo publica, Callou sobre a «npõrtaDcia qwM^ deve 
dar ao padre António Vieira, considerado aob o ponto 
de vista politico, como conselheiro particular 4e el-fei 
D. João IV. I 

O distincto poeta e prosador, o sr. José 4a Silva 
Mendes Leal, actualmente representante de Portugal 
na eôrte de Hespanha, propoz que fossem apresentados 
á especial attençSo da Academia alguns documeutoa da 
inquisição, ainda com respeito ao nosso mais eloqoenia 
orador sagrado. 

O sr. Thomaz de Carvalho, cavalheiro de extraordi- 
nária e muito solida instruccão, e depntado pelo ol*' 
tramar, apresentou á Academia uma tradueçio- 1^ poe* 
ma de Vida, intitulado «O bicho de seda»^ « ieu um 
trecho doesta bella obra. 

O sr. Andrade Ferreira, apreeiavid prosador, Oiflfo* 



267 

nec^o á Academia e ao Imperador eicemplares ^e um 
livro que ba pouco publicou. 

O sr. D. José de Lacerda, cavalheiro muito lidç na 
iMsaa litteratura, discursou sobre o estado em que a 
joatraccSo primaria se acha entre nós, ^ declarou ler 
presente um (irabalho a este respeito, que não lia por 
ser muito extenso. 

O cUstincto medico, o sr. dr. Alvarenga, apresentou 
o resultado de algumas observações que tem feito sobrç 
a influencia que a temperatura exerce na respiração ; e 
cTeste mesmo objecto fallou o sr. Amado. 

O sr. conselheiro Lisboa, ministro do Brasil e muito 
dedicado ás letras, deu conta de alguns trabalhos quQ 
fn sobre orthographia portugueza. 

$ua Majestade o Imperador propoz que a Academia 
fizesse tjodas as diligencias para encontrar a pedra que 
cobre o tumulo de fr. Luiz de Sousa, pois que Sua Ma- 
jestade a não encontrou na egreja de Bemfica, quando 
*a foi visitar. Os srs. Mendes Leal e Silva Tullío deram 
explicações que satisfizeram o illustrado monarcha. 

Estavam presentes nesta sessão vinte e cinco sócios 
ej^BCtivos e dez correspondentes. 

Esta reuniSo foi celebrada na ^la nova das sessões 
ordinárias, que serviu pela primeira vez, construída 
sob a direcção do sr. engenheiro Lecocq. A sala ó 
grande e elegante. De um lador está o retrato de D. Ma» 
ria I, illustrada rainha, que fundou a Academia em %i 
de dezembro de 1779, e do outro o do duque de La- 
fiíes, que empregou os maiores esforços para a creação 
d*Arte importante estabelecimento, e foi o sep primeira) 
presidente. Sobre os vãos das janellas foram collocados 
os bustos de algqos ac;^mico$ mais notáveis, f no g^bi- 
Q^te que «oteeeide a w^3^ eqcootraw l^etr^los d^putroe. 



368 

O Imperador conversou familiarmente com moitos 
sócios, e mqstroQ-se muito satisfeito. 

Terminada a sessão da Academia, voltou Soa Majes- 
tade ao hotel. Pouco depois tomou a sahir, em trem 
descoberto, acompanhado pela Imperatriz, e foram yet 
as {Iluminações, passeando em volta do Rodo, e sendo 
saudados pela multidão que enchia a praça. Depois de 
alguma demora, voltaram pela rua do Ouro, e reco- 
lheram ao hotel. 

Dia 8 

O Imperador, apezar de se ter recolhido ás duas horas 
da noite, já ás sete horas estava prompto a sahir do 
hotel. Sua Majestade tinha grande empenho em visitar 
o museu da Reai associação dos architectos civis por- 
tuguezes, e para alli se dirigiu immediatamente. 



Visita ao Museu dos Architectos 

Ainda n3o eram 8 horas da manhã, e já o Imperador 
se achava no convento do Carmo, monumento vene- 
rando, onde o grande condestavel, despida a couraça 
de guerreiro, e envergado o habito de cenobita, passoa 
inclausurado os derradeiros dias da sua vida em total 
abandono das cousas da terra e todo entregue ás do 
céu. 

Hoje acha-se alli estabelecido o museu archeologico 
pertencente á Real Associação dos Architectos Qvis 
Portuguezes, e Sua Majestade mostrou grande empenho 
em visitar este valioso repositório da arte antiga. 

O sr. Joaquim Possidonio Nareiso da Silva, dístincto 
arcbeologo, architecto da casa real, e presidente d'a- 



2Q9 

quelia associação» acompanhou Soa Majestade durante 
a sua visita ao museu, dando-Ihe eruditas explicações, 
e noticias acerca de grande numero de objectos que 
alli se guardam, notáveis uns pela sua antiguidade, 
outros pelo seu valor artistico, outros finalmente pelas 
, soas recordações históricas. 

A visita foi demorada, porque o Imperador mostrou^ 
se possuído de grande interesse e curiosidade á vista 
de muitos d'aquelles objectos, e quiz examinal-es mi-> 
nuciosamente. Os que mais chamaram a attençSo do 
soberano brasileiro foram : 

— Dois marços miUiarios do imperador Marco Au- 
felio e do imperador Cláudio. Estes marcos tinham sido 
descobertos pelo sr. Joaquim Possidonio na cidade de 
Thomar, completamente abandonados debaixo da ta- 
rimba da casa da guarda. 

— Alguns sarcophagos obtidos pelo mesmo em San- 
tarém, Thomar e Alcobaça: um dos quaes representa 
deitado sobre a campa um filho d'el-rei D. Diniz, que^ 
íallecera em Santarém em consequência de ter sido 
mordido por um javali, andando á caça. Nota-se neste 
tumulo a singularidade de eslar o corpo do príncipe 
deitado sobre o lado direito, posição, que raras vezes 
se vê em estatuas tumulares. 

— O sarcophago que pertenceu a D. Constança, mãe 
d'el-rei D. Fernando i. 

—O de Gonçalo de Sousa, grão-mestre da ordem de 
Christo, que fora mordomo-mór d'el-rei D. Affonso v. 
]^ curiosíssima a inscrípção que tem gravada em torno, 
composta de primorosos caracteres gothico-allemães» 
£ntre outras cousas diz : deu nenhuma cousa ao demo, 
é quando lhe fazia desprazer ^ tudo dava a Deus, nem 
dizia mal de nenhum, nem cubicava a nenhum mal, 
9iem bebia vinho, etc. 



Í70 

— Úm tamak) rmtt^Hio do seeolo iv com dote figtim 
em alto relevo, pertencente a uni EdiL 

Sua Majestade esamíDou os modelo^l de madcílra dê 
qae costuma servir-se .o presidente da associado quaodo 
Àz as suas prelecções sobre a arte mommeutal dos 
povos da antiguidade, os quaes representam mmtKâ&Êh 
tos da Grécia, Roma, Egypto e índia. O Imperador prin- 
cipatmente íixon a sua attençSo do modelo dar gnmde 
pjramide do Egypto, no qual se acham representada^ 
as galerias internas que conduzem á camará do m e 
da rainha. Contou por esta occasiSo o. Imperador a (fif- 
íiculdade que teve em descer pela parte externa d*a- 
qnelle colossal monumento, os embaraços em que se 
viram quatorze meninas americanas que com a sua aii' 
e com eíle subiram ao cimo da pyramidé, e referhi 
que duas desmaiaram de assustadas durante a' descida. 

Continuou Sua Majestade practicando com o sr. Joa- 
quim Possidonio, e disse-lhe ler pena de nSo haver vi- 
sitado Memphis, ao que o digno presidente acrescentou 
ter Sua Majestade perdido a occasiâo de ver a mais 
antiga escuiptura descuberta nestes últimos tempos — 
uma estatua encontrada no Serapeum de Memphis, a 
qual representa uma mulher com as pernas encruza- 
das, e foi descuberta em uma escavação por mr. Ma- 
rietti. Calcula mr. Lenormand que esta antiguattia n3o 
terá menos de seis mil annos de existência*! 

Quando o sr. Joaquim Possidonio se propunha a 
mbstrar ao Imperiador um idolo egypcío de brc^ze (assas 
curioso pela circumstancia da sua procedência, pois qae^ 
tendo sido comprado em um leilão em Paris, e oflb^ 
tado ao sf. Joaquim Possidonio, soube-se entio que 
havia estado no quarto do castelto de Ham quando alli 
esteve preso Luiz Bottàparte eni tempo de Luiz Filippe)» 
o sr. D. Pedro declarou que desejava ver de preféiwciav 



371 

«" parâcotamiente lhe interessavam, objectos oacíonaes; 
{]ídO qm d sr. Siha conduziu Sua Majestade á capelta» 
em que eststv reunidas ãs amostras de mármores, gra-' 
rntDS» madeira», ardozias, tijolos, telhas, azulejos, sai- 
bros, ète^ de todas as províncias do reino. As amostras 
da pedra alo todas do mesmo tamanho, e todas apre- 
sentam ft forma de cubos; as de madeiras sio cortadas 
mà parallelipipedos, também eguàes, e tem indicados 
OS respectivos preços. Esta exposição dos materiaes de 
eooistnic^o é devida aos cuidados e diligencias do 
st*, loaqaim Possidonío da Silva. 

Tendo o Imperador examinado a estatua e tumulo 
de madurai representando um antigo de alabastro, per- 
Vsúcetíle ao condestavel D. Nuno Alvares Pereira, e que 
ficara destmido pelo terremoto de 1755, perguntou 
ao sr. Silva onde paravam os restos morlaes de t3o 
ftSMsáò heroe, ao que lhe respondeu o sr. Silva que 
em S. Vicente de Fora. 

Passando á outra capella, onde estão vários retratos 
af (^0 rí^presentàndo alguns distinctos architectos por- 
taguezes, designou o sr. Silva os nomes de alguns, e ' 
ars obras por elles delineadas ou dirigidas. Entre elles 
fiomeoii Ludovice, architecto de Mafra; Manuel da Maia, 
arcbiteeto do aqueducto das Aguas Livres ; José da 
Gosta e Silva, do theatro de S. Carlos, hospital militar 
de Runa e real palácio da Ajuda. Estimou Sua Majes- 
tade asi inibrmac^ que lhe deu o sr. Joaquim Possi- 
dMio, e prmeipalm^te as que diziam respeito a Costa 
e^Silva^^ que com o pae do sr. Joaquim Possidonío havia 
AÉneiado e dirigido as festas no Rio de Janeiro por 
mQksiáo^ def se declamar el-rei D. João vi em 1817. 
* O -dPi' Silvar mostrou a Sua Majestade o busto de Bu^' 
•ieav 4^0 esteve anteriormente escomlidò por baixo de 



272 



um dos degraus do púlpito moderno na egr€^ de Bdgm^ 
o qual o sr. Silva fez patente, mandando-lbe tirar q mo- 
delo com o fim de distribuir o retrato de.tSk) ÍDsigae 
architecto pelas associações dos architectos extcaogeiros^ 
pois que tal homenagem era de justiça se praticasse 
para com aquelle que fora o constructor da egrqa e 
claustro do monumental editicio dos Jeronymos. 

Ia o sr. Silva a fallar a respeito de outro bqsto 4o 
architecto da Batalha, e o Imperador antecipou-se no- 
meando logo a Matheus Fernandes, cujo busto .Soa 
Majestade tinha visto na casa do Capituto .dlaqiieUe ad- 
mirável monumento. 

Também se deteve a ver a campa, que tem repre- 
sentado em vulto a D. Ruy de Menezes, mordomo-mór 
da rainha D. Maria, segunda mulher de D. ManueK 

Tendo visto entre os livros da bibliotheca da asso- 
ciação a obra publicada pelo architecto inglez Murphy 
relativa ao mosteiro da Batalha, desejou Sua Majestade 
examinar as suas ricas gravuras, e viu-as todas uma por 
por uma. Quando chegou á estampa que representa o 
portal das capellas imperfeitas disse ter admirado muito 
este trabalho, mas que todavia gostou mais de ver o 
bello effeito das naves da egreja, procurando logo no 
livro a estampa que representa o interior do templo- 

Em seguida, tendo Sua Majestade notado sobre a mesa 
um grande livro in folio, perguntou que livro era; o 
sr* Silva o informou de que era a sua obra intitulada 
Revista Pittoreêca e Descriptiva de Portugal, na qual 
se acham colligidas as photographias dos mais notáveis 
monumentos do nosso paiz. O sr. Silva fez esta obra 
por lhe ter sido recommendada pelo nosso chorado mo- 
narcha, o sr. D. Pedro v. As photographias sSo acompa- 
nhadas de texto bistorico-descriptívo. Ê uma obra de 



273 

toxo, e muito intèréssaDie. O sr. D. Pedro ii, depois de 
folhear o livro, mostrou-se muito satisfeito de o ver, e 
^declaroa des^ar possuir um exemplar. Consta esta çol- 
íecçSo • das seguintes photographias em ponto grande : 
Sé de Lisboa -.Reservatório das Aguais Livres -Largo 
do Pelourinho e Banco de Portugal*^ Palácio Real das 
tieeessiâades-Estufas da quinta dasLarangeiras-ESgreja 
dos Paulistas em Lisboa -Escola do Exercito -Egreja do 
Mosteiro de Belém -Fachada do sul da mesma egreja - 
Yísta .geral de Santarém - Claustro . do convento de 
S. Fraojcisco em Santarém - Torre de Belém -Semi- 
nário patriarchal de Santarém - Egreja e Torre dos Clé- 
rigos no Porto -Convento da Serra do Pilar - Univer- 
sidade de Coimbra -Frontispicio de Sancta Cruz de 
Coimbra -Fachada da Sé Velha de Coimbra -Claustro 
de Sancta Cruz de Coimbra -Aqueducto de D. Sebastião 
Bfrimesma cidade -Castello de Almada -Vista geral de 
Cintra -Vista do palácio real de Cintra -etc. 

Passou depois o Imperador a examinar uns painéis 
transparentes, de que se serve o sr. Silva nas suas 
prelecções de archeologia e de historia monumental; 
e informando-se Sua Majestade dos dias em que cos- 
tumava fazer taes prelecções, e tendo*se-lhe dicto que 
MS«abbados, disse que muito desejava assistir a uma, 
mas que, tendo de partir no dia seguinte para Cintra, 
e de ir á noite ao theatro de D. Maria, sentia n3o poder 
assistir á conferencia. 

• Passando a examinar outras antiguidades expostas 
nas naves do edificio do Carmo, viu primeiro a janella 
conventual, e única completa, que havia no mosteiro 
de 'Belém, a qual é composta de sessenta peças. 
. ;Egu9lmente gostou de ver o retábulo arrendado em 
cantaria da capella de Ruy de Menezes, que pertencera 

. 18 



S74 

ao convento, hoje em raims, d» &i{)ami|^ de Sal- 
tarem. ■ • '■ ■ s 

RcparoQ Soa Majestade nunia> j« b^ismal» a qfãâ 
o sr. Silva o informou ter pertencido á aotiga painíaiv 
dial, e ter aervtdo no baptismo dm £R^." infaotas e do 
sr. D. Migvel, lios de Saas Majestades» e qno a te^ 
Ibera no museu para a salvar do vergonhoso abandooo 
^em que a encontrara. 

Notou Sua Majestade tandiem a coluoina do pelou- 
rinho de Turquel, obtida pelo- sr. Silva para o musea, 
com o que este sr. fez um >om servigo, pois qae o 
pelourinho e as suas pedras jadam por terra, ao. lado da 
estrada publica. 

Nesta occasiSo, relanceando Súa-Majestade todo o edi- 
fício do Carmo, disse que escolheram bom e apropriado 
local para o museu de «rcheologia ; e depois, apertando 
a m3o ao sr. Silva e aos seus collegas, reconomendoa- 
Ihes por ultimo que cuidassem na conservação dos mo* 
Bumentos do paiz, o que faz suppor ter Sua Majestade 
{HHado o abandono em que se aciíam alguns d^elles, 
ainda mesmo os mais importantes. 

Além do sr. Silva acompanharam Sua Majeslade du- 
rante a visita os srs. vice-presidente da associaç3o, se- 
eretario, Ihesoureiro e o sócio amador D. José do Sal- 
danha, provedor da casa da moeda. Por incommodo de 
saúde n3o poderam comparecer os dois sócios amadores 
Abbade Castro e Ignacio de Vilhena Barbosa, os quaes 
haviam sido convidados pek> presidente a fim de estar 
representada a associaçSo tanto pelos arcbitectos como 
pelos socioft^ amadores. 

O empenho que Sua Majestade tinha de visitar o mu- 
seu dos arcbitectos, já havia sido manifestado pelo Im- 
perador ao sr. Silva no laiar^to^; e posteriorodente, re- 



\ 



JR5 . 

fvèssMáo esté^avaittiéira doiorogreeso frobeologwôáè 
fldloohfi) em qdeCooKn^ partoy eol (Mrtabfo ultinoi e 
MbM()a-8e em Veneza Da occasiao em qoè o Imperador 
liMuaviai a formosa cktade d(o Adriático^ iodo áhi t) an 
Siivt compriínentar a Sda Majesladev oolrà vei& o isn 
€K ^dro lhe tQ«TO)Q a fatiar no dedefo qii6 tinhr de 
asilar o museii^ âiModoz LênAre^àíe, 9r. Ptmydomoi 
em Usboas poiÈ quêro ver o sm museu. Por essa oA*- 
cisisi3o encarregou o Imperador ao sr. Silva de participar 
a Sua Majestade o sr. D. Lniz <|tie elle estaria em Por-^ 
tagal no dia 29 de fevereiro, accrescentando depois : 
dí^a « D. Fernando s pais cofno ariiski deptrií tom- 
pt^iender esHi maneira de me expressar -^ que euest&u , 
Minda dbbaÍ3so de um sonho do qual não acordei : posio 
qm HviBse forinado uma ideia muUo superior do que 
isêiria Ve$èeza^ íodamá o que tenho visto me tem cau- 
sado extraordinária admiração. ' 



Praça da Figueira 

Dej^is d'eita visita, feita com olhos de sábio e ar^ 
tisla, Sua Majestade foi á praça da F^ueira. Por certo 
que as nossas vendedeiras n3o poderiam ostentar em 
suas tendas fruclas tão variadas e saborosas como as 
que se criam sob o benéfico clima do Brasil ; além d'ísto 
a estação também não permklia qu^ o mercado esti- 
vesse abastecido de muitas variedades. Ainda assim 
âaa Majestade admirou algumas^ e compilou três eâor- 
mesiúaçis, qm elle próprio levou para o <^arro4 etai que 
éfidavav Feram^ihe vendidas pela conhecida Viceada, 
44^ -fipõfi «Wpreiíendida e orgulhosa <U)ai a de^pretetn- 
^€iÁMdtd0 tio Btonarehay e penhoradiestma quaidp Sui^ 



• • 



276 



Majestade )he pagoo oom mbia libra, e títo qxAz receber 
o troco. O Iiiiperador conversava moito familiarmeote 
tom ascolarôps e saloias, e apreçaJTa^hes> es seus gé- 
neros. Um saloio, adibirado de Ver o Imperador entre 
o povo, e faltando com todos tSo affavelmente, ròHipeQ 
n^esta exclamação, que encerra um grande peosam&oto 
e ama grande verdade: JSlníão esíe é que é^o Imfmh 
dor f Não êé pqrece nada com os reis ! 



^>w^^n«y^/wvwvw«/ywMwwvk 



Gontinuandana sua digressão, dírigiu-se olmpen^r 
da praça da Figueira á sé ; mas, como nS^ tivesse pre- 
venido alguém da sua vijsita, não encontroa quem lhe 
mostrasse o rico tbesouro, e por este motivo sahiu logo, 
tendo apenas visto rapidamente algumas capeUas, e feito 
oração á Senhora da Rocha. 

D'alli regressou ao hotel ; e, sahindo depois com sua 
esposa, foi visitar a Imperatriz, viuva, ao seu palácio 
das Janellas Verdes. Deixando ahi as duas Imperatrizes, 
sahiu ao meio dia, para visitar o hespital de S, José, 
indo pelo Âtterro, ruas do Arsenal, dos Capellistas, da 
Prata, praça da Figueira, e rua Nova da Palma. 



Visita ao hospital de S. José 
e eschola medico-cirurgica 

O hospital de S. José é o primeiro do reino, pda 
vastidão, extremo aceio e excellente organisação das 
suas enfermarias, pharmacia, lavanderia a vapor, cosi- 
nha, museu anatómico e casa mortuária. Sua Majestade 
t) Imperador, examinando minuciosamente este estabe- 



iMhnento, el(^ti ínnito abõaordem eâiq^^Sodas 
áífferentes se(^9eBi e dirigiu palavras consoladoras á ^l- 
gms enfermos;^ sendo acompanhado nesta visita fkelos 
%n. Torres Pereira^ enfermeiro-mór, officiai m^ior ^ 
«npregados da contadoria, e doutores Pillá e Cunha 
Vianna. ,r 

Tam))em á esclarecida curiosidade de Sua Majestade 
tíio escapou a eschola medico-drurgica, um dos nossos 
mais impõrtatítes esijtabelecimentos de lastrucçSo supe^ 
rior, e que, graças á diligente actividade dos seus prctfes^ 
sores, faz honra ao paiz. O Imperador foi reio^do pelo 
secretario, o sr. Motta, e pelos srs. Martins e Tedes- 
chi. Sua Majestade visitou as aulas dos srs. Pitta, Aranf- 
tes e Cunha Vianna, demorando^se algum t^npo a oti^ 
vir as prelecções dos respectivos professores. Depois 
visitou os gabinetes de estudo, o museu e o theatro 
anatómico, elogiando a boa disposição dos objectos, e 
a perfeição dos trabalhos^ 



Visita ao visconde de Castilho 

Depois de sahir do hospital de S. José^ dirigíu-se 
Sua Majestade á rua do Sol, a fím de visitar o sr. vis- 
conde de Castilho, que por motivo d'uma ligeira doença 
não podéra comparecer na sessão da academia, onde o 
notável poeta tencionava apresentar alguns excerptos da 
sua magnifica traducçSo do Sánho d'nma noite de estio 
•de Shakespeare. 

Ia acompanhado do barão de Itaúna, seu camarista, 
■e do cons^hi^ro Lisboa, representante do^Brasil em 
Portugal. .: V \ 



m 

Eeeebkk^ com «ifnp€át(rtt egiísi 
dfelviday «Kigía qQ& o> an; «íaòODdb de^Csatílho» b ^jmh 
la ji annos honra ooi» a ^uft aimiade^ e wm a mtmh 
dacto de oonfrade em lettraa, tomasse o priocípcl ^ 
wnto que tte ofiéreeía, e fOftteQtottr^e camm» cm^f» 
junto ao mesmo sofá. 

Disàe o Inapetador ao iUustrè poeta (}ue awllra D^o 
0"ter encontrado no serão da véspera na sessS^ da aoh 
dMiúa, e mais ainda o ouvir €[ue fora falta de saudei 
triste iQotivo que o impedira de eoocorrer, a que do 
estado d*iesta ia informar^se pessoalmente* 

Conversou sobre alguns artigos mais interessantes 
da sua viagem, taes como a sua visita ao tonáilo áò 
Vii^ilio (sobra cb)a autbentiddade nspstrou ter dovir 
das), a sua ascençíq á pyramide grande, em cuja/corfia 
raeontrou em vez dos quarenta séculos, qmior^ dsh 
mas dos Estados Unidos. 

Narrou ler estado no Porto com o sr. Camillo Cas- 
tello Branco, de cujos trabalhos litterarios Sua Majestade 
faz grande conta, e cujas obras completas disse desejava 
possuir. 

Finalmente referiu a sua excurs3o á quinta das Cannas 
e á Lapa dos Esteios, tão celebrada pelo cantor da Pri- 
maxiera e da Fêsta de maio, e apresentou ao sr. visconde 
de Castilho uma folha de hera envolta num papel, onde 
escrevera de seu punho : 

Para o Visconde de Castilho 

Cantor 4a tiPUmavera* 
Lembrança da Lapa dos Poetas, 
' nof Quinta das Cannas 
Combra, 4 de Março de 4872 

D. Pedro de Alcântara. 



o sr. visconde apreciou muito este presente» que l)ie 
tecorda uma ^oca dM aena yerdes annos, e a cama- 
lÉdagem de muitos amigos, alguns dos quaes já n9o 
aa^ doesta vkfa. * 

^ Ctoifiu ler da IradcitíçiOii «d que o nosso pruneiroi 
poeta lyrieo actinikneQte trabalha, do Sonh^ de «ipM» * 
fèúHe 4f tmão, de Sliaksp0are, os trechos cuja reátaiíto 
ppDmettidft o iilustre poeta tíio podéra , eífectuar m 
sessão académica da véspera; e sentiu qqe o sr. Jtilio 
(to Castilho, maoc^ que^ntínúa as glorias d^aqueli» 
famiHa privilegiada do talento, Mo tivesse á mão a sut 
Ighez ée Castro,, i^v^ }be ddr. amostra doesta intere»* 
.sante composição. 

AuDiinciou por fim Sua' M^estade que á noite iria 
aib theatro da Trindade ouvir o Medico á força, o que 
Sua Majestade cumpriu» eómo sempre cumpria á risc^ 
até as mínimas clausulas do seu programma. 

O Imperador despediu-se do sr. •visconde com evi- 
deiirfes signaes da mais viva saudade. 
• Na véspera da partida para o Brasil mais uma ves^ 
timbrou em obsequiar o illustre poeta : env]ou*lhe o 
seu retrato, assignado de sua mão» e lhe significou, em 
carta escripta pelo seu camarista, barão do Bou^Be-» 
tiro, que, sabendo da tenção que o sr. visconde tinha, 
de ir comprimental-o ainda uma vez no seu bota*fora, 
)he pedia o não fizesse para não expor o seu rheuma- 
tistno a agravamento com o ar húmido do mar. 

De toda esta especial consideração é digno quem oc* 
copa o primeiro logar entre os cultivadores das letras 
pátrias, e a ellas tem prestado serviços relevantes, assim 
como no seio d'elias tem levantado o pantfaeon de sua 
immortalídade. 



280 



ttmtm 



Visita ás Cortes u> 

Despedindo-se do sr. visconde de Castilho e de soa 
fomilia, a qnem deixou peRhoradissiiiios, SoaJtfijeatadd 
^egmn para a camará dos pares, onde examinou a ma- 
girifica construção da sala» e, cíhdo neste dia abi tík> 
houvesse assumpto algum para se tractar, passoa aca- 
mara dos deputados. Discutia-^ nesta occasiSo o im- 
posto sobre o dividendo dos bancos e companhias, usando 
da palavra o sr. deputado Arrobas, '6 seguíndo-se a dis- 
cussão por parte dos srs. Fontes Pereira de Mello e Ro- 
drigues de Freitas. 

O illustre viajante tomara k^ar na tribuna do corpo 
diplomático, onde foram comprímentalfO os srs. mik 
nistros e muitos membros do parlamento. 



Pelas três horas e meia visitou a bibliotheca pubUca, 
sendo recebido pelos srs. conselheiro Mendes Leal, 
Silva TuUio e pelos demais empregados. 

Ás seis horas regressou ao hotel, onde já el-rei o 
senhor D. Luiz o esperava, bem como uma commissik) 
dos veteranos da liberdade e grande numero de outras 
pessoas. 

Sua Majestade a Imperatriz, acompanhada de sua 
dama e camarista, também de tarde foi ao paço d' Ajuda 
pagar a visita que a rainha lhe havia feito. 

No pouco tempo que Sua Majestade se demorou no 
hotel, recebeu immensas visitas ; os bilhetes de compá' 
mentos também foram innumeraveis. Neste dia, entre 
outras, recebeu a visita da camará municipal, e a da sr/ 
infanta D. Isabel Maria, acompanhada pelo seu veador 



281 



de Sá e por timi âatDaw Também foraãsi réòò- 
faHas por Soas Majestades as sr/^ condessa ée Avillez»> 
Glbias e viscondessa de Ourem, irmãs do marechal do 
exercito Bettencourt» que fcn conselheiro de guerra, e 
presidente do conselho supremo militar na ausência do 
Imperador. ;\ ;! ^jj ' j* 

Depois de jantar foralín os Imperadores para o thea- 
tro datTr&dade. 

Theátro da Trindade 



. ' '■ ■ t . 



Neste elegante tbeatro» fundado, ha ponoos aúnosjf 
peh iAimtiva -do : sr. Francisca Palha, representou-se 
Mste dia a magnifica comedia de Molière, Jfecíiico tf- 
força, traduzido ' piímorosamente pelo illostre cantor 
da Primavera. ■ .< 

Sua Majestade, que è também litterato, quiz prestar 
um testemunho de admiração á memoria do auctor, e 
de sympathia ao prodigioso talento do traductor. 

O sr» visconde de Castilho, que no«intervallo do 1.* 
para o â."" acto foi tributar os seus respeitos e agra- 
decimentos a quem assim o honrava, foi por Sua Ma- 
jestade detido no camarote^ d'onde assistiu ao â.^ acto, 
presenceando ^ satisfação com que o Imperador e a Im- 
peratriz animavam òs actores, que todos nessa noHe se 
excederam a si próprios em perfeição e graça. 

No intervallo do S."* para o 3/' acto foi Sua Majes- 
tade mesmo; quem, desejando o sr. visconde voltar para 
a caixa do theatro, onde tinha alguma cousa que recom- 
mendar,' Uie deu o braço e o acompanhou até o palco, 
imde se deteve alguns minutos, expressando á Taborda 
quão satisfdito-estava com a representação em que tanto 
86 distifiguíam iodos, especialmente elle e Dèl[diÍQa.w: 



2tt 



' Terainado o espectáculo, rectlheraBi * e fanperakr* 
eti Iflifieritri»- ao lioíôh-: ':»■ ■ r»wyh\ '. . nr-, i.^ .....♦' 

• »■ . . .■• :i ' • I. • ■■/. • -: rt^i ■ 

' ,..•' ; ■: ;Pill ©;...:... . ■ ■,-.. ' .n;-,» .. 

CíDtra e Oueluz .r ti ^ 

■ta 

■ • ií--, ■ lií; li .i. íí ■: ".' :, ;1 

Este dia destinaram Suas Majestades. {orBfaaerlimi 
digressão a Cintra. Não podiam escapar ao gosto do sr. 
D. Pedro esses logãres fãâ daeiâflr da tf}mos e encantos, 
que os mais severos viajantes nSo duvidam appellidar 
Jõrdim iaBHr€fpa,<^emviàoò pete endechas saudosas 
de Bernardim Ribeiro, eaniados enthusiasticameiite por 
Gamões; ByroQ e Garrett, admirados finalmente por 
todos que visitam estaá parafen& t3o píttorescas. .\ 

O senhor D. Fernando e a sr.* condessa â'Edta. tíhe* 
garam á vitta perto das nove horas da manbl para na 
soa visita receberem e acompanharem os Imperad(»'6S. 
Chegaram estes pouco dej^ois, e todos se dirigiram para 
o pMacio^ :acasl;eilado da Pena, eoostrucçao maravilhosa 
nos píncaros das penedias, itopetando com as nuvens, 
ninho de águias, como já no século passado chamava ao 
mosteiro da Pena o douto George Cardoso. 

No parqde do palácio foram os Imperadores rece* 
bidos^ pela philannoniça de S. Pedro, que os aaudott 
com o hynino brasileiro. - 

O povo; que por e^ occasiSo a]li affluia numereso, 
soHou em honra dos augustos Tiajantes tntluisiasticús 
vivas e acdamaçSes» ;, • 

Suas Majestades víracn e admiraram os capridiom 
e mil \iiriado8 ornatos de arcbiteotora. do palácio^ » 
liquissimas preciosidades artísticos que o senhor D. Pe^ 
oaiido-killi tem cuídaâoaameute reunião» formacidú um 






veriiideíro muzeo, e extasiaFam^se mm b paoorami 
d^lcmíbrMte que ({'aqaellas paragens se dbnitia;. ^ > 
'Depois de lerem pae^eado pelo formoso parque, onde 
a primavera eomeçava já a ostentar ae suas galas, kit 
lhes servido um esplen^d» almoço no elegante ohakf. 
Desceram depois a visitar o palácio real da TÍUa, o 
qual, peia curiosidade da sua construoçio e pelo aet) 
▼abr histórico, Sua Majestade moitoi gostou do vén» 
Mostrasse neste palácio a casa onde o infeliz Âffonso vi, 
sem reino e sem mulher, passou amapffurados dias de 
eaptiveiro e exalou o ultimo suspiro. Quinze annoe alli 
gemeu o desditoso rei, cuja desgraça um poeta pintoQ 
nest» versos: • i 



Eu fui livre, fui rei. e fui marido 
Sem reino, sem mulner, sem liberdade : 
Tanto importa nâo s^r como hav^T sid&Ln. 
^ Portugal só deixo epta verdade, 
Á meu irmão só deixo este mc^mento, 
. Este é de Affotxso sexto o testarnentò. 

1 , 

Véem-^se no pavimento d'ella os ladrilhos desgastados 
com o atrito dos passos do desditoso monarcha. . 

Ha tâiinbem neste palácio uma safa muito curio£la, a 
Bala das pegas, assim denominada por estarem pintadas 
no tecto grande numero d'estas aves, tendo cada uma 
no bico um rotulo com esta letra— por bem. 

Dízrse que a rainha D. Filippa surprebeAdera seu 
marido D. Jo3o i galanteando uma dama^ er que o rei 
nessa occasiãD dissera a sua esposa que era por bem 
e sem criminosas intenções. Eguatmente se diz« qoe^ 
pana eommemorar a resposta e castigar a loqoacidadQ 
d^algumas damas do paço^ a quei» o caso deu muHo 
^m que Mtor, mandara elnrei pintar. no tecUiaspefas 
eoHi aquelte dislieo. 6am|l oproifeiteir esta' bradiçSo 



284 



para ara galante soba qae ae pode yet nas soas obras. 
O qae ha de verdade na tradição d3o sabemos dizer, 
mas é certo qae estas palavras por bem tomou por di- 
visa el*rei D. Joio i, segondo se deprehende do qae 
diz José Soares da Silva nas Memorias pag. 274. 

^Eguahnente é celebrada a sala onde se diz qae em 
conselho resdvera definitivamente D. SebastiSo a des- 
graçada empreza de Africa. Mostramrse aili a cadeira 
e bancos, guarnecidos de azulejo, com folhas de vide 
desenhadas, nos quaes se affirma estiveram sentados 
nessa occasíSe o desgraçado monarcha e os do seu con- 
selho. 

Também é notável neste palácio a sala doa tenxís 
ou das armas, em cujo tecto se vêem os brasões das 
mais nobres famílias de Portugal, mandados pintar alli 
por el-rm D. Manuel, em cujo tempo estava a armaria 
muito em voga no nosso paiz. Foi a heráldica muito 
da predilecção d'este monarcha, como se prova dos 
factos de mandar pôr no real archivo um livro rica- 
mente illuminado com brasões, instituir reis de armas 
para que se observassem as leis da armaria, que elle, 
no dizer de António Caetano de Sousa, entendeu scien- 
ttficamente, e finalmente mandar ao primeiro a quem 
deu este officio que viajasse pelas cortes da Europa 
para se instruir nesta arte. 

Suas Majestades viram outras curiosidades do palácio 
e partiram ás 4 horas para Queloz. 

Em Queluz, acompanhados pelo sr. D. Fernando e 
pebi sr.* condessa de Edla, visitaram os Imperadores o 
pàço^ onde ainda se vé com a mobília d'entSo, a camará 
em que falleceu Sua Majestade Imperial o sr. D. Pe- 
dro rv, quinta e jardins, na que se demoraram perto 
de uma hora ; depois do que regressaram a Lisboa. 



985 



(1 • 



Thedtrò de D. Maria! n i 

Na-Wolta 4e Gintrr e Qaelnz fòpaan Soas Majestades 
para o iiotel, e jaálaraia. 

O Imperador, como já fizemos notar, desejava as^ 
gistir : á representação do Gladiador de Ravenna, em 
aue o sr. Latino' Coefta ostenta as esplendidas gaias 
êo sen estylo, e a nossa primeira actriz, Emilia das 
Neves, revela todas as grandezas do seu talento. 

Os Imperadores e a sua comitiva ocliparam os ca- 
marotes n.^ 41, 12, 13 e 14 da 1/ ordem. A sala 
do eél^èctaculó apresentava uma vista esplendida. Estava, 
miada com cortinados e flores, escudos e coroas, com 
D dístico — P. Il-^e ilkiminaçSo dupla. Estes ornatos 
vistosos, as elegantíssimas íoilletes da primeira socie^ 
dade lisbonense, a fíatéa e cdnarotes apinhados de es- 
pectadores, apresentavam unia vista encantadora. Os mo- 
narchas portuguezes, e o sr. D. Fernando e a sr.' condessa 
dé Edla, também assistiram ao espectáculo. Â camará 
mimicipal estava no camarote n.'' 10 da 1.* ordeib. A 
Drebestra era regida pelo maestro Gardin, e os músicos 
qae a compunham» trajavam todos basaca preta e gra- 
vata branca. 

O espectáculo correu muito bem. Parece que os 
actores mais se animaram com a presença do monar- 
[^a brasileiro, mostAndo cada um os recursos da sua 
babilidade^ e dando á peça uma harmonia e perfeição 
Gjuasi inexcediveis. Os applausos foram concedidos en- 
thusiastic^mente pela platéa a quem tão bem sabia iii- 
terpretar a diíBcil peça, de origem allemS. 

O ibaestro Gardin offereceu a Sua Majestade a. par- 
titura d'uma symphonia, intitulada a Brasileira, qóe 



886 

fora tocada antes de subir o paono. O Imperador i^- 
deceu, e declanua ao auctor que Ibe agradara maíto. 

Suas Majestades retiraram-se satisfeitos, e fazQpdo 
muito boa kléa do ner^iineoto dos msgo^ «cfores 
dramáticos, alguns dos quaes os illy$tres viajantes ji 
tinham apreciado no Rio de Janeiro. 

Quan(k> o especlaeulo €dnduio, dirígiraiiMe pin o 
iiotel, fiio tornando a sahir nesle dia^ 

Dia iO 

Antes das 7 horas, sahiu Sua Majestade» acoa^Mk 
nbado pelo seu medico, num trem fechado, dirtgiido-Be 
á egreja de Nossa Senhora da Encaroa^So, para», oom 
fiel aos preceitos da egreja catbolica, oavir missa. O 
Impa*ador ajoelhou próximo da balaustrada que sepan 
o recinto do altar» que fica juncto da ^cristia, do corpo 
da capella ; orou e assistiu ao Saocto Sacrificio com 
gravidade e recolhimento» não aceitando iogar reser- 
vado, e confundindo-se no concurso de fieis qne Um- 
bem assistiam á missa, resada pek) reverendk) padre 
Brito. Sua Majestade tinha sido recebido á porta por 
dois sacerdotes, um d'elle8 o parocbo da freguezi^, e 
pelo sr. Silva Tullio, que alli esperava o real viajante, 
para, segundo o desejo manifestado por etle» o acom- 
panhar a Yalle de Lobos. 

Terminado este acto religioso, sahiu Sua Majestade 
e foi vér o jardim de S. Pedro d^Âlcantara e o passeio 
éõ Rooio, apreciando muito a belieza do sitio» e o bello 
panorama que do primeiro se avista. 

Eram d horas e meia da manbS quando o knpera- 
<lor, acomfKinhado pelo seu medico e pelos srs. ministro 
do Biaaii em Lisboia». e Silva Tullio^ toniKHi Iogar do 



882 



^ 



emiièio >«spiMMV'B'M dirigiu aivtsítar « mmso jnwde 
Iii8icimd6r Aleiaedce Hencalano. 



■-.'♦!; 



■;í .'.;. :■ ■• ■•!• ,;•; .. • ■ ■ ■-■.:. -;(> . . .-i- ; .} 









Gom a aSiDotuosa visita ãq Ifflpdfiaiâar recebeu o 
w. Alexandre Hercuiaaô, alen de um testaoiuDhaí ^ 
sincera amisade pessoal, mais dm iloroate brasão para 
a wa imiDortal iciOroa de gloria^ £ seria bem diíScU de 
deelarar ae esta irisila só foi um preito de homenagem 
íMinacíendosamettle prestado ao mais (Hstincto dos sar 
bios^^íertugMaes, ou se foi amável intrevista de duas 
^Qgisstaa realezas» ambas traosigentes pela superi(»v 
dade dos génios, ambas comprehendai^do-^ pela nui- 
gnanimidade dos corações. 

Nem muitas vezes na. historia das nações se encon- 
tram factos de tão eloquente significação como a da 
fufliUarídade 4'esta notável visita, que, revelando o es- 
funlo justo e illustrado de um monarcba liberal, bei- 
rava condignamente em Alexandre Herculano o homem 
^ue se tem nobilitado pelos esforços do trabalho e pelo 
poder do admirável talento, 
vl^or qm grande exesuplo de justiça e de respeito. 
Soa Majestade dissera,: quando soube que o iM^tavel 
faisloriador estava doente : r-~ «O Herculano não^ pode 
nár z Lisboa: pois vou eu lá. Deus codoedeu-^e saúde 
'6 forças; e por. isso não faltarei a esta parte «do ^eru 
pt^gnsaooma, que considero muito imporlant^^» > i 

^Èassiiuf Sai Maj>e6laà6 satisfez neste dia o desejp 
^e conversar^facttilia[merit6 icqniiiojBn Alenndi^ Hit- 

'tuiano^O.'. :.■:;•' í. : : ';'..) ■:.i : .... ■ , . •; . --i .-. j 

O impeniaiiinajdiitci okigau: iestação de,8ant£U^eiQ, 



888 

Wtogo, com as pessoas qoe ó aeompaBtiavMii» ildiíem 
trem descoberto para Yalie de/ Lobos. O ^. Atexaodrl 
Herculano» penhorado com t3o distincto obsequio» ra- 
cebeu Sua Majestade com a franqueza qie o caracte- 
risa, e sem a etkfQèta» que o Mperador e^ klgar muito 
bem dispensavam. 

I^oi servido um cainpèstrá almoço^ em que oilosso 
grande historiador só apresentou iguarias^ .íeifab jde 
{>roductos de 'soa lavra» ou de aves apanhadas Ba soa 
propriedade; sendo servidos á mesa porimoçoa d*aldma, 
com os seus oaracteristicos e pittoraacos trajos. O Im- 
perador conversou muito com ti: sr^ Álesancbre Hârca* 
lano sobre variados assumptos» mostrando mai9 uma 
Tez a sua competência» e admirando a erudição do af- 
íiamado escriptor. 

Sutarem 

Goncluida a visita ao sr. Alexandre Herculano» Sua 
Majestade e seus companheiros de viagem dirígiram-se 
para Santarém. 

Santarém é uma cidade edificada na margem direita 
do Tejo, que lhe beija os pés» e reflecte no azul das 
suas aguas as grimpas dos edifícios, que a enobrel^m. 
É também um repositório de bellos monumentos» no- 
táveis por muitos títulos, alguns descurados» mas mos- 
trando ainda toda a grandiosidade das edificações^ Âlèm 
d'isso esta ddade chamava especialmente^ a atten^o do 
Imperador. Diz a tradição que na egreja da Graça estão 
fechados num tumulo os restos de Pedro Alvares Ca- 
bral, o descobridor do grande imperiov que hoje o sr. 
D. Pedro n rege com a prudência e illustraçSo» que o 
fazem o mais estimado monarcha do mundo. 



ae9 



Chegou o Imperador a Santarém pela hora e meia da 
tarde; vinha acompanhado pelos srs. bariadltahúna, con- 
selheiro Lisboa e Silva Tullio. N5o houve recepção pre- 
parada, poh|õe isifiapiesmente tinha bavido alguns diae 
aG^s; da parto do ministério do reino para o governo 
civil :d'edta cidade, prevenção da possibilidade da visita 
de Soa Majestade Imperial : como porem era dia de 
feira; 'B Sua Majestade parasse do Campo de Sá da Bãn- 
d6H*9;t^de a feira se faz, algnm povo sé agrupou em 
iK^ da cairuageiá, dizendò-s& logo que era realmente 
o Imperador um dos personagens, que acaba\^m de 
checar. 

fikiá Majestade dirígiu-se para o quartel de cavalla* 
ria, onde está o tumulo de D. Duarte de Menezes, pe- 
rante o qual se demorou por algum tempo : á sabida 
do quartel è que se lhe puderam apresentar as aucto- 
ridades superiores do districto, acompanhando d'abi em 
deafite Sua Majestade, que seguiu para as Portai do 
Sol, tendo occasiSo de admirar o bello panorama, que 
d'alli se gosa. Foi depois áegrejà da Graça, onde, sob 
uma lousa rasa, jaz Pedro Alvares Cabral; também 
aqui se demorou, vendo depois, de passagem, vários 
objectos d'arte de menos interesse : nesta egreja é que 
96 éfuótàram muitos cavalheiros, dà melhor slôciedade 
doesta terra, para verem o Imperador, que seguiu lògò 
depois para a estação do caminho de ferro, partindo 
para y$boa pelas três iioras e meia da tarde, podca' 
mais bu menosJ 

Qam sempre, durante esta pequena digresSSo, eón- 



> 



veisoú animadafménte com o er. Silva Tullio. 



1 ; 



19 



MO 



Visita ao asylo de Maria Ka 

I 

. Apenas chegado á capital» Sai Majestide nSo des^. 
cançou : inunediatamente, em companhia dos srs. mi- 
nistro do Brasil e conselheiro Nogueira da Gama, foi 
visitar o asylo Maria Pia, aonde a caridade sustenta tan- 
tos desfavorecidos da fortuna. O sr. director Barros e 
o sr. fiscal receberam o Imperador, e acompanharaai- 
no na visita ao. edifício. O sr. D. Pedro ii examinoQ 
a& camaratas, a dispensa, enfermarias^ cosinha e refei- 
tório; dirigíu-se em seguida á ermida, e allí orou com 
recolhimento ; e por ultimo subiu ao coro e antdioôro 
da egreja da Madre de Deos, chamando-lhe a atten- 
ç3o, posto que ligeiramente, porque o tempo n3o per* 
roittia maior demora, alguns quadros que ornam as 
paredes dos mesmos. 

Terminada esta visita, recolheu o imperial viajante 
ao hotel para jantar. 



Visitas da Imperatriz 

Em quanto o Imperador foi a Santarém e Vai de 
Lobos, a sr.' D. Thereza Christina não esteve ociosa em 
Lisboa. Sua Majestade foi ás onze horas da manhS vi- 
sitar outra vez a Imperatri;^ viuva, e alli se demorou 
durante longo espaço de tempo, conversando ambas as 
senhoras nos termos mais afiectuosos. Á uma hora já 
Sua Majestade se achava na magnifica egreja do L> 
reto, aonde assistiu á missa. 

Depois, a sr.' D. Thereza, que é um anjo de cari- 
dade, e desvelada protectora das criancinhas, que sof- 



iU 



■«■•■tal** 



frem por nSo terem pães que a$ acarinhem, consolem 
« edaquém» foi visitar o asylo de D. Pedro v, no Campo 
Clfrande, estabelecimento levantado á memoria do mais 
philantropíoo e bondoso monarcha, do mais saudoso e 
chorado rei, que tem tido este nobre paiz. 

A Imperatriz foi recebida á porta pela direcç5o e 
pelas creancinhas, que formavam alas, como anjos que 
saudavam a visita d'uma sancta; e percorreu depois o 
^ificio, encostada aõ braço do sr. conde das Galveas, 
é acompanhada pela direcção do asylo, pelas professoras, 
e por algumas senhoras da alta aristocracia, bem como 
pelo sr. Vianna Pedra, a quem o asylo deve muito. 

Sna Majestade percorreu todo o edifício, a capella, 
aulas, refeitório, cosioha, dormitório, casa de banhos, 
dispensa, arrecadação, etc, elogiando muito o aceio e 
boa disposição, em que tudo se achava. O sr. Vieira, 
secretario da direcção, dirigiu ás alumnas algumas per- 
guntas sobre historia ecclesiastica, a propósito dos qua- 
dros que se viam; e Sua Majestade mostrou-se muito 
satisfeita da presteza e exactidão, com que eram dadas 
as respostas. 

Foi offerecido á Imperatriz um exemplar dos esta- 
tutos e do regulamento interno, e bem assim do rela- 
tório e contas do ultimo anno. Sendo apresentado o 
livro aonde deixam o seu nome as pessoas que visitam 
a ^Câfea, Sua Majestade também o assignou. 

Á sabida três das crianças mais novas offereceram 
à Imperatriz dois lindos ramos de flores, e um açafate 
da caiáelias, decerto o mais formoso presente que Sua 
Majestade tem recebido: a Imperatriz agradeceu, e es- 
tàimú a lembrança, affagando as crianças, e dirigindo 
a todos a& mais benévolas e honrosas express9és. 



898 

Entre as pessoas que acompanharam Soa Majestade 
viam-se as sr/' vjsconcfessa de Campos, sua íilhà oe- 
toa; o sr. àvi Ga$par Gomes, bemfeíkõ* do asylo» com 
sua eaposa e fílha; a sr/ D. Capitolina Viatma e algu- 
mas pessoas de sua familia; e o sr. Oliveira Soares. 



^AA/W^/^W^A^K^^^^^V^^^/W^AM' 



Depois do jantar, foram Suas Majestades para o tbea- 
tro de S. Carlos, e alii . occuparam, o cainarote n.^ 42 
e a sua comitiva os n/' 40 e 41 da 1/ ordem. 

O theatro estava esplendido, e cheio de especta- 
dores. Os mooarchas porluguezes só chegaram no fim 
do i.^ acto. Cantou-se a Marfha, com magnífico êxito, 
e terminou o espectáculo com a dança Peregrina. O 
Imperador, no intervallo do â."" acto, esteve no cama- 
rote do sr. D. Fernando. 

Os Imperadores recolheram ao hotel, logo qué o es- 
pectáculo terminou. 



^WUVS/V»0 o /• >«M n W\/W>/>>Vr\«W 



Antes do theatro tinham Suas Majestades recebido 
na hotel o núncio apostólico, ministros da Âliemanha, 
de Inglaterra e. sua esposa , do Peru e sua esposa, da 
Áustria, da França, do Brasil, secretários das legações 
de Hespanha, da Bélgica e da Itália, mademoiselle GUd- 
kas, filha do ministro da Rússia, marqueza de Canta- 
gallo e filho, visconde e viscondessa de Menezes e filha, 
condessa de Azinhaga^ visconde e viscondessa da Gaa- 
(^arinha, João Rebeilo da Costa Cabral, sua esposa e 
sobrinha, conde de Mesqmtella, D.. Antotiio da Coati» 
Berquós^ general Gaula e muitos outt^os cavalheiros. 



393; 

DepM3 do theatro^ tinéZ' Soa Maj^tade safaUí a pé» 
com o sr. bar3o do Bom Retiro, a passeiar por álgoihas' 
raíifda-tldadeí;' ■ ■•■ i- ••■•• 






Dia 11 



O Imperador, acompanhado pelos srs. qonselheiro Lte'' 
boa e Silva Tullio, estava |à âs sete horas e nm quarto 
éà ipanb9^Ba egreja de S* Roque. 



tf ■ 



Capella de S. Joio Baptista 



r^ 



. ' O Imperador foi ^á egreja de S. Roque pára ver a 
cdebrada capeila de S. João Baptista. N5o se encon^ 
trou, porém, a essa hora o thesouréiro por nSo haver, 
sido avisado da visita, e por este motivo teve o Impe- 
rador de voltar alli passada meia hora. 

O Imperador admirou a sumptuosa capeila e ficou 
surprehendido cora a riqueza e belleza dos seus mate- 
riaes. Vêem -se alli os mais custosos e mais raros, taes 
como colorinda, alabastro, verde antiquo, jaldo antiquo; 
porphydo, lapis-lazuli, amethistas, jaspe e cornaliua. '■ 

Egualmente admirou ás suas riquíssimas alfaias àé 
prata e paramentos. 

Esta capeila foi mandada fazer em Roma por eUrei 
D. JoSo v, que nella, nos seus paramentos e alfaias 
dispendeu oitocentos contos de réis! Per o seu risco 
^m Roma o architecto Vanvitelli. O papa Benedicto xiv, 
pai*a obsequiar D. JoSo v, mandou armar a capeila na 
basilica de S. Pedro, e nella disse a primeira missa. 
O monarcha correspondeu ao obsequio do pontifico, 
presenteando-o com um cálix de ouro, de primoroso 



394 

avor, crayejadQ de diamaíDteft^: do taloi* de qoaredta 
contos de réis. 

Chegou a capella a Lisboa no anno de 1748, e pa-^ 
tenteou se ao publico no dia 13 de janeiro de 1754» 
já no reinado de D. José. 

É interessantíssimo o artigo historico-descriptivo 
d'esta capella, publicado pelo sr. h de Vilhena Barbosa 
no Archiw Pittoresco, vol. 7. 

O Imperador, quando viu os três maravilhosos qua-^ 
dros de mosaico de cores, que adornam esta capella, 
imitando pinturas de Miguel Angelo, Guido e Rapbael, 
disse maravilhado: — <xN3o ha segundos na Europa!» 

O thesoureiro, o sr. Dionizio Pedro Capellino, offe- 
receu a Sua Majestade três exemplares do resumo da 
descrípção d'este singular monumento, escrípto em por- 
tuguez, francez e inglez. 



Convento do Coração de Jesus 

Sua Majestade foi ver a basílica da Estrella, majes- 
tosa construcçao do reinado da illustrada rainha D. Ma- 
ria I, senhora virtuosa e protectora das letras, e que 
deixou o seu nome vinculado a creações e reformas 
de subido valor. 

Ê a sumptuosa egreja da Estrella um monumento 
elegante e bem ornado, com o seu magnifico zimbório 
a esconder-se nas nuvens, e avistando-se d'elle um ex- 
tenso e formoso panorama. 

O Imperador viu a egreja, a sachristia e o zimbório,, 
dizendo que era uma bella edificação. 



a9s 



= i Qaaiuto> i^oltavfr.ida Estre)la, parou á eitaiiiimr lO dij^ 
tico que eònoimémoFà o fallecimento dei Almeúte' Qart 
rett, é que está gravado tiomalapideÈ, edlocada ik^pre*^ 
dk); queacUialmèntd pertence. ao sf; ^aitos^ efioa a 
Saocta IzabeL= ' 

'■ Sua Majestade dí£se por esta occasiSor agraçde p^ 
tenlio de não ter conhecido este notayel. poeta) fii^pd* 
fém ac^uí sifão de preciosos anthograpbos seus» que me 
deu o Palha» é que ácedtei com reconhecimento.» . : 



Sé, Casa doa Bicos, e Alfama 

Passou depois o imperial viajante á Sé patriarchal» 
sendo recebido pelos srs. de^ D« José de Lacerda, co* 
negos Paes de Miranda, Vaz e Moreira Pinto. Sua Ma- 
jestade observou rapidamente as coisas mais notáveis 
do edifício, não esquecendo as que a tradição relaciona 
com a vida de S. Vicente e de Sancto António; e tam* 
bem viu de relance as preciosidades que no thesouro 
da sé se encerram, e lhe foram indicadas pelo sr. deão. 

Da sé foi o imperador ver a casa dos Bicos, de grande 
valor archeologico, porque está ligada á vida do grande 
e immortal capitão Affonso d'Albuquerque. 

Depois desceu da carruagem, e, acompanhado pelo 
sr. Silva TuUio, dirígiu-se para o bairro da Alfama. 
Foi pelo arco de Jesus até S. João da Praça, beco do 
mesmo nome, travessa da Silva, arco do Guedes, largo 
de S. Raphael, rua de S. Miguel, largo do mesmo 
nome, becos da Formosa, das Cruzes, rua da Rigueira, 
beco do Loureiro, rua da Cruz do Mar, até Santo. E$^ 
tevão, escadinhas do mesmo nome, rua do Espirito 
Santo, Chafariz de dentro, rua do Terreiro do Trigo 



296 



até ao arco ide Jesuflr e a^or de:Éom0Dtroa na^r- 
rna^eBii dirigiado-Ge para a ma da Trindade a. visitar 
o vf tbo fDÍDÍstro de sea augusto pae, o. venerando ao* 
CÍS04 -O sr. Joaquim Antonio de Agiriar* Durou esta vi* 
sita dez minutos. Sahindo d'aquí, retíroil*«e Sua Ma^ 
jestade para o botei, ficando o^r. Tdllio aindd emciasa 
do sr. Aguiar. . • . , ' : ! 

Depois de almoço foi Sua Majestade ver a Impevat 
triz, viuva» e depois á academia dasi I^Uas artebw 



!>■• 



^ Academia das Bellaa Artea. 

A Academia das Bellas Artes» desejando que o Impe- 
rador podefôe ver todas as collecções que ba neiste im* 
portante estabelecimente, fez todos os esforços para que 
antes da chegada de Sua Majestade se acabassem de 
preparar aquellas que, por falta de tempo e de meios, 
n3o tinha até aqui sido possivel abrir ao publico. Com 
effeito conseguiu o que desejava, e o Imperador na sua 
visita pôde examinar as seguintes collecç.ões : 

4.* Galeria de quadros. 

â."" CoUecçSo de desenhos. 

3.° CollecçSo d'arte ornamental. 

4.' Bibliotheca. 

5." Gabinete de gravuras. 

6.* Gabinetes de photográphias dos principaes mo- 
numentos de Portugal. 

T^ Collecçao de esculpturas. 

Além d'estes museus examinou as aulas, que peia 
maior parte estavam funccionando por occasião da sua 
visita e os gabinetes de quasi todos os professores. 



307 



;:/ '.» 



< : Eatógsleria jA eíst4 exposUjo publico ba eeita de Ires 
«imw; Tem mif < catalogo impresso: e é baeuote eoúbch 
cfdà 'do publico. A saa parte mais importante: i) sem 
ddiida â colkeçSo única que possoe, de quadros da chin 
mxda aiXfiga e^cbõla potlagueza de pintura. Âviritaiti 
eiiipe ^lles origviaés doi grande mn^.rrlo ; aqnellas salas 
93o, pára assim dizer^ o archivoda arte portugneza^ e 
è aíli que ôs esti^tos attentamente dirígidoi& podem re^ 
constituir a historia da pintura em Portugal, ajudan(k)-se 
€om o auxilio que deve niiqislrar aos que estudam 
«sta especialidade o exame dos archivos e a compa- 
ração d'outros quadros existentes noutros pontos do 
paiz, exemplo : Vizeu, talvez berço doesta eschola. 

i 

E8ta collecção abriu-se pela primeira vez ao publico 
por occasiao da visita imperial. É já muito importante 
6 promette augmentar todos os dias com as acquisições 
6 doações que vai recebendo. 

 collecção contém mais de 2:000 desenhos, porem 
só se poderam agora ver expostos cerca de 600, pois 
que nas quatro salas destinadas para esse fim não ca- 
biam mais. Ha alli exemplares de quasi todas as es- 
cholas^ e de muitos dos distinctos mestres d*algumas 
d'ellas. A nossa está bem representada e contém exem- 
plares d^alguns antigos artistas taes como : Campetio, 
Amaro do Valle e outros. Dos modernos tem quasi to- 
dos, avultando entre elles Sequeira que está alli bem 
representado nos seus três estjios, Vieiras Lusitano e 
Portuense, Taborda, Cyrilo, Joaquim Machado de Castro» 
etCr ■•■■.■•■ 



298 

Entre os estrangeiros podemcitar-se: um bellissimo 
desenho sobre pergaminho, original de Raphael, pri- 
Oleiro esboço da sua Galathéa po palaeia Pbároese» no 
qual se notam diversos^ arrependimentos^ e^alterasSea 
que o tomam ainda mais curioso; uns peqQenod;dese^ 
nhos de Miguel Angelo, desenhos de Guido, de Aodré 
dei Sarto, Paulo Yeronés, Bobens, Oiidoro de Garra? 
vagio e muitos outros, que fora longo referir. Esta 
coUecçio nSo tem ainda infelizm^te o seu catbalego 
impresso. Está-^se ultimando o inventario, terminado o 
qual se buscará prestar toda a attenção ao cathaiogo, 
que servirá de guia ao publico. 

Este museu, que deve vir a divídír-se em varias sec- 
ções, taes como: ourivesaria, cerâmica, mobília, te*- 
cidos, etc, pôde apenas expor a primeira d'e8tas. Das 
outras tem como núcleo alguns objectos, que sem du- 
vida apresentaria também, se tivesse espaço, ainda 
que não fora senão para despertar a attenção e pro- 
mover o augmento de Ião importantes collecções, que 
não só recreiam quem as visita, mas são muito úteis e 
atè indispensáveis para as classes industriaes que tém 
de applicar a arte do desenho á sua industria. Em In- 
glaterra nos últimos annos tem havido tentativas co- 
roadas do mais feliz êxito para crear semelhantes mu- 
seus, de que o museu Kensington em Londres è o mais 
notável. Creado ha poucos annos por iniciativa do prín- 
cipe Alberto, contém hoje as maísjmportantes e variadas 
collecções d*objectos d'arte ornamental, que, visitadas 
attentamente por grande numero de operários, vão exer- 
cendo uma transformação benéfica na industria ingleza. 
Á par d'este museu permanente celebram se amiudadas 



âd»: 



■ t" 



vezes e^poaçõesd&objectos emprestados» abrem-seeâr-^. 
SOS gratuitos Doctaroos e diamos, e scholas de desenho 
nas snas^dififerentes classes com cursos, etc. Â Academia 
de Lfeboa tem (irocúrado aceimpanbar este movimeiuto» 
e^mais de uma vez tem reprãêseutado dobre a necessi* 
dadB de reformar o estudo das artes em Portugal para 
que as numerosas classes induslriaâs, que d'eUes care- 
cem, como ourâyesi entalhadores, canteiros, etc., possaoir 
encontrar eí ensmo completo de que boje estão privados, 
e âem o qual terão de copiar servilmente os modelos que 
vém dQ fora sem os retemperarem nas fontes vivas da 
arte -r- o estudo da natureza, e o& trabalhos dos grandes 
mestres. É mesmo de crer que esta transformação dos 
estudos artísticos não traria no pessoal grande augmento 
de despesa. Quanto á somma, que se dispendesse em 
acquisição de objectos, ninguém de certo se lembraria 
de lastimar a sua applicação para dotar o paiz com uma 
instituição que por um triste privilegio nosso somos os 
únicos a não ter. Além d'ísto existem dispersos pelo 
paiz grande numero de objectos que seria fácil adquirir 
sem grande despesa e até sem nenhuma, uma vez que 
se tivesse creado um museu que todos á porfia se es- 
merariam em augmentar. No entanto, á espera de me- 
Ihores tempos, a Academia reorganisou como pôde a 
sua aula de ornato, forneceu-a de alguns modelos, e 
administra instrucção diurna e nocturna a mais de du- 
zentos operários annualmente. 

Annexo a esta aula está o museu de arte ornamental 
de que o Imperador visitou a sec.ção mais importante» 
a de ourivesaria. Ha nella grande numero de objectos, 
restos de muito maior quantia, que existia na Casa da 
Moeda, vinda dos antigos conventos e de que poderam 
neapar ao cadinho os que hoje se encontram naquella 



90O 



'I iiwr 



cdlecçio. SSo pel» maior parlèofafeefos de egreja^^-eo- 
tre as quaes citaremo» como' algons idos maia lUrtcireB 
08 aegaiiites: duaa cruzes proceásienães ^ gof hioas do 
seonio XV ; uma custodia que mandou f|z«r p^riiAlco^ 
baça o celebre D. Joio d-Ornelias, immorialísbdo' por 
Alexandre Heroolano tio seii romance -o Monge de CMbt} 
uma cellecçlio de cálices, começando por ires do secidò 
xn« com inlscrípç9o e data;, terminando emoatíesado se^ 
coio^KViH. bastante completa no seu genevo, etc.ianctoa 
esta collecçao expozeram-se alguns objectos que oonstí- 
toem om nudeo de uma colIecçSo arcbeologicá, 'com- 
ffrehendendoantíguaThas encontradas nalgumas minas 
do ' paiz, exploradas pelos ' romanos^ em Getobriga, : etc. 
Esta collecçSo está muito em começo, e por falta áe re* 
cursos tem sido impossível il-a desenvolvendo, oómo 
desejava a Academia. ' 

Ao lado da ourivesaria expozeram-se também algiioé 
exemplares de tecidos nacionaes e as photographias de 
alguns objectos de prata e ouro existentes nos museus 
reaes e nalgumas egrejas do paiz. 

A bibliotheca da Academia das bellas artes contém 
exclusivamente livros d'artes e de archeologia. Foi fun- 
dada juntamente com aquelle estabelecimento, recebendo 
por aquella occasião um certo numero de livros, do de- 
posito dos extinctos conventos. Durante muitos annos, 
porém, achava-se muito longe de estar em dia com as 
publicações modernas, até que pelos annos de 1863 e 
1864, graças em grande parte á munificência de el-rei, 
pôde augmentar o seu fundo com grande numero de 
publicações francezas, ingie^^as, aHemfis e italianas, das 



<]tutis>D6bessarias para o estvrdo dos artistas, aroheolc^Q» 
e operários. Mais tarde uma doação importantis3Íina veif 
HMnpIetâl-a:0t<m6e)jb6iro> Jorge Hus£od da Caooiara^ que 
-port muitos ânuos fòi bo^so eocarregado de negócios em 
Roma« osfifie^uiu reumr uma biUotheca sem outra rivaU 
aléiii da docend^ Gicognara,; o celebre historiador <ias 
artes.' Esta d^ibliotheca que» por morte do conde, q Papa 
-Leio Kii .Comprara p^o preço de dezoito contos para a 
muiÚF á> do Vaticano, compr^heodia as publicações o^ais 
importantes e mais raras, as edições mais notáveis» li- 
:v99^ hoje: iolèirameate fora do commer^^io, sendo uma 
eoltecçSo defraude apreço e valor. Â bibliotheca HuSr 
8QII, afora algumas obras de litteratura, contam todos 
osTvcdnmes que existiam na dó eonde Gicc^nara. Tão 
impo^nte livraria foi generosamente cedida ao Estado 
p^ seú possuidor, que não quiz por tão valiosa of* 
{er^^eceber remuneração alguma. Com ; 6stes . dona^ 
túvQs e com as acquisições que sem. interrupção a Aca^ 
Cernia vae agora fazendo^ tomou^se a sua bibliotbeca 
maia das mais completas do mundo naquelle ramais- 
kpecial. A 'falta de pessoal não tem permittidò qii6 ella 
esteja aberta é noite, como tanto deseja a Acadepiia; 
ipoirém de dia. podem os estudiosos frequentada durante 
as horas lectivas. •< 

■• .•• ^:-.'' , ■ ;- ■ ■ . - . , 

A coilecçS» de graToras cb Academia não è por ora 
muito completa, ^pezar de conter cerca .dei 4:000 pm- 
vas. Vae ser pela primeira vez aberta ao publico, que 
encontrará nella exemplares dos differentes estylos e 
das phases por que passou esta arte, desde os ensaios 



302 



dos italianos, no século xr, até aos mestres do secolo 
presente. 

Divide-^ naturalmente em duas secções : gravuras 
em metal e gravuras em madeira. Na primeira ha bas- 
tantes exemplares notáveis e uma serie bastante com- 
pleta de gravadores portuguezes do presente século. 

A grande escola franceza do século, xvii está tam- 
bém menos mal representada. Ha porém defideucias 
importantes nas escolas allemS e italiana e ineauo na 
ingleza. 

Da hespanbola nada temos. Esta coUecçSò é para 
desejar que possa augmentar-se» mas é de receiar tal 
não aconteça, nem nesta secção nem nos outros mur 
seus e gabinetes que a Academia possue, em quanto nlo 
só faltarem verbas para acquisições, senão em quanto 
não houver conservadores especiaes incumbidos tauto 
de organisar e íiscalisar as coliecções, como de pro- 
mover o seu engrandecimento. O pessoal da Academia 
comprehende tão somente a parte docente, e os profes- 
sores não têm, pela maior parte, tempo para se dedi- 
earem aos estudos especiaes e muito minuciosos, sem 
os quaes não é possível a boa direcção de uma col- 
lecção artística. Seja porém como for, a Academia deo 
provas de boa vontade, expondo em quatro gabinetes, 
singela mas convenientemente decorados, algumas das 
principaes gravuras que possue; talvez que esta expo- 
sição incite não só os poderes públicos, mas até alguns 
particulares a iávorecefenti aqueHas tentativas de orga- 
nisar os museus nacionaes. 



303 



Kl IIIJH 



O fim principal (1'esta collecçSo, ainda mesmo no sea 
é apresentar a reprodução dos nossos m<Hm; 
mentos architeetonicos, de ofiferecer, por assim dizer» 
ama historia illustrada da nossa architectura, desde os 
rodes tentamens das construcções megalíticas até á arte 
bastarda e degenerada de Mafra e Ajuda, passando 
pelas difiérentes phases em que naturalmente se divide 
a historia da architectura em Portugal. E não é só um 
monumento completo que se pretende apresentar ao 
estudioso, senão também alguns fragmentos de deco- 
ração; característicos da época e do estylo, e isto em 
escala sufficientemente grande para poder ser conve- 
níentemente apreciado. Esta collecção começa agora» e 
será difficil e custoso completal-a; porem^ com o au- 
xilio de Quantos se interessam pelo progresso das artes, 
é de esperar que esta tentativa possa ser coroada dé 
íéliz êxito. / 

Esta collecção contém reproducções em gesso de al- 
gomas estatuas importantes, pela maior parte gregas ou 
romanas, e por ora está disposta mais no fim de stpre- 
setiítar modelos aos estudantes de esculptura e desenho, 
do que no de offerecer uma historia graduada e syste- 
ittatica da esculptiira. Alem de nSo haver sialas suffi- 
cientemente grandes para semilhante nauaeu^ accresce 
a raxio muitO: mais ponderosa da falta de meios, pois 
qtiQ todos os exemplares de semilhante collecção tém 
de : ser adquiridos nos muzeosi onde existem os origí* 
mtes. Gomludo a deàpesa não seria excessiva^ e iacil 



804 

seria em pouco tempo formar ama coIlecçSo valiosa de 
immensa importaDcia para o estudo. 

Ha annos começou a Academia a mandar reproduzir 
em gesso figuras e ornatos dos uoteos príncipaes^edi- 
ficios; se fosse possível continuar este trabalho» para o 
que faltam meios, teríamos em muito powq tempo um 
muzeu eminentemente nacional, honra e gloria do esta* 
belecimento que o fundasse. 

O Imperador percorreu estes differentes muzeus, 
buscando em todos examinar de preferencia os objectos 
de origem portugueza, e mostrando, a par da reconhe- 
cida memoria dos príncipes da? casa de Braganga^ uma 
inteligência das cousas artisticas e o verdadeiro amor 
do bello. Infelizmente foi tão curto o tempo, que Soa 
Majestade pôde conceder a este estabelecimento» qoe 
mal p6de ver o principal, d'entre muito, que elie tiiÁa 
que examinar. 

Viu comtudo bastante para ajuizar do estado dã Âca* 
demia, e certificar-se de que nSo tém sido improficoos 
o tempo e os cuidados consagrados a melhorrira pelo 
seu esclarecido sub-inspector, o sr. marquez de Sousa 
Holstein, a quem muito deve o nosso paiz, nao só neste 
como em outros ramos do serviço publico. 

Do que se passou de mais interessante por oceasãk) 
da visita de Suas Majestades apresentámos a segoioie 
curiosa descripçío, que trasladamos do Diário de N(h 
ticias, n.* 2:214: 

«Sua Majestade foi conduzido pelo sr. marques de 
Sousa, vice-inspector, pelo director geral, secretario, 
os professores, e os académicos os srs. visconde de 
Menezes e commendador Fonseca. Começou )a visita 
mtrando oa galeria de píaturas. Gonheoedor dos me- 
lhores muzeus da Europa» Soa Majestade mostrou de* 



305 

sejos de examipar especialmente as prodircções de ar- 
tistas portoguezes, pelo que o sr. marquez de Sousa 
lhe foi indicaiMlo as que se vêem na primeira sala, que 
s3o» como mais salientes, os quadros de Metrass e do sr. 
Lupi, que foi apresentado como actual professor de pin- 
tora histórica. .'Na segunda sala prestou Sua Majestade 
moita attençSo ao grande quadro de Vieira Lusitano, 
que representa Santo Agostinho, á copia da transfigu- 
n0ão de Raphael e á da communhao de S. Jeronymo, 
de Dominichino, executadas pelo sr. António Manuel 
âa FoDseca, artista que Sua Majestade conhece pessoal- 
mente^ tanto que duas vezes perguntou por elle. Nesta 
sala a estatua em mármore feita pelo sr. Simões d'AI- 
meida causou vivo interesse a Sua Majestade por saber 
que era obra de; um pensionario do estado, que apenas 
acaibãra òs seus estudos. Na terceira sala, que contém os 
quadros comprados com assommas dadas pelo senhor 
D. Fernando, foram as obras de Sequeira que mais at- 
trahíram a attenção do imperial viajante, sobre todas 
o esboço que representa a allegoria á constituição de 
-1820. Na mesma sala o retrato de Vasco da Gama foi 
om dos objectos por que mostrou mais interesse, tanto 
que: perguntou se não haveria alguma copia, ao que 
lhe respondeu o sr. marquez de Sousa que existia uma 
Ktbographia e duas gravuras, e que um d'estes exem- 
plares lhe seria enviado. 

Ainda que um pouco apressado,' Sua Majestade foi 
mqstrando sempre desejos de tomar conhecimento do 
que houvesse de maior interesse artistico ou histórico; 
e 08 quarta sala observou todos os quadros com muita 
atten^^ sabendo que o maior numero d'elles perten- 
ceram ao espolio da sr.* D. Carlota Joaquina, comprados 
em 1859. Na quinta e ultima sala, onde se conservam os 

20 



306 



quadros perUnceotes á chamarda escola portugueza^ o 
sr. marquez de Sousa notoq^-lhe em poucas palavras 
o que se tem escrípto áoerea da existOMiâ' de Grâo 
Vasco, e apontou-lbe diversos objectos earacteristicosy 
representados em differentes quadros, que moito preá* 
deram a curiosidade do illustre visitante, sempre ifida* 
gador e intelligeute apreciador. £ na parte histocka 
sobiietudo em que mais se manifesta o interesse de Saa 
Majestade, e por isso, passando a examinar a coilec^ 
dos objectos d'arte ornamental, minuciosuneote ois6^ 
vou as inscripções gravadas em difversos cálices, m va- 
riados assumptos representados- em baixos retevos de 
muitos dos objectos que alli se vêem, cuja ornamen- 
tação indica o século em que foram executados. Da 
coliecç3o de desenhos antigos^ oqo nuaiero se eieva a 
2:000, estão apenas emmoldurados eeollocados 516; 
mas sSo estes os mais notáveis que possue a Academia, 
e que Sua Majestade passou depois a ver, fazendo seoir 
pre indagações, perguntando com mais interesse, cohx) 
já dissemos, pelos de artistas portuguezes ; e o mesmo 
succedeu examinando a collecção de gravuras». 

Dirigido depois á aula de escuiptura, examiDOU com 
attençãk) alguns dos modelos do monumento ao senhor 
D. Pedro iv, premiados no concurso a que se procedeUi 
e os estudos do sr. Simões de Almeida ; e o sr. Víotor 
Bastos, que já havia sido apresentado como professor» 
apresentou o seu projecto de monumento aos desG(Arí- 
dores portuguezes, que Sua Majestade observou par 
todos 08 ladosy com aquella atteoçio própria de um 
assumpto, que não podia deiaar dô Ibe despertar o 
maior interesse. Acerca do: monumento a CanÉiies di* 
rigiu Sua Majestade honrdsai palaviras ao sr. Basto& 

ir^asfiou depois a risitar wadlas, iJaJgumas dasquaes 



307 

• 

se acbaniam ainda aílgnns discipolos; em segnida foi á 
bibltoUieca, pergwtttndo sempre se exigUam obras escri- 
ptas pôr portugueses* 

Tendo examinado todas as coUecc5es e as aulis, Soa 
Majestade entrou no gabinete do sr. marqoez de Sousa^ 
« alri yíu diversos modelos, em barro, do esculptor Joa- 
quim Maehado de Castro e outros; e entre algumas obras 
do sr. conselheiro Francisco d'Âssis Rodrigues notou o 
bdsto do sr. visconde de Castilho, feito ha já alguns 
amios. 

Finalmente, para completar a sua visita e tomarrse 
agradável aos professores da Academia, Sua Majestade 
disse-Ihes que desejava ver os seus ateliers. No do sr. 
ÀMODciação, que foi o primeiro, notou os seus dese* 
Dbos a carvão, e disse-lhe que já conhecia muito o seu 
Botne e merecimento pelas obras que possoe o senhor 
D. Fernando. Demorourse algum tempo com o sr. Lupi, 
apreciando muito alguns retratos e pequenos quadros 
que tem, uns em esboço e outros concluídos. No do 
SP. Victor Bastos, entre outros trabalhos, observou com 
minuciosidade o busto em mármore, ainda não concluído, 
do grande orador José EstevSo. No do sr. Pedroso, 
examinando algumas provas de gravura em madeira, 
gostou muito de umgs que representam alguns typos 
ft em caricatura ; e, apreciando a gravura, desejou saber 
■ quem tinha sido o desenhador tão espirituoso, ao que 
m respondeu o sr. Pedrpso que era o sr. Macedo, pintor 
I acenogmiphow No do sr. Sousa viu a grande gravara que 
I ( tem enaoikunento para a sociedade proB¥Hora das b^^ 
kn artes; e, examinando a sua coHecçSo de retratos, foi d(v 
sai ttfido oe qoé achava mais Ou noenos parecidos, daqdo a 
mâ estender assim qué conhece quaei todos os homeiíe wh 
\fÊ tareia dpDfisso paia. Vendo o dé Rebelloda Silv»; disse; 



308 



tEste n3o cheguei a conhecer^ infelizmente.» Oatdier 
Ao sr. Sequeira foi o ultimo, e, vendo alguns dos seus 
desenhos de architectura, Sua Majestade perguntou4he 
se era parente do grande pintor, ao que lhe foi respon- 
dido que fora seu tio. 

Finalmente, conduzido Sua Majestade á secretaria' da 
Academia, o sr. marquez apresentou-lhe o diploma de 
Académico honorário, cuja eleição havia tido Ic^ar do- 
mingo, reunindo-se para este fim todo o corpo âcade^ 
mico. Sua Majestade pareceu ficar satisfeito, e agra* 
deceu com aquella benevolência que tanto o caracte- 
risa.-^Foiihe depois apresentado o livro dasassigna- 
turas dos membros da sociedade promotora das bellas 
artes em Portugal, e em seguida aos nomes da familia 
real portugueza Sua Majestade escreveu: D. Pedro de 
Alcantara.'-^Eg\}9Ímen\e lhe foram apresentados todos 
os catálogos e relatórios da mesma sociedade, o catalogo 
das obras enviadas á exposição de Madrid, o dos obje- 
ctos offerecidos pelo governo de Hespanha e outros da 
Academia, depois do que Sua Majestade se retirou, des- 
pedindose de todos com a maior affabílidadé. » 



Camará dos pares 

Da Academia das bellas artes passou Sua Majestade 
á camará dos pares, e tomou logar na tribuna do corpo 
diplomático. Apenas constou que o Imperador chegara, 
quasi todos os membros da camará hereditária o foram 
comprimentar, sendo recebidos com a costumada afih- 
bilidade. Sua Majestade mostrou desejo de foliar ao 
sr. barão de Villa Nova de Foscòa; e logo comparecea 



309 



€st6 digno par, com quem Soa Majestade conversoa 
por algum tempo. 

Nos corredores da camará, encontrou o Imperador 
o sr. bário de Joanne, e, logo que o reconheceu, se lhe 
dirigiu, 6 fallou-ihe com a mais perfeita cordialidade: 
Saa (Majestade estivera com este distincío cavalheiro em 
Villa Nova de Famalicão, sua residência, e onde tem 
exercido e exerce importantes cargos públicos. 

'Da camará dos pares foi Sua Majestade á Torre do 
Tòinbo, onde viu e examinou alguns dos mais notáveis 
documentos que se acham naquelle ríquissimo repo- 
■sitorio. 

Visita á Escola Polytechnica 

O director d'este estabelecimento, o ár. dr. Pereira 
da Costa, e os lentes, srs. Bocage, dr. Lourenço, José 
Júlio, Pina Vidal e outros, receberam o Imperador. 
Primeiro dirigiu-se ao muzeu mineralógico; depois pas- 
mou ao amphitheatro de chimica, onde o sr. Aguiar, dís- 
tíncto lente de chimica mineral, estava dando aula. Sua 
Majestade demorou-se alli cerca de um quarto de hora, 
d3o tendo acceitado uma cadeira, que lhe fora offere- 
<cida, é indo sentar-se no meio dos alumnos. 

Q sr. Aguiar tinha preparado algumas experiências 
bastante delicadas e curiosas, que Sua Magestade não 
pôde presencear, por ter ainda de visitar a Imprensa 
Nacional. A galeria do amphitheatro achava-se repleta 
de assistentes. Sua Majestade visitou por fim o mueeu 
' mineralógico, sempre acompanhado pelo corpo docente 
da escola, a quem mostrou o maior agrado,- testemo- 
nhando o elevado conceito que ficava fazendo d'aquel(e 
Mtabelecimento seiantifico. ' 



940 



Visita á Imprensa Nacional : 

Ás três horas eDcaminhavi-se Sua Majestade o bn- 
perador do Brasil, a pé, da Escbola Polytechnioa para 
a Impracisa NactODal. O Imperador era esperado A efr* 
trada d'este importante estabelecimento pelos sts. cúb- 
selheiro Firmo Augusto Pereira Marécos^ adeoinistra- 
dor geral; Angelo Raphael Vecchiato, contador; P^dro 
Caeiro Rodrigues, thesoureiro; Pedro Pinto de Mo- 
raes Sarmento e Francisco Angelo de Almeida Pereira 
e Sousa, empregados da contadoria; directores, mes- 
tres, chefes e fieis de todas as officinas e armazéns; pri- 
meiros e segundos revisores, iBtc. Aos respeitosos com- 
primentos de todos correspondeu Sua Majestade de 
modo tão singelo quanto agradável. 

Começou a visita pela officina de gravura, onde ob- 
servou, entre outras peças, os medalhões em baixo re- 
levo, representando os monumentos de el-rei D. José, 
D. Pedro iv e de Camões, em Lisboa. Attrahiram-lhe 
a attenção os trabalhos das três machinas para gravar, 
que viu funccionar. As machinas de Guillocber e a 
macbina pantographica, destinadas para gravar chapas 
para notas de bancos e papeis de credito, executaram 
diversas gravuras. A terceira macbina, para copiar qual- 
quer obijecto em relevo, como medalhas e ornatos, ex^ 
cutou sobre uma lamina de cobre a copia da medalha 
coda o busto do sn D. Pedro iv. Sua Majestade viu taa- 
bem as differentes gravuras em cobre e madeira e os 
difiSceis trabalhos dos typoâ em aço (punções) que for- 
necem á fundição dos typos as matrizes necessárias para 
fiindir. Vi0 as chapas executadas para um processa de- 
nominado «impressão natural»» cujja gravura é oÍAida» 



3lt 



peia impressSo 9obre ia chapa; dos próprios ofojeótos na* 
tQFaJBis, laes Mmo ptantaa^ inteiras^ folhas soltas» e4ç% 
Este proesssD tem applída(to pêra as differentes obras 
que traetam do estodo ^a botânica; reparando Sua Ma« 
jesladte fim trabalhos de: i^avura pholographica execo^ 
'tados^ pdíos novos processos, assim como os bons refiui^ 
tados obtidos pelos processos da galvaiíoplastia, e (|ue 
eonstdm de chapas de cobre polidas^ de grafites dimea^ 
d&es^ copias de diflforentes medalhas, de chapasi grava* 
das a dé muitos dutros objectos. È director d'esta ofr 
fidoa e» sr. José Leipold. . 

■■ Stguidamente visitou o hnpenador a officina de fur^ 
dição manisal e mechanica, sob a direcção do sr. Ignacio 
Laaer.^ fazendo menção especial da rapidez dos tràbah 
lhos è perfeição dos prodoctos ; dignando*s6 ássistír á 
esteriotjpagein do Boletim do Jornal do Commercio do 
Rio de Janeiro, que de Lisboa se remette pelos paquetes 
trasattantícos e da carreira do Pact^co; observando 
egnalmente os trabalhos mechanicos e os instrumentos, 
assim como as matrizes, e todos os mais utensilíos de 
que se compõe este valioso serviço. 

Examindu também Sua Majestade o armazém da venda 
dos: typos, sob a responsabilidade do sr. José António 
IMas^ em o qual estão valores de mais de sessenta con- 
tos de réis fortes. 

Passou o augusto visitante a examinar a impressão 
neohamca e a simultânea, a cargo do sr. José Bento 
Bsteves« Em sfgmida dírígiu-se também á impressão 
mamnl, aonde foi aoiUcitado.para ver a fikraoa ou ehapa 
de ofiD elegante escodo das armas do imperíô, e do 
fiial ihè foi òfferecida um exemplar pelo distinoto ar- 
tista> o srv Francisco Guilheme Tito da Siiva, contra- 
mestre da escola typographica, impresso a ouro e-prata 



342 



em setim verde pelos srs. Leonardo e Spínola, sob a íd- 
specçSo do contra-mestre dos impressores, o sr. Fran- 
cisco de Paula Nogueira. O Imperador dignou-se ac« 
ceitar a offerta d'este primor artístico, executado a fi- 
letes de zinco» em que exclusivamente se empregou o 
material typc^raphico. Como ornamenta da corAa impe- 
rial brasileira lô-se, além de lodos os nomes das provio? 
cias do império, o s^uinte : Descoberta do Bra^ pelos 
portuguezes em 1500 — ^IntroducçSo dà imprensa no 
Brasil em 1808 •— Independência do Brasil em 4822 -^ 
Promulgação da constítuição em 4824 — Expulsão dos 
hollandezes em 4654 — Acções victoriosas no Para- 
gay em 4868 — Elevação á cathegoria de reino em 
4845 — Fundação da capital no Rio de Janeiro em 
4763. Sob a cor6a lô-se: Dedicado d nação brasileira; 
no centro da esphera : Emancipação dos escravos em 
28 de setembro de 4874. 

Passou Sua Majestade o Imperador ás vastas salas 
da officina de composição typographica sob a direcção 
do sr. João Manuel de Freitas, onde pelo sub-dire- 
ctor o sr. Maurício José Dias lhe foi apresentado o 
sr. João Maria Pinheiro Falcão, decano dos typograpbos 
portuguezes, que conta 60 annos de serviço naquelle 
estabelecimento. Continuou o Imperador dirigindo-se i 
escola de composição ; e concluiu a visita na contadoria 
e administração superior, honrando o livro: dos visi- 
tantes com a sua assignatura, querendo confundil-a en- 
tre outros nomes, e não acceitando para tal fim pagina 
alguma especial do livro mencionado. Mais< de uma vdz 
consultou Sua Majestade o relógio, lamentando não po- 
der demorar-se mais uma ou duas horas^ por estar com- 
promettido a comparecer no paço da Ajuda ás cinco 
horas e meia. 



313 



Soa Majestade p Imperador dignou-se acceitar a of- 
fertav qoé o sr.xonselhpiro administrador geral teve a 
honra dê lhe fazer»^ em nome do estabelecimento, das 
sq[aíntes interessantes publicações: Spedmen da fufh 
dição éos^íifpos^-^nhmg^táiçlo eâmer^da; Ignez d§ 
Castro, episodio dos Latsia^as, em portugaez, hespa^^ 
nhol, francez, italiano, inglez e aliemSo, sendo este ulti- 
mo idioma composto em caracteres germânicos — ediç3o 
de luxo ; Carta eonstittêcional da manarchia portugueza 
— edição especial com as paginas guarnecidas de filetes 
emnbetas, impressa.em preto, a ouro e azul ;:i^n6^ de 
CofUnye Adamastor, oom a traducção franceza do sr. 
Escodeca de Boisse-^ edição nitida; Homenagem da 
Imprensa nacional -^ poesia do sr. V. de Castilho — 
com vinhetas impressas a quatro cores, ouro e prata ; — r 
Breve noticia da imprensa nacional — edição ordinária; 
uma valiosa collecção de mappas geographicos, coro- 
graphícos e topographicos, gravados em pedra, litho- 
graphados e cbromolithographados. A composição ty- 
pographica dos 4.^ 3^ e 5.* trabalhos acima meneio^ 
nados, foi executada pelo sr. Augusto Gesar Pereira da 
Cunha, mestre da eschola de composição, e a dos 2.^ 
« 4.^ pelo sr. Joaquim Pedro /das Neves; sendo a im- 
pressão de todos feita pelos srs. João FranciscQ Sa- 
raiva,! miestre da eschola de impressão,, e Francisco de 
JRaoia Nogueira, ou debaixo de sua vigilância. 
' Depois das cinco horas da tarde despedia-se o Im^ 
perador,. manifestando o mm agrado pelo progresso ar* 
lísttto que encontrou em todas as secções d*esto esta- 
belecimento, o qual mereceu ser classificado — um dos 
primeiros do concurso, pelojury. internacional -da ex- 
fiosíçao de Plaris <em 1967,^ qi^ lhe conferiu orna mer 



3U 

O mòâo «orno ^ hniperador lerbiprêsitoQ doraalB a 
ftua visita á ImpreiM Nacional^ é om novo galardoa ao 
digDO dbéh d^aqoelle impcMlainte estabeledtíHtato Da« 
cioual d aos seue empregados teehnícose artiatafi^ que 
tftdto 46m cooperado para ttie ooiiqi»sUr tao dfetíàçiD 
logar na mhrstría typographieaM^ 

Fasto no paçft dfájttdA 

Foi sumptuosa ^ magnifica a (eakí dada pdoB no- 
narchas portagueze» em hotinai de setis impériaes tios» 

N9o tendo obtido informações' particolares» pedi^ 
mos licença para aproveitar a minuciosa deaeripçioieiti 
pelo iliustrado correspondente doij9fnmaret0cíòParlo> 
e qoe é assim: 

<0 sarau da corte esteve uma festa verdadeiramente 
real, e tão digna da pessoa que a deu como d^aquelias 
em honra de quem se fizera*^ El-rei quiz- festejar o re- 
gresso de seu augusto tio, o Imperador do Brasil* a 
Lisboa, e fel-o de um modo brilhantíssimo. Perto de 
mil pessoas assistíram ao concerto e podem dar teste*' 
munbo de quen^obae^xaggenação em se considerar o 
sarau dado hontem no paço em honra do senhor D. Pe- 
dro II como uma das melhores festas que tem havido 
no paço domonarcha portugttez. O jantar, dade Cambett 
em obsequio aos imperiaes viajantes, começou ás'Sete 
bora^ da tarde. A meza e apparadores estavam deslnmr 
brantes pelas magnificas peças de prata le ourada ríqois^ 
síma baixella, crjstâes e flores qpe a adornavanu 

Sua Majestade a rainha tinha À direita o Imperador 
do Bragil, eáet^queíK^ et^relEX-Fernand^^i No centro, do 
lado opposto, estava a Imperatriz, tendo etHreí D. 



316 



á direita, e á esquerd» o ar. p^residente do conselho de 
ministros. 

Doiraiitá o jaQtfir CBteve tocando nQ átrio do paladid 
a excellente banda de musica da guarda muDicifioA de 

Findo o jantar, seguiu-se o concerto, que, comalgamas 
leves aáterações^ loi conforme ao prx)gramma^ e qué dra 
assim «ODcebido:. 

Primeira "piii^tQ . 

i.** Abertura tia opera «Marco Spada>>) executada peia 

orchestra da real camará — ■ Aiater. 
i."^ Homanza «La Sèrénade», pelo sr. A. Stagno^-ii- 

Schubert. 
3." Fantasia original, para trompa, pelo sr. J. T. Del- 

Negro — Del-Negro. 
4."* Duêtto «Dei i^catori», por Madame Fricci Ba- 

raldi 6 o sr. A.Ootogni-— Manzocchi. 

Segumda parte- 

5.° Unisono do õ.** acto da opera «Africaiía» , execu- 
tado peia orchestra com iastrumenios pertencentes 
a Sua Majestade el-rei o senhor D. Lui2 «-^ Mêjerbeer. 

^"^ Roi»ân2a^ russa «On Meniaio, peto sr. Li MiUer-- 
L Paflrikõff. 

7.- Nocturno de «D. Pasqual», d^eHopor mtdemoi- 
selle L. Harris e o sr. Stôgno '— Donizetti. 

S.f Fantasia sobre motivos da opera «Martha», para 
' titíloncello, pelo «r. J. A. Sérgio da Silva ^^ Paqoe. 

"9."^ Ich grolié iii>ehtKRoman2a» eUngeduM «RooKiiih 
-za» por Madame FVieci Bardtdi -^ âoburíiatm Setw- 

i-í kert.- ■■:'■■' ■ ^ ' - ■■••• . "■• • 



316 



Terceira parte 

40/ Abertura, pela orchestra, da oporá aGíralda» — 

Adam. 
H."" Romanza «lofamero», pelo sr. Cotogni-r-Cam* 

pana. 
i2.** Rondo por madamoiselle L. Harris, escrípto ex- 
pressamente para o tinal da opera «A filha do regi- 

mento» — G. Cossoul. 
43.** Fantasia sobre motivos da opera «Um baile de 

mascaras» (de Verdi) para saxophone, pelo sr. A. 

Neuparlh — Neuparth. 
44.^ Tercetto da opera «Guilherme Tell», pdk>& srs. 

A. Stagno, A. Cotogni e Miller — Rossini* 

As peças de canto foram acompanhadas ao {Mano 
pelo sr. Guilherme CossouL Dirigiu a orchestra e os 
solos de instrumental o mestre da real capella, Manuel 
Innocencio Liberato dos Santos. 

Findo o concerto, ' abriu-se a porta do grande salão 
da ceia, e foram servidos com profusão os mais deli- 
cados manjares aos convidados de el-rei. 

Todas as salas estavam brilhantemente illominadas, e 
produziam excellente effeito, mas nenhuma como a da 
ceia, muito mais espaçosa do que os outros salões e illo- 
minada com mais de mil velas de stearina. Á entrada do 
paço encontravam-se dois grandes repucbos, que dei- 
tavam constantemente agua. Arbustos, grandes vasos 
com flores, muitos espelhos, indicavam desde logo que 
no arranjo do magnifico palácio da Ajuda tinha havido 
o maior esmero para aquella pomposa festa. Entrava-se 
pela sala do bilhar, seguia-se um espaçoso salão reser- 
vado para o jogo, depois um pequeno gabinete eooi 



moveis antigos de subida valor, em seguida outra grande 
sala bom retratos das pessoas reaes, moveis de muito 
gosto e rièas porcellanas de Sèvres; entrava-sé depois 
na vasta sala do throno, depois para uma outra sala, 
onde estava grande numero de cadeiras para quem qui- 
zesse assistir ao concerto, que se eiFectuou nâ Bala im- 
mediata, chamada de D. Jo3o iv. Nesta sala estavam 
cinco cadeiras douradas, onde se sentaram a Imperatriz, 
em seguida el-rei, depois o Imperador, em seguida a 
rainha, e finalmente o sr. D. Fernando. 

A sr.* condessa d'Edla nSo assistiu ao jantar, mas 
^ assistiu ao concerto, sentando-se na primeira fila de ca- 
deiras destinadas ás senhoras, tendo sido conduzida 
áquelle logar pelo braço do sr. D. Fernando. ^ 

Quamdo começou a ceia, a Imperatriz foi pelo braço 
de el-reí, a rainha pelo do Imperador, e a sr.* condessa 
d'Edla pelo do sr. D. Fernando. 

Sua Majestade a Imperatriz trajava de setim verde e 
rendas brancas; no penteado, flores; adereço de pé- 
rolas, e a banda de Santa Isabel em brilhantes. Sua Ma- 
jestade a rainha vestia de setim branco e cauda azul 
com grinaldas de flores; adereço de brilhantes e pé- 
rolas ; nos seus formosos cabellos estrellas de brilhantes. 
A sr.* condessa d'Edla, de veludo côr de rosa e cauda 
de veludo verde e rendas brancas; nos seus louros ca- 
bellos flores e estrellas de brilhantes; adereço de pé- 
rolas e brilhantes. A esposa do sr. Nogueira da Gama 
(camarista do Imperador) vestia de setim escarlate e 
brilhantes, assim como a sr.* viscondessa de Caslello 
de Borges. De setim amarello e rendas brancas ves- 
tiam as sr.** viscondessas de Almeida e da Gandari- 
Dha, a eisposa do ministro do Peru e madame Alvim. 
De verde com flores e brilhantes trajavam as^sr.*' mar- 



D18 

queza d'AcapuIgo, viscondessa de Menezes, condessa 
de Penamai6r e sua ktQS, e madame Feroandes de;k8 
Rios. De branco coib flores, madamoiseilei GUoka, D. 
GabfielU Unhares, viscondessa de Moraes Sarmento, 
madenoòseUe de Gerando, condessas das Alcáçovas e 
de Casal Ribeiro, viseoodeasa de GhanceUeif as, e as sm- 
ninas Bonsfigi e Angela. De selim cõr de perob; oom 
rendas e brilhantes, a sr/ okarquesuiide Ávila, viscon- 
dessa de Vai da Gan»a, condessa de Linluares, condessa 
de Sousa Coutinho, marqneza de Angeja, viscondessa 
de Valmôr e D. Carlota Moncorvo. De azul a sr/ con- 
dessa da Torre, e as filhas dos viscondes de Almeida. 
De côr de rosa a sr/ D. Mathilde Segoier; da meaõia 
cõr a sr/ marqueza de Penafiel, etc, etc., ele. 

Oâ Imperadores sahiram logo que* acabou t eeía, 
sendb acompanhados até i porta por ei-ret que dava 
o braço á Imperatriz. 

A rainha ao despedir-se da Imparab^iz b^joa4be a 
mão, e Suas Majestade Imperial corre^KXideu a esse 
comprimento dando-lhe um beijo na face. 

Quando os últimos convidados sabiram do Paço da 
Ajuda haviam dado quatro horas da manhã. 

Dia 12 

Suas Majestades resolveram visitar neste dia o ma- 
gnifico convento de Mafra. 

■ . ■' ■ 

VisíU a Harra 

Chegaram o^ Imperadoires a Mafra eram fiiasi de^ 
bqrs^ Ciiaeia,! <, 



3A9 

Quando chegaram á porta da real tapada, deu uma 
salva a bateria de qoatrabdcasde fogo, que alli estava 
postada, guarnecida pelos alumnos do real collegio. Os 
«limmos e.Q di9slicaaienta de sD&ntaiia 40 forma<«am 
á|)Of ta 4a tapada. . 

Pdsco d^i6^ ofaeg^ el^^rei, que foi saudado com 

Ao hdé do corpo eoUegial estava o estado maior do 
edlegie» a professorado e o general director. 

!0 alwinoR.'' 5, commandante do batalhio ooUegial, 
apfdstntod depois a Suaa Majeâtades o mappa da força, 
segundo a praxe militar. O mappa era desenhado á 
pQnba oom toda 3: perimia e quasi microscopicamente 
scbf 6- om tPO()béQ das armai» de Portugal e do Brasil, 
i]a4 otísta8<d'oBiat lindíssima- photographÂa, que repre- 
MDtava o grandioso monumento de Mafra. 

Suas Majestades viram o templo e suas depeádenoiaa, 
os magníficos iparameoftos: e aHaias em perfeito estado 
de eonservaçEto;, o palácio, parie do convento, a vasta 
e eteganle biblioAbeca, o coUetgio militar, o asylo dos 
filhos dos soldados, a c^sa de fazenda do coUegio, al^ 
gmsias aulas e a sala de. esgrima. 

Foi apresentado por el-rei ao Imperador o distincto 
poeta e escriptor, o sr. £stacio da Veiga, o qual offe- 
reoqu m exemplar das suas obras ao monarcba bra* 
stleirò;-- » , : . 

Tamben ogeofcal/direttor lhe apresentou o notável 
esoriptor; o âa Lodano Cordeiro, que egualmdnte pre- 
senteou Sua Ma/esitade com um axemplar dos seus 1 i vroa. 

O sr. Joaquim da Conceição Gomes offereteo ao Im- 
peradon um exemplar dà soa oiieittoHa deseriptíva do 
momumeotot ide Mafra.. . :. : 

Sahiram Snasí Majestai^s»:é>BmA e> meia^da tande. 



3ã0 



Volta a Lisboa 

Depois de Saas Majestades chegarem da sua excardo 
a Mafra foram comprimeDtados pelo ministério^ pelas 
deputações das duas casas do parlamento, por uma com- 
missSo da academia real das sciencias, pelos srs. Men- 
des Leal, marquez de Rezende, general da, 1'/ divisão 
militar e seu estado maior, generaes de brigadas, com- 
mandante da guarda municipal, officiaes* superiores dos 
corpos da guarnição, membros do coipo diplomático^ 
e muitas pessoas da corte. 

Também foi recebida por Soa Majestade a sr/D» 
Maria Emitia de Sousa Martinni, Tiuva do coronel D. 
Manuel Martinni, particular amigo do Impei^dor D. Pe- 
dro IV, e um dos heroes, que primeiro deram o grito 
da liberdade em Thoniar. 

Esta senhora íôra encarregada por seu marido, quando 
elle jazia no leito da dór, e estava ás portas da morte, 
de conservar a espada que lhe pertencia, e de offere- 
cel-a ao filho do Imperador, caso este viesse um dia a 
Portugal ; obrigando-a , sob juramento, a cumprir este 
encargo. 

O monarcha brasileiro commoveu-se perante esta 
prova de saudade e aflfeclo, e perguntou á viuva por- 
que não conservava aquella relíquia de se^j fallecido es- 
poso: ao que a sr.* D. Maria Emilia respondeu que 
simplesmente era depositaria d'aquBlle abjecto, e qoe 
de Abrantes viera expressamente para o entregar ao 
seu verdadeiro dono. 

Então Sua Majestade recebeu á espada ; mas logo 
lhe disse: «Como agora é minha, peço-lhe que a ao- 
ceite de minha mão, como presente meu.» 



A viavir fiéoci mmtè^eoiiteóte' ebm eáta resohçaadot 
Imperador, pois eontinuaira a conservar aquelki lem^f 
l^ançaideiseu saudoso maridb; e S«a Majestade reeom-' 
iiien(teo*lhe que*, quatido se lb# ofiféreoeBse' occasiSo» ' 
comparecesse na legação brasileira; em Lisboa; 



>i) 



Depois de jantar ibramí Soas Mlijestades ao thealroj 
dá Gjfináasioi onde se representavam o dramia — Arte, 
pearia e caridade, e as* comedias— O lenço bremco — 
Não fáUa mm sobeja nada a minha mulher — >^ Rosa-' 
rt^-, batina e chaffAre. A orchesti*a do theatro tocou ò* 
hymno tH*asileiro ; e o sr. Brás Martins, distíncto actor 
e aaetor, recitou uma poesia de sud.composiçio, sau* 
daado o sr. D. Pedro n, a qual foi muito applaudida. 
O' theatpo estava cheio. Compareceu também o sr. D. 
Fernando e sua esposa. . 

Ás* dez horas e meia foram Suas Majestades para o 
theatro de S. Carlos, no qual o espectáculo se compu- 
nha- da opera* Z). Carlos, e da dança Dançarina^ Esti^ 
vwim sempre no camarote do monarcha portuguezi.- ' 



Dia 13 

Era este o ultimo dia em que Suas Majestades viam 
o azul do céu d'este bello paiz. Iam terminar a sua 
viagem na EuiDpa e dizer adeus a esta ferra, que os 
recebeu com o carhiho e enthusiasmo, que merecia uM 
monarcha illustrado, chefe d'uma naç3o ligada á nossa, 
pela bistoria,' pelas tk*adições, e pelos costumes. 
- Nao faltando, wò^ seus inveterados mus hygienicoe ha** 

31 



aaa: 

bitoSi ;o< Imperador sahiu do botei ésjeteboras e vinte 
mioutoft da maobS, e, sem ouUt) acompanhamento» qoe 
o respeito devido a tão excellente monardia^ foi i phoito- 
grapbia Aux aru.mms, estabelecida na raa nova dos 
Martyres, aonde se fez retratar. 

Concluido este trabalho, dirigiu-se Saa Majestade a 
ver o aquedacto das Aguas livres, soberbo monumento 
do reinado de D. João v, utilissimo á capital que o 
possue, e digno da attençSo do viajante apreciador. 

Depois passou o Imperador ao palácio das Necessi- 
dades» O imperial viajante é íntimo amigo do sr. D. Fer- 
nando, com quem cobserva as mais affectuosas e cor- 
deaes relações. E assim, antes.de retirar-se, quiz ainda 
almoçar com Sua. Majestade, e mais uma vez se encon- 
traram reunidc^ aquelles dois mpnarchas, ambos illos- 
tres pelo talento e pela fama de suas virtudes civicas. 

Almoçou pois o sr. IX Pedro com o sr. D. Fernando, 
terminando o almoço ás onze boras e um quarto. 

D'aqui foi Sua Majestade para o palácio das Janellas 
Verdes, onde visitou mais uma vez a Imperatriz viuva. 
Eram as ultimas despedidas feitas á esposa de seu pae. 
Imagine-se como seriam commovedoras e expressivos 
aquelles momentos tristes, em que o corpo parte, mas 
a alma fica presa pelos laços da mais terna amizade. 



Visita a S. Vicente de Fora 

N3o quiz Sua Majesti^de: deixar Pprtugal sem qu6 
Qiktra vez fosse orar junto das cinzas de seu pae. 

Quasi meia hora depois do meia dia entraram os Im- 
peradores no mosteiro de S. Vicente de Fióra^ sendo 
recebidos á porta do paço patriarcbal pelo sr. patriar- 



329 

t 
t 

<^ha, acompanhado dos sens famalos. O prelado coo- 
duziu Saas Majestades até á casa dos jazigos da família 
<]e Bragança, onde os augustos viajantes fizeram oração. 
De S. Vicente foram Suas Majestades para o hotel, 
e ahi se despediram do proprietário e mais empregados, 
agradecendo e louvando o bom tractamento que lhes 
linha sido dado. 



^MMMM/>/^«/«/«MA/\MA4U«yMVM^«/» 



Ás doas horas partiram os Imperadores e toda a sua 
comitiva para o arsenal da marinha. Já aqui estavam 
€l-rei e a rainha com seus dois filhinhos, o rei D. Fer- 
nando, o ministério, presidente da camará municipal, 
ministro do Brasil, contra-almirante Cardoso, visconde 
de Soares Franco, D. Luiz de Mascarenhas, conde de 
Linhares, marquez de Ficalho, muitos altos funccio- 
narios e pessoas da nobreza. 

Sua Majestade a rainha e os príncipes fizeram alli as 
suas ultimas despedidas a seus tios, e n3o foram ã 
bordo do vapor. 

Os Imperadores, com os srs. D. Luiz e D. Fernando, 
tomaram logar na galeota real. O ministério e o sr. 
marquez de Ficalho entraram Boutra. Seguiam alguns 
escaleres, conduzindo as auctoridades superiores de ma- 
rinha, o sr. director da alfandega e outras pessoas. 

Estas embarcações largaram de terra em direcçSo ao 
Boyne, paquete inglez, que havia de conduzir ao porto 
de seu destino os monarchas brasileiros ; e logo as em- 
barcações de guerra salvaram, subindo os marinheiros 
ás vergas a dar os vivas do estylo. 

Chegados ao vapor, foram Suas Majestades recebidos 
pelo commandante e officiaes, e pelo duque de Saxe, 
viuvo d'uma filha dos Imperadores, a sr.*" D. Leopol- 



32^ 

dtfia, princeza de muitaa viitudeSt ba pouco fo^lecida 
emVienna d'Austria« Os imperíaes viajantes desceram 
iamiediatamente á camará para ver-em os seas dois oetos, 
que o Imperador não conseotía ficassem na capital da 
Áustria, pois os quer educar e dirigir, teuçkH)s a seu 
lado. São duas galautes crianças, já muito desenvol- 
vidas e discretas. O Imperador quer dar<lhes uma eda- 
' cação verdadeiramente brasileira; e, como o secretaria 
da legação perguntasse se os príncipes fallavam portu- 
giiez, o senhor D. Pedro u' acudiu logo: cFaUam^ e 
também o allemão e o francez ; mas faliam portuguez 
todos os dias, que é a sua lingua» e que em quero que 
saibam i^uito bem.>^ 

Voltando á tolda, os imperiaes viajante^ coaversairam 
muito com os senhores D. Luiz e D. Fernando, e coojt 
outras pessoas que alli estavam* Ò Imperador fallou ao sr. 
Ayres de Sá Nogueira, por quem enviou recommenda- 
ções para o nobre marquez de Sá, julgando que este 
illustre veterano não iria a bordo; mas o heroe da liberda- 
de não faltou a despedir-se do filho do seu commandante. 

Também Sua Majestade Imperial se deteve duas 
vezes com. o sr. Filippe de Carvalho, director da Cffc- 
respòndencia de Portugal, excellenta folha de Lisboa. 
Perguntou-lhe se elle alguma vez iria ao Brasil, e ma- 
nifestou desejos de o lá ver. Por esta occasião o sr. 
barão do Bom Retiro, batendo no hombro do honrado ' 
jornalista, disse para o Imperador: «Aqui temoa uia 
bom amigo nosso.» Ao que Sua Majestade replicou: 
aBem sei; já nos conhecemos do Lazareto.» 

Emfim eram três horas e meia da tarde, e a ma* 
rinhagem do Boyne ia fazer os preparativos da par- 
tida. Então se fizeram as ultimas despedidas, e por isso 
mais sQtemnes e tocantes.. A Ipiperatri^i com. os oltios 



. » 

ftisos de iia^fAtta^, ábfbcoii oâr^ínhò^meMd o seoMr 
D. Luiz, e beijou-o na face direita. O Imperador abi^açoti 
afp€!ttadain6Mé sett dobt*inhfo e ounlKido; é togo ambds se 
dirtgii*ám pârk botado dft ^lèòta. 

Qtt^o od ttiòíi^rchas portaguezes etitr&vàm na g&^ 
leotã, a tt^ipulaçSo do vapòt* levantou três hourras, e a 
tntrsica de hútúò tóòoú o hymno real. 

Eram cinéo lioras da tarde^ hora designada patU a 
partida do Boyne. Ó vapor largou da boia^ e, majestoso 
€ ^reno, seguiu tejó abaixo. 

Os Imperadores fizeram com os lenços as uttiibas 
despedidas, e foram com os olhos fitos em terra, até 
que a ddadé, dimrnnindo pduco a pouco de volume, 
se escondeu áos olhares saudo^s e gratos dos sjínpà^ 
thicos ImperadCH^es do Brasil. 



nintiiiiiaçOei 

Na noite de 7 de março as illuminações em Lisboa 
foram esplendidas. A praça de D. Pedro offerecia uni 
aspecto brilhante e phantasti^. Do lado sul da prâçd 
«t-guia-se uta elegante pórtico, formado por extraordi^ 
nario ntimero de bicos de gaz*. Do lado norte estava 
espletididamente illúminada a fachada do theatro dé 
D. Maria ii, ão âòpé do qual se estendia uma extensa 
fileira de grandes candelabros de gaz, ligados por lindds 
grinaldas tatnbem illcíminadas. Em tomo da praça scin*» 
tillavam milhais de laminarias íias quinhentas e tantas 
janèllàs que para alli se «brem. Aos lados dò monu^ 
mento de D. Pedfo iv havia dm» infinita quantidade 
de Idtíies, capi*icbos«menté dispostos em elegioites ébé* 
l»cód. Ná òí*Rl do gMdde pmMopimáôi ^pe ton- 



326 

stitue a praça, avultavam muitos caudieiros e ramos 
de açucenas luminosas. 

Mais de quarenta okil pessoas, reunidas naquelle local, 
admiravam a prodigiosa exuberância de luz, que deslum- 
brava os olhos, e offerecia um aspecto magnifico e original. 
Todos os edifícios públicos e grande numero de 
casas particulares illuminaram-se prodigamente, sobre- 
sahindo entre as mais esplendidas as dos srs. Bruno Al- 
vares Lobo, Vianna, M."® Aline, visconde d'Ouguella, 
Paulo Cordeiro, visconde da Gandarinha, e hotel AUiance. 
O passeio do Rocio também estava deslumbrantemente 
illuminado. 

A commissSo dos festejos circumscrevera á praça de 
D. Pedro e passeio do Rocio as illuminações que havia 
projectado, e por isso nestes dois pontos se agglome- 
rava uma grande multidão, ávida de gosar estes bri- 
lhantes espectáculos. 

No dia 8 repetiram-se as mesmas illuminações, tor- 
nando-se notável a da sociedade Recreação philarmo- 
nica, estabelecida no Arco do Bandeira. A ornamen- 
tação da fachada do edifício era de um efieito surpre* 
hendente. Na varanda priacipal e nas laterâes havia um 
grande numero de jarras com flores. O quadro, que 
occupava toda a varanda da fronlaria, era composto de 
três mil bicos de gaz. Superior a este quadro desla- 
cava-se uma bella coroa imperial, formada também por 
muitas luzes, e tendo aos lados duas estrellas vivamente 
esplendorosas. No tympano, de cujos lados corriam duas 
pilastras illuminadas, erguia-se um globo encerrando 
uma estreita magnifica, ladeada por elegantes ornatos. 
Um tropheo de bandeiras e duas coroas com as armas 
de Portugal e Sabóia eram realçados por luzes iriadas. 
No dia 9 houve as mesmas. ilÍuminaçS|e& da ^oite aa* 



•327 

tecede&te ; tão se accendéndo » poréínvi |iór causa do 
vento, os magníficos obeliscos na praça de D.tPedrq. 
As casas das associações Grémio popuk^^ Clv^iàição 
'jwptiiiir estiveram embandeiradas* éilhâainadá^ nestas 
três noitesí;'",' •■ ■ í^-- 'i- - ^- -i- ' 



• : . . . • > lí 



PrgMtiteB elÀfhrtfts fèiUs em Lisbeà 
. a iSiiaâ^Mm'e8Ude8: 



• I 



1 . 



Em Lisboa iambem Suas Majestades receberam dé 
grande numero de cavalheiros • e damas muitas provas 
de estima e (X)n8idéraçSo nos presentes e mimos que 
lhes offereeeram. Alérá dés que já temos mencionado, 
receberam mais os seguintes f 

-^ O sr. vice^consul do ftrasH na liba Terceira, Joa^ 
4pvm António de Mendonça 'é ' Menezes, offerèceu > ^no 
dia 7 a Sua< Majestivde o& Anfèoes da Ilha Ttrmrai com 
rica encad^naçio; uma photográ^hia, em ponto grande, 
^a cidade de Angra; o livro miitiihdú Noticia do' iàt- 
chipelago do^ili^id^/peteisr/Accurçio Garcia Ramos; 
a bidgraphfa ^dcr ^. niarquez de Ávila e Bolama, pelo 
srJ André Meirelfes do Canto e Castro; e fiiialmáite um 
ii^oe utnsoneto,èscriptos expressamente, e dedicados 
ao monarcfaa brasileiro por mr. Gustave Kerpim. 

•—A sn,^ D. Maria G. Coutinho Botelho offereceu a 
Sua Majestade um hymno intitulado Recordaçõ^ da Pa* 
tria, e uma^ polka> Feliz Begressé. Estas pé[^s musicaes 
mnsicaes tinham sido desempenhadas pelas bandas de 
musica no dia em que foram oi^ecidas. ■ 

:*^0 sr. Ernesto Augusto Desforges dedicou ao Im^ 
parador a ceSmèdía' eib um acto Durante o reinado de 
D. Pedro II, representada pela primeira ve^ bo dia 8 
oo theatfo (iá> roa dos Goadésj ! t u 



^338 

-^iSua MajeaUde, a ar/ Itoperatriz viova, díz-se que 
.preafipteou seu augusto aoteado eoia «Igumaa joÂaa ^ 
mibid^ #a1oc-*r . 

:-*rO sc.AÍfredo de Atbaida m^ftregou Bo4ia«9ia 
Saa Majestade Imperial uma comedia, qua «soreveia, 
intitulada ilrfó, jpo^na e caridade. 

— Q 9r. SeveriaMi. José éiAhreá, aclíflU de can- 
teiro e de esculptera, mm ^liffiemá «a calçada do Com- 
bro, ofifereceu ao Imperador uma linda coroa imperial 
è uma almofada, febricadas 4b ipedra líoz. JSstos /bem 
;6xêcuta(k)s lobjectoa bSo de apparecer na iexp(i6i(^ cpie 
•ae tenciona realiaar so Brasil, <e bão áe depois ser ocA- 
jocftdos sobre o tumulo de O* Pedro iv em S. Víoeota 
de Fora. Além doestes objectos pnesrateou o âr^ Sem- 
Tiat)o José de Abreu aM^ittperadbr cem doi&Jiodos de- 
<sanb6is feilos por seu filíio, o sr^ JoséHigiiel d^AIwM, 
ique aetuftlmeintoéf)fofes8âr de desenho naUniv^ensidade. 

•*-0 ^r4 Afitomo Gregório de Freitas, cootnhalmi- 
rante; veoeraiido ancíSo encanecido no serviço ioaritimoi» 
compcK algumas peças metricss e dedicouras m Impo- 
rador, em iu)me dos veteranos da liberdade. ' 

-*^A sr/ Tiscondessa de Mene&es prescniteoa ^ In- 
perati4z com uflaa linda pintura a óleo, obra do sr. m- 
conde de Menezes. 

^ A ar/ D. losepba d'Almeida e Vascoaoellos, mU 
do sr. df^ José d'Almeida e Vaáooncellos^ secretario dt 
legaçSo brasileira em Montevideu, compoz para piaio s 
canto um harmonioso bymno dedicado ao Imperador. 
A auctora tenciona i0ipirimtr>o hymno; e, em acçio de 
graças á Providencia pela feliz "viagenn. de Sitas Majes- 
iades, >dem)erou disibibuir o producto á'eU6 por asf los 
« pessoas necessitadas. 

— O sr. José Ribeiro Neves, auditor dn enaroito aa 



8S0 



- >ir ynif 



primeira dívififlo nrilitarr, offerecea ao iAiperoidor t) re- 
trato de seo wfiisAo pat, tihado; poucas horas ílepois 
^ faHecido, pelo tMsIebre pintor PHnm^vllta^ 

— O sr. José Marianno Ferreira presenteou Sm Ma- 
jestade oom um bomM quadro fetto á vpétmá: O sr. 
Ferreira é artista musi60, mascnAliva coM esmero este 
género ée t|Qdb«ttio% ^ 

H-iQsr: dr:'Peí!Soto de^Brito, iconsdl geral deBMsil 
em Hespanha, deu ao imperador xm bellissimo qtíadh) 
do celebre pfiQtor Muríllo. ^t > 

— A sr/ D. Maria GiOheuoffereoeu ao senhor 1>; Pe- 
dnd um Oumto hef^ico, acompanhado do se«i retrato. 

^O sr. frsfDcisco Palha, tourtando^he qaeSw 
Mqeistade mfcxstrara empenho em possiair algum wUh 
grapho notável de Âhaeidâ Garrett, mandou-Uie, piir lú- 
terven(^ de' ministro do Brasil uma comedia ou pro- 
vérbio do íllusUre poeta, iálitulada Ummiivadó nó Dá- 
fundú^ escriptsi^ expresBamente para ser represe^tadisi 
na casa etpÀ^ta do offerente; e também lhe mafiddb 
uma 'earta em terso, eguâlmente de Garrett. ' 

•—^0 sr. ^bade Castro deu ao Imperador umía cartti 
autographa da ramha a senhora D. Cartota Jeaqiiiúa de 
Bourbon» eacripta a sea fillio o sr. D. Mipel éê Bt%- 
gfiúÇÊii AxM cartas, autoj^raphas também, dó sr. D. Pé- 
<)ro I, imperador éo Braà, para seu irmSo e^^sr. D« Mí- 
foel ; <e outra, egualmeute autographa^ da imperatriz do 
Brasil^ a sr.* ti. MaHa Leopoldina Josepha €aíiolikid, 
Arctil-^uqueea â'Ausito*ia, psnra seu cunhado, o mestub 
sr. D. Miguel de firagan<$a. O conteúdo d-é^tas cartM 
prende com a farsiieria de projectado casattieàto da isr%'* 
D. Maria ii com seu tio o sr. D. Miguel. 

— O sr. António Pereira da Cunha, um bello exem- 
plar do seu excellente poemeto — O voto de d-rei. 



330 

^^ A companhia de fundição Per$evemnça, um busto 
^m bronze do primeiro duque de Palmella. 

— Ó sr. Jb>9o Wagner Rusâd, as suas pautas calli- 
graphicas. 

-^ O sr. JoSo José Lopes, a àua taboada methodica 
dos rudimentos de arithmetica. 

— Os srs. Lisboa & G/, encadernadores, um exem- 
plar da biographia do sr. D. Pedro iv, escripta pelo 
sr. marquez de Rezende, mordomo-mór da imperatriz 
viuva. O valor d'este presente consiste principalmente 
na eacademaç3o, que é riquissima. 

— O pbotographo, o sr. Rocha, um albom contendo 
pjiotographias de alguns monumentos históricos, e entre 
ella9 a que representa a cama em que falleceu o duqae 
de Bragança, no palácio de Queluz. 

— rO sr. Hernâni da Fonseca Braga, o distincto e afa- 
mado pianista portuense, ofifereceu ao Imper;;dor o seu 
retrato. Encontrando-se com Sua Majestade Ido theatro 
de S. Carlos, pediu-lhe licença para lhe dar essa prenda, 
e no dia seguinte foi ao hotel entregar-lh'o. O joven a^ 
lista estivera no Brasil ainda criança, quando ao^ sahir 
da infância trocava (como d'elle disse J. F. Laranjo) o 
3eu diapellinho por grinaldas de loiros e de rosas que 
lhe ofifereciam nos theatros e nos salões e apertava com 
ellas os anneis ou os caracoes dos seus cabellos. Fora 
ent9o recebido pelo senhor D. Pedro n no seu palácio, 
e por elle e por toda a Familia Imperial tractado com 
a mais amoravel galhardia. O Imperador reconheceu 
ainda este talentoso joven, apezar de ter já trocado as 
graças infantis por uma vigorosa adolescência. 



M nntmtM» 



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QUINTA PARTE 



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1 ! • l ,1 



Q FVAMOOE OLIVEIRA 

(Por occasiâo dos incêndios de l^áris) , 

UNGIDO A m JÚ4KSTAA(ÍQ^I|mA||Í)Í.(0 mm W. 91 Q^A 9 l!(^TI16AL 

Ao grande cidadão, egrégio imperador, 
No throDO exemplo a reis, no mundo emulo a sábios, 
(Homenagem que sobe ingénua d*alma aos lábios) 
A ardente aspiração (reste voto de amor. 



Bastft.de a^Bolff^o ! Bastai de impio^. aM^mbroaii 
Cubra o lance inaudito um pudibundo véu ! 
Qed^q» ^Í9#<a^.prapto; €| su^ja dos.^e^^ibvQft 
O ramo de c^ÍFeiria, alçado para o céu! 

Basta 4e wwA alirpffi.M Ai! pôde,,pdde iiislmlljes 
Consentir esta edade — a edade da razão — 
Enti^et o campo talado,, e. 09 mntoa fumega^tef^ 
Após ^.iit^iia \iicta,. a de^ irm&o cant];a,.imlo !. 

Fdde yer^ o^m^ pa:Qtesto, o,, redobrar d& mor^te 
No recrescer da vida e na estação do amor ! 
Quando tudo se anima em festival transporte ! 
£ em tudo a novo fructo aspira a nova flor !••• 



QestrAAça^a ^oAiCastqes, sorria a prímav^4^« 
Na msutt!^. e- na caqipina, em sábea e rosaea$ 
E além^i^arConTuIftaQ^da iuâammada cratevai^ 
Soluçava o terror, coadensayam-Be oa w«. 

Sob at ^^mik baroiooiLa, em ooncierto execr^nâQrt. 
A rugirenv Qo espaço O8:pavoro0P0 sons! 
Uma. orgia, da sangue! um inferno^ Uisultando» 
Da natureza aç \w, 49t onmipotei?^ oa dpoa I 



••^•. 



O tréixmlft a^cíftoi. ^ esposa em tresvario — 
Uma vinyal um pao -^ na. turba, vagpm bós ;, 
ISlJLat.Níobeíii^erte; elle, spectro b(hx$^;. 

Qa oUmj&.iM9.In»o;,a8 bocoaiEi J4.8WE^ t^» 



334 

E maÍ8|e mais (que horror!) no seio oppresao e fraco 
Da pàtnjK ^t^a4dl^ api ISbrVartt^iibgrales/^ 
Fere a espada de Sylla e o punhal de Spartaoo, 
Implacaym o braço, em demência as paixões!;». 

O vasta capital, ó necrópole vasta, 
Aviso é te^ á^^i^ei.eteví ipcendÍQ. los : 
Esse quáiu-b; liç&o: é o crfibé infando... Pasta. 
Da oliveira surgia o ramo ao pé da Cruz ! 

' . * ■ ' n ■ • ■■■ 

Que o século proclame os triumphos vaidosos 
Da sua illustraçâo, desmentidos assini. 
Desviai a humanidade os olhos lacrimosos. 
Seus votos outros são. É bem- tmtro o seu fim. 

Cuidtf alguém progredir, tentando -em louco assalto. 
Violento desligar do que foi o-qúe é? 
Vem d*alma o enthusiasmo: a fé vem de mais alto. 
Motores, estes dois : o enthnsiãsmò e- a fóf 

Filha da humanidade, a musa, que na aijrora 
8e enleva e se revê, e ao qUe soffire bemmz. 
Ante as ruinas pára : e já não canta, chora : 
Chora o immenso holocausto, e os delírios febris ! 



ni 

Que strophes soltará, que nfto saiam queilumes?... 
Ajoelha, inclina o rosto, e o laurel virginal 
Depde ^lúgubre offerta a profanados Numes) 
Do gemo éreador no roto pedestal. 

Buscando a inspiraç&o na vos da consciência. 
Aqui só pôde a lyra um hymno desferir. 
Grave como o dever, meigo como a clemência, 
E esse para exorar, esse para pedir : 

«Paz, 6 Deus de piedade, 6 Julgador Supremo, 
« Vóff, que ^ pobre amparaes^ Vós, que os mundos regeis ; 
cPaz, que' a extrema discórdia impelle ao oríine ^tremo; 
«Paz éútre os povos, 8im,-'paz também eutre os rds! 



335 

«Renasça o casto affecto, a confiança, a lida; 
«Tudo o que fas viver; tudo o que faz amar; 
«A nobre aspiração que ao largo affú; oonvida; 
«O lavor dá officiná; à abundância no lar. 

«Sagrada seja a lei 'da justa liberdade, ' 

«Que o direito, a isenção, eguaes em si contém; 

«Guie o ardor juvenil, sustente a sociedade 

«Um fàndamento -r^ a crença; nm attrativo^^o bem. 

«Corrija-se aambiçfto, que adaUa, engana o povo, 
«£ instrumento e degraus de torpe egoismo o fae. 
«Seja emfim novo timbre a propósito novo 
«O ramo de oliveira-^ o symbolo da paz !> 

Junho; 11—1871. Mendes IjeaL 



^^yx/v^/y^*- 



SONETO 



Chegas, Senhora, emfim da viagem gloriosa. 
Viste Líondres; Paris, a Hespanha^ a Itália, o Oriente : 
Em todo o teu caminho o povo sorridente 
Abençoou teu nome. Imperatriz virtuosa. 

Mas quando a tua vista immersa em luz saudosa 
Teu prtiz avistou, Parthenope a indolente. 
Que se espelha no azul do golpho transparente, 
A tua alma. Senhora, ergueu-se lacrymosa. 

Inclinaste um momento a fronte scismadora. 
Mas vendo ao lado teu o Esposo, que te adora. 
Na luz do teu olhar nascija outra saudade. 

Viste ao longe o Brasil e as bênçãos que te chamam, 
E presentiste o amor, dos aue hoje em ti acclamam 
Na Imperatriz modesta a nor da caridade. 

Coimbra. António Cândido Gonçalves Crespo, 



336 



. i ,n'-. • ,: . • < 



Depois de dirigir ob cnricoii eodibatei; 
Nesi^t do Faraguaj lÚiada brilhante, . 
Qual phiioaopt^ grego em bnaoa da adencia». 
y^ a. fiiria arrostar da pdiago inconstaffltei. 

Freeode-te o louvor nas eytharàa sonora» • 
'Eim remontado yôo apregoando ao miindo^ 
Que onde a choça gemeu, snrge, sorri Thereaãv 
£ onda está a desgraça, está Pedro Segnndox. 

Como nm raio de sol, teu génio borafaxejo 
A mansarda penetra, aonde soffre o bravo; 
Desce onde é morta a luz e a idéa tem algemas 
Onde escacêa o p&o ou chora o pobre escravo. 

Artes, seienctas, gloria, intelligencia, tudo 

E todos em si têm gravado eternamente 

O sello do teu génio e alma elevada e pura, 

Que assim te creou Deus e assim te julga a gente. 

Oh ! sê bem vindo pois á pátria inda gigapte . 
De Castro e Viriato; e pois. a Providencia 
Imitas nas acções, é bem que tua gloiâai 
Chegue até onde vai tua munificência. 

Já sem fé no porvir a velha Europa em rainas< 
Inveja-te o Brasil, esse outro mundo novo. 
Onde, ao influxo teu, germina a liberdade 
No ardente coração d*um grande e nobre povo. 

E tu que outro como elle em si tão grande e nobre 
Sentes redemoinhar cantando-te váetoria, 
Guarda na mente augusta o eoeo da suas vozea, 
Que elle o teu nome guarda em seus fastos de gloria. 

Porto. Antónia Teiaseiray de - Maotdo, 



3»7 



lesia recitada no thaatrjQ.dé S/ Jo&o, àa cidade do 
Porto, na noite da 11 de março, pelo sen anctor, 
o ar. António Pinheiro Caldas 



Venho saudar-te, oh Bei! Da campa erguido^ 
Rasgaudo n medo a funehre mortalha, 

Resurjo inda uma vez, 
P'ra depor a teas *pé8 o canto extremo, 
Que a gloria me inspirou, e a pátria amada, 

E o brio portuguez. 

Venho sandar-te, oh Rei ! Na fronte augusta 
Tens,. fulgente, o esplendor da majestade 

Que '00 ostenta roal. 
Filho i Ilustre do heroe D. Pedro Quarto, 
Es modelo dos reis J — rei deniocrata 
^ D'um poYo liberal. 

E é grande o povo teu ! grande d'aIentos, 
D*altas aspirações, d^emprezas úteis, 

i)'um arrojo viril ! 
Colosso vasto, immenso, ergue-te ufano I 
A Europa inteira te proclama excelso 

Império do Brasil ! 

A tal povo, tal rei ! — Grandioso quadro ! 
Que povo ! ,que s6 presta honroso culto 

A liberdade ! e á lei ! 
E que rei ! que despreza áureos palácios, 
E olvida os p:ozos, e os festins da corte, 

P'ra ser um nobre rei ! 

Exulta, Portugal! Empunha, ovante, 
O estandarte das quinas sacrosanto, 

Velho, mas sem rival ! 
Saúda o filho da gloria e do progresso : 
E teu filbo também ! É o rei prçstante 

D'um império immortal I ' 

22 



338 

Tu, ob Porto, sacrário, sempre etomo, 
Do grande coraç&o d*am rei amado, 

£zalta, inda uma yez ! 
Se Pedro Quarto honrou o Porto amigo, 
. , P^^o Segundo exalta, com mil feitos 
•*' ' ' O nome português ! 

Curvando-mé, enlevado, ante esse throno, 
Que tem por áureo 8ceptt'd á libêtiladèj' ' 

E por diadema a lei ; 
Interprete fiel d'um povo inteiro, 
A ti, Pedro Segundo, elevo o brado : 

cGloria l ao egregid Bd !» 



A SUA MAJESTADE 

• « , ' • • ' ' 

o SBÍiHOR á PEa)ÉO II 

IMPERADOR hm BRASIL 

Por occasião da sua vinda a Lisboa 

aa regressar da sua viagem 

pela Europa 

cÂlém dó mar de Atlante existe, impera, 
«Um príncipe sem par, novo Antonino:» 
Ha seis lustros repete de contino 
Fama que o sobe á syderal espbera. 

«Será voz lisongeira, ou voz sincera?» 
Dizia, ouvindo-a, sceptico malino : 
Hoje diz, vendo o Excelso Peregrino: 
cA Fama o proclamou qual é, qual era. » 



• ■* 



Ella applausos excita, e mais se expande,. 
■ ^'fixalçaiidô tal GeÁto; èmf bens fecdíido; 
Digno qae a povos cem presida e mande. 



i' .• k. * * 



Assim a Europa inveja ao Novo Mundo 
O sábio, ophílantropo, o justo, o grande, 
O dás letras cultor, Pedro Segundo. 



^A/\/^/^/\/v>^/^/^/^/^/^/^/V>A'V«M«^/^« 



In Augmtissimtm et Potentissimum Brasiliaè Imperch 
torem Petrum Secundum, post quam amores hominum 
muUorum vidit et urhes)», Olysiponèm advenientem, iú 
suum patríum imperíum mox redUurum. 

Orbis tot visens Veteris miracula Petrus, 

Non stupuit vltís : noverat illa prius. 
Musarum cultor, voluit cognoscere vates, 

Et doctos, doctus, jussit avere viros. 
Félix quáe tâli Brasiliã principe gaudet, 
. Quo rectore, potens, prospera, laeta floretl 
Âttamen, haud totum Petruoi sibi vindicet illa» 

Lysia quem possít paene vocare suum. 
Brigantina Novo, Domus illustrissíma, Mundo, 

Sceptra tenens, populos, lege regente, beat: 
Sed, quae nunc illic tollit se vértice ad auras, 

Quo nata est arbos, fertilis usque, solo? 

SalvA» Gaesar I Ave Petn dignissima Conjux t * 
Tu, Gaesar* nobis, semper, ubique, fave ! 

Aritonim Jòsephus Viale. 

^'Esta poesia' é do sr.' cdiTs^lheiro António JòééTial^, 
muitaB vecés (iòéttnna súbéit^eVèr com aqnèllás lUiciaeá. &' 
tem o appellid)í>; dé qnó álfáê'pouco usa, de Lodi. 



e 



• • 



340 



A SUA lAJI&IADI IIPKUAIQ SHÍOÍI I. PKDÍlO SEfiÉDi^ 



«»/»m>*»»>/\<%^A^«w*/\<w»^y 



li 



Homenagem da Imprensa Nacional de Lisboa 



fiaizaste, Tisle, encheste-te . 
de mais eaber fecundo. 
De um mjindo já decrépito 
leva ao tdu joven mundo 
nessa alma a aurora esplendida 
dos grandes fados seus. 
Herôé desceste o sólio, ' 
deíiando pendurada 
na mór palmeira a épica» 
a yiiãgadora espada ; 
e ovante o Império incólume 
saudou-te semi-deus. 

A Filha, que solicito 
no Throno teu sentavas, ' 
— Solta, disseste, os vinculos 
das gerações escravas 1 — 
e ao voto dos philo^ophos 
deu o anjo execução. 
Bênçãos em choro nnisono, 
que ha de ecoar na historia, 
desde os confins hrasilicos 
levem a vossa gloria, 
do orhe culto ou harharo, 
á extrema povoação. 

Desceste grande e máximo 
do sólio mais brilhante ; 
e, desvestindo a purpura, 
simples audaz viajante 
correste o mundo, attoulto 
de ver-te e de te ouvir. 
Buscavas as sciencias, 
aos sábios dando espanto ; 
colono, artista, artífice, 
te ouviam com encanto, 
que tudo em toda a lingua 
Babias-exprímir. 



I Pàsmaa Brf tannia^ Gallias^ 

l a cavalheira Çespanha^ 
a Elisíà terra de ítalos, 
a tétrica AUemanha; 
e a todas na pirâmide 
vais o porvú* sondar. 
Volney melnor, nas tácitas 
rninas das idades, 
cpmo no estuar cahotico 
das viva« sociedades, 
andaste ouvindo oráculos 
da sciencia de reinar. 

l Sob o Uçreado tumulo 
o teu Virgilio, Cr^-se, 
de haver cantado òs Cezares 
quiçá se arrependesse; 
e á Cumêa vate próxima 
remurmurou talvez: 
— Por este é que dos séculos 
a ordem grande assoma, 
e Astreia em mundo incógnito 
funda mais alta Roma. 
Marcello este é ; teu príneipe 
sonhado, alfim o vês. — 

Finda com céus prosperrímos, 
senhor, tua Odysseia, 
vens restituir>te aos júbilos, 
aos vivas de Ulysseia. 
Has tresdobrado gloriaft 
ao grão Progenitor. . 
Podes no régio Pantheon 
ir a seus pés devoto 
firmar de novo o altissimo, 
o siicrosanto voto 
de ser do herdado Império 
Poq^tuo Defensor. 



341 



O céu a tir no Atlântico 
te reconduza ao Throno : 
^ande o desceste, sobel-o 
maior : immenso abono 
dos. bens sem fim, sem numero, 
que hâo-de por ti nascer. 
Um dia, o que ás estatuas 
soube antepor ens\nQ3;. .. 
de ouro a haverá, e 'àioreola 
de raios diamanticfos 
« honroso incenso em cânticos 
de uàiversal prazer. — 



Assim cantou profética 
musa que ha tempo largo 
jazia em melancólico 
regelador lethargo ; 
deram-lhe abalo á cythara 
mil ecos festivaes. 
Em galas o dó lúgubre 
j^rocado num momento 
juntou sua. voz ao publico 
' victoriaBbr concento ; 
e ousou laurear-YOS trémula, 
brazòes imperiaes. 



Ao Imperial Traductor do cCinque Maggio» 

devotamente eonsagra ' <: :; 

CçistUho, ,.. 



«\/v/\<wy»/v*/v</%^^\^<v»/v^^ ^ 



Soneto recitado no tbfiàíxo 4o-6ymna8io 4e Ltoboa, 
na noite de ià de marçp; pelo sen auctor, o sr. José 
Maria Braz Martins 



<i 



. Se a amizade provada nos visita, 
se as virtudes do sólio devisâmos, 
se a presença d^um sábio desfructâmos, 
jubiloso sentir nossa alma agita : 

Mas, quando o Rei^ o sábio que se fita^ 
o sangue tem d^Aquelles aue prezámos, 
é, por «eus actos mil — o bem -^ gozámos, 
no peito a gratidão cresce e palp&ta I 

.^ rude, a minba voz, e sem ensino, 

gúe do saber a luz não está comigo. . . 
Imbòra : surja o brado do( mofino. . . 



• • i-r:.; 
: ■ * i " 1" 

« 

•I) .1..".í 



Se, Pedro é Grande m» npfaçp dando abrigOyM . 1 li- { 

. pefipitta.aQ;pobre,arJtÍ8^aj?cg?*cntiw?i. : . ...,.\ í[ „/. 

* •) '''^, respèitiSdptí^tó^^^ 1' '' '^^ ^^ 



h' 






tDDITAMENTOS 



Recebemos alguns escIarecimeDtos quando já não era 
possível incòrporal-os no livro, nos logares competen- 
tes, e por este motivo resolvemos iuseril-os aqui. 



Recepção de alguns emigrados portngnezes 
' no Porto 



O sr. Jo3o Luiz de Mello, alferes do extincto bata- 
lhão de empregados públicos, obsequiou-nos com uma 
descripção, da qual apenas, por ser extensa, extracta- 
remos alguns períodos mais curiosos e interessantes. 

No dia 1.° de março o sr. João Luiz e o sr. general 
Mosqueira partiram pelas cinco horas e meia da manhã 
para as Deveras. Quando o Imperador entrou no salão, 
que tinha sido improvisado nas Devezas, o sr. João 
Luiz pretendeu beijar-lhe a mão, e conta assim esse 
acto: — «O Imperador apertou franca e rapidamente a 
mão das cinco pessoas que estavam adeante áe mim. 
Chegou a minha vez. Tomei-lhe a mão. Com um rá- 
pido e pequeno movimento mostrou persuadir-se que 
ea lh'a queria bçijfir, pretendcju retif^l-a. Apçzar» po- 



8&3 



réQi»da<suaí rigorosa força, teve de ceder áfcrçadé 79 
aimos e um mez. Forcei^o a deixar-me béijafplhe a miBò, 
e a Mcaral-o &€e a face, o que tudo se pQttoia eott^ 
rapidez do relaflipago» . 

O sr. Jo3o Luiz e general Mosqueira, acompaiAiarãm 
o imperador á qiúnta do sr. Agostinho Francisco Velbo, 
que tem dois mirantes, d -onde se descobrem as posições 
das linhas do Porto. O general Mosqueira esteve dandb 
informações ao Imperador. 

«Á noite compareceu a minha commissao de quatro 
membros. Eram sete horas e meia, veiu um escodeílto 
perguntar-me se eu sabia quem era a commissSo <de 
emigrados, presidida pelo sr. barão de S. Lourenço. 
Mostrei-lb'a. Disse, que tívessemos^a bondade de o acom- 
panhar. Seguimol-o, fomos apresetitados pelo cônsul, 
que nos disse ter sido Sua Majestade Imperial quem Ifab 
ordenou que nos mandasse chamar, e que estava na sab 
para nos receber. Ao lado direito do Ifnperador e^tatvam 
os dois cavalheiros que o acompanhavam desde a sabicb 
do Brasil. No logar superior estava a Imperaftrits, sen- 
tada em um sophá, e em cadeiras lateraes, da parte di- 
reita, a sua aia e uma afilhada, e a viscondessa da Trin- 
dade e a ^posft do vice-consul, o sr. Agostinho Velho. 
Logo que entrou a commisi^o na sala, o Imperador deu 
dois passos em frente, para a receber. Eu fa ao tadb 
esquerdo do presidente, levando debaixo do br&ço ttúá 
pasta coberta de setim azul claro por iòh, e foíradia 
deítafetá brancov atada com dois laços de boas J9tas bran- 
cas> e dentro d'ella a allocuçSo; • 

ff O preádonte dírígiu-rlbe o seguinte coftiprhsMittf: 
Tenho a hoE^a de compriínentar a Vossa Majestade* Im- 
perial, ^ nome de uma commis^ de emimidoèi^ (|dé 
iMMDeoii' esta a que presido^ para em sen^toÉié apÁft- 



344 



sentar soas felicitações a Vossa Majestade Impeilal pela 
hoora qne acaba (te fazer a esta cidade, com a sua vi- 
$ita^ e pedir ao mesmo tempo a Vossa Majestade Im- 
perial a graça de acceitar a felicitação, que em Biome 
darrferída commissão vimos apresentar. 

cO Imperador respondeu : — Recebo com muito (Afa- 
zer os comprimentos, que em nome d'uma commisâio 
de emigrados me são dirigidos, assim como a sua fe- 
licitação». 

, cEu já tinha aberto a pasta. O sr. barão do Bom 
Rietira entr^ou a felicitação ao Imperador, o qual a 
meteu dentro da pasta, fechou-a pelas suas próprias 
. mãos» e pol-a sobre um bofete. Dirígi-lhe immmediata- 
mente as seguintes palavras : — Ê mais uma graça es- 
pecial, que Vossa Majestade Imperial acaba de fazer a 
esta commissão, não só recebendo-a em sua augusta 
presença acceitando-ihe os comprimentos de estima e 
respdto, que fora encarregada de apresentar a Vossa 
Majestade, mas dignaodo-se mais ^q acceitar a pasta, 
em que vinha a felicitação. Â pasta não tinha sido feita 
para lhe ser oíTerecida. 

cGontínuei dizendo-lhe, que tinha a pedir a Sua Ma- 
jestade nova e especial graça de permittir que a com- 
missão lhe beijasse a mão, como prova de reconheci- 
mento, e esperando que Sua Majestade Imperial se não 
esquivaria a conceder-lhe mais esta graça, assim como 
me havia feito aquella manhã nas Devezas, pois só a 
custo a pude alcançar. O Imperador sorriu-se; e eu bei- 
jei-lhe a mão. Dirigi-me depois á Imperatriz e disse-lhe : 
Senhora, um habitante d'esta cidade do Porto tem a 
hc^ra de comprimentar a Vossa Majestade Imperial, e 
felicitar-se a si próprio pela honra da visita que Vossa 
Majestade Imperial se dignou fazer-lhe, e pede ao mesmo 



345 

tempo a graça especial de lhe beijar a Ttòo. Levantotí-se 
e respondeu-ma : — Com muito gosto. Inclinei à cabiéçaj.e 
os meus companheiros foram também beijar^lbe a mio» . 
A telicitaçSo é a seguinte: ;^' 

Senhor : — Os abaixo assignadòs, emigrados portuguèzes/qne 
tomaram parte na campanha do cerco do Porto, em deféza d*^a 
<sidade edos legítimos direitos da setihora D. Maria ii, de etetna 
e saudosíssima memoria, vêm hoje, dotninadòs do mais ardente 
jubilo, depor aos pés de Vossa Majestade aS prote8tá((oes sitrce- 
ras da sua extrema veneração e profundo respeito. ; ' 

O coração grandioso de Vossa Majestade Imperial, Senhor, de- 
verá sentir-se forçosamente commovido e triste, nesta' occasifto 
solemne, em que Vossa Majestade se digna receber na sti a au- 
gusta presença as quebrantadas e já quasi èxtinctas reliqúias 
dos companheiros de trabalho e de gloria de seu magnanink) 
progenitor, o senhor D. Pedro iv, que sancta gloria haja. 

vossa Msjestade Imperial, Senhor, acaba do percorrer a Eu- 
ropa com geral admiração das nações que visitou; recebendo 
de todas ellas as mais distinctas provas de coDsidék^açfio e res- 
peito ; viu opulentas e magnificas cidades, que fazem pela sua 
grandeza e esplendor a justa admiração do mundo inteiro ;Mu 
monumentos e prodigios de arte superiores a tudo quanto é ca- 
paz de assombrar a imaginado e òs olhos ; mas o que Vossa Ma- 
;jestade não encontrou nemvíu certamente em paiífce aljguma,'^^foi 
um baluarte de fidelidade, de perseverança e valor como o Porto, 
e onde o coração magnânimo dé Vossa Majestade terá occasifto 
para desafogar em copiosas e sentidas lagrimas a profunda sau- 
dade, deante do sarcophago que encerra o coração de vosso im 
mortal pae. 

Senhor, a cidade heróica, que ahi se levanta aos olhos de Vossa 
Majestade, nãò (^ntém uma só pedra que não seja um monu- 
mento glorioso e sancto, dedicação^ivica e de valor, porque nftb 
lia nelãk uma só pedra que deixasse de ser espargida com ò bsÍbl- 
gue precioso dos martyres, que alli davam as vidas pela pátria 
nos aias augustiosofer de provação tremenda. 

Vossa augusta presença, o sangue que vos gytn nas ye\h% e 
fitíalmente alguns gestos e jnodos que nos são tão próprios, fe- 
zem reviver a saudade extrema de todos os portuguezespor quem 
lhes derribou os cadafalsos, por quem lhes arrortibou os cárce- 
res, por quem lhes concedera generosa liberdade, e principal- 
mente por aquelles que tiveram a honra de acompanhar o grande 
ea^pitão nos encontros e nas batalhas, nos revezes e nos trfum- 
phos, nas privações e íia pesfe. ' 



t ' .'t, 



346 

StaboTi axeeho filho do immortiil D. Pedro zv, não longa d*4qai 
vos aguarda o nobre e generoso coração de vosso humano pae. 
Nfto ine demoreis por mais tempo o devido tributo de vossa bo 
meDageoi e justo sentimento ; e alli, Senhor, quando o vomo oo- 
raç&o desafogar em lagrimas sobre e cofre em que depositado 
está o dom valioso, legado aos portaenses por vosso magnânimo 
pao, sem exemplo na historia antiga e moderna, contae também 
com as nossas lagrimas. 

O céo se digne tomar a pessoa augusta de Vossa Majestade, 
e bem assim a de Sua Maiestade, a excelsa e virtuosa Imperatris, 
e toda a familia imperial, debaixo da sua sancta guardai como 
o Brasil e o povo portagues ardentemente desejam e hfto mister 
pelos estreitos laços^ de sangue e reciproca aimsade que unem 
06 dois povos e os unirão para sempre. 

Porto, 1 de março de 1872. — O presidente da commissão, 
Barão ae S. Lourenço — Conselheiro Joêé Joaqtcm, JSJsUtXê Mo»- 
q^eira^ general de brigada reformado do exercito, e major gra- 
duado do extincto regimento de voluntários da rainha a Sennora 
D. Maria ii. — João António de Moura, voluntário do extincto 
batalhão académico — João JL,vvt de Mello, alferes do extincto 
batalhão de empregados públicos — Franciaco José Sodrigueê 
d^ Oliveira, voluntário, do extincto batalhão académico — JoU 
Maria Cordeiro, chefe de secção reformado do ministério da 
guerra e voluntário do extincto regimento da rainha a Senhora 
D. M-íría II — Jeronymo FUippe Simões, voluntário do regi- 
mento da rainha a Senhora D. Maria xi — Elias Eloy d' Abreu Ta- 
vares, tenente do extincto batalhão provisório de Sancto Ovidio 
— Joaquim Urbano Cardoso e Silva, major reformado e capitão 
do extincto batalhão fixo do Porto — Conselheiro Joaquim Vd- 
Iqso da Cruz, capitão da 1.* companhia do 1.' batalhão provi- 
sório de Vil Ia Nova de Gaya — Luiz Gomes da SUva, alferes do 
extincto regimento da rainha a Senhora D. Maria ii — Alexan- 
dre José Cardoso de Noronha, voluntário do extincto regimento 
da rainha a Senhcra D. Maria n -* Manuel Francisco Pereira 
de Sousa, juiz da 2.^ instancia na relação do Porto, e voluntário 
do extincto regimento da rainha a Senhora D. Maria ijlt- Ber- 
nardo José Pereira Leite, juiz de 2.* instancia na relaçfto do 
Porto, e volu'ntario do extincto batalhão académico -— Aul^o 
Qonççíbfe^ Pinto, capitão tenente graduado da armada, escrivão 
da repartição do chefe do departamento maritimo do Norte, e 
voliuntario do extincto regimento da rainha a Senhora D. Ma- 
ria XI — José VeUoso da Cruz, tenente coronel com mandante do 
extincto 1.° 1;>^^lhão nacional provisório de Villa Nova de Gaja 
-7 Clemente Albino da Silva Mattos Carvalho, soldado do ej^- 
tincto regimento da Senhora D. Maria ii — r Joeié Eslauislau de 



Mf 



JBarrqs. yoljaptarip do extíncto esquadrfto nac^ippal;;^:. J[oêéÁlv€» 
JPtntó da Cúnka/vòíuntSLno do extincto re^imeD^ áa rainha à 
Senhora D. Maria ii — José Pedro MijouUe^ Yòiuntarió do ez- 
tinctp rc|gimento da rainha a S.enhora D. Maria ii. 



S^0%^,^^k^^^0^^^0^W%^0^^0S^^^L^K^ 



O sr. JoSo de Guadalupe Martins Píobeiro, egr«i5so 
da ordem de S. Bento, dirigiu em Braga ao Imperador 
ja'|P(Bguiate fjelicitaçSo : 

Kx ábundantía cordiê Oê loquittir, 
Matth.i cap. 12, v. 34. 

Gratnlatio imo a pectore 

Hevereor Te, veneror atqae saluto latens Majestas, qnae sub 
commiinibas vestibas his miníme latitas, cnm faciem túam omni- 
bns benegnissime ostendis, Teqne perfacilem praebes tiniversis. 
Praebe et Te perfacilem inibi pauperculo, ut et ego valeam Tibi 
dieere: Ave, latem Majestas. Nvmc vero, qnae eractavit cor 
meum aadi, et exhandi verba bona, Domine. Ego dizi in jucun- 
ditate- eordis mei civibas méis: Yirí Bracharenees, qnibas pro- 
bitas, et honestas, qui et vere dib*gitÍ8 adventum Ejus, audite. 
Petrus, amicus noster, advenit: j«m praesentia sua uobiHtAt Ci- 
yitatem nostram. Venite et vos omnes ; et occurramus HH, di- 
eentes: Ave, qui, quod vere es, abscondis ; quique dignatus es 
visitare nos in pace; yultum tuum omnes nos desideramus. Pro- 
perate; sed egosolus et praeíbo, et alIoquar.Yos autem, quae 
pToIoquuturus sim, dicetis tantummodo in cordjbus vestris et 
capita vestra humiliabitis. Et illi dízerunt festtnanter: quomodo 
tu diWs, sio íaciemus nos. Et ecce ego adsum, meque imo de pe- 
etoré MÍ^statis Vestrae salutationi dabo. Ad implendum illnd 
effusiones animi in laetitia manifestabo sic. 

firUditissime Yiator, qui Dei providentia iternm nostrum teria 
snlum, salve I Praeclarissime Petrej magnanimi Petri, cujus nie- 
inoria TCrum est; desiderium nostrum, Fili dilectissime, salve í 
Alo3nn prirai, ac Begis mei fidelissimi, perillustris Avnncule, 
salvei Ezcelse Imperator, atqueBrasiKensium populormn per- 
petue Defensor, ah I iterqm, atqueiterum dicam, salvei Seio, 
'Domine, seio vere qnid sentio; sed ezprhnere illud, néscio. At- 
tftiDin noQOSssabor eloquar, non silesm.' In hoc adventu Mi" 



348 



cissimo Tere eznlto ego, et gandiis vere resnltat terra noetrt: 
quia ocuH mei, et inculae ejus, viderant Eum, qai jure mérito 
Uegum nostrorum anuameratur cum nep >tibu8. £t vere exulto» 
vere gáudio, vere et jubilo, quoniam ad celebrandum adventum 
hunc, cor mundum creavit in me Deus, et spiritum rectum in- 
novavit in visceribus meia. Ah! qui habitat in altie, sedetque in 
throno gloriae suae, ipse dizit : ecce nova facio omiiia. 

Te igitur revereor. Te veneror, Te saluto, lateus Majestas, 
qnae sub vestibus his valde eommunibus minime latitas, cam 
laoiem tuam omnibup bene^issime oetendis, Teque perfadlem 
praebes universis. Nihilominus multi ex ipsis, qui vere sdont 
iliud, quasi qui iion sciant, 8ic dicunt, mutuo loquentes: Quíb 
est Iste, qui non de £dom, sed de Regionibus venit longinquifl, 
tinctis veatibuB usitatis de coloribus, et absqae rutilo ornata? 
£t cor meum continuo ad me, illos audientem: Clama, inqnit^ 
ne cesses, quasi tuba exalta vocem tuam, et annuntia populo ci- 
vitatis hujus adventum Ejus. £t ego illico ad eives meos caris- 
simos: Iste, inquam, Iste fòrmosus in vestitibus suis deauratis, 
gradiens in multitudine fortitudinis suae, et Majestatis. Hodie 
vero, laudabile dictu I nolens omnibus nobis esse molestos,' qui 
virtute sua, quod vult esse, utique est ; hodie, iteram dioo, se 
sua exuit omni ma^ nificentia ; et incognitus, ac sine strepita 
magni apparntus, graditur in médio nostrorum sola in multitu- 
dine fortitudinis nobllissimae animae, et spiritus sui. Iste et est, 
qui loquitur justitiam, et Propugnator est ad salvandum, eui 
praest, populum suum. Qui, cum audissent haec omnia, una você 
dixerunt: vivat Imperator. 

Nunc sponte, antequam interrosrat me dicens: tu quis es? Ma- 
jestati Vestrae, quis sim, dicam. Ego, Domine, qui loquor pro d- 
vibus méis mecum sentientibus, qui et libenter ounc mihimetípsi 
aumpsi honorem, etsi indignus, Monachorum Patris filius, ac 
Regis Regum Jesu-Christi, licet indignissimns, minister sum ego. 
Oloríari me opportet solo in titulo boo. Áh! Nursiae nobili ge- 
nere natus Pater meus Benedictus, Rex coelestis, et Dominus 
dõminantium, ipse est Dominus meus et Deus meus. Sum ete- 
nim Professione Monástica, etgratia Dei id, quod sum:'utinam 
gratia ejus in me vácua non sit, sed semper in mo maneat £n 
vera nobilitas, et ingenuitas, quae mihi vere magnam conferunt 
dignitatem. Sum etinsuper Lusitanus, et Lusitani, ahl veri Lu- 
sitani incessabili você proclamant : regali exprogenie lusitana 
Petrus exortas refulget ; X|ui et nos aniicitia sua honoráre di- 
gnatus est, et visitatione. O quam bónus Ille, de quo multa dieta 
ennt gloriosa ! Sum tandem... at ego jam dixi omnia. Tone per^ 
orabo', dicens: qui Dei filio Jesu-Christo famulor quotidie, me 
i^um ad. Majestatis Vesfatae genua hodie pcovolvo. Seio «mim 



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et vere seio, quod hi, qui faciunt ea, certe quae snnt Caesarisr 
Caesari; et quae Bunt bei, Deo reddunt. Famulari namquesa- 
cris vere decas, imperantibus vero officium est omnium, et mi- 
nisterium, Praeterea quod implebo et ego hoc múnus meum. Koa 
personalitér yenió, quia desunt mihi decoramina ílla,^ qiiibus 
vere indigeo; tjed in nujns, etsi male contexto, gratulationisTe- 
lamine indutus, ac Majestatia Vestrae multa confisus benevo* 
lentia, et bonitate, usque huc securus accedo. Oh! pauper et 
egenus sum ego; sed vera egestas procul a me. Non enim ya- 
cnus aut inanis appropinquo: quas possideo veras opôs omnes 
mecum porto. Nam, desiderium cordis mei tribuit mihi Dominus 
meus: et voluntate labiorum meorum non fraudavit me. Tune 
verae sunt baec divitiae meae, vere et illustrfs sum ego, et uo- 
bilis. Qnid ením prodest hommi, si mundum imiversum lucretnr, 
animae vero suae détrimentum patiatur? Argentum et aurum 
non est mihi, sed est, quod mihi prodest. Aliis affluo divitíis, ali& 
quae poesfdeo sunt preciosa munera mea, quae et Majestati Ves- 
trae offero humiliter, sensns videlicet amoris, adorationis ac re-' 
verent;ia# meae, quos dedit mihi Dominus Deus virtutum. ut hu- 
juscemodiMajestatiVestraedebitum conferre valeam tributi^m. 
Accipiat et Majestas Vestra haec vota mea, quae veraciter vovi, 
et Domino reddo dicens devoti : In viam pacis et prosperitati» 
dirigat Imperatorem, ac Imperatricem, omnipotens et misericors 
Deus : et Angelus Raphael comitetur cum Ipsis in via, ut cum 
pace, saiute et gáudio revertantur ad própria. 

Quinto Nonarum Martii anno 1872. 

Majestatis Vestrae 
Servus obsequentissimus 
Joannea a Domina Nostra de Guadalupe Martins Pinheiro^ 



O sr. A. Pereira da Cunha escreveu ao Diário de 
Noticias a seguinte carta, acerca da sua visita e do of- 
ferecimento do exemplar do seu poemeto ao In) perador: 

Meu caro Eduardo Coelho — Visto que, hoje, se al- 
lude no seu Diário á visita, que eu fiz a sua magestade, 
o Imperador do Brasil, quero contaribe como o caso foi. 

Hontem de manhã, quando eu menos o esperava, 
entregaram-me uma carta, em que se me dizia : 

O imperador desejava receber das suas m3os um 
exemplar do Voto d^el^rei. 



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A está indicação, já de si honrosissíma, juntávam-se, 
da parte de Sua iMajestade, expressões t3o delicadas e 
tSò próprias para dissipar quaesquer melindres politícos 
meus, que eu d3o podia, sem quebra até dos mais tri- 
viaes preceitos de uma boa educa^^o, deixar de o ir 
saudar. 

Fui, pois; e applaudo-me de tal resoluçSo. 

E que duvidas podia eu ter? 

Eotre as Dossas questões dynasticas e o senhor D. 
Pedro II d3o ha nada de commum, e eu não vi em Sua 
Majestade, senSo o príncipe profundamente instruido, 
e o cabeça legítimo de um vasto e florescente império, 
com o qual desejo que de futuro se estreitem ainda 
mais as nossas relações de commercio e de amfeadê. 

Publicando-me estas linhas, muito obsequiará o — 
DeV. etc. — A. Pereira da Cunha; — Rua de Sancta 
Marinha, 14 de março de 1872. 



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Além dos donativos, já mencionados, de Suas Ma- 
jestades, fizeram mais os seguintes: 

Na cidade do Porto deixaram Suas Majestades um conto 
de réis, para ser distribuído em differentes donativos. 

Em Coimbra foram distribuídos, por sua ordem, 
31^5(500 réis a differentes pessoas, por m5o do ex."" 
bispo da diocese. 



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o sr. conselheiro Antonino José Rodrigues Vidal foi 
commissionado pela sociedade Philantropico-Academica 
de Coimbra de apresentar em Lisboa a Sua Majestade 
Imperial o diploma de protector d'aquella sociedade, 
que Sua Majestade acceitou com toda a benevolência.